Provou, já era: como identificar os alimentos hiperpalatáveis, dos quais é (quase) impossível fugir

A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 
Objeto de dezenas de estudos na nutrição, estes produtos ganharam agora uma 'receita' feita por pesquisadores para melhor identificá-los através das informações nutricionais. Diante deles, não há dúvidas: são alimentos difíceis de resistir. Mas como classificar os alimentos hiperpalatáveis com maior exatidão?
Getty Images (Via BBC)
Você vai ao cinema e pede uma pipoca. Enquanto o filme dura duas horas, o petisco não dura nem dez minutos.
É um exemplo de como ficamos diante dos alimentos chamados "hiperpalatáveis", cuja composição ativa mecanismos nos cérebro que postergam a sensação de saciedade — fazendo com que simplesmente não consigamos parar de comê-los.
Já foram feitos muitos artigos científicos e documentários sobre eles, mas um novo estudo publicado no periódico científico Obesity destaca que estes alimentos "têm sido definidos com termos descritivos, mas sem uma definição padrão".
Enquanto isso, no mundo dos leigos, é fácil identificar alguns alimentos com esse poder: batatas fritas, pizzas, hambúrgueres e sorvetes, entre muitos outros.
De 2000 a 2018, segundo o artigo na Obesity, o número anual de publicações sobre os alimentos palatáveis aumentou 550%, demonstrando o alto interesse pelo tema nas pesquisas sobre nutrição.
Os autores do estudo, da Universidade do Kansas, nos EUA, propõem agora um método mais certeiro para identificação dos hiperpalatáveis, focando nas informações nutricionais que podem ser observadas durante a compra.
Pipoqueiro faz sucesso ao vender pipoca no mesmo lugar há 45 anos
Afinal, como identificar esses alimentos?
"As descrições das comidas hiperpalatáveis são ao mesmo tempo muito genéricas ou muito restritivas. Por exemplo, uma descrição sugere que se trata de qualquer alimento adquirido em uma rede de fast food. No entanto, alguns desses lugares também vendem saladas ou alimentos grelhados, que não são o mesmo que um hambúrguer com queijo", diz um trecho da publicação.
Assim, com definições tão genéricas, há alimentos hiperpalatáveis que acabam não entrando na categoria de perigosos ou viciantes porque não estão em redes de fast food.
Os autores criaram três categorias combinando informações sobre a presença de gorduras, açúcares e sódio. Assim, alimentos hiperpalatáveis são aqueles com:
Os alimentos ricos em sódio, açúcar e gorduras aumentam a propensão a obesidade, hipertensão arterial e diabetes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Com a categorização, os pesquisadores analisaram mais de 8 mil alimentos vendidos nos Estados Unidos. Destes, 62% preenchiam os requisitos destas categorias, como pizzas, alimentos fritos e doces.
Os pesquisadores também destacaram que alimentos pouco gordurosos também podem ser hiperpalatáveis, como os vegetais preparados em molhos ou cremes.
"Os resultados sugerem que o método de preparação e processamento da comida é chave para determinar sua hiperpalatabilidade, e não apenas o produto em si", diz o estudo.
Nesse sentido, os autores advertem para o uso do sal como realçador de sabor, mas que tem como consequência a provável maior dependência disso. Eles também apontam que a combinação de ingredientes é o que muitas vezes determina a hiperpalatabilidade de um produto.
O estudo reconhece algumas de suas limitações, como a concentração em alimentos sólidos, mas desta que serve para que "as pesquisas validem uma definição específica e quantitativa dos hiperpalatáveis".
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‘É só ter força de vontade’ e outros 6 mitos que atrapalham a luta contra a obesidade

A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 
De 'obesidade é uma escolha' a 'gordura é sinônimo de doença', os esforços para lidar com a condição esbarram em uma série de ideias equivocadas e preconceitos. Número de obesos no mundo quase triplicou desde 1975
Getty Images/BBC
A obesidade quase triplicou no mundo desde 1975, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A agência da ONU estima que mais de 1,9 bilhão de adultos estavam acima do peso em 2016. Deste total, mais de 650 milhões eram obesos.
Esses números ajudam a entender por que autoridades de várias áreas alertam sobre uma "epidemia de obesidade", que a OMS afirma estar matando quase três milhões de pessoas todos os anos — e cujo custo econômico anual pode chegar a US$ 2 trilhões, de acordo com uma estimativa de 2014 da consultoria americana McKinsey.
Cientistas e formuladores de políticas públicas alertam que os esforços para combater a obesidade têm sido prejudicados por ideias equivocadas e preconceitos.
Mas, afinal, o que é mito ou verdade na luta contra a obesidade?
Você pode ficar surpreso com as respostas.
'A obesidade é uma escolha, e não uma doença'
Os Estados Unidos são um dos países mais afetados pela epidemia de obesidade. As autoridades de saúde americanas estimam que mais de 36% da população seja obesa.
Desde 2013, a obesidade é considerada uma doença pela American Medical Association.
A 'força de vontade' pode não ter qualquer relação com a obesidade, como indicam evidências científicas
Getty Images/BBC
Ainda assim, uma pesquisa de 2018 realizada pelo Medscape, site de notícias voltado para profissionais de saúde, revelou que 36% dos médicos e 46% dos enfermeiros do país pensavam o contrário.
E 80% dos médicos responderam que as escolhas de estilo de vida eram "sempre ou frequentemente" a causa básica da obesidade.
Mas um relatório divulgado no fim de setembro pela British Psychological Society declarou veementemente que "a obesidade não é uma 'escolha'".
"As pessoas ficam acima do peso ou obesas como resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos e psicológicos combinados com influências ambientais e sociais", diz o relatório.
"A obesidade não se deve simplesmente à falta de 'força de vontade' de um indivíduo."
'Não é uma questão genética'
Pesquisas científicas identificaram uma relação entre genética e obesidade desde os anos 1990.
Em julho, uma equipe de pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia mostrou que pessoas predispostas geneticamente correm um risco maior de ter um índice de massa corporal (IMC) elevado.
Pesquisa mostrou ligação entre genética e obesidade nos anos 1990
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O IMC, calculado com base na nossa altura e no peso, é um dos indicadores mais comuns para avaliar se nosso peso é saudável.
Os cientistas analisaram uma amostra de quase 119 mil pessoas que tiveram seus IMCs medidos repetidas vezes. E descobriram que o IMC da população norueguesa, de uma maneira geral, aumentou substancialmente ao longo das décadas, mas a genética contribuiu para alguns noruegueses ganharem mais peso.
"Hoje, a predisposição genética faz com que, em média, um homem norueguês de 35 anos e altura mediana tenha 6,8 kg a mais que seus pares (protegidos geneticamente)", afirmou Maria Brandkvist, uma das pesquisadoras, à BBC.
'Estar acima do peso nunca é saudável'
A correlação entre excesso de peso e complicações de saúde é bem conhecida e comprovada.
Mas há uma linha de pesquisa em ascensão que está questionando se o excesso de peso/obesidade é sempre perigoso para a saúde de alguém.
Em 2012, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou o maior estudo sobre o tema realizado até o momento — e revelou um "paradoxo da obesidade".
A pesquisa mostrou que algumas pessoas podem ser obesas, mas metabolicamente saudáveis, sem apresentar um risco maior de desenvolver ou morrer de doenças cardiovasculares e câncer do que indivíduos com peso normal — elas não sofrem de condições como colesterol alto ou hipertensão, além de ter um condicionamento físico melhor que o de outras pessoas obesas.
"É sabido que a obesidade está ligada a um grande número de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e câncer. No entanto, parece haver um subconjunto de pessoas obesas que parecem estar protegidas de complicações metabólicas relacionadas à obesidade", escreveu Francisco Ortega, da Universidade de Granada, na Espanha, principal autor do estudo.
"Os médicos devem levar em consideração que nem todas as pessoas obesas têm o mesmo prognóstico."
'Todas as calorias são iguais'
Não comer demais é uma regra básica para o controle de peso, mas o foco de uma dieta não deveria ser a qualidade das calorias, em vez da quantidade?
Em sua definição de dieta saudável, a OMS sugere uma ingestão diária de 2 mil calorias para adultos. Mas há algumas ressalvas — a agência recomenda, por exemplo, que menos de 30% da ingestão total de calorias seja proveniente de gorduras.
Um estudo de 2011 da Universidade de Harvard, nos EUA, mostrou que "uma caloria não é uma caloria", e que certos alimentos têm maior probabilidade de promover ganho de peso no longo prazo.
Os pesquisadores acompanharam mais de 120 mil homens e mulheres saudáveis ​​por até 20 anos.
Em média, os participantes ganharam 1,52 kg a cada quatro anos, acumulando ganho de peso total de 7,6 kg em 20 anos.
O consumo de alimentos processados ​​ricos em amido, grãos refinados, gorduras e açúcares aumentou o ganho de peso: só comer batatas fritas resultou em ganho de peso médio de cerca de 1,5 kg a cada quatro anos, enquanto consumir mais legumes e verduras levou a uma perda de peso de 0,09 kg .
"Estratégias para ajudar as pessoas a consumirem menos calorias podem ser mais eficazes quando há o consumo reduzido (ou maior) de determinados alimentos e bebidas", diz o estudo.
'Devemos ter metas realistas de perda de peso para evitar frustrações'
Evitar criar muita expectativa pode ser um princípio básico para a vida.
No entanto, estudos indicam que não há uma associação negativa entre metas ambiciosas e perda de peso.
De acordo com uma pesquisa de 2017 publicada no Journal of the American Academy of Nutrition and Dietetics, quem tinha as expectativas mais altas em relação à perda de peso obteve os melhores resultados em um grupo de 88 pessoas com obesidade severa.
'A obesidade é um problema apenas nos países ricos'
Embora muitas nações desenvolvidas apresentem de fato altas taxas de obesidade, você pode ficar surpreso se der uma olhada no ranking mundial.
Em termos de incidência, os países mais afetados pela obesidade são as Ilhas do Pacífico — na Samoa Americana, quase 75% da população é considerada obesa.
O preço mais baixo de alimentos que não são saudáveis está associado a um risco maior de obesidade para os mais pobres
Getty Images/BBC
É verdade que essas nações insulares têm populações muito pequenas, mas os países em desenvolvimento com populações maiores também apresentam problemas crescentes de obesidade — no Egito e na Turquia, 32% da população é obesa, segundo dados da OMS de 2016.
Na verdade, estudos mostram que indivíduos com renda mais baixa são os mais vulneráveis ​​à obesidade.
"A obesidade é um produto da desigualdade social. Nos EUA, o estado mais 'obeso', o Arkansas, também é o quarto estado mais pobre, e o estado mais pobre, o Mississippi, também é o terceiro com mais sobrepeso", diz Martin Cohen, autor do livro I Think Therefore I Eat ("Penso, logo como", em tradução livre), sobre a sociologia da alimentação.
No Reino Unido, dados do sistema público de saúde (NHS, na sigla em inglês) de 2015 a 2016 mostram que a incidência da obesidade em crianças que vivem em áreas mais carentes é mais que o dobro daquelas que vivem em regiões menos desfavorecidas.
Especialistas afirmam que o principal motivo dessa disparidade está relacionado ao fato de que alimentos mais saudáveis ​​são mais caros.
'A amamentação não está relacionada à obesidade'
Nas últimas décadas, as fórmulas infantis têm sido ativamente anunciadas como complemento ao leite materno.
No entanto, dados de um amplo estudo da OMS publicado em abril mostram que a amamentação também pode reduzir as chances de a criança ficar obesa.
Após analisar 30 mil crianças em 16 países europeus, os cientistas constataram que crianças que nunca foram amamentadas tinham 22% mais chances de serem obesas.
Especialistas foram rápidos em apontar, no entanto, que fatores como um estilo de vida mais saudável nas famílias em que as mulheres amamentavam também podem ter tido um papel importante na proteção contra a obesidade.
João Breda, autor sênior do estudo, afirma que os benefícios do leite materno contra a obesidade são irrefutáveis.
"A amamentação tem um efeito protetor muito forte. As evidências estão aí. O benefício é excepcional, devemos informar isso às pessoas."
Obesidade atinge uma em cada três crianças de 5 a 9 anos, aponta relatório

Como manter uma alimentação balanceada sem carne, com preços em alta no Brasil

A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 
Combinadas, proteínas de origem vegetal podem nos fornecer a quantidade ideal de nutrientes para o corpo funcionar bem. Legumes e verduras à venda em um supermercado de Sâo Paulo
Celso Tavares/G1
No típico prato feito do brasileiro temos arroz, feijão, carne, farofa, às vezes ovo, às vezes batata frita. Mas o que fazer se esse prato estiver ameaçado?
Ele pode estar, e a culpa é da carne.
O produto sofreu um forte reajuste nas últimas semanas e, em menos de três meses, o custo do contra-filé subiu 50% para os supermercados e o do coxão mole, 46%, segundo a a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Praro de comida inclui arroz, feijão, legumes e vegetais
Victória Cócolo/G1 Campinas e Região
O aumento foi repassado aos consumidores, que podem se preparar para uma continuidade da alta desses preços em 2020.
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que os preços mais altos vieram para ficar, enquanto o presidente Jair Bolsonaro disse achar que o preço da carne bovina diminuirá no futuro.
Diante do cenário de dificuldade, muitos brasileiros devem estar se perguntando como vão conseguir manter um mínimo de equilíbrio no prato com a alta no preço de uma das principais proteínas animais consumidas no país.
Mesmo quem não esteja pensando em adotar de vez uma dieta vegetariana ou vegana (que exclui totalmente o consumo de produtos de origem animal) pode reduzir o consumo de carne acrescentando outros elementos na composição das refeições.
As proteínas são substâncias importantes para quase todas as funções do nosso organismo.
"Formam nossa massa muscular, fazem parte dos nossos tecidos corporais, da pele, ajudam a manter sua elasticidade. É importante para o crescimento, para a reparação de tecidos. Fazem parte de algumas enzimas que usamos para a digestão, e os hormônios também são formados por proteínas", enumera a nutricionista Lara Natacci, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP e integrante da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.
Rick Miller, nutricionista clínico e especializado em esportes do King Edward VII's Hospital, em Londres, observa que, quanto mais velhos formos, mais precisamos de proteínas. "Nós diminuimos o ritmo e perdemos massa muscular. Acabamos ficando mais frágeis. Além disso, nossos músculos não respondem às proteínas da mesma maneira", diz. Por isso, brinca ele, são as avós, e não os netos, que provavelmente precisam mais daquele shake de proteínas.
Veja dicas para substituir a carne nas refeições
Natacci explica como funciona a ingestão de proteínas no corpo. "O que acontece é o seguinte: a gente ingere a proteína e no nosso estômago ela começa a ser quebrada. Então, ela é transformada em porções menores que são os aminoácidos, que se juntam para formar novas proteínas e que então vão para diferentes partes do nosso organismo, dependendo da nossa necessidade."
Normalmente, diz ela, uma pessoa deve consumir cerca de 0,8g a 1g de proteína para cada quilo de seu peso em sua alimentação diária. Ou seja, uma pessoa que pese 70kg deve consumir cerca de 70 gramas de proteína por dia. Com uma dieta balanceada e variada, "não é difícil atingir isso", diz ela.
"A carne era vista como status na mesa. É um alimento que antes era muito mais caro. Com o tempo, ficou mais barata. Mas agora com o aumento do preço talvez seja inviável manter. É complicado ter carne todos os dias", afirma.
O gasto com carnes, vísceras e pescados pesa no bolso do brasileiro. A Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 realizada pelo IBGE e publicada neste ano mostra que é o grupo com que os brasileiros mais gastam seu dinheiro dentro do orçamento para a alimentação em casa. Do total gasto, 20,2% vai para essas carnes. Para a região Norte, pesa mais: 27,1% do orçamento para alimentação vai para carnes, vísceras e pescados. Para o Nordeste, 22,3%. A pesquisa foi feita em 58 mil domicílios brasileiros em 1,9 mil cidades durante um ano.
Segundo um estudo conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro consumiu 24,5 kg de carne vermelha em 2018. O consumo de frango, uma carne muito mais barata que a bovina, foi be, maior: 39,8 kg. Não há distinção por região.
"Mas temos uma variedade de produtos muito grande", observa Natacci. "A gente pode lançar mão dessas alternativas."
E quais são elas?
Ovo
Ovo frito é fonte de proteínas na alimentação vegetariana
Unsplash
"A proteína de origem animal é chamada de proteína completa porque contém todos os aminoácidos que nossos organismos não têm a capacidade de produzir e na quantidade que a gente precisa", explica Natacci. Ou seja, um só alimento contém os aminoácidos essenciais para nosso organismo.
O ovo, bastante falado quando se pensa em substitutos para a carne, também é uma proteína completa — embora não faça parte do cardápio de quem segue uma dieta vegana, já que também é de origem animal.
Um filé de carne de 100 gramas tem entre 22 a 25 gramas de proteína. Um ovo, por sua vez, tem entre 6 e 7 gramas de proteína. Ou seja, mais ou menos três ovos podem substituir um filé de carne.
Segundo a nutricionista, uma pessoa sem contraindicações, com boa saúde e sem tendência ou histórico familiar de colesterol mais alto pode comer três ovos por dia sem problema nenhum. No entanto, diante de um quadro de colestoral alto, esse consumo precisa ser avaliado individualmente.
"É importante verificar se ela toma algum medicamento, quão alto está esse colesterol, e consultar um cardiologista", aponta Natacci, agregando que é preciso levar em conta o resto da alimentação — ou seja, se a pessoa está ingerindo muita quantidade de gordura saturada e trans. "Se a gente controlar a alimentação, pode ser que até uma pessoa com o colesterol mais alto consiga consumir essa quantidade (de ovo) por dia, mas vai depender da adaptação individual."
Soja
Soja é um alimento fonte de proteína na alimentação
Ouro Safra/Divulgação
Proteínas estão presentes predominantemente em alimentos de origem animal: podemos citar carnes, laticínios como queijos e iogurtes etc. Mas também podem ser encontradas em alimentos de origem vegetal.
Uma delas é uma leguminosa: a soja.
"A soja é única", diz Miller, "porque contém todos os aminoácidos de que precisamos, assim como a carne". Ele lembra que esse também é o caso da chia, "mas realisticamente, ninguém vai comer 100 gramas de chia, e nem isso será suficiente".
A soja, seja em grãos ou a proteína de soja, ou então o tofu, que é um alimento produzido a partir da soja, são perfeitos substitutos para a carne. Em 100 gramas de soja, há 36 gramas de proteína.
Combinação entre cereais e leguminosas
Consumo de feijão é recomendado na alimentação vegetariana
Whaun/Visual Hunt
Outras leguminosas, como o feijão, a lentilha e o grão de bico, entre outros, também contêm bastante proteína.
E o segredo para driblar aquela "proteína completa" do alimento de origem animal que contém todos os aminoácidos de que nosso corpo precisa é combinar leguminosas — que são grãos ou sementes que crescem em vagens — com cereais, como quinoa ou arroz. Essa combinação também providencia uma "proteína completa".
"O que acontece é uma complementação. Quando a gente ingere os dois, não tem diferença entre consumir isso ou carne para a ingestão de proteínas", afirma Natacci.
Segundo Miller, nosso fígado guarda aminoácidos, então caso um dos alimentos seja consumido sozinho, o fígado pode providenciar os aminoácidos, sem problemas. Ou seja, a combinação entre os dois alimentos é perfeita para nos dar as proteínas de que precisamos, mas também não tem problema consumir só um deles ocasionalmente.
Alguns exemplos da proteína presente nas leguminosas, lembrando da quantidade de proteínas que precisamos por dia (0,8g e 1g de proteína para cada quilo): uma xícara de ervilha tem 8 gramas de proteína, uma xícara de tremoço tem 11 gramas de proteína, uma concha de feijão tem 8 gramas de proteína e uma uma concha de soja cozida tem 12 gramas de proteína.
Em menor grau, os cereais também são ricos em proteínas. Em uma xícara de quinoa, um cereal muito rico em nutrientes e proteínas, há cerca de 8 gramas de proteína.
O cereal, no entanto, não é barato como o ovo, por exemplo, ou outros produtos proteicos. Um quilo de quinoa pode variar entre R$ 20 e R$ 45, o que signfica que, ainda que com preços altos, a carne pode compensar mais para o bolso do brasileiro, considerando a quantidade de proteína que um pedaço de 100 gramas fornece (22 a 25 gramas) e seu preço atual.
"Muita gente não vai ter acesso a esses substitutos, mas vai ter acesso a outros produtos, como o feijão, por exemplo", sugere Natacci.
Nozes
Nozes são alimentos considerados bons para o cérebro
Unsplash
Por fim, oleaginosas como castanhas do caju, castanhas do Pará, amendoim, entre outras, embora também às vezes mais caras, contêm uma boa quantidade de proteína e podem ajudar complementando a dieta alimentar.
Miller destaca que todos os alimentos têm proteínas, em menor ou maior grau. É o caso de verduras como brócolis e couve, por exemplo. Mas nesses alimentos há mais fibra e água e menos proteína.
O ideal, no final das contas, é seguir uma dieta balanceada e equilibrada. E um prato bastante equilibrado, segundo Natacci, é um cuja metade seja de verduras e legumes e a outra metade de carboidrato e proteínas — um quarto pode ser uma proteína de origem vegetal ou ovos e outro quarto pode ser de quinoa ou de um tubérculo, como batata.
Veja o preço médio de cortes de carne em três capitais

Missão espacial tenta descobrir por que o plasma ao redor do Sol é 300 vezes mais quente do que a superfície dele

A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 
Entre 26 de dezembro e 2024, Missão Parker vai fazer diversas manobras de aproximação do Sol para estudar como a 'coroa solar' ao redor da estrela pode ser tão quente quanto o interior dela. Coroa solar registrada durante eclipse de 2019.
Arquivo pessoal/Marcelo Domingues
O Sol, a nossa estrela particular, guarda muitos segredos. Mesmo estando a uma distância de "apenas" 150 milhões de quilômetros, ainda temos muitas perguntas sem respostas. E não preciso mencionar que, sendo a fonte vital de energia que faz o ciclo de vida na Terra se manter, essa é uma situação incômoda.
Com a dependência cada vez maior de tecnologias ligadas às redes de satélites, como comunicação e geoposicionamento, ou mesmo a extensa malha de distribuição de energia elétrica, entender os humores do Sol é fundamental. Vale lembrar que, nas épocas em que a atividade magnética do Sol é intensa, tempestades solares podem arruinar satélites em órbita da Terra, ou mesmo estações de geração de energia em sua superfície. Por causa disso, as agências espaciais e os institutos de pesquisa mantêm um programa contínuo de estudos do Sol. Seja na Terra, seja no espaço.
Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol
Por exemplo, a Nasa, a agência espacial americana, mantém pelo menos quatro satélites monitorando o Sol o tempo todo. O intuito dessa flotilha é registrar o comportamento do Sol, como o aparecimento de novas manchas solares e o surgimento de protuberâncias, por exemplo. Com o tempo e com o registro contínuo, os modelos que descrevem o comportamento do Sol e que ajudam a prever a ocorrência de tempestades violentas vão se aprimorando e vamos aprendendo a evitar situações catastróficas.
Mas, mesmo com tanto monitoramento, uma das perguntas mais antigas e intrigantes sobre o Sol permanece sem resposta.
Os modelos físicos e dados indiretos permitem deduzir que o Sol é mais quente no seu núcleo. Claro, é lá que ocorre a fusão nuclear que gera sua energia. Conforme nos distanciamos do seu núcleo, ou seja, indo em direção a sua superfície, a temperatura diminui. Partindo do núcleo com uns 15 milhões de graus Celsius, chegamos à superfície do Sol (a parte que de fato enxergamos) a uma temperatura um pouco menor que 6 mil graus. A partir deste ponto, a temperatura cai abruptamente, pois, afinal, saímos do Sol e estamos no espaço sideral.
Mas a história não é exatamente assim.
A partir da fotosfera do Sol (o termo correto para “superfície” que eu mencionei antes) existe uma estrutura muito extensa, composta por um “vento” de plasma e chamada de coroa solar. Essa coroa se espalha por milhões de quilômetros ao redor do Sol, muitas vezes mais concentrada em alguns pontos do que em outros. Essa parte se revela sempre nos eclipses solares. Até aí, beleza, mas sabe qual é a temperatura ao longo dessa estrutura? Entre 1 e 5 milhões de graus Celsius!
Pois é, o Sol tem uma parte estendida no espaço que é mais quente que seu ponto de partida: a coroa surge em um ponto da fotosfera onde a temperatura é de 6 mil graus, para se projetar no espaço e misteriosamente esquentar a mais de 1 milhão de graus.
Coroa solar capturada durante eclipse de 2017
Arquivo pessoal/Marcelo Domingues
Como pode?
Um dos objetivos da missão Parkes (veja vídeo abaixo), a sonda que está estudando o Sol a uma distância atual de 25 milhões de quilômetros, cerca de metade da distância Sol-Mercúrio, é justamente tentar entender como a coroa solar consegue ser tão quente quanto as regiões mais centrais do Sol. A suspeita recai nas chamadas “ondas magnéticas” geradas no interior do Sol e que se propagam pelo Sistema Solar.
A origem dessas ondas ainda é motivo de debate entre os físicos solares. Sabe-se que ela deve ser gerada a partir de vibrações do campo magnético do Sol. O processo é o mesmo de quando uma corda de guitarra elétrica é tocada, fazendo o campo magnético ao seu redor vibrar. A ideia básica é que a energia que essas ondas carregam faria a cora solar se aquecer.
Parker Solar Probe: Entenda missão da Nasa para explorar o Sol
As tais ondas magnéticas acontecem frequentemente e são registradas por instrumentos a bordo dos satélites em órbita da Terra, por exemplo. Mas, depois de percorrer 150 milhões de quilômetros, as ondas já chegam embaralhadas, por assim dizer, impedindo uma análise mais precisa. Por isso mesmo a sonda foi mandada para tão perto do Sol.
A missão da Parker prevê se aproximar ainda mais do Sol nos próximos anos, executando manobras de sobrevoo em Vênus. A próxima delas está agendada para 26 de dezembro deste ano e, como consequência, a distância da sonda até o Sol deve encolher para 19 milhões de quilômetros. Depois disso, a sonda executará mais cinco manobras deste tipo, fazendo a sua distância até o Sol se reduzir a menos de 7 milhões de quilômetros na véspera do Natal de 2024! A essa distância, podemos dizer que ela estará tocando o Sol, pois estará posicionada nas partes mais externas de sua coroa.
A posição privilegiada da Parker vai permitir estudar as ondas magnéticas do Sol a uma distância em que elas não se sobreponham e não interfiram umas na outras. Com esses dados, esperamos, o time que comanda a sonda vai tentar entender como o plasma solar se aquece mais de 300 vezes fora do Sol e assim responder a essa pergunta de quase 100 anos.
Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol
Claudia Ferreira/G1

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Em outubro, a menina foi encontrada viva em uma panela de barro que estava enterrada em um terreno na Índia; seu estado era crítico, mas ela sobreviveu. A bebê foi levada ao hospital em estado crítico em outubro, mas agora está saudável
Dr. Ravi Khanna/BBC
Uma recém-nascida, que havia sido enterrada viva em uma panela de barro no norte da Índia, se recuperou totalmente, segundo o médico que a atendeu.
Em meados de outubro, a garota foi levada ao hospital em estado crítico, sofrendo de uma infecção grave. Além disso, ela tinha uma quantidade baixa de plaquetas no sangue.
"A criança ganhou peso e melhorou a respiração – a contagem de plaquetas também está normal", disse o pediatra Ravi Khanna à BBC.
Seus pais não foram localizados e ela será adotada após um período de espera obrigatório.
Por enquanto, a garota está sob custódia das autoridades de bem-estar infantil no distrito de Bareilly, no Estado indiano de Uttar Pradesh.
Ela foi encontrada por acaso por um morador que estava enterrando sua própria filha, que tinha nascido morta. Os hindus geralmente cremam seus mortos, mas bebês e crianças pequenas são frequentemente enterrados.
O morador disse que havia cavado cerca de 90 centímetros abaixo da superfície quando sua pá bateu em um pote de barro, que se quebrou. Foi então que ele ouviu um choro de bebê. Quando ele puxou a panela, encontrou a criança ainda viva.
Inicialmente, ela foi levada ao pronto-socorro do governo local, mas, dois dias depois, foi transferida para o hospital pediátrico de Ravi Khanna, que possui melhores instalações.
Os médicos disseram que ela era um bebê prematuro, possivelmente nascido com 30 semanas de gestação. A garota pesava apenas 1,1 quilo. Encolhida, ela estava em estado de hipotermia e apresentava hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue).
"Quando a entregamos às autoridades do hospital distrital, ela pesava 2,57 quilos. Ela está aceitando mamadeira e agora está totalmente saudável", disse Khanna, nesta semana.
Não se sabe quanto tempo o bebê ficou enterrado. Os médicos dizem que não sabem exatamente como ela conseguiu sobreviveu.
Khanna disse que o bebê pode ter sido enterrado "de três a quatro dias antes de ser encontrada, sobrevivendo com sua gordura marrom". Os bebês nascem com gordura no abdômen, na coxa e na bochecha e podem sobreviver em caso de emergência por algum tempo.
Mas outros especialistas dão uma estimativa mais conservadora: dizem que ela só se manteve viva porque ficou embaixo da terra por "duas a três horas". Segundo eles, a garota poderia ter sobrevivido por "mais uma ou duas horas" se não tivesse sido resgatada.
O pediatra Ravi Khanna diz que a garota já aceita mamadeira e agora está totalmente saudável
Dr. Ravi Khanna/BBC
Uma bolsa de ar dentro da panela deve ter fornecido oxigênio para ela. Ou o ar poderia ter entrado no solo através de uma rachadura, segundo especialistas.
Em outubro, a polícia iniciou um processo criminal para procurar os pais da recém-nascida ou alguma outra pessoa que possa ter enterrado o bebê.
A polícia afirmou acreditar que os pais da criança eram cúmplices do crime, porque, mesmo depois do caso ser amplamente divulgado na Índia, ninguém se apresentou para reencontrar o bebê.
As autoridades não especularam sobre possíveis motivos para o crime, mas a discriminação de gênero da Índia é uma das piores do mundo. As mulheres são frequentemente discriminadas socialmente e as meninas são vistas como um fardo financeiro, especialmente nas comunidades mais pobres.
OUTRO CASO: BEBÊ RUSSO SOBREVIVE APÓS 35 HORAS SOB ESCOMBROS
Bebê russo sobrevive após 35 horas debaixo de escombros