Escândalo do MEC: MP pede retomada de investigação que atinge Bolsonaro e ex-ministro Milton Ribeiro

Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora
Investigação sobre suposto esquema de propina envolvendo pastores travou após suspeita de interferência de Bolsonaro nas investigações. O presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, em imagem de 4 de fevereiro de 2022
Evaristo Sa/AFP/Arquivo
O Ministério Público Federal pediu "celeridade" na retomada de investigação que atinge o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro.
Bolsonaro é investigado por uma suposta interferência nas investigações do escândalo de corrupção no Ministério da Educação que derrubou Ribeiro do comando da pasta.
O ex-ministro chegou a ser detido ao longo das investigações do suposto esquema.
O caso está travado há mais de dois anos após surgirem indícios de suposta interferência de Bolsonaro nas investigações.
Relembre a investigação no vídeo abaixo:
Entenda o que levou à prisão de ex-ministro e ao pedido de CPI do MEC
Parecer cobra novas diligências
A TV Globo teve acesso ao parecer da Procuradoria da República do DF pedindo que a Justiça determine a retomada da investigação.
O MP aponta que não foram realizadas novas diligências, como depoimentos e nem análise de arquivos e extratos obtidos após quebras de sigilo telefônico e bancário dos investigados.
"Considerando que não ocorreram novos andamentos investigativos no presente caso, tendo em vista que os autos ficaram aguardando a decisão do STF quanto à competência para atuar no feito, verifica-se a necessidade de se prosseguir com celeridade à apuração. Assim, o Ministério Público Federal manifesta-se pela remessa imediata dos autos à Polícia Federal para que ela apresente as análises pormenorizadas e conclusões referentes às medidas cautelares acima indicadas, apontando os elementos probatórios que foram obtidos aptos a indicarem a autoria e materialidade delitiva", diz o MP.
Relembre o caso
A suspeita, baseada em uma conversa do ex-ministro Milton Ribeiro com a filha, é que Bolsonaro o teria alertado sobre uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal. A conversa telefônica foi gravada com autorização da Justiça.
A Polícia Federal afirma que dois pastores montaram uma espécie de gabinete paralelo dentro do MEC, liberando verbas públicas em troca de propina. Segundo a PF, Milton Ribeiro sabia e deu aval para o esquema.
A investigação estava em andamento na Justiça Federal do DF, mas como o nome de Bolsonaro apareceu, o caso foi enviado para o Supremo em julho de 2022. Na época, tinha foro privilegiado.
O caso tramitou em sigilo no STF. Em setembro de 2022, a ministra Cármen Lúcia autorizou a investigação de Bolsonaro no STF e a devolução do inquérito do escândalo dos pastores envolvendo Milton Ribeiro para a Justiça Federal do DF. A Procuradoria-Geral da República, sob comando de Augusto Aras, recorreu e defendeu o arquivamento dos fatos envolvendo Bolsonaro. O que arrastou ainda mais a discussão sobre os desdobramentos do caso.
Na época, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, afirmou que os elementos não justificavam a abertura de investigação contra Bolsonaro, além de apontar problemas processuais para o uso da interceptação.
Escândalo no MEC: entenda a denúncia de ‘gabinete paralelo’ chefiado por Milton Ribeiro
"Em um senso comum realizado por qualquer cidadão chegaria à conclusão de que em uma investigação em curso, sob os holofotes de grande repercussão midiática, a depender do atual estágio de elementos de informação colhidos, seria passível de evoluir à deflagração de uma operação policial. Tal "pressentimento" e temor eram previsíveis para os investigados, familiares e amigos, assim como tal expectativa, em tese, advinha da pressão de setores da sociedade, de parcela da mídia e de agentes políticos de oposição, alguns inclusive postulando ilegitimamente medidas nos próprios autos. Trata-se de situação cuja perspectiva era dotada de certa previsibilidade".
Lindôra disse ainda que "uma análise técnica, objetiva e jurídica dos diálogos interceptados" dos dados "leva à conclusão de carência de elementos mínimos de informação acerca de qualquer prática delitiva por parte do presidente da República".
A ministra Cármen Lúcia, no entanto, entendeu que não cabia ao Supremo analisar o recurso porque Bolsonaro não foi reeleito e com isso perdeu o foro privilegiado na Corte. Com isso, cabe ao novo juiz analisar o recurso da PGR para arquivar os fatos contra o ex-presidente e também um pedido feito pela defesa do ex-ministro Milton Ribeiro para anular a operação.
Em julho deste ano, a Justiça Federal em Brasília pediu parecer do MP sobre o caso.

Livros na prisão: cumprir a lei que reduz penas por meio da leitura é desafio para sistema penal brasileiro

Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora
A cada livro lido o preso tem direito a quatro dias a menos em sua pena. O limite por ano é de 12 livros. Com um limite máximo de 48 dias a menos na pena a cada ano. Falta de condições mínimas de dignidade na maioria das prisões do país coloca o recursos dos livros como mecanismo de redução de pena e reintegração social relegado a um plano muito secundário.
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Na semana passada, repercutiu na mídia brasileira a notícia de que a pastora e ex-deputada federal Flordelis, condenada a 50 anos e 28 dias de prisão em regime fechado por participação no homicídio do marido, teve sua pena reduzida em 177 dias por conta da sua participação em cursos e leitura de livros na prisão.
O recurso que beneficiou Flordelis está presente na Lei de Execução Penal desde 2011.O uso desse benefício é uma alternativa eficiente e de baixo custo ao tradicional recurso da remição de pena através das horas trabalhadas, hoje pouco aplicada por conta da falta de recursos e infraestrutura nas prisões. Mas assim como não consegue prover trabalho, nosso sistema penitenciário também ainda está longe de dar aos presos uma estrutura adequada que permita acesso aos livros.
👉🏾 De acordo com o texto da Lei de Execução Penal, a cada livro lido o preso tem direito a quatro dias a menos em sua pena. O limite por ano é de 12 livros. Com um limite máximo de 48 dias a menos na pena a cada ano.
O objetivo desta mudança da lei não era transformar a comunidade carcerária em um círculo de intelectuais e leitores contumazes. Não que isso não fosse possível, mas a ideia central era dar estímulo aos presos e contribuir com seu processo de reintegração à sociedade, permitindo a eles suprir com os livros o que não receberam na escola.
Mas a questão é a grande distância entre o mundo ideal e a realidade quando se fala no tema prisional. Quem conhece as penitenciárias do Brasil sabe das péssimas condições da maioria delas. Fica distante pensar em um mínimo de estrutura que permita um acervo literário à disposição dos presos. Sem contar no grande preconceito que existe na sociedade em dar qualquer direito que seja, tanto a um preso provisório quanto a um condenado.
Tratar a questão da leitura além do foco meramente do sistema prisional envolve muita reflexão. Isso sem considerar que além dos espaços adequados para a leitura ainda existem desafios jurídicos, econômicos e até políticos. Tudo que envolve dignidade e benefícios aos presos é mais demorado. Presos são invisíveis à sociedade e muitos preferem que seja mesmo assim.
No contexto educacional, os dados revelam um abismo. Números do ano passado do Censo Nacional de Práticas de Leitura no Sistema Prisional mostram que 53% dos presos brasileiros não possuem o Ensino Fundamental completo ou são analfabetos. A leitura para remição de pena está, de alguma forma, envolvida com a própria instituição escolar, ou com a falta dela.
A realização deste censo foi uma entre muitas iniciativas do Programa Fazendo Justiça, uma parceria feita entre o Conselho Nacional de Justiça e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Um dos objetivos era mudar pelo menos um pouco o quadro dantesco que em que se encontram muitas das prisões brasileiras.
Os idealizadores do censo se basearam na Constituição brasileira que prevê a educação como um direito fundamental. E também o texto da própria Lei de Execução Penal dá o direito às pessoas privadas de liberdade à educação e cultura. A lei diz que os presos têm direito e acesso a livros e bibliotecas. E que periodicamente um censo fosse feito justamente para apurar as condições dos acervos bibliotecários.
Leis não são cumpridas
Os desafios para garantir que um preso tenha acesso aos livros seguem no campo jurídico. E apesar de a lei ser única, ela é aplicada de forma diferente dependendo de quem são os presos leitores e as regras que cada instituição penal cria para que a lei seja cumprida.
Ou seja, embora a lei permita a possibilidade de remição de pena pela leitura, nem sempre ela ocorre, muitas vezes falta o básico. Uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), feita no ano passado, mostra que apenas 11 dos 27 estados brasileiros declaram ter estrutura para implantação de bibliotecas. Com isso, somente 31,5% dos presos, um a cada três presos, conseguem reduzir os dias da pena por meio da leitura.
A peregrinação para se conseguir adequar à lei da leitura não para por aí. Além dos custos para a implementação das bibliotecas uma questão que até hoje não foi resolvida é a criação de um sistema de gestão eficiente para controlar a leitura dos presos.
Como ter a certeza de que ao pegar um livro para ler o preso de fato se dedicou às páginas com atenção? E qual a retenção de conhecimento ao fim do livro? O preso pode escamotear o sistema apenas alegando que leu o livro, mas na prática ele o usou como forma de redução da pena. Difícil, mas não impossível, fazer esse controle. Começando pela vontade política.
Voltando ao básico: nem todas as unidades prisionais do Brasil têm bibliotecas. É preciso fazer projetos, obras, definição de espaço nas unidades. E depois disso a contratação de bibliotecários. O custo não está previsto nos orçamentos das Secretarias de Administração Penitenciária. Antes de criar bibliotecas, os gestores das prisões estão preocupados em evitar fugas, rebeliões, separação de presos por facções.
Em Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos descreve a prisão, já naquela época, os anos 1930, com graves e precários problemas de estrutura. Aliás, se hoje um preso tiver a curiosidade de saber como eram as cadeias daquele tempo, a dificuldade será encontrar o livro de Graciliano em alguma estante da biblioteca. Isso se houver biblioteca no presídio.
Audiobooks
Diante das dificuldades já descritas neste texto para se criar estrutura que permita o cumprimento da lei da leitura dos presos, uma alternativa viável poderia vir da tecnologia. Afinal, em pleno século 21 e com a Inteligência Artificial assustando o planeta, como não criar uma solução que resolvesse todos esses impasses?
Ela poderia estar nos ouvidos, em vez de nos olhos. No lugar de livros, audiobooks. Além de não ocupar espaço físico, os livros seriam de acesso para presos analfabetos. Até mesmo sem saber ler um preso poderia ouvir os arquivos de áudio.
Se considerar que uma biblioteca digital possui mais de 50 mil livros disponíveis, ler com tablets ou ouvir com audiobooks poderia facilitar o acesso dos presos. Mas como essa universalização será viável se há limitação do acervo bibliográfico e poucos são até mesmo os livros de papel nas unidades prisionais do país? Como isso será possível se muitas prisões brasileiras nem sequer bibliotecas têm, não há bibliotecários, nem acervo suficiente?
Diante de todos estes problemas a constatação: as políticas públicas brasileiras para a leitura constam apenas na letra fria da lei. Na prática, muito pouco se fez para os presos. Fato é que se o sistema educacional brasileiro fosse eficiente para dar uma educação de qualidade para as crianças e jovens seria plausível pensar que o Brasil não seria o terceiro do mundo em população carcerária.
No ano passado, o Supremo Tribunal Federal concluiu que as condições carcerárias do Brasil violam direitos fundamentais dos presos e reconheceu o chamado “estado de coisas inconstitucional” em relação ao sistema carcerário nacional. Os ministros da mais alta corte do Brasil concluíram que as condições em que os presos são submetidos na cadeia são desumanas.
O próprio Estado faz o mea culpa, e reconhece como estão os presos custodiados no país. E, como consequência, o ambiente precário do sistema penitenciário retroalimenta a criminalidade.
Torna-se urgente adotar medidas para melhorar o sistema prisional do Brasil. Por um lado, assegura-se a necessidade e a dignidade dos presos. Por outro ganha a sociedade que ao ter um egresso do sistema recuperado ela volta a ter um cidadão que trabalha, produz e cumpre suas obrigações. A leitura no cárcere é ferramenta que pode contribuir com uma vida melhor no intramuros da prisão e, no futuro, fora deles, no convívio com a sociedade. Sim, a saída pode ser pela leitura.
*Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é professora e pesquisadora da Universidade do Oeste de Santa Catarina, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
**Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Uso do ‘onde’, hífen, adjetivos: o que caiu na prova de português do CNU e como resolver

Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora
Para professores, os assuntos cobrados e o nível de dificuldade das questões estavam dentro do que era esperado para uma prova elaborada pela Fundação Cesgranrio. Enem dos Concursos: correção da questão sobre ciências e tecnologia (Ensino Médio)
O Concurso Nacional Unificado (CNU) contou com uma prova de língua portuguesa para os candidatos a vagas que exigem somente ensino médio. Os participantes de nível superior fizeram avaliações diferentes.
Veja os GABARITOS OFICIAIS
Baixe os CADERNOS DE PROVA
Para professores especializados na área, os assuntos cobrados e o nível de dificuldade das questões de português estavam dentro do que era esperado para uma prova elaborada pela Fundação Cesgranrio, apesar de essa ter sido a primeira edição do chamado "Enem dos concursos".
"A gente nunca vai dizer que uma prova foi fácil, mas premiou quem estudou no perfil da banca", diz o professor Felipe Luccas, do Estratégia Concursos.
Ao todo, foram 15 questões de múltipla escolha de língua portuguesa, sendo seis relacionadas a um artigo do Ipea sobre ciência e tecnologia, e que cobravam interpretação textual. As outras nove foram perguntas sobre gramática.
No vídeo acima, a professora Adriana Figueiredo, também do Estratégia, explicou como fazer uma leitura aprofundada do texto para compreender, além do conteúdo, a forma como as ideias foram organizadas no artigo.
Na parte de gramática, a banca cobrou conhecimentos sobre hífen, adjetivos, concordância, prefixo e o uso do correto "onde", entre outros assuntos. Veja nos vídeos abaixo a correção das principais questões.
⌛ TEMPO CURTO? – Essa parte do exame foi aplicada no período da manhã. Os participantes, de nível médio, tiveram 2h30 para responder as 15 questões e escrever uma redação, entre 25 e 30 linhas.
Por isso, além de estudar o conteúdo, o candidato precisava treinar a gestão do tempo durante o preparo para o exame, explicam os professores.
À tarde, o concurso continuou, com mais 45 questões de múltipla escolha de matemática, noções de direito e realidade brasileira, que deveriam ser respondidas em até 3 horas.
Correção da prova de português do CNU
O modelo de prova utilizado para corrigir as questões foi o "gabarito 1". Assim, dependendo do caderno que o candidato pegou no momento do exame, a ordem das questões e das alternativas estarão diferentes.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Questão sobre recurso argumentativo / resposta: C
'Enem dos concursos': professores fazem correção de questão sobre recurso argumentativo (Ensino Médio)
Reprodução/g1
Enem dos concursos: correção da questão sobre recurso argumentativo (ensino médio)
Questão sobre organização temática do texto / resposta: B
'Enem dos concursos': professores fazem correção de questão sobre organização temática do texto (Ensino Médio)
Reprodução/g1
Enem dos concursos: correção da questão sobre organização temática do texto (ensino médio)
Questão sobre termo referente no texto / resposta: E
Questão do CNU sobre termo referente no texto (ensino médio)
g1/Reprodução
Enem dos concursos: correção da questão sobre termo referente no texto (ensino médio)
GRAMÁTICA
Questão sobre adjetivos / resposta: E
'Enem dos concursos': professores fazem correção de questão sobre adjetivo no texto (Ensino Médio)
Reprodução/g1
Enem dos concursos: correção da questão sobre adjetivo no texto prova do (ensino médio)
Questão sobre concordância / Resposta: A
Questão do CNU sobre concordância (ensino médio)
g1/Reprodução
Enem dos concursos: correção da questão sobre concordância (ensino médio)
Questão sobre hífen / resposta: B
Questão do CNU sobre hífen (ensino médio)
g1/Reprodução
Enem dos concursos: correção da questão sobre hífen no texto prova do (ensino médio)
Questão sobre "portanto" / resposta: C
Questão do CNU sobre "portanto" (ensino médio)
g1/Reprodução
Enem dos concursos: correção da questão sobre portanto (ensino médio)
Questão sobre concordância nominal / resposta: A
Questão do CNU sobre concordância nominal (ensino médio)
Reprodução/g1
Enem dos concursos: correção da questão sobre concordância nominal (ensino médio)
Questão sobre prefixo / resposta: B
'Enem dos concursos': professores fazem correção de questão sobre prefixo no texto (Ensino Médio)
reprodução/g1
Enem dos concursos: correção da questão sobre prefixo (ensino médio)
Questão sobre o uso do "onde" / resposta: B
Questão do CNU sobre o uso do "onde" (ensino médio)
g1/Reprodução
Enem dos concursos: correção da questão sobre norma-padrão (ensino médio)

Desvios de verba na Unicamp: Fapesp cobra reembolso de professores e caso vai à Justiça

Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora
Pesquisadores não são investigados, mas, para a Fundação, eles eram pessoalmente responsáveis pelo controle do dinheiro e devem ressarcir os cofres públicos. Entenda suspeita de desvio milionário de verbas de pesquisa da Fapesp na Unicamp
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está cobrando de professores do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp as verbas desviadas de pesquisas. O caso foi parar na Justiça, que tem dado decisões divergentes. Entenda abaixo a controvérsia.
A principal suspeita pelos desvios é Ligiane Marinho de Ávila, ex-funcionária contratada da universidade. Ela foi demitida em janeiro e, desde então, é investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MP-SP). O g1 apurou que ela deixou o país em fevereiro.
Uma auditoria da Fapesp detectou cerca R$ 5 milhões em transferências à suspeita e apura o valor que de fato foi extraviado. Já a Unicamp constatou que, do dinheiro movimentado pela ex-funcionária, cerca de R$ 3 milhões foram extraviados das pesquisas.

Ligiane Marinho de Ávila, investigada pela Polícia Civil por suspeita de desviar verbas de pesquisa da Unicamp
Reprodução/EPTV
Mas se a suspeita é uma ex-funcionária da universidade, por que os professores estão sendo cobrados?
A Fapesp entende que era de responsabilidade dos professores (que também atuam como pesquisadores) monitorar o uso dos recursos uma vez que as verbas foram, do ponto de vista legal, concedidas pessoalmente a eles. Por isso, está cobrando deles o ressarcimento aos cofres públicos.
“Qualquer pagamento/transferência de valores oriundos desta Fundação apenas poderia ter sido realizado mediante senha do cartão BB Pesquisa, o que sugere que, no mínimo, teria havido negligência por parte dos pesquisadores quanto à obrigação de guarda desse código secreto”, disse a Fundação ao MP-SP.
O g1 teve acesso aos termos de outorga (destinação de verbas de pesquisa) da Fapesp e confirmou que o recurso é disponibilizado diretamente à pessoa física do professor/pesquisador e cabe a ele, segundo o termo, a responsabilidade pelo uso correto dos valores.
Instituto de Biologia da Unicamp
Reprodução/EPTV
Decisões da Justiça
Diante da cobrança de restituição dos valores, os professores do IB ingressaram com ações na Justiça alegando que a responsabilidade pelo reembolso é da Unicamp, uma vez que foi a universidade que colocou Ligiane dentro do instituto para operacionalizar a contratação de serviços e compras para as pesquisas.
Os processos foram sorteados para diversas varas da Justiça e correm sob sigilo a pedido do advogado dos pesquisadores, mas o g1 apurou que os juízes de Campinas têm emitido decisões divergentes.
Nos processos sorteados para a 1ª Vara da Fazenda Pública, o juiz tem concedido liminar aos pesquisadores suspendendo a obrigatoriedade dos reembolsos até o fim das investigações.
"Os documentos acostados à inicial demonstram forte indício do cometimento de fraude por terceira pessoa, cuja responsabilidade será melhor analisada com o oferecimento da contestação e juntada do procedimento administrativo instaurado", entendeu o juízo.
Já os juízes da 3ª e 4ª Varas da Fazenda Pública entenderam de forma diferente e negaram os pedidos de liminar dos pesquisadores e, com isso, autorizaram a cobrança dos valores desviados. Para esses magistrados, a responsabilidade pela verba era do pesquisador.
"O termo prevê a responsabilidade pessoal do outorgado (pesquisador) 'pela perfeita utilização dos recursos em conformidade com os dispositivos legais vigentes'", diz o juiz em trecho da decisão que o g1 teve acesso.
O que diz a defesa do pesquisadores?
Os advogados que representam os professores da Unicamp confirmaram que eles foram notificados a devolver os valores desviados "sob pena de bloqueio dos projetos em andamento". Segundo eles, isso "afetaria as pesquisas em desenvolvimento no IB, além de bloquear a bolsa dos inúmeros estudantes pesquisadores".
"Como os professores não são responsáveis pelo desvio, foi necessário recorrer ao Poder Judiciário, até mesmo para garantir a pesquisa e as bolsas dos alunos pesquisadores", explicou a defesa dos professores.
"Destacamos que os pesquisadores sempre tiveram postura ativa para a solução do problema, descobriram os desvios, reportaram à autoridade policial, que instaurou inquérito policial com base na denúncia, e notificaram a Unicamp e a Fapesp para providências", disseram os advogados.
O que diz a Fapesp?
Ao g1, a Fapesp informou que está recorrendo das decisões que suspenderam as cobranças de ressarcimento. "No que diz respeito a todos os pesquisadores envolvidos na questão, a Fundação continuará tomando as providências em juízo e seguirá cumprindo sua função em defesa do patrimônio público", disse em nota.
O que diz a Unicamp?
Procurada, a Unicamp se limitou a dizer que "os fatos estão sendo objeto de apuração final, de forma criteriosa, em Sindicância Administrativa". Diz ainda que "adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão".
O que diz a defesa de Ligiane
Uma auditoria Fapesp identificou que R$ 5.092.925,88 de verbas de pesquisas do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp foram transferidos para Ligiane, a ex-funcionária da universidade suspeita de ter desviado dinheiro destinado aos estudos científicos.
Procurada pelo g1, a defesa de Ligiane informou que teve "ciência sobre o inquérito policial em maio, mas não foi notificada para apresentar sua versão, e que a defesa "compareceu a delegacia para agendar seu depoimento, porém até o presente momento não fora marcada".
Segundo o advogado Rafael de Azevedo, "o montante não consta na investigação" e "a defesa pretende esclarecer sobre toda a acusação assim que for marcada a oitiva de Ligiane".
Verbas de 36 pesquisadores
Segundo a Fapesp, os R$ 5 milhões saíram de 75 destinações de verbas a 36 pesquisadores do IB diretamente para a ex-funcionária. O valor aferido foi informado pela Fundação ao Ministério Público Estadual (MP-SP), que investiga o caso no âmbito cível e criminal.
O trabalho de auditoria, no entanto, ainda não foi concluído pela Fapesp, que agora apura qual valor, desses R$ 5 milhões, foi efetivamente extraviado dos pesquisadores. Isso porque, Ligiane era a responsável por operacionalizar o pagamento de serviços e compras no IB e, em alguns casos, fazia a transferência para a própria conta para "agilizar o trabalho".
Suspeita fora do país
O caso é investigado criminalmente pela Polícia Civil, que apura o possível crime de peculato. O g1 revelou que Ligiane Marinho de Ávila informou à Polícia Civil que está no exterior e não tem data para voltar ao Brasil.
No Inquérito Policial (IP) que investiga Ligiane, o advogado da ex-funcionária pediu para que o depoimento dela seja feito por videoconferência. "Está em viagem para o exterior, sem previsão até o presente momento da data de retorno", disse o defensor à polícia.
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O g1 apurou com uma fonte na Polícia Federal que a suspeita havia deixado o Brasil no dia 19 de fevereiro deste ano, um mês depois dos desvios terem vindo à tona. Ligiane viajou em um voo que saiu de Campinas (SP) com destino a Orly, na França.
A investigação sobre os desvios na Unicamp correm no 7º Distrito Policial de Campinas. Ao g1, a Polícia Civil informou que o delegado responsável pelo caso já ouviu três suspeitos e realiza diligências na cidade. "Demais detalhes serão preservados para garantir autonomia policial", disse a instituição.
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Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora

Pela primeira vez na história, UnB tem apenas mulheres concorrendo ao cargo de reitora
Votação do primeiro turno começa nesta terça-feira (20) e termina na quarta (21). Disputa feminina é inédita nos 62 anos de existência da UnB. Professoras Maria de Fátima, Rozana e Olgamir concorrem à Reitoria da UnB.
Divulgação/Zambrana's e Iogo Chirola
Pela primeira vez na história da Universidade de Brasília (UnB), as três chapas que concorrem à reitoria da universidade são encabeçadas por mulheres. A votação começa nesta terça-feira (20), às 9h, e vai até quarta-feira (21), às 21h (saiba mais abaixo).
Veja quem são as candidatas:
Maria Fátima de Sousa, da chapa UnB Que Queremos
Olgamir Amancia Ferreira, da chapa Pensar e Fazer UnB
Rozana Reigota Naves, da Imagine UnB
A disputa feminina pela nova gestão da Reitoria da Universidade de Brasília é inédita nos 62 anos de existência da UnB.
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Quem são as candidatas?
Maria Fátima de Sousa
Candidata Maria de Fátima concorre à reitoria da UnB.
Divulgação/Zambrana's
A professora Maria Fátima de Sousa, da chapa "UnB que Queremos", tem como candidato a vice-reitor o professor Paulo Celso dos Reis Gomes.
Graduada em enfermagem e especialista em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a professora é mestre pela UFPB, doutora em Ciências da Saúde pela UnB e pós-doutora pela Universidade de Quebec em Montreal.
Atualmente, é professora do Departamento de Saúde Coletiva da UnB, e foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde. Maria Fátima de Sousa afirma que essa eleição simboliza a "festa da democracia" e que é uma disputa feminina democrática e propositiva.
"É um avanço, a UnB sempre foi pioneira nas cotas, na inclusão da população mais vulnerável", diz Maria Fátima de Sousa.
Para a candidata, essa eleição encabeçada por mulheres é fruto de uma luta feminina na universidade.
"Somos maioria tanto de estudantes, técnicas e professoras. É fruto do nosso compromisso histórico", diz.
Olgamir Amancia Ferreira
Professora Olgamir concorre à Reitoria da UnB.
Divulgação/Júlia Beda
A professora Olgamir Amancia Ferreira, concorre pela chapa "Pensar e Fazer UnB" ao lado do candidato a vice-reitor Gustavo Adolfo Sierra Romero. Graduada em licenciatura em matemática pelo Centro de Ensino Superior de Brasília, em 1985, a professora é mestre e doutora em Educação pela Universidade de Brasília.
Olgamir é professora da UnB e foi decana de Extensão por oito anos. Além disso, foi coordenadora do Colégio de Pró-Reitores de Extensão das IFES, da Andifes.
A professora diz que a presença das mulheres nos cargos de gestão não é recorrente, ainda que estejamos em 2024. Para ela, ter três mulheres concorrendo à reitoria da UnB é emblemático.
"Estamos avançando na luta das mulheres pela conquista de espaços de poder que podem contribuir para a transformação da realidade brasileira", diz Olgamir.
Ela destaca que ter uma mulher à frente da gestão do Ensino Superior pode resultar na garantia da consolidação de direitos humanos, e cita a gestão da primeira reitora da universidade, Márcia Abrahão.
"Não tem como pensar uma sociedade mais igualitária se não tivermos as mulheres à frente nas suas diferenças e possibilidades", afirma Olgamir Amancia Ferreira.
Rozana Reigota Naves
Rozana é candidata à Reitoria da UnB.
Divulgação/Iogo Chirola
A professora Rozana Reigota Naves concorre pela chapa "Imagine UnB – Participar e Transformar". O candidato a vice-reitor é o professor Márcio Muniz de Farias.
Graduada em letras pela Universidade Católica de Brasília (UCB), a professora é mestre e doutora em linguística pela UnB. Rozana é professora da universidade e já foi diretora do Instituto de Letras e do Decanato de Administração.
Atualmente, é Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Linguística. Rozana Naves destaca que a eleição com três mulheres reforça o protagonismo feminino em atividades de gestão no alto escalão, em particular na definição de políticas públicas na educação brasileira.
"Em relação ao Brasil, valida as políticas de equidade de gênero e promove debate de pautas importantes, como o combate ao feminicídio e a discriminação de gênero. […] Na UnB, é retomar algo pautado anteriormente, que é a equidade nos cargos de gestão superior", diz Rozana Reigota Naves.
Além disso, a professora ressalta a importância da primeira reitora mulher da UnB, Márcia Abrahão, que abriu portas para novas candidaturas.
"Ela inaugurou uma nova época na Universidade de Brasília, abriu espaço para mulheres na gestão e isso vem se consolidando pouco a pouco", afirma a professora.
O que faz uma reitora?
A reitora responde pela administração geral da Universidade de Brasília (UnB). Ou seja, está à frente de todos os interesses educacionais, econômicos e culturais da instituição.
Além disso, a reitora é responsável por firmar convênios e parcerias com objetivo de projetar e ampliar as atividades científicas e tecnológicas da universidade no Brasil e no exterior.
Segundo a Secretaria de Comunicação da UnB, há uma gratificação referente à função que pode chegar até R$ 14.686,79. A reitora pode escolher receber somente este valor ou a remuneração do cargo que ocupa acrescido de 60% da gratificação.
Como é a eleição?
A eleição, que ocorre no dias 20 e 21 de agosto, é presencial na UnB. Professores, estudantes e servidores técnico-administrativos podem votar.
👉🏽O voto, feito em cédula de papel, é facultativo, secreto e inserido em urnas.
👉🏽Vence a chapa que tiver a maioria dos votos.
👉🏽Caso nenhuma chapa alcance a maioria absoluta, um segundo turno é realizado nos dias 3 e 4 de setembro.
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