Lua de Saturno tem cânions que expelem água e é uma das preferidas dos cientistas

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra
Encélado tem fraturas em sua superfície. Missão Cassini analisou composição e traz resultados. : Mapa de calor indica água sendo expelida pelas faixas do tigre
Nasa
Há cerca de duas semanas, falamos neste blog sobre a confirmação da existência de água em uma lua de Júpiter, em Europa, para ser mais preciso. Antes dessa confirmação, sabíamos há mais tempo que a Encélado, uma pequena lua de Saturno tinha um oceano protegido por uma camada de gelo.
Estudo confirma existência de água em Europa, uma das luas de Júpiter
Cassini: Missão de 20 anos da Nasa chega ao fim em 'grand finale'
Até a passagem das sondas Voyagers no começo da década de 1980, os astrônomos tinham poucas informações sobre esse mundo gelado. Com os sobrevoos das duas sondas, ficou claro que o alto poder de refletir a luz do Sol era decorrente de uma capa de gelo que cobre a lua inteira.
Mas uma pergunta ficou no ar (ou espaço): como poderia ser o gelo assim tão branco? A desintegração de meteoros e das próprias luas pequenas de Saturno produzem toneladas de poeira que uma hora ou outra cai nas outras luas, ou vai se juntar ao sistema de anéis. O gelo de Encélado deveria estar coberto por essa poeira. Em outras palavras, deveria estar sujo.
A cor do gelo indica que ele é recente, ou seja, indica que existe um mecanismo que constantemente recobre o gelo antigo (e sujo) com gelo novo (e branquinho).
Encélado, lua de Saturno
Reprodução/Nasa
Em 2005, a sonda Cassini descobriu uma série de fraturas na camada de gelo formando verdadeiros cânions. As fraturas, conhecidas como "faixas do tigre" em alusão às manchas na pelagem desse animal, têm origem no polo sul de Encélado e têm por volta de 130 kg de extensão com um espaçamento regular de 35 km entre uma e outra.
A sonda Cassini revelou também criovulcões ativos, ou seja, vulcões que expelem água fria de dentro das fraturas. Então, além de uma capa de gelo, a Encélado possui também um oceano abaixo do gelo. Se não cobrir toda a lua, pelo menos está em um bolsão de água no polo sul.
Plumas dos criovulcões nas faixas de tigre
Nasa
Desde essa descoberta, a Encélado é a preferida dos astrobiólogos. Possuir água no estado líquido é um dos pré-requisitos para um objeto abrigar vida. Além desse fato, os criovulcões estão permanentemente jogando a água do subsolo no espaço, mas que também acaba sendo depositado em sua superfície.
Diferente de Europa, onde o oceano está blindado por uma camada de mais de 10 km de gelo, em Encélado é possível estudar a composição do oceano mesmo do espaço. Aliás, a própria Cassini fez isso, voando através das plumas expelidas pelos criovulcões para analisar as partículas ejetadas. Resultados preliminares mostram que se trata de água salgada, ainda que seja uma mistura de sais, inclusive o cloreto de sódio, o nosso sal de cozinha.
Um dos fatos mais intrigantes a respeito das faixas do tigre é sua morfologia. Todas elas partem do polo sul, têm uma extensão similar e estão espaçadas pela mesma distância. Qual mecanismo poderia esculpir essas marcas sobre a superfície?
De acordo com uma equipe de pesquisadores liderada por Max Rudolf, da Universidade da Califórnia, é tudo uma questão gravitacional.
A órbita de Encélado em torno de Saturno é muito ovalada, há períodos em que a pequena lua está muito próxima, mas há períodos em que ela está muito distante do gigante Saturno. A diferença de distâncias se traduz em uma diferença de forças gravitacionais ao longo da órbita, de modo que esse estica e puxa faz com que o gelo se rompa e mesmo se derreta. Essa ação é mais eficiente nos polos, e faz com que o gelo rache nessas localidades e as rachaduras gigantes se propaguem para o equador.
E como essas rachaduras ficam equidistantes umas das outras? Como é no fundo delas que se abrem os criovulcões, o material expelido a uma alta pressão acaba se diferenciando quando estão no espaço.
As partículas mais leves são capturadas pelo sistema de anéis de Saturno e as mais pesadas são atraídas de volta a Encélado, caindo e se acumulando ao redor da fissura. De acordo com Rudolf e seus colegas, a concentração de neve se dá a 35 km de distância de onde ela foi expelida, e o seu acúmulo faz o gelo afundar, formando novas fissuras.
O mecanismo é complexo, mas se baseia em dois princípios simples: o de forças de marés e o congelamento da água. São as forças de marés que fazem o gelo se derreter quando Encélado está se aproximando de Saturno e quando se afasta dele. O congelamento da água faz a capa de gelo se expandir, trincando em sua extensão.
Uma pena que depois do fim da missão Cassini ainda não exista nenhum plano de lançar outra sonda para estudar o sistema de Saturno. Junto com a Europa Clipper, que vai estudar a lua de Júpiter, elas dariam um ótimo avanço na busca por vida em outros lugares do Sistema Solar.
VÍDEO: REVEJA A CONCLUSÃO DA MISSÃO CASSINI
Sonda Cassini revela que anéis de Saturno seriam mais recentes do que imaginado

Por que um terço dos países mais pobres enfrenta ao mesmo tempo epidemias de obesidade e de desnutrição

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra
Sistemas alimentares estariam por trás do baixo crescimento e do comer em excesso em países de baixa renda, segundo estudo. Sistemas alimentares podem estimular consuma em excesso de alimentos de baixa qualidade
Getty Images/BBC
Um terço dos países mais pobres do mundo lida, ao mesmo tempo, com níveis altos de obesidade e de subnutrição, que deixa pessoas magras demais. A constatação vem de artigo da publicação científica "The Lancet".
O relatório afirma que o problema seria causado pelo acesso global a alimentos ultraprocessados, e por pessoas se exercitarem cada vez menos.
Obesidade é a segunda causa de morte evitável
Obesidade é doença e pode ser causada por vários fatores
Os autores pedem mudanças nos "sistemas alimentares modernos", que eles acreditam serem vetores do problema.
Os países da África Subsaariana e da Ásia são os mais afetados.
A publicação estima que cerca de 2,3 bilhões de crianças e adultos no planeta estejam acima do peso, e que mais de 150 milhões de crianças apresentem crescimento atrofiado.
Muitos países de baixa renda e de renda média encaram os dois problemas ao mesmo tempo, a chamada "dupla carga da desnutrição".
Isso significa que 20% das pessoas estão acima do peso, 30% das crianças com menos de quatro anos não estão crescendo adequadamente, e 20% das mulheres são classificadas como magras.
Comunidades e famílias podem ser afetadas pelas duas formas de desnutrição, assim como indivíduos em diferentes fases da vida.
De acordo com a publicação, 45 entre 123 países foram afetados por essa dupla carga nos anos 1990, e 48 entre 126 países nos anos 2010.
Também nos anos 2010, 14 países com menor renda do mundo já apresentavam esse "problema duplo" desde os anos 1990.
Sistemas alimentares falhos
Os autores do relatório afirmam que os governos precisam tomar uma atitude, assim como as Nações Unidas e os membros da academia, para solucionar o problema. E o foco apontado por eles é o de mudanças na dieta.
O jeito como as pessoas comem, bebem e se deslocam está mudando. O número crescente de supermercados, a ampla disponibilidade de alimentos pouco nutritivos, assim como a diminuição nos níveis de atividade física conduzem ao número maior de pessoas com sobrepeso.
E essas mudanças estão afetando tanto países de baixa e de média renda, quanto os de alta renda.
Ainda que o crescimento atrofiado de crianças em muitos países tenha se tornado menos frequente, a alimentação com ultraprocessados logo na infância está ligada ao baixo crescimento.
Comemos cada vez mais alimentos ultraprocessados – mas que qual é o impacto disso em nossa saúde?
Twinsfisch/Unsplash
"Nós estamos presenciando uma nova realidade nutricional", diz o autor principal do estudo, Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição para Saúde e Desenvolvimento da Organização Mundial de Saúde (OMS).
"Não podemos mais caracterizar os países de baixa renda como subnutridos, ou os de alta renda como preocupados apenas com obesidade."
"Todas as formas de desnutrição têm um denominador comum: os sistemas alimentares que falham em fornecer às pessoas uma dieta saudável, acessível, segura e sustentável".
Branca diz que isso requer uma mudança nos sistemas alimentares, da produção ao processamento, passando por comércio e distribuição, assim como precificação, marketing e rotulagem, padrões de consumo e de desperdício.
"Todas as políticas e investimentos relevantes precisam ser reexaminados", afirma.
O que seria uma dieta de alta qualidade?
De acordo com o artigo, uma dieta do tipo contém:
muitas frutas e vegetais, grãos integrais, fibras, nozes e sementes
porções moderadas de alimentos de origem animal
porções mínimas de carnes processadas
porções mínimas de comidas e bebidas que sejam ricas em energia e em açúcar adicionado, gordura saturada, gordura trans e sal
Dietas de alta qualidade reduzem o risco de desnutrição ao encorajar crescimento saudável, desenvolvimento e proteção do corpo contra doenças ao longo da vida.
Como manter uma alimentação saudável na infância

Como a ciência pode te ajudar a comprar o presente certo de Natal

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra
Pesquisas mostram que dar um presente ruim pode prejudicar seus relacionamentos; mas experimentos chegaram a conclusões que podem ajudar a fazer uma boa escolha. Como você pode garantir que vai escolher algo que seu presenteado adorará?
Getty Images/BBC
Estamos na época das listas de presentes de fim de ano. Você precisará ver quem vai presentear — mas também quanto vai gastar e, o mais importante, o que dar.
Embora dar presentes possa deixar você feliz e até fortalecer relacionamentos, um presente não muito bom pode ter o efeito inverso.
"Escolher o presente errado pode ser meio arriscado para os relacionamentos, porque diz que vocês não têm nada em comum", diz Elizabeth Dunn, professora de psicologia da Universidade da British Columbia, no Canadá, e coautora de "Happy Money: The Science of Happier Spending" ("Dinheiro Feliz: A ciência de gastar com alegria", em tradução livre).
Sua pesquisa também mostrou que presentes indesejáveis às vezes podem impactar negativamente a percepção do receptor sobre o futuro do relacionamento.
Para evitar que seu presente cause mais danos que benefícios, como garantir que você esteja dando um presente que agrade? A psicologia pode ter a resposta.
Não se preocupe com o preço
Um presente caro pode funcionar?
Pesquisas demonstraram que gastar mais nem sempre garante um presente bem recebido. Um estudo constatou que, quanto mais caro um presente, mais a pessoa que o dava esperava que os presenteados o apreciassem. Mas, embora os doadores pensassem que o alto gasto seria levado em consideração, constatou-se que os que receberam o presente não associaram o preço a seu nível de satisfação.
"Parece bastante intuitivo que, se você gastar mais, terá um presente melhor. Acontece que não há evidências de que os destinatários sejam sensíveis ao custo de um presente", diz Jeff Galak, professor associado de marketing da "Carnegie Mellon Tepper School of Business", na cidade americana de Pittsburgh.
Galak, que estuda o comportamento do consumidor e a tomada de decisões, reconhece que talvez você tenha de gastar um determinado valor devido à tradição ou às expectativas. Mas, uma vez atingido esse piso, "não importa se você compra algo mais valioso", diz ele. O presente em si é o que mais importa.
Panetone com sabores que são um presente comum neste fim de ano
Acervo Bom Brasileiro
Pense a longo prazo
Galak diz que o truque para dar um grande presente é pensar além do momento fugaz de realmente entregá-lo, um conceito que ele e seus colegas Julian Givi e Elanor Williams notaram ser um tema comum nos estudos sobre presentes.
"Quando as pessoas dão presentes, estão pensando no momento em que o darão e verão o sorriso no rosto do destinatário naquele momento", diz Galak. "Mas o que interessa aos destinatários é o valor que eles obterão por um período mais longo."
Em outras palavras, pode não ser empolgante assistir a um amigo ou membro da família abrir o presente de uma assinatura de um serviço de streaming de filmes, portanto, é menos provável que você o faça. Mas um destinatário pode realmente amar isso, já que é um presente que pode ser desfrutado com frequência ao longo do tempo.
Esqueça a singularidade
Galak também sugere que não se preocupe muito em dar o presente mais original do mundo. Às vezes, algo que muitas pessoas desejam pode ser exatamente o que a pessoa também deseja.
Um estudo mostrou que temos a tendência de focar nos traços e na personalidade únicos de um destinatário ao presenteá-los. Mas essa especificação nos leva a ignorar outros aspectos de seus desejos e necessidades, o que pode nos fazer comprar um presente inferior. Também tendemos a querer comprar presentes diferentes para várias pessoas, mesmo que todos fiquem mais felizes com a mesma coisa.
Para se sentir boas presenteadoras, as pessoas erroneamente sentem que precisam diversificar os presentes. Você também pode deixar de comprar algo que possui, porque não quer prejudicar seu próprio senso de individualidade.
Então, sabe aquele tênis que seu amigo ama? Não deixe de dar um par igual só porque você quer ser único.
Moradores de Itapetininga compram presentes para o Natal
Reprodução/TV TEM
Comprar com base em interesses compartilhados
Para comprar melhor, Dunn, professor de psicologia, sugere começar com algo que você tem em comum com o destinatário. Ela diz para você se concentrar no que vocês compartilham e escolher um presente a partir daí.
"As pessoas são melhores em escolher algo para si mesmas", diz ela, "então se você tem algo em comum com alguém, compre algo da mesma afinidade, porque algo que você gostaria provavelmente será algo que eles gostam".
Para um presente ainda melhor, pense em um interesse comum que você compartilha com a pessoa e compre algo que seu destinatário possa viver — por exemplo, ingressos para shows ou uma aula de culinária. A pesquisa também mostrou que presentes oferecendo experiências podem aproximar você e o destinatário, mesmo que você não aproveite da experiência com ele.
Pergunte o que eles querem
Se você não tem nada em comum com a pessoa, Dunn recomenda apenas perguntar ao destinatário o que ele deseja. De fato, pesquisas mostram que as pessoas apreciam mais os presentes que pedem do que os que não pedem.
"As pessoas querem ser criativas e surpreender o destinatário", diz Dunn, "mas o melhor presente será o que elas disserem que querem ganhar".
Galak concorda que a maneira mais simples de fazer uma pessoa feliz com um presente é perguntar o que ela quer. Mas ele sabe que bons presentes devem ser uma "surpresa" — mesmo que a ciência tenha refutado isso.
"Perguntar a alguém o que eles querem é visto como um tabu. E isso é uma pena", diz ele. "Todos estaríamos melhor se déssemos às pessoas o que elas querem".
Não pense demais
Não se preocupe muito com a possibilidade de estar dando um presente ruim: presentes realmente ruins são raros.
A menos que seja algo totalmente inapropriado, o destinatário sentirá algum nível de apreciação. Galak diz que, ao longo de sua pesquisa, perguntou a milhares de participantes sobre presentes que receberam e raramente ouviu alguém falar sobre um presente ruim. E mesmo se você der um presente ruim a alguém próximo, poderá ser salvo por sua consideração. Quando alguém dá um presente ruim, isso pode fazer com que o receptor pense no motivo pelo qual o doador o escolheu.
"Quando alguém faz algo intrigante que precisa ser explicado — como dar um presente ruim — é quando você pensa no que está pensando a outra pessoa", diz Nicholas Epley, professor da Booth School of Business da Universidade de Chicago que estuda como nós tomamos a perspectiva de outras pessoas e fazemos julgamentos a partir disso. A pesquisa dele mostra que, se o destinatário achar que você gastou muito tempo fazendo sua seleção, ele será grato pelo esforço dedicado à escolha de um presente, mesmo que indesejado.
Em outras palavras, o velho ditado "o que vale é a intenção" pode realmente ser verdadeiro.
E mesmo se você não der o presente certo, alguém ainda se sentirá bem na situação: você. "Quando as pessoas que estão dando colocam muito esforço em um presente, eles se sentem mais próximos do destinatário", diz Epley. "Mesmo que o destinatário não seja muito afetado pela consideração, o doador é."
VÍDEO: BRASILEIROS PLANEJAM COMPRAR PRESENTES DE NATAL
Mais da metade dos brasileiros endividados no Natal passado planeja comprar presentes

6 causas surpreendentes da dor de cabeça

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra
Do sono à faxina, há situações que podem despertar fortes incômodos — apesar de provavelmente muitas pessoas não perceberem estas causas. Do sexo à faxina, a dor de cabeça pode aparecer para certas pessoas
Getty Images/BBC
Para alguns, chegar ao clímax em um encontro sexual nem sempre é sinônimo de prazer.
Para outros, comer um simples sorvete também pode causar problemas.
É que ambas as situações podem levar algumas pessoas a sentir uma forte dor de cabeça. Muitos, no entanto, não se deram conta da relação de causa e efeito nesses momentos.
Confira algumas situações que, a princípio, deveriam ser prazerosas, como as mencionadas acima, ou não tanto, como faxinas — que podem causar dores de cabeça.
1. Sexo
É comum ver com certo humor quando dores de cabeças são usadas por mulheres como desculpa para conter investidas indesejadas de um parceiro.
Mas, segundo a sexóloga australiana Margaret J. Redelman, autora do artigo "What if the 'sexual headache' is not a joke?" ("E se a 'dor de cabeça sexual' não for uma piada?"), publicado no periódico British Journal of Medical Practitioners, essas dores na cabeça associadas ao sexo "podem ser qualquer coisa, menos uma piada".
A International Headache Society (IHS) é uma organização britânica sem fins lucrativos que ajuda as pessoas que sofrem de dor de cabeça. Segundo a entidade, a dor durante o sexo já recebeu alguns nomes diferentes na literatura especializada:
A organização descreve essa manifestação geralmente começando "como uma dor bilateral que aumenta acompanhando a excitação e que, de repente, se intensifica no orgasmo, mesmo sem qualquer distúrbio intracraniano (observado)".
A intensidade da dor "abrupta e explosiva" pode ocorrer mesmo um pouco antes da chegada ao orgasmo.
Tomar um analgésico algumas horas antes pode bloquear a dor na hora do sexo
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Essa dor de cabeça pode durar de alguns minutos a 72 horas, com uma intensidade média.
De acordo com o Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), "os médicos acreditam que as dores de cabeça sexuais se devam a uma pressão que se acumula nos músculos da cabeça e pescoço" conforme avança a relação sexual.
Embora o NHS reconheça que esse tipo de dor de cabeça é inconveniente, esclarece que elas "geralmente são inofensivas e não significam que o sexo deva ser evitado".
Tomar um analgésico algumas horas antes pode bloquear essa dor intrusa. No entanto, solicitar ajuda especializada é sempre o melhor passo a seguir.
2. Sono
Se você costuma já acordar com uma forte dor de cabeça, pode ser que algo esteja acontecendo durante seu sono para acioná-la.
Muitas pessoas não sabem que sofrem de bruxismo noturno, um hábito involuntário de cerrar os maxilares ou ranger os dentes sem qualquer finalidade funcional. A contração dos músculos da mandíbula pode causar dor de cabeça.
O bruxismo em sua versão mais leve é mais frequente do que parece e afeta crianças e adultos. Segundo o cálculo de um estudo publicado em 2013, a prevalência de bruxismo noturno na população adulta é de aproximadamente 12%.
"Ranger os dentes é cerca de 40 vezes mais potente que mastigar", explicou Nigel Carter, da fundação British Oral Health, à BBC.
A melhor maneira de resolver isso é ir ao dentista para colocar um protetor bucal que resguarde os dentes enquanto dormimos.
Equilíbrio do sono é fator importante para a medicina do estilo de vida
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3. Faxina
Desta vez, não tem nada a ver com uma desculpa para a preguiça: é um fato que, para algumas pessoas, limpar a casa pode dar dores de cabeça.
"Os produtos de limpeza doméstica, bem como perfumes e purificadores de ar aromatizados, contêm produtos químicos que podem levar à dor de cabeça", diz o NHS, recomendando que neste caso tais produtos sejam evitados.
"Se você é suscetível (…) a certos odores, evite perfumes, sabonetes, xampus e condicionadores com aromas fortes".
Faxina pode causar dores de cabeça
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"Se o perfume de um colega está incomodando, coloque um ventilador em sua mesa", acrescenta.
O serviço de saúde britânico recomenda ainda, para pessoas assim, que as janelas sejam abertas durante a faxina.
Um estudo do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Bergen, na Noruega, já indicou que o uso regular de certos produtos de limpeza pode ter efeitos prejudiciais nos pulmões.
4. Iluminação
Luzes muito fortes ou brilhantes, especialmente as que piscam, podem causar enxaquecas.
Isso ocorre porque elas acionam certas substâncias químicas no cérebro, que então "ativam o centro da enxaqueca", explica o NHS.
O órgão de saúde recomenda que pessoas que sofram disso usem óculos de sol dentro e fora de ambientes internos. Lentes polarizadas também são uma opção.
"No trabalho, ajuste o monitor do computador ou coloque uma tela protetora antirreflexo. Você também pode desligar certas luzes ou movê-las. Se não puder, mude de lugar no escritório. As luzes fluorescentes tendem a piscar. Se possível, substitua-as por outro tipo de iluminação."
Foi exatamente o que William, um jornalista da BBC, fez.
"No meu escritório, eles instalaram uma luz branca forte, intensificada pelo direcionamento do foco", diz ele.
"Eu sofro de enxaqueca ocular e zumbido [nos ouvidos], duas condições relacionadas. A luz estimulou essas condições, especialmente a enxaqueca ocular que interfere na minha visão e diminui o meu campo visual."
"Pedi que reduzissem a intensidade da luz ou mudassem a direção do foco. No fim, elas foram desconectadas completamente."
5. Sorvete
"Você sente uma dor aguda e pulsante na testa quando come um sorvete? Então você é suscetível a dores de cabeça causadas pelo alimento frio que se move pelo palato e por trás da garganta. Picolés e bebidas geladas têm o mesmo efeito", diz o NHS.
Segundo a Harvard Health Publishing, a publicação da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, quando o sorvete toca essas partes da boca, faz com que "pequenos vasos sanguíneos nessas áreas se contraiam e depois se expandam rapidamente".
"Os receptores de dor [localizados] próximos aos vasos sanguíneos detectam desconforto e enviam a mensagem, através de pequenas fibras nervosas, para um nervo maior, que, por sua vez, envia o sinal para o cérebro."
A boa notícia é que, segundo o NHS, as dores de cabeça surgidas quando se come sorvete não precisam de tratamento.
"Elas terminam em um instante, raramente durando mais de um minuto ou dois."
Sorvete
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6. Postura
Ainda de acordo com o NHS, a má postura causa "tensão na parte superior das costas, pescoço e ombros, o que pode gerar dor de cabeça".
"Tradicionalmente, a dor é sentida de forma latejante na base do crânio e às vezes chega ao rosto, especialmente na testa."
O principal conselho é evitar ficar na mesma posição por um longo tempo.
Sente-se em linha reta e verifique se a região lombar está bem sustentada, acrescenta o órgão de saúde.
E se você é daqueles que segura o telefone entre a orelha e o ombro enquanto escreve, o NHS recomenda que você pare com isso, porque essa posição causa tensão nos músculos.
Se você acredita ter problemas de postura, procure um profissional de saúde para identificar a melhor maneira de corrigir isso — porque uma dor de cabeça pode ser apenas uma das várias consequências disso.
VÍDEO: DICAS DE COMO TER UMA POSTURA MELHOR
Má postura provoca desvios e dores

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra

Astrônomo brasileiro ganha prêmio de US$ 8,5 mil para equipar telescópio que busca ameaças à Terra
Já houve casos de pequenos asteroides serem identificados numa noite e, dois dias depois ele cair na Terra. A ideia é que se algum desses for grande o suficiente para causar alguma tragédia, a rede dispara um alerta para que os habitantes da região do impacto possam ser removidos.
Telescópio usado no Observatório Campos dos Amarais (OCA)
Leonardo Amaral/Arquivo pessoal
Já ouviu alguém brincar dizendo que só a colisão de um asteroide ou um meteoro na Terra poderia resolver a situação? Pois então, eles existem e fazem parte de uma classe de objetos conhecida como Objetos Próximos da Terra, ou NEOs, na sigla em inglês.
São, na verdade, cometas e/ou asteroides que têm sua menor distância até o Sol inferior a 240 milhões de quilômetros, o que é um pouco menos que a distância entre o Sol e Marte. Se um objeto desses chegar a cruzar a órbita da Terra e tiver mais de 140 metros de tamanho, é considerado um Objeto Potencialmente Perigoso (ou PHO, em inglês).
Astrônomos observam pela primeira vez 'café da manhã' de um buraco negro
O interesse pelos NEOs e mais ainda pelos PHOs é óbvia: algum deles de fato pode no futuro acabar se chocando com a Terra.
Hoje são conhecidos mais de 20 mil NEOs e uns 10%, por volta de 2 mil, são considerados PHO. Esses 20 mil objetos são monitorados por uma extensa rede de observatórios no mundo todo. A grande cobertura territorial faz com que sempre exista um observatório operando a qualquer hora: enquanto é dia na Ásia, é noite nas Américas, e assim vai. Mais um dos benefícios de a Terra não ser plana…
As estimativas de quem trabalha na área mostram que devem existir uns 10 milhões de NEOs, ou seja, não conhecemos nem 1% do total. Muitos desses objetos têm órbitas que vão além de Júpiter e quando eles passam por lá, a influência gravitacional principal vem dos planetas gigantes.
Isso pode causar perturbações que alteram aos poucos a órbita desses asteroides. Ao longo dos séculos, a acumulação dessas perturbações pode alterar a órbita de um asteroide a ponto dele vir a se chocar com um planeta. Na maioria dos casos, a mudança na órbita leva o asteroide a cair no Sol ou ser engolido por Júpiter. A ideia do monitoramento é justamente avaliar as pequenas mudanças nos parâmetros orbitais, atualizando as órbitas ano a ano para identificar casos realmente perigosos.
Outro objetivo da rede é descobrir novos NEOs e PHOs, pois pode ser que alguns deles passaram a maior parte do tempo em regiões muito distantes e não puderam ser observados. Como eles refletem a luz do Sol e são pequenos, precisam estar perto para serem detectados.
Já houve casos de pequenos asteroides serem identificados numa noite e, dois dias depois, ele cair na Terra. A ideia é que se algum desses for grande o suficiente para causar alguma tragédia, a rede dispara um alerta para que os habitantes da região do impacto possam ser removidos.
A rede de vigilância inclui muitos observatórios “amadores” trabalhando em conjunto com os observatórios profissionais. Eu digo “amador” apenas pelo fato dos observadores não serem contratados como astrônomos, porque na verdade o trabalho de muitos deles é mais cuidadoso do que muito “profissional” por aí. E para premiar e motivar o trabalho do pessoal amador, a Sociedade Planetária, uma entidade particular de pesquisas fundada pelo astrônomo Carl Sagan, oferece um prêmio anual aos integrantes da rede de observação.
O prêmio tem o nome de Eugene Shoemaker, o geólogo que simplesmente criou a disciplina de geologia planetária. Todo ano, um painel de astrônomos e geólogos recebe propostas enviadas pelos observatórios para receber ajuda financeira objetivando melhorar os equipamentos.
Em particular, o prêmio vai para observadores que contribuem significativamente na caracterização física dos asteroides, como a taxa de rotação ou se o asteroide é duplo por exemplo, mas também premia observadores que fazem acompanhamento dos asteroides para melhorar seus parâmetros orbitais.
Ao longo de 22 anos de prêmio, já foram distribuídos 440 mil dólares entre 62 ganhadores de 19 países. Esse ano o prêmio foi de quase 58 mil dólares distribuídos entre 6 observatórios.
E um deles é brasileiro!
Leonardo Amaral opera o Observatório Campos dos Amarais (OCA) no oeste do estado de São Paulo. O OCA abriga um telescópio de 30 cm de diâmetro e é um dos mais produtivos da rede de busca de NEOs.
Só em 2019, Amaral descobriu 3 NEOs que, pela posição deles no céu, não poderiam ser descobertos pelos observatórios situados no hemisfério norte. Além disso, acompanhou vários outros objetos, fornecendo dados para melhorar seus elementos orbitais.
Leonardo Amaral
Arquivo Pessoal
Segundo Amaral me explicou, sua configuração atual, que inclui telescópio e montagem (pedestal e motor), permite apenas que ele faça imagens com tempos de exposição entre 30 e 60 segundos. Isso limita a observação a objetos com magnitude 19, que é bem fraco, mas que poderia ser melhor pelo tamanho do telescópio.
O problema é que a montagem, que faz o acompanhamento do objeto impedindo que ele apareça como um traço na imagem, tem um limite de peso para sustentar. Segundo Amaral, a atual montagem já está operando nesse limite.
A proposta que Amaral enviou à Sociedade Planetária visa adquirir uma montagem mais robusta, que possa sustentar o atual telescópio sem operar no limite, como atualmente. Dessa maneira, será possível dobrar os tempos de exposição, alcançando objetos ainda mais fracos. Além disso, a montagem proposta seria capaz de aguentar um telescópio maior que, num futuro upgrade, poderia receber um telescópio de 40 cm.
A proposta de Amaral foi agraciada com cerca de US$ 8.500, que vão financiar a nova montagem. Com ele também foram premiados dois observatórios na Itália, dois nos Estados Unidos e um na Croácia.
A rede global de monitoramento de NEOs conta com mais 2 observatórios brasileiros que desempenham um papel muito importante, pois junto com um observatório no Uruguai, cobrem o céu austral enquanto os observatórios na Austrália estão fechados. Sem mencionar que existem quase 5 vezes mais observatórios no hemisfério norte do que no hemisfério sul.
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