Aulas para o curso online e gratuito da Fundação Roberto Marinho para o Encceja começam segunda; inscrições continuam

‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo
Curso prepara jovens e adultos que estão fora da escola para obter o diploma do ensino fundamental ou médio por meio do Exame Nacional para Certificação de Jovens e Adultos (Encceja). As aulas iniciam em 31 de março. Logo do curso SEJA, da Fundação Roberto Marinho.
Reprodução
A Fundação Roberto Marinho, em parceria com o Instituto Equatorial, inicia segunda-feira (31) o curso online e gratuito SEJA, que pretende dar suporte para todas as pessoas que interromperam os estudos e desejam concluir a educação básica ou ampliar oportunidades educacionais e profissionais.
As inscrições estão abertas para todos que vão fazer o Exame para Certificação de Jovens e Adultos (Encceja), oferecido pelo INEP. Os interessados podem se inscrever pelo site frm.org.br/seja .
Em 2024, 90% dos estudantes que participaram do curso e responderam ao questionário de avaliação do SEJA conseguiram aprovação em pelo menos uma área de conhecimento ou atingiram a pontuação necessária para a obtenção do diploma.
As aulas são organizadas em salas virtuais e podem ser acessadas até por celular, garantindo flexibilidade para conciliar estudos com trabalho e responsabilidades domésticas.
Como funciona?
O curso SEJA segue a matriz curricular do Encceja e do Telecurso — metodologia educacional da Fundação Roberto Marinho utilizada há mais de 30 anos e que já proporcionou a 1,7 milhão de jovens e adultos, de todo o país, a conclusão da educação básica.
Os alunos contam com professores para tirar dúvidas, mas a recomendação é acompanhar as aulas desde o primeiro dia para evitar acúmulo de conteúdo.
Quem pode se inscrever?
Jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade adequada, incluindo residentes no exterior e pessoas privadas de liberdade poderão se inscrever.
A idade mínima é de 15 anos para o ensino fundamental e 18 anos para o ensino médio, completos até a data da prova.
Encceja, exame em busca de certificação de ensino.
Thiago Ataíde
Segundo a Fundação Roberto Marinho, o SEJA surge como uma resposta aos desafios enfrentados por quem precisa conciliar trabalho, estudos e cuidados domésticos.
Serviço
Inscrições: no site frm.org.br/seja
Aulas: Início em 31/03, com acesso gratuito e flexível por dispositivos móveis.
Encceja 2024: Datas da prova ainda serão divulgadas pelo Inep.
Sobre as provas
O Encceja é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha. Provas também incluem uma redação de até 30 linhas. O modelo é de texto dissertativo-argumentativo, o mesmo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
As provas para certificado do ensino fundamental são:
ciências naturais;
matemática;
língua portuguesa, língua estrangeira, artes, educação física e redação
história e geografia;
No ensino médio, são provas de:
ciências da natureza e suas tecnologias;
matemática e suas tecnologias;
linguagens, códigos e suas tecnologias e redação;
ciências humanas e suas tecnologias;
Para obter o certificado, o participante deverá atingir no mínimo 100 pontos em cada uma das provas, em uma escala de 60 a 180. Na redação, é preciso ter nota igual ou acima de 5.
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ChatGPT, Gemini e mais: quais os prós e contras de usar cada ferramenta de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos?

‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo
Em artigo do 'The Conversation Brasil', cientista político analisa o desempenho de plataformas em critérios como variedade de fontes acadêmicas e qualidade do texto. ChatGPT
AP Photo/Matt Rourke
Não é de hoje que pesquisadores da área discutem a mudança do paradigma de buscas na internet: o “modelo Google”, no qual você insere palavras-chave e recebe links potencialmente úteis como resposta, migra para o “modelo ChatGPT”, uma busca semântica em que você faz um pedido em linguagem natural e recebe também respostas textuais diretas, seguidas depois de links para fontes.
O novo formato já é adotado por ferramentas diversas, como Bing Copilot, Duck Duck Go, e You, além de estar integrado a modelos de linguagem, a exemplo de ChatGPT, Gemini, Deep Seek, MariTalk, Qwen, entre outros. Mais abaixo, veja os pontos fortes e fracos de cada uma delas.
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Contudo, este paradigma parece estar evoluindo novamente. Em dezembro de 2024, o Google lançou a função “Deep Research” no Gemini, um agente de inteligência artificial generativa capaz de realizar buscas autônomas e extensas na internet para gerar relatórios detalhados.
Em fevereiro de 2025, a OpenAI apresentou ferramenta semelhante para o ChatGPT, surpreendendo pela capacidade de pesquisa aprofundada em conteúdos diversos, incluindo acadêmicos, produzindo relatórios robustos a partir das fontes consultadas. Paralelamente, outras empresas lançaram soluções semelhantes.
Para este texto, propus um teste de sete ferramentas de pesquisa profunda, comparando as principais opções gerais (ChatGPT, Gemini, Grok e Perplexity) e acadêmicas (Elicit, SciSpace e Undermind).
Para isso, desenvolvi um prompt simples, utilizado em todas as ferramentas, sobre desafios da implementação de inteligência artificial generativa no ensino básico, solicitando o agente a buscar tanto materiais acadêmicos quanto relatórios de entidades internacionais, como por exemplo a OECD e a Unesco.
O objetivo era ver como cada IA seleciona suas fontes e a qualidade do relatório final. Os resumos dos resultados gerados estão abaixo, incluindo o prompt inicial e o texto completo gerado por cada ferramenta no tópico de “qualidade”.
Ao final, refletimos sobre como esses sistemas podem transformar as revisões bibliográficas na pesquisa acadêmica.
Análise das ferramentas:
1. ChatGPT (Investigação/Deep Research)
Custo: US$ 20/mês (plano Plus)
Fontes pesquisadas: 30
Fontes usadas: 10
Fontes acadêmicas: 0
Extensão: 7.885 palavras (sem referências)
Qualidade: Relatório bem estruturado, com introdução, desafios globais da IA e estudos de caso, mas ignorou fontes acadêmicas.
2. Gemini (Deep Research)
Custo: R$ 96,99/mês (Google One, AI Premium 2 TB)
Fontes pesquisadas: 206
Fontes usadas: 58
Fontes acadêmicas: 5
Extensão: 3.564 palavras
Qualidade: Relatório organizado em tópicos, mas com repetições e falta de coesão; abordagem superficial, sem aprofundar exemplos específicos solicitados.
3. Grok (Deep Research)
Custo: Gratuito (US$ 20/mês plano Super Grok)
Fontes pesquisadas: 205
Fontes usadas: 12
Fontes acadêmicas: 1
Extensão: 1.136 palavras
Qualidade: Relatório direto e objetivo, mas genérico, com listas de pontos principais pouco desenvolvidos e referências pouco exploradas.
4. Perplexity (Pesquisa Profunda/Deep Research)
Custo: Gratuito (US$ 20/mês plano Profissional)
Fontes pesquisadas: 51
Fontes usadas: 5
Fontes acadêmicas: 0
Extensão: 1938 palavras
Qualidade: Revisão baseada em tópicos, porém com um uso maior de textos diretos e produzindo um bom texto, porém curto para temas complexos.
5. Elicit (Get a research report)
Custo: Gratuito (US$ 12/mês plano Plus)
Fontes pesquisadas: 10
Fontes usadas: 4 (todas acadêmicas)
Extensão: 2.171 palavras
Qualidade: Relatório focado em sínteses práticas em bullet points, útil para revisão rápida de literatura, mas carece de texto contínuo e aprofundamento crítico das fontes.
6. SciSpace (Deep Review)
Custo: US$ 90/mês (plano Advanced)
Fontes pesquisadas: 1.750 (305 relevantes)
Fontes usadas: 20 (todas acadêmicas)
Extensão: 2.190 palavras
Qualidade: Relatório detalhado e academicamente rigoroso, com citações diretas de periódicos, mas excessivamente baseado em tópicos e não cita fontes de alto impacto.
7. Undermind
Custo: Gratuito (US$ 20/mês plano Pro)
Fontes pesquisadas: Não especificadas
Fontes usadas: ~10 (todas acadêmicas, periódicos de alto impacto)
Extensão: 1.936 palavras
Qualidade: Excelente organização temática e identificação de clusters de citação, com recursos visuais, mas produz mais um apanhado de fontes que um relatório em si.
O que a pesquisa profunda significa para a pesquisa acadêmica
➡️De fato, houve exageros quanto à capacidade dessas novas ferramentas em entregar pesquisas de nível doutoral, já que frequentemente apresentam textos com pouca contextualização, atualizações insuficientes e uso inadequado de fontes, sendo avaliado em teste similar como inadequado mesmo para a pesquisa de notícias.
Nosso teste evidenciou isso, com algumas ferramentas utilizando sites governamentais (fontes confiáveis), porém focando notícias em vez de relatórios e outros documentos.
➡️Percebemos que as ferramentas gerais não priorizam fontes acadêmicas, mesmo isso estando explícito no prompt. Por exemplo, o ChatGPT não citou nenhum artigo científico, enquanto e Grok utilizou apenas uma fonte revisada por pares. A versão atualizada da ferramenta da Gemini foi a que melhor se saiu com 5 fontes acadêmicas, mas é ainda pouco comparado ao total de fontes pesquisadas.
➡️Buscadores acadêmicos como Elicit, SciSpace e o próprio Perplexity mostraram melhor desempenho, porém ainda são limitados às bases abertas como Semantic Scholar, não acessando os principais indexadores, como Scopus ou Web of Science. Apenas o Undermind foi capaz de apresentar artigos de alto impacto em suas sugestões.
➡️No atual momento, tais ferramentas apresentam limitações sérias, como:
opacidade (são “caixas-pretas”),
possibilidade de “alucinações” (quando a IA gera uma resposta correta em termos de linguagem, mas imprecisa ou falsa em termos factuais)
e imprecisões, vieses na seleção de fontes e incapacidade de replicação exata dos resultados (mesmo usando o mesmo prompt na mesma ferramenta os resultados são levemente diferentes a cada busca).
Mesmo quando oferecem links compartilháveis, isso é insuficiente para revisões rigorosas, como as sistemáticas ou integrativas. Atualmente, essas ferramentas devem ser vistas como recursos complementares às técnicas tradicionais de revisão bibliográfica.
Além disso, tais sistemas podem agravar problemas já conhecidos das IAs generativas. Tais relatórios produzidos por algoritmos podem potencialmente ser vistos como verdades absolutas. Isso pode criar desafios para a agência humana, exigindo esforços adicionais em literacia digital para evitar percepções equivocadas sobre a complexidade dos debates acadêmicos e reconhecer as limitações e vieses desses relatórios.
Todavia, devemos reconhecer que tais relatórios poderão ser úteis para exploração inicial de tópicos, formulação de hipóteses e investigação preliminar. Nesse sentido, podem beneficiar especialmente cientistas iniciantes, gestores públicos e profissionais que precisam realizar buscas rápidas e eficientes.
Dada a significativa velocidade dessas evoluções, a academia precisa discutir qual seria a abordagem mais adequada. Uma solução híbrida, com participação humana ativa, parece ser o caminho mais promissor. Mas como exatamente isso deve ocorrer?
Atualmente, apenas inserimos comandos iniciais e recebemos os resultados. A IA decide tudo. Ferramentas como ChatGPT, SciSpace e Undermind sugerem caminhos interessantes ao fazerem mais perguntas antes de realizar a busca, mas ainda precisamos entender melhor como otimizar esse processo, sem perder de vista princípios fundamentais da integridade científica contemporânea, como confiabilidade, ética, replicabilidade, transparência e agência humana.
* Rafael Cardoso Sampaio é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência Política na mesma instituição.
**Este texto foi publicado originalmente no site da The Conversation Brasil.
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Inscrição para Pé-de-Meia Licenciaturas termina no domingo; incentivo mensal é de R$ 1.050

‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo
Programa do governo federal busca estimular a formação de novos professores. Saiba quem pode participar e como se inscrever. Sala de aula vazia de faculdade de SC
Unisul/Divulgação
As inscrições para o Pé-de-Meia Licenciaturas, novo programa do Ministério da Educação (MEC) para incentivar a formação de professores, terminam no próximo domingo (30). Os estudantes aprovados terão direito a um auxílio mensal de R$ 1.050.
Tire suas dúvidas abaixo:
✏️Como fazer a inscrição?
É preciso preencher o cadastro na Plataforma Freire, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes):
O aluno deve enviar seus dados pessoais, o currículo e o termo de concordância assinado.
Em seguida, precisa informar em qual instituição de ensino está matriculado.
✏️Quem pode participar?
O programa exige que o aluno tenha:
sido aprovado em um curso de licenciatura presencial neste ano, no: Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) ou Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
obtido nota igual ou superior a 650 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Não há critérios de renda.
✏️De quanto é a bolsa?
O auxílio pago aos estudantes aprovados será de R$ 1.050 por mês, do início ao fim do curso. Dessa quantia, R$ 700 poderão ser sacados imediatamente e R$ 350 serão depositados em uma poupança (liberada após a formatura).
As bolsas serão pagas pelo MEC, por meio da Capes, e beneficiarão até 12 mil alunos em 2025.
✏️Quando saem os resultados?
A lista de selecionados será publicada em 14 de abril. Caso haja mais de 12 mil interessados, a prioridade será para os aprovados pelo Sisu.
✏️O que fazer se perder o prazo?
É possível fazer a inscrição mesmo após 30 de março. No entanto, o pagamento da primeira parcela será pago com atraso.
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Programa concede incentivo em dinheiro para quem optar por cursos de licenciatura

Ostentação na faculdade? Em trend, alunos mostram miojo de copo, ônibus cheio e água contaminada

‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo
Posts do TikTok usam áudio de um vídeo do g1 sobre alunos ricos para mostrar… quem está longe da rotina de iates e bolsas de marca. Rotina-ostentação na faculdade? Alunos fazem piada e mostram miojo de copo e ônibus cheio
Você vai (ou ia) à faculdade…:
… de salto alto ou de calça de moletom?
… em ônibus lotado ou usufruindo do ar-condicionado do carro, enquanto seu motorista dirige?
… carregando seus pertences em uma bolsa Louis Vuitton ou levando a marmita em uma sacolinha de supermercado?
Esses contrastes da vida de estudante inspiraram uma "trend" divertidíssima no TikTok, como você pode ver no vídeo acima (ela reforça o que sabemos desde os primórdios dos memes: o brasileiro sofre no aperto do transporte público, mas usa o humor para ilustrar cada perrengue diário).
💅E o curioso é que essa "corrente" surgiu justamente de um conteúdo do g1. No início do mês, contamos a história de universitários que fazem sucesso nas redes sociais ao mostrarem uma rotina de luxo: eles vão à faculdade de carro conversível, pagam até R$ 15 mil de mensalidade, fecham "publis" de "lookinhos" usados em aula e passam o fim de semana no iate da família.
Algum aluno (muito espirituoso) usou o áudio do vídeo dessa reportagem para mostrar exatamente o oposto do que a narração diz — e acabou criando uma "trend" com mais de 900 posts.
➡️A regra é: enquanto a jornalista do g1 fala que "o que faz sucesso é a rotina-ostentação, com motorista, carro conversível, lookinhos muuuito chiques e salto alto", os posts devem exibir os mais variados tipos de "humilhação" dos estudantes que não são herdeiros:
miojo de copo como lanche da faculdade;
blusa descosturada;
metrô cheio;
cabelo sendo lavado no tanque;
bebedouro com água suspeita;
refeitório congestionado, com fila no micro-ondas;
pessoas dormindo no chão no intervalo das aulas… e por aí, vai.
O vídeo original, que é puro luxo, é este aqui:
Alunos de faculdades caras mostram rotina com motorista, iate e bolsas de R$ 17 mil
Viu o trecho em que Enrico Rico, um aluno de medicina da São Leopoldo Mandic, leva um bombom para cada colega da turma, com bilhetinho personalizado? Na "trend" do mundo real, o que faz a alegria da classe é uma lata de refrigerante com canudinho, compartilhada em uma roda de 10 alunos.
Enrico Rico, como gosta de ser chamado nas redes, estuda medicina na Mandic, no interior de SP
Arquivo pessoal
Leia a reportagem original aqui: Motorista, iate, bolsas de R$ 17 mil e 'looks' de marca: alunos de faculdades caras viralizam com rotinas de luxo
Luxo x perrengue na faculdade
Reprodução/Redes sociais
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‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo

‘Vagabundagem mental’ pode contribuir para a aprendizagem, mostra estudo
Equipe do Centro de Pesquisas em Neurociências de Lyon, na França, mostrou que as distrações pontuais, que surgem enquanto estamos ocupados, podem ser úteis na aquisição de certas habilidades, como aprender um novo instrumento ou um idioma. Distração pode ajudar na aprendizagem?
Reprodução/Freepik
Durante a execução de uma tarefa, mesmo se estivermos totalmente concentrados, haverá momentos em que nos "desligaremos": nossos pensamentos se desconectarão do que estamos fazendo. Os cientistas chamam esses períodos de “vagabundagem mental”, ou "mind wondering", em inglês.
➡️Estudos mostram que os seres humanos passam entre 30% e 50% do tempo divagando.
“Durante cerca de 50 anos, a ciência mostrou que este estado prejudicava a cognição, porque afetava a atenção”, diz o neurocientista Dezső Németh, do Centro de Pesquisas em Neurociências de Lyon, na França.
Segundo ele, estudos mostraram durante décadas que esses momentos de distração poderiam afetar a memória de trabalho, um componente essencial da função executiva no cérebro, responsável pelo armazenamento temporário de informações. E mais: o excesso de "vagabundagem mental" poderia influenciar na produtividade dos adultos a ponto de afetar a economia de um país.
📖Németh, no entanto, descobriu que há um lado positivo na distração: ela pode contribuir para a aprendizagem.
O neurocientista húngaro questionou quais seriam os pontos positivos desses momentos em que nossos pensamentos derivam independentemente da nossa vontade. Para isso, ele e sua equipe recrutaram 135 pessoas para participar de testes online. Durante o exercício, uma imagem aparecia e desaparecia logo em seguida em uma das quatro janelas da tela. Os voluntários tinham de adivinhar em qual dos espaços vagos ela surgiria novamente.
Questionados sobre o foco e o surgimento de pensamentos aleatórios durante a atividade, 117 participantes relataram ter pensado em outros assuntos pelo menos uma vez. A pesquisa mostrou que esses voluntários que divagaram durante o teste tiveram melhores resultados em comparação aos participantes que permaneceram focados, tentando entender de forma consciente qual seria a sequência de aparecimento do desenho na tela.
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Aprendizagem implícita
A conclusão foi que sonhar acordado favorece a chamada aprendizagem implícita e as conexões cerebrais com o ambiente.
“Você aprende mesmo sem perceber que está aprendendo alguma coisa. Nosso cérebro sempre está tentando descobrir modelos e estruturando o ambiente”, explica o neurocientista.
➡️Segundo o pesquisador, a aprendizagem implícita propiciada por essas distrações pontuais facilita a aquisição de novas habilidades, como tocar um instrumento, praticar um novo esporte ou aprender um idioma.
Agora são necessárias mais pesquisas para determinar até que ponto esses momentos de divagação influenciam o processo de aprendizagem implícita apenas de forma positiva, ou se isso pode ser variável. É preciso diferenciar também, diz Dezső Németh o que acontece no cérebro durante a aquisição de conhecimentos totalmente novos e o aperfeiçoamento de competências já existentes.
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Consolidação da memória
O processo cognitivo que envolve a "vagabundagem mental" está conectado ao da consolidação da memória, que acontece durante o sono. Durante o estudo, a equipe do cientista húngaro também notou semelhanças entre esse estado mental e os observados no cérebro enquanto estamos dormindo, que ocorrem no córtex pré-frontal.
“Esse processo cerebral está conectado ao fenômeno que chamamos em neurociências de replay. Isso significa que, se você está executando uma tarefa em um determinado momento e começa a divagar, seu cérebro inconscientemente vai continuar repetindo essa tarefa, e isso vai ajudar na consolidação da memória”, explica o cientista húngaro.
A hipótese da equipe, que ainda precisa ser comprovada, é que o cérebro simula as informações que estão chegando, e as reproduz como se estive rebobinando um filme. Durante esse processo, a aprendizagem provavelmente seria reforçada. É preciso também investigar, diz o pesquisador, como as emoções envolvidas nos pensamentos que surgem enquanto estamos ocupados interfere nesse processo.
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