Tudo sobre o Enem 2024: o que pode levar, como são as provas, datas e mais

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários
Exame teve aumento de mais de 1 milhão de inscritos em comparação com a última edição. Candidatos farão prova nos dias 3 e 10 de novembro em mais de 10 mil locais de aplicação. Candidatos do Enem 2023 no campus da Universidade Paulista (UNIP), em São Paulo (SP).
CELSO LUIX/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país. A edição tem mais de 5 milhões de candidatos inscritos, maior número desde 2020.
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Nesta reportagem, o g1 reúne todas as informações que os estudantes precisam saber sobre o exame, como datas, horários, o que pode e o que não pode levar e dicas sobre o conteúdo das provas e análise da redação. Confira abaixo:
Aumento no número de inscritos
Pela primeira vez desde 2014, o Enem registrou um crescimento de mais de 1 milhão de inscritos de uma edição para a outra. Da última vez que isso havia acontecido, há dez anos, o exame teve 8,7 milhões de inscritos, maior número já registrado desde sua criação.
De lá para cá, entretanto, o número de inscritos diminuiu, até que atingiu, em 2021, o menor patamar desde 2005, com 3,1 milhões de participantes.
Desde então, o exame vem recuperando o número de inscritos e voltou a superar os 5 milhões de inscritos, patamar semelhante ao período pré-pandemia.
🗓️ Datas das provas
O Enem 2024 será aplicado apenas na versão impressa em mais de 10 mil locais de prova, distribuídos entre 1.753 municípios.
O exame acontece nos dois primeiros domingos de novembro.
3 de novembro
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
10 de novembro
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
⌚ Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Portões abrem às: 12h
Portões fecham às: 13h
Prova começa às: 13h30
Pode sair, mas sem o caderno de questões: a partir das 15h30
Pode sair da prova com o caderno de questões: a partir das 18h
Aplicação da prova no 1º dia acaba às: 19h
Aplicação da prova no 2º dia acaba às: 18h30
O candidato só deixa o local de aplicação com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos que antecedem o término da prova.
🗺️ Locais de prova
O local de prova de cada participante é informando no cartão de confirmação de inscrição, que reúne as principais informações e recomendações para os candidatos. O documento ainda não está disponível para consulta, mas deve ser disponibilizado cerca de duas semanas antes do primeiro dia de provas.
Quando o cartão de confirmação estiver disponível, o candidato poderá consultá-lo na página de participante (enem.inep.gov.br/participante/), com login gov.br (cpf e senha).
Após consultar o cartão de confirmação, as dicas são:
pesquisar o endereço do seu local de prova;
verificar a distância e o tempo de deslocamento; e,
se possível, simular o percurso antes, e considerar que, aos domingos, o trânsito e o transporte público têm fluxos diferentes.
🚨 O portão fecha às 13h, mas a orientação do Inep é chegar às 12h no local de prova.
No cartão de confirmação, o candidato também pode confirmar o idioma escolhido para a prova de língua estrangeira (inglês ou espanhol), datas do exame e solicitações de atendimento especializado (como adaptações para pessoas com deficiência).
O Inep recomenda que o candidato imprima o documento e o leve no dia do Enem, mas isso não é obrigatório.
🖋️ O que precisa levar para o Enem
Documento: RG ou outra documentação oficial com foto (documentos digitais também são válidos);
Proteção contra doenças: álcool em gel e máscara de proteção facial (só não é obrigatória em locais que liberaram o uso em ambientes fechados);
Caneta para Enem: a caneta deve ser esferográfica transparente com tinta na cor preta (leve pelo menos duas para o caso de uma falhar);
Opcional: cartão de confirmação de inscrição;
O que levar para comer: lanche, idealmente levar alimentos que deem energia, como chocolates, castanhas e barras de cereal, e água em garrafa transparente (a embalagem não deve ter rótulo). O lanche poderá ser vistoriado pelo fiscal de sala.
Dica: Como são cinco horas e meia de exame, é recomendado que o candidato vá com uma roupa confortável e calçados que não apertem.
Exemplos de documentos digitais de identificação que serão aceitos pelo Inep:
e-Título,
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital; e
RG Digital.
Atenção: O candidato deve apresentar o aplicativo oficial ao fiscal — capturas de tela não serão válidas. Após a entrada na sala de aula, o uso do celular continuará vetado.
🎒 Ah, e pode levar bolsa e mochila para o Enem, já que o edital não proíbe. Mas, uma vez dentro da sala de aplicação, a mochila deve ser colocada debaixo da cadeira e não pode ser manuseada. Então, tudo que for ser utilizado durante a prova, como canetas, água, lanche e máscaras, deve ficar fora da bolsa.
❌ O que não pode levar para o Enem
Telefones celulares, calculadoras ou qualquer equipamento eletrônico devem ser desligados e guardados no envelope porta-objetos antes de entrar na sala de provas. Caso algum som seja emitido dos aparelhos durante a prova, o candidato será eliminado;
Qualquer dispositivo que receba imagens, vídeos ou mensagens;
Óculos escuros, bonés, chapéus, viseiras ou gorros;
Bebidas alcoólicas, cigarro e/ou drogas ilícitas.
🚨 Atenção: O envelope porta-objetos, lacrado e identificado, deve ser mantido debaixo da carteira desde o ingresso na sala de provas até a saída definitiva do local de provas.
A partir das 13h (horário de Brasília), é permitido ir ao banheiro, mas desde que acompanhado pelo fiscal.
😷 Fiquei doente no dia de prova. O que devo fazer?
O candidato que estiver com uma das doenças infectocontagiosas listadas abaixo não deverá comparecer ao local de prova e precisará pedir a reaplicação do exame, comprovando a condição (veja detalhes no próximo tópico).
Confira a lista de doenças infectocontagiosas previstas no edital do Enem:
Tuberculose;
Coqueluche;
Difteria;
Doença invasiva por Haemophilus influenzae;
Doença meningocócica e outras meningites;
Varíola;
Varíola dos macacos (monkeypox)
Influenza humana A e B;
Poliomielite por poliovírus selvagem;
Sarampo;
Rubéola;
Varicela; e
Covid-19.
O que fazer se perder um dia de prova?
O candidato que perder um dos dias de prova por motivo previsto no edital poderá pedir reaplicação do exame exclusivamente do dia perdido. A nova data deve ser em dezembro, quando é aplicado o Enem para pessoas privadas de liberdade (Enem PPL).
Além dos candidatos contaminados por doenças infecciosas, também podem solicitar a reaplicação participantes que forem afetados por problemas logísticos durante a aplicação das provas.
O pedido deve ser feito de 11 a 15 de novembro na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante/). As solicitações serão julgadas individualmente pelo Inep. O direito à reaplicação é válido somente em certas situações, como por problema logístico ou em caso de doenças infectocontagiosas, que precisarão ser comprovadas pelos candidatos.
Também devem fazer esse processo de socitação de reaplicação os candidatos que foram afetados pelo erro da empresa que organiza o Enem e ficaram em locais de prova a mais de 30 km de sua residência.
🚨 Atenção: O Inep alerta ainda que o participante que alegar indisposição ou problemas de saúde durante a aplicação e não concluir as provas ou precisar ausentar-se do local de provas não poderá retornar à sala de provas para concluir o exame e não poderá solicitar a reaplicação.
Quem tiver o pedido de reaplicação aceito pelo Inep fará o exame nos dias 10 e 11 de dezembro.
Como são as provas
No primeiro dia, além da redação, os candidatos responderam a 45 questões de múltipla escola de linguagens e outras 45 de ciências humanas.
No segundo dia, os candidatos respondem a 45 questões de matemática e outras 45 de ciências da natureza.
Seis técnicas que podem turbinar seus estudos
Correção: vale a pena chutar?
As questões são corrigidas usando um modelo matemático chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI). A prova é preparada com perguntas pré-classificadas como fáceis, médias e difíceis. O esperado é que o candidato tenha um desempenho melhor nas mais simples. A TRI faz uma análise estatística, "antichute", para calcular uma nota final que indique se houve coerência nas respostas.
Um exemplo: supondo que haja, no Enem, uma questão sobre quanto é 3 vezes 2. O candidato erra e responde 5, em vez de 6. Outra pergunta pede que o aluno calcule a área de um retângulo cuja base meça 3 cm e a altura, 2 cm. Ele responde corretamente: 6 cm².
Pela TRI, mesmo acertando a pergunta mais difícil, o aluno faria menos pontos. Isso porque, se ele não conseguiu efetuar a multiplicação da primeira questão, não teria como saber a resposta da segunda. Ou seja: provavelmente, "chutou" a resposta.
Redação
O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 foi: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
Na avaliação de professores ouvidos pelo g1, o tema tinha a "cara" do Enem por tratar de um problema social relevante e exigir uma boa proposta de intervenção.
O aluno precisa ir atrás da relação de causas e consequências, principalmente porque o tema fala de desafios. É preciso pensar, então, nas causas que levam à invisibilidade desse trabalho.
Agora, os textos produzidos pelos participantes em 5 de novembro serão avaliados e receberão notas que podem chegar a mil. Para isso, são consideradas cinco competências, que valem 200 pontos e, em linhas gerais, avaliam o seguinte:
Competência 1 – Domínio da modalidade formal da língua portuguesa.
Competência 2 – Compreensão da proposta de redação, com o uso de conceitos de várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3 – Organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 – Conhecimento de mecanismos linguísticos para construir uma argumentação.
Competência 5 – Elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Tema da redação do Enem 2023 é 'Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil'
Erros fatais que zeram a redação
São pelo menos 7 os erros que podem ser fatais na redação, deixando para o candidato apenas o temido zero:
Fuga ao tema
Desobediência ao formato de dissertação
Folha em branco ou com menos de 7 linhas
Cópia dos textos motivadores
Desenhos e sinais gráficos impróprios
Partes desconexas ou com assinatura
Texto escrito em língua estrangeira ou com letra ilegível
Como é feita a correção da redação
A redação será avaliada por, pelo menos, dois professores graduados em Letras ou Linguística, de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. Cada avaliador dará uma nota entre 0 e 200 pontos para cada uma das cinco competências. A nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.
Se houver discrepância entre as notas, com uma diferença de mais de 100 pontos no total ou superior a 80 pontos em qualquer uma das competências, a redação será avaliada, de forma independente, por um terceiro avaliador.
A nota final será a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem. Caso a discrepância ainda continue, a redação será avaliada por uma banca composta por três professores, que dará a nota final.
Para que serve a nota do Enem?
As notas do Enem podem garantir vaga em instituição de ensino superior pública ou privada brasileiras e até em faculdades fora do país. Confira como podem ser utilizadas em cada situação.
Sisu: O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é o meio pelo qual o Ministério da Educação (MEC) seleciona estudantes para vagas em cursos de ensino superior de instituições públicas. Para concorrer a uma vaga, o candidato precisa estar dentro da nota de corte do curso em questão, ou seja, precisa ter obtido uma nota igual ou maior à nota mínima definida para aquele curso.
Prouni: O Programa Universidade para Todos (Prouni) é uma iniciativa do Ministério da Educação que oferece bolsas integrais e parciais em faculdades particulares.
Fies: O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal que paga parte das mensalidades de estudantes em universidades e faculdades privadas, com a contrapartida de os beneficiários quitarem o financiamento após a formatura. O crédito pode cobrir total ou parcialmente a mensalidade do curso. Para se inscrever, é preciso ter feito o Enem.
Instituições privadas: Muitas instituições de ensino superior também oferecem desconto nas mensalidades usando a nota do Enem. Geralmente, o candidato não precisa prestar um vestibular próprio da universidade. O ideal é procurar a instituição para saber se oferecem bolsas e descontos conforme a nota no exame e quais são os requisitos.
Universidades no exterior: O Ministério da Educação possui acordo com algumas instituições em países como Portugal, Inglaterra, França, Irlanda e Canadá, que aceitam o Enem no seu processo seletivo. Em alguns casos, a instituição pode exigir que o interessado passe pelo processo seletivo local. É preciso pesquisar diretamente no site das universidades.
✅ Quando sai o resultado do Enem?
De acordo com o edital do Enem 2024, o gabarito oficial do exame vai ser divulgado em 20 de novembro.
Já o resultado com as notas individuais devem ficar disponível para os participantes em 13 de janeiro de 2025.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Por que você quase sempre vai perder dinheiro com bets, segundo a matemática

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários
teoricamente é possível ganhar dinheiro com apostas esportivas no longo prazo. No entanto, a tarefa é tão difícil que só estaria ao alcance de pouquíssimas pessoas. A grande maioria inevitavelmente vai perder dinheiro se continuar apostando. É só uma questão de tempo. O que a matemática revela sobre as chances de ganhar dinheiro com apostas online.
Getty Images (via BBC)
"Eu conheço uma pessoa que vive só de bets", "eu vejo muito futebol e quase sempre acerto o vencedor", "é só estudar bastante, que você vai conseguir ganhar".
Essas são frases comuns ditas hoje em dia em conversas de bar, redes sociais ou até mesmo em canais de internet dedicados a apostas esportivas.
Mas a realidade do mundo das apostas é muito diferente, segundo matemáticos e especialistas que estudam o fenômeno.
A BBC News Brasil conversou com especialistas que dedicaram mais de 20 anos a pesquisar o assunto.
A conclusão deles é que: sim, teoricamente é possível ganhar dinheiro com apostas esportivas no longo prazo. No entanto, a tarefa é tão difícil que só estaria ao alcance de pouquíssimas pessoas.
A grande maioria inevitavelmente vai perder dinheiro se continuar apostando. É só uma questão de tempo.
"Se você não tem fortes habilidades matemáticas e nunca parou para construir modelos matemáticos para vencer as casas de apostas, você não vai conseguir. Você não vai ganhar dinheiro a longo prazo a menos que trabalhe duro. E trabalhar não significa assistir a muitas partidas de futebol ou ter conhecimento do jogo. Trabalhar duro significa realmente entender as probabilidades", disse o matemático David Sumpter à BBC News Brasil.
Sumpter é professor de matemática na universidade de Uppsala, na Suécia, fundador de uma empresa que trabalha com matemática e futebol e autor do livro Soccermatics: Mathematical Adventures in the Beautiful Game ("Soccermatics: Aventuras matemáticas no jogo bonito", em tradução livre).
Ele diz que a habilidade matemática necessária para derrotar as casas de apostas é tamanha, que um apostador que eventualmente consiga isso lucraria mais vendendo seu conhecimento matemático no mercado — inclusive para as próprias casas de apostas — ou fundando sua própria empresa de estatísticas.
Outro especialista, o autor Joseph Buchdahl, diz que a maioria dos apostadores são como "macacos jogando dardos" — ou seja, contam apenas com pura sorte em suas apostas.
Recentemente ele publicou uma análise em que concluiu que há apostadores com técnicas tão avançadas que são capazes de vencer o mercado no longo prazo. No entanto, eles ainda são casos raros.
"As apostas continuam sendo uma competição extremamente difícil de vencer, onde a margem que uma casa de apostas impõe — além do acesso a alguns dos melhores analistas do setor — significa que apenas uma pequena minoria terá sucesso a longo prazo", escreveu.
No Brasil, a explosão das "bets" levou o governo federal a anunciar um pacote de medidas para regularizar o mercado.
As casas de apostas precisarão pagar uma taxa para poderem operar, e o governo ainda promete tentar bloquear o uso de cartões de crédito para apostas.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também haverá um esforço para restringir a publicidade do setor, como já ocorre com bebidas alcoólicas e cigarros.
Mas será que é mesmo tão difícil assim? Por quê?
Como funcionam as apostas
Para ganhar das casas de aposta, primeiro é preciso entender o que são as "odds", que traduzido para o português significa "chances".
As odds expressam quanto cada apostador ganhará caso sua aposta seja vencedora. Há algumas formas de se expressar uma odd. Os formatos mais comuns são as decimais e as fracionárias.
Uma odd fracionária de 7/4 indica que para cada 4 reais apostados, o apostador terá um retorno de 7 reais (além dos 4 reais apostados) em caso de acerto. Ou seja, o retorno total será de 11 reais.
A mesma odd pode aparecer como decimal. Uma odd decimal de 2,75 indica que o retorno será 2,75 vezes o valor apostado. Ou seja: uma aposta de 4 reais que é vencedora com essa odd dá um retorno de 11 reais (4 vezes 2,75 é igual a 11). Repare que uma odd decimal de 2,75 é a mesma coisa que uma odd fracionária de 7/4.
A odd ajuda também a entender matematicamente o quão provável um evento é de acontecer na visão da casa de apostas — algo conhecido como probabilidade implícita.
A probabilidade implícita é o inverso da odd decimal. Para achar o inverso, divide-se 1 pela odd decimal.
No exemplo acima, uma aposta que pague odds de 2,75 tem 36% de chances de ser vencedora (1 dividido por 2,75 é igual a 0,36, ou seja, 36%). Pode-se concluir também que essa aposta tem 64% de chances de ser perdedora.
Quem ganha: apostador ou casa de apostas?
Ganhar eventualmente uma aposta ou outra é perfeitamente possível e provável.
A aposta esportiva é muito diferente de uma loteria, em que as probabilidades de ganho são remotas. As chances de se ganhar na Mega-Sena, por exemplo, são de 0,00000002%.
O desafio maior nas apostas esportivas é ganhar consistentemente no longo prazo.
Em relação a uma loteria, a chance de acertar uma aposta esportiva é muitas vezes mais alta.
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E não basta apenas ganhar mais vezes do que perder. É possível ter alto índice de acertos, e ainda assim perder dinheiro.
É o caso de quem sempre aposta nos favoritos. O retorno financeiro para cada aposta vitoriosa é muito pequeno, já que as odds dos favoritos são sempre baixas. E pior que isso: apenas uma aposta perdedora é suficiente para aniquilar todos os ganhos com várias vencedoras.
Digamos que uma pessoa aposte 100 reais sempre em um favorito que pague uma odd de 1,1. Se em dez apostas, ela acertar nove — um índice alto de acertos, de 90% — ela ganhará 90 reais. Mas ainda assim seu resultado final será um prejuízo de 10 reais — já que terá perdido 100 reais na única aposta perdedora.
Igualmente apostar nos azarões não é sustentável. O apostador pode ganhar uma grande soma de dinheiro apostando em alguém que tinha poucas chances e pagava odds enormes — mas seus ganhos serão anulados com a provável derrota de todos os outros azarões nos quais também apostou.
Para ganhar consistentemente, é preciso haver um equilíbrio — calculando-se exatamente quanto deve ser alocado em cada aposta de acordo com as probabilidades relacionadas ao jogo.
Mas conseguir isso é muito difícil, como mostram os exemplos abaixo.
Governo Federal analisa como proibir uso do bolsa família em apostas online
Primeiro inimigo dos apostadores: margem das casas de aposta
As odds das apostas são decididas pelas casas de apostas.
E este é um dos primeiros obstáculos para os apostadores — porque as casas sempre embutem nas odds as suas margens de ganho (também chamadas de "vigorish").
Uma forma simples de calcular a margem é somando a probabilidade implícita (o inverso) de todas as odds que a casa paga para uma determinada aposta.
Matematicamente, essa soma deveria dar 100%. Afinal, um jogo só pode terminar com vitória, derrota ou empate.
Mas em casas de apostas, essa soma sempre é maior que 100%. E o excedente é justamente a margem da casa de apostas.
Vamos pegar um exemplo: um jogo entre Vasco e Palmeiras. As odds de uma casa de apostas para esse jogo podem ser:
4,410 para vitória do Vasco
3,740 para empate
1,787 para vitória do Palmeiras.
As probabilidades implícitas (inverso das odds) para esse jogo são: 22,68% de vitória do Vasco, 26,74% de empate e 55,96% de vitória do Palmeiras. A soma dessas probabilidades é 105,38%.
A margem da casa é, portanto, de 5,38% — o excedente. Esse é um dos grandes inimigos dos apostadores.
Imagine um apostador que fosse distribuir seu dinheiro proporcionalmente em todos os resultados no exemplo acima:
22,68 reais em vitória do Vasco
26,74 reais em empate
55,96 reais em vitória do Palmeiras.
O valor total de sua aposta é 105,38 reais.
Como ele apostou proporcionalmente em todos os resultados possíveis, é de se esperar que ele receba exatamente o total que apostou — qualquer que seja o resultado do jogo.
Mas seu retorno real seria:
Em caso de vitória do Vasco: 100,01 reais (22,68 reais vezes odds de 4,410)
Em caso de empate: 100,01 reais (26,74 reais vezes odds de 3,740)
Em caso de vitória do Vasco: 100,00 reais (55,96 reais vezes odds de 1,787)
Em todos os cenários, o retorno seria negativo — com perda de 5,38 ou 5,37 reais.
Ou seja: as casas de apostas não estão pagando exatamente o proporcional às probabilidades de um evento acontecer. Elas estão pagando um pouco menos.
Segundo inimigo dos apostadores: lei dos grandes números
No longo prazo, esse "pouco menos" significa prejuízos enormes para os apostadores e ganhos grandes para as casas de apostas.
É o que os matemáticos chamam de a Lei dos Grandes Números — que diz que quanto mais uma experiência for repetida, mais ela vai se aproximar do seu valor esperado (as probabilidades esperadas).
Essa lei matemática é a base do modelo de negócios bilionários da indústria de cassinos.
Em 10 ou em 100 tentativas, um apostador pode até sair no lucro — mesmo que as odds não lhe sejam favoráveis. Mas depois de um determinado patamar, digamos 1,000 ou 10,000 apostas, invariavelmente o resultado observado começa a caminhar em direção às odds do jogo.
No caso dos cassinos, um jogo de blackjack (ou vinte-e-um) tem as seguintes odds, em média: 42% de chances de vitória do apostador, 9% de chances de empate e 49% de chances de derrota.
Cassinos usam Lei dos Grandes Números como base do seu modelo de negócios.
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É perfeitamente possível jogar algumas partidas de blackjack e sair com um bom lucro da mesa. Essa ilusão de vitória é justamente o que atrai os apostadores, já que 42% de chances de ganhar pode não parecer pouca coisa.
Mas ao longo de múltiplas apostas e muito tempo (às vezes meses ou anos), o apostador certamente sairá perdendo. Por trás de cada pessoa que sai com uma pequena fortuna de um cassino, há mais pessoas que saem com os bolsos vazios.
O mesmo acontece com as apostas esportivas, já que — como vimos acima — as odds jogam sempre contra o apostador. Afinal, a odd de uma casa de aposta é sempre um pouco inferior à probabilidade de o evento acontecer.
Como ganhar das casas de apostas
Para ganhar dinheiro no longo prazo, é preciso derrotar as casas de apostas com consistência.
E a forma de derrotá-las é possuindo odds melhores do que elas. Ou seja: saber quando a casa de apostas está estimando errado as probabilidades de um jogo — e portanto está pagando demais por um dos resultados.
Vamos a outro exemplo. Digamos que um jogo entre São Paulo e Corinthians, as odds de uma casa de aposta sejam:
2,3 para vitória do São Paulo
2,95 para empate
2,62 para vitória do Corinthians.
As probabilidades implícitas estimadas pela casa são: 43,48% de vitória do São Paulo, 33,90% de empate e 38,17% de vitória do Corinthians.
Se o apostador tiver estimativas mais precisas do que essas que mostrem, por exemplo, que as chances de vitória do São Paulo são maiores do que 43,48% (digamos 45% ou 50%), ele pode apostar mais dinheiro nesse resultado.
Mas não basta fazer isso em apenas um jogo. É preciso conseguir estimativas mais precisas do que a casa de apostas consistentemente ao longo de diversas apostas — satisfazendo a Lei dos Grandes Números.
Chegar a essas estimativas mais precisas é justamente o maior desafio — e é onde as casas de aposta levam enorme vantagem em relação aos apostadores.
Como as casas de apostas fazem para ganhar
Um argumento comum de pessoas que assistem a muitos jogos de futebol é que elas entendem mais do esporte do que a maioria das pessoas — portanto estão mais propensas a ganhar.
Mas o conhecimento sobre futebol é quase irrelevante no mundo das apostas, dizem os especialistas.
"O conhecimento do jogo já está embutido nas probabilidades. Por exemplo, um jogo pode receber 10 mil apostas. Isso significa que são 10 mil pessoas que sabem algo sobre futebol e o conhecimento delas está embutido nas odds. Não é que você está jogando contra uma outra pessoa. Você está jogando contra 10.000 pessoas que acham que entendem de futebol. Às vezes, essas 10.000 pessoas cometem grandes erros, mas normalmente isso não acontece", diz David Sumpter.
O pulo do gato para se ganhar dinheiro com apostas não é saber de futebol — é conhecer matemática.
"Você tem que começar com as probabilidades. É isso que as pessoas esquecem. Elas pensam 'eu preciso entender muito sobre futebol’. Mas ela precisa começar sabendo muito sobre probabilidades. E a maioria não entende muito sobre probabilidades de futebol, como as odds são definidas e como tentar vencê-las."
A mina de ouro das apostas são os modelos matemáticos.
Modelos são equações matemáticas que usam dados da realidade para fazer previsões. Eles partem de dados estatísticos do passado (as entradas ou inputs do modelo) — como gols marcados e sofridos, por exemplo — para fazer previsões futuras sobre qual time tem mais chances de vencer.
E é nesse ponto que entra a alta tecnologia para estabelecer as odds.
As casas de apostas que existem no mercado usam odds que são geradas por companhias e profissionais altamente especializados. Essas companhias contratam matemáticos e usam alguns dos modelos mais avançados no mercado.
As odds desses matemáticos especializados são difíceis de serem batidas. E em cima dessas odds, as casas de apostas ainda colocam a sua margem, dificultando ainda mais a tarefa.
“A tecnologia vem melhorando muito a cada ano. A cada dia, há novos modelos sendo usados, novos algoritmos, novas . Há 20 anos atrás, provavelmente era muito mais fácil ganhar das casas de aposta do que é hoje”, diz Joseph tecnologiasBuchdahl.
Odds das casas de apostas não refletem exatamente as probabilidades das partidas.
Getty Images (via BBC)
Buchdahl dá o exemplo de um modelo matemático que foi usado durante décadas por apostadores, garantindo muitos lucros no passado: o modelo Dixon-Coles. Esse modelo levava em consideração, entre outros fatores, os gols marcados e sofridos por equipes nos últimos jogos para tentar prever o resultado de uma partida.
"A tecnologia mudou. Se você fosse tentar usar o modelo Dixon-Coles hoje em dia, você não teria chance alguma contra as casas de aposta."
Nos últimos anos, o modelo da moda é o de gols esperados (cuja sigla é xG). Esse modelo é muito mais sofisticado: ele calcula a probabilidade de chutes virarem gols. Ele é muito mais intenso no uso de dados, pois requer estatísticas mais completas sobre o que aconteceu exatamente nas partidas recentes das equipes.
Uma pessoa que faz uma aposta pode pensar que está apenas competindo contra outros apostadores ou com a casa de apostas. Mas na verdade ela está enfrentando uma briga muito maior.
Buchdahl afirma que a maioria dos apostadores profissionais sequer usa casa de apostas comuns — que são encaradas por eles como parte da indústria do entretenimento.
Os profissionais preferem usar as chamadas "betting exchanges", que são uma espécie de bolsa, onde apostadores podem criar suas próprias odds e apostar uns contra os outros. É nesses espaços — usados por apostadores com grande grau de sofisticação — que os melhores modelos matemáticos costumam ser empregados.
E o setor está ficando cada vez mais competitivo.
Com a explosão da inteligência artificial e do aprendizado de máquina, Buchdahl diz que a modelagem matemática para apostas está praticamente virando "uma corrida armamentista" — tamanho é o nível de sofisticação dos novos modelos.
"Há muito mais dados no futebol hoje em dia. Há estatísticas de jogadores, estatísticas de posse, estatísticas de passes. É ridículo quanto dado temos hoje. Se você tem acesso a esses dados, você pode começar a jogá-los no seu modelo e ver se ele melhora. Por um tempo, você pode até conseguir ter um modelo melhor e ganhar algum dinheiro. Mas logo vem alguém e consegue superar você", diz Buchdahl.
“É como um esporte profissional, por um tempo Djokovic, Federer e Nadal eram os melhores [no tênis masculino]. Agora eles estão sendo substituídos."
A estratégia perfeita. Mas ela funciona?
Há diversas modalidades de apostas disponíveis: apostar em cartões amarelos e gols específicos ao longo da partida, por exemplo. Também é possível usar "handicaps", que são ajustes nas odds para torná-las mais favoráveis ao apostador.
Além disso, há diferentes estratégias. Muitos apostadores costumam "cobrir" suas apostas, que é fazer uma nova aposta para mitigar o risco de uma aposta original.
Mas os matemáticos alertam que mesmo essas modalidades e estratégias não são suficientes para ganhar das casas de apostas no longo prazo — mesmo que algumas delas sirvam para melhorar as chances do apostador.
Mas existe uma estratégia que, surpreendentemente, é sempre bem-sucedida em qualquer cenário — pelo menos matematicamente falando. Trata-se da arbitragem (também chamada de “aposta certa” ou “surebet”).
Na teoria, ela é perfeita, mas na prática, ela não costuma funcionar no longo prazo — e isso apenas reforça como as casas de apostas são praticamente imbatíveis para a maioria das pessoas.
A estratégia da arbitragem envolve buscar odds diferentes para um mesmo evento em casas de apostas diferentes. Se as probabilidades (inversos das odds) dessas casas de apostas somadas forem inferiores a 100%, existe oportunidade para arbitragem. Ou seja: o apostador vai ganhar em qualquer cenário.
Vamos a um exemplo. Digamos que em uma partida entre Flamengo e Grêmio, seja possível encontrar as seguintes odds em casas de apostas diferentes:
Casa de apostas 1: vitória do Flamengo, odd de 2,5
Casa de apostas 2: empate, odd de 3,6
Casa de apostas 3: vitória do Grêmio, odd de 3,4.
É fundamental buscar odds em casas de apostas diferentes. Quando as odds são tiradas de apenas uma casa de apostas, a soma das probabilidades é sempre superior a 100% — como vimos no exemplo de Vasco e Palmeiras. E o excedente é a margem de lucro da casa.
Mas nesse exemplo, com odds de casas diferentes, ela é inferior. A soma das probabilidades nesse caso é 97,19% — 40% de chances de vitória do Flamengo, 27,78% de chances de empate e 29,41% de chances de vitória do Grêmio.
Para garantir um retorno em qualquer cenário, é preciso espalhar as apostas proporcionalmente. A fórmula para essa distribuição é: dividir a probabilidade de o evento acontecer pela soma das probabilidades totais, e multiplicar tudo pelo valor apostado.
No caso de 100 reais, eles seriam distribuídos da seguinte forma:
Apostar no Flamengo: 40% / 97,19% x 100 reais = 41,16 reais
Apostar em empate: 27,78% / 97,19% x 100 reais = 28,58 reais
Apostar no Grêmio: 29,41% / 97,19% x 100 reais = 30,26 reais
Os retornos para cada cenário seriam:
Vitória do Flamengo: 41,16 reais x odd de 2,5 = 102,90 reais
Empate: 28,58 reais x odd de 3,6 = 102,89 reais
Vitória do Grêmio: 30,26 reais x odd de 3,4 = 102,88 reais
Como foram gastos 100 reais nessa aposta, existe um retorno garantido de cerca de 2,89%.
Essa é uma margem bastante alta para uma aposta sem riscos.
Se parece um cenário bom demais para ser verdade, é porque é exatamente isso.
Na prática, há dois obstáculos grandes para arbitragem. O primeiro é que encontrar odds que possibilitem a arbitragem nem sempre é fácil. As próprias casas de apostas ajustam suas odds em tempo real de acordo com mudanças promovidas por suas rivais — justamente para dificultar que essas oportunidades surjam.
“A menos que você tenha um bot (robô) que esteja fazendo as apostas simultaneamente, sempre há o perigo de que uma odd possa mudar antes que você consiga garantir as odds finais”, diz Buchdahl.
Casas de apostas conseguem identificar jogadores que ganham demais.
Getty Images (via BBC)
O segundo obstáculo são as próprias casas de aposta, que monitoram esse tipo de atividade.
"As casas de apostas não toleram vencedores. E elas certamente não toleram apostas de arbitragem porque elas argumentam que é ruim para seus negócios. E assim que eles suspeitarem que você está fazendo isso, eles fecharão sua conta", diz Buchdahl.
A arbitragem não é uma atividade ilegal, mas as casas de apostas se reservam o direito de não atenderem clientes e suspenderem apostas — o que está explícito nos termos e condições.
Mas é justo que casas de apostas possam barrar clientes?
"A casa de apostas não é obrigada a fazer negócios com você. Se eles consideram que você não é lucrativo para o negócio deles, eles não vão o aceitar como cliente. É assim que o capitalismo funciona", afirma Buchdahl.
David Sumpter diz que no Reino Unido há até mesmo sites especializados em detectar e realizar apostas de arbitragem. Mas as margens são pequenas e muitas contas acabam bloqueadas depois de poucas rodadas, assim que as casas de apostas identificam essa atividade.
Buchdahl não acredita que arbitragem seja uma estratégia sustentável no longo prazo justamente por causa desse jogo de gato e rato com as casas de apostas. Para ser bem-sucedido, diz ele, seria necessário ter contas em cerca de dez casas de apostas diferentes — e seria necessário abrir novas contas com nomes diferentes a cada suspensão.
Quem já conseguiu ganhar das casas de apostas
Os especialistas apontam as dificuldades de se conseguir ganhar das casas de apostas. Mas eles acreditam que ainda assim é possível. Inclusive isso já foi feito.
Um caso notório é o do britânico Matthew Benham, formado em Física pela universidade de Oxford no final dos anos 1980. Depois de uma passagem pelo mercado financeiro, Benham resolveu desenvolver modelos matemáticos para fazer apostas esportivas.
Ele aperfeiçoou o modelo Dixon-Coles (citado acima nesta reportagem) e fundou a SmartOdds, uma empresa pioneira de pesquisa estatística voltada para apostadores profissionais. Ele também virou investidor na Matchbook, um site de apostas pioneiro no formato de "betting exchange".
Formado em Física, Matthew Benham ganhou dinheiro com a matemática das apostas e hoje é dono do Brentford, time da primeira divisão inglesa.
Getty Images (via BBC)
O sucesso de seus modelos foi tão grande que Benham virou milionário — ao ponto de comprar o seu clube de futebol do coração, o Brentford. Desde que Benham assumiu o controle do clube, o Brentford voltou à primeira divisão do bilionário futebol inglês.
Para matemáticos, a história de Benham ilustra que os maiores lucros no mundo das apostas esportivas não estão com os apostadores — mas sim nas casas de apostas e nos matemáticos que conseguem gerar um conhecimento que é valioso.
Sumpter e Buchdahl seguiram esse exemplo. Eles próprios já contemplaram no passado a ideia de se tornarem apostadores profissionais, mas logo perceberam que havia outros caminhos mais lucrativos.
Ambos escreveram livros e artigos sobre apostas esportivas e usam seu conhecimento — e não apostas — para ganhar dinheiro.
Sumpter fundou uma empresa, a Twelve Football, que fornece consultoria matemática a diversos clubes de futebol no mundo, inclusive na Premier League inglesa.
Buchdahl criou um site em que fornece dados que informam modelos estatísticos usados por apostadores. Ele ganha dinheiro com anúncios em seu site. Além disso, muitos dos artigos que ele escreve são publicados em uma seção educativa do site da Pinnacle, uma casa de apostas famosa por suas odds sofisticadas.
"É possível ganhar dinheiro criando modelos matemáticos e eu conheço pessoas que fizeram isso e ganharam dinheiro assim", diz Sumpter.
"Mas logo eles acabam indo trabalhar para casas de apostas ou até mesmo viram donos de casas de apostas. Você pode ganhar muito mais dinheiro e ter uma fonte de renda regular dessa forma.
A vida de um apostador profissional, segundo ele, envolve não só altos riscos, mas também custos enormes. É preciso investir pesadamente em educação e, hoje em dia, em poder computacional. Além disso, é preciso ter muito capital para realizar as apostas. Considerando-se um retorno médio de 3% — uma meta difícil até para profissionais — é preciso ter 1 milhão de reais para obter um retorno de 30 mil.
Essas dificuldades fazem com que a maioria das pessoas que querem se tornar apostadores profissionais acabem desistindo depois de um tempo. Buchdahl calcula que a maioria das pessoas percebe isso depois de cerca de mil apostas.
Esta reportagem foi publicada originalmente no site da BBC Brasil.

Redação do Enem ou ‘cover’ de Machado de Assis: por que tantos alunos nota mil usam termos do século XIX, como ‘outrossim’?

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários
É raro encontrar um texto com nota máxima que não tenha expressões como 'destarte', 'assaz' ou 'com efeito'. Professores explicam que palavras antigas não garantem pontos extras — não faz diferença escrever 'mormente' ou 'principalmente'. Por que candidatos do Enem parecem imitar Machado de Assis nas redações?
Arte/g1
Muitos alunos do Enem, não obstante suas limitações estilísticas, tentam imitar a linguagem de Machado de Assis em suas redações; outrossim, buscam uma escrita mais erudita para impressionar os avaliadores.
😨Calma, está tudo bem. Estamos em 2024, e não em uma versão do g1 do século XIX. A frase acima serve apenas para ilustrar o debate: por que tantas dissertações do Exame Nacional do Ensino Médio parecem “covers” de clássicos da literatura brasileira?
Veja só alguns trechos de dissertações nota mil das últimas edições da prova (e note o vocabulário, digamos, machadiano):
Candidato do Enem: “Outrossim, faz-se mister destacar, como outra dificuldade a ser defrontada para combater a invisibilidade do trabalho de cuidadoras, na nação, a deficitária formação civil, que leva ao preconceito social.”
Machado de Assis, em “Isaú e Jacó”: “Outrossim, meditava na ausência de vocação diplomática. A ascensão de um governo, — de um regime que fosse, — com as suas ideias novas, os seus homens frescos, leis e aclamações, valia menos para ele que o riso da jovem comediante.”
Outro exemplo:
Candidato do Enem: “Com efeito, hão de ser analisados os principais intensificadores da temática em questão.”
Machado de Assis, em "Memórias Póstumas de Brás Cubas": “Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro.”
Professores entrevistados pelo g1 explicam que:
➡️Não é necessário seguir a “moda” de usar conectivos rebuscados para buscar uma nota alta na redação. O importante é demonstrar repertório vocabular e evitar repetições.
➡️Ninguém ganhará nem perderá pontos por usar palavras antigas. Mas, atenção para a cilada: não adianta querer parecer mais “culto”, mas usar termos que você desconhece. Se estiverem no contexto errado, comprometerão sua nota.
Entenda abaixo:
🕰️Por que tantos candidatos usam palavras como ‘outrossim’, ‘destarte’ e ‘decerto’?
“Dessarte, é inegável que, a respeito dos povos tradicionais, o Brasil possui entraves que precisam ser resolvidos.” – Maria Eduarda Braz, Enem 2022
Na Cartilha do Participante, publicada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a orientação aos candidatos é: “Redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema…”.
Por “modalidade escrita formal”, entende-se que os alunos devam:
seguir as convenções de escrita (ortografia, acentuação, pontuação, letras maiúsculas e minúsculas);
acertar a regência e a concordância (verbais e nominais);
não usar marcas de oralidade, como gírias informais;
escolher um vocabulário apropriado e correto para o contexto;
➡️usar “variados operadores argumentativos” e recursos linguísticos que garantam o encadeamento de ideias. ⬅️
Provavelmente, é esse último item que faz com que os estudantes se forcem a usar tantas palavras que não são mais comuns no século XXI.
“Se já usaram o ‘além disso’ para introduzir uma nova ideia, os alunos evitam repetir e, na segunda vez, escolhem escrever ‘ademais’. É nessa busca por variedade que acabam resgatando elementos presentes na obra de Machado de Assis”, afirma Felipe da Costa Rico, professor da Redação Nota 1.000.
Mas não há motivo para decorar expressões do século XIX. É possível usar conjunções e expressões variadas, dentro de um repertório mais próximo ao atual.
“O Inep exige que haja o uso de conectivos, mas não necessariamente tão formais quanto os empregados por Machado de Assis. Não faz diferença para o corretor se o aluno escrever ‘outrossim’ ou ‘da mesma maneira’”, explica Renato Fonseca, professor de redação do Cursinho da Poli (SP).
“Precisamos tranquilizar os estudantes quanto a isso. Eles costumam me pedir uma lista de conectivos para memorizar. Mas, se eles souberem empregar ‘dito isso’, ‘dessa maneira’ ou ‘em vista disso’, não há por que se preocupar com ‘destarte’”, diz.
O próprio Inep, na Cartilha do Participante, alerta os alunos:
Inep reforça que não há a necessidade de usar elementos coesivos em excesso
Reprodução/Inep
🤯'Na sociedade hodierna…'
As palavras rebuscadas usadas na redação do Enem não se limitam aos “operadores argumentativos”: também incluem advérbios (como “assaz”, em vez de “muito”, ou “mormente”, como sinônimo de “principalmente”) e adjetivos (sociedade “hodierna”, no lugar de “moderna” ou “atual”).
“Alguns cursinhos veiculam as redações nota mil e passam a condicionar os alunos a usar essas palavras, como se elas garantissem nota alta. E não é bem assim”, afirma Margarete Xavier, professora de língua portuguesa do Fibonacci Educação (SP).
“Para ter um bom desempenho, é preciso estruturar os parágrafos em uma sequência lógica, estabelecida de acordo com a sua argumentação. Não é o embelezamento vocabular que importa.”
Exemplos:
"Mormente, ao avaliar a intolerância religiosa por um prisma estritamente histórico, nota-se que fenômenos decorrentes da formação nacional ainda perpetuam na atualidade." – Vanessa Soares, Enem 2016
"Assim, as nefastas políticas públicas que visem a coibir o vilipêndio à crença – ou descrença, no caso do ateísmo – alheia, como o estímulo às denúncias, por exemplo, fomentam a permanência dessas incoerentes práticas no Brasil." – Laryssa Cavalcanti, Enem 2016
⚠️Cuidado, pode ser cilada
Se o candidato souber o significado das palavras mais rebuscadas (mesmo das que já caíram em desuso) e empregá-las no contexto correto, não perderá pontos.
O problema é que, na ânsia por imitar Machado de Assis e parecer mais “culto”, alunos acabam escolhendo termos sem sentido.
“Por mais que seja importante variar o vocabulário e usar sinônimos, não pode ser tudo no escuro. Sem saber a definição correta, os candidatos vão perder pontos na competência 1, de gramática, e na 4, de coesão e coerência”, diz o professor Felipe.
“Muitos confundem e escrevem ‘conquanto’ achando que significa ‘portanto’, sendo que é uma palavra adversativa [que introduz uma ideia de oposição]. É preciso ter cautela e bom senso. O Enem não avalia o rebuscamento, e sim o uso correto de palavras e o mínimo de repetição.”
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Uso de cadáveres congelados e importados dos EUA para cursos de harmonização é real? Veja o que se sabe

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários
Instituições privadas têm recorrido à importação de peças chamadas de “fresh frozen” dos Estados Unidos e Europa para oferecer treinamentos para profissionais da área da saúde em suas instalações. Turma do Instituto de Treinamento em Cadáver Fresco de Brasília em aula.
Divulgação
O uso de cadáveres “fresh frozen” em um curso para de treinamento de procedimentos estéticos para dentistas, narrado por uma usuária do Bluesky nesta semana, levantou uma polêmica na rede social.
Mas o que deixou muita gente em choque é, na verdade, uma prática muito comum na medicina – ou pelo menos deveria ser, segundo Mohamad Abou Wadi, cirurgião-dentista e CEO do Grupo Kefraya, responsável pelo Instituto de Treinamento em Cadáveres Frescos (ITC).
No Brasil pelo menos duas instituições utilizam cadáveres que passam pela técnica de conservação por congelamento chamada ‘fresh frozen’. Além das unidades do ITC, a prática também é adotada pela Faculdade CTA, em Campinas.
“Fresh frozen” é o termo usado para cadáveres frescos preservados por meio de congelamento. Este é um tipo de preservação diferente da mais comum utilizada no Brasil, que é feito por embalsamamento químico com formol.
Segundo Mohamad, a diferença entre os métodos de preservação é enorme, especialmente quando a peça – termo técnico para se referir aos corpos ou partes deles, utilizadas em ensino e pesquisa – é usada em treinamento médico.
Cadáveres embalsamados têm certas limitações, como para uso de treinamentos dermatológicos, por exemplo, uma vez que a camada de pele é revestida com formol.
Não é qualquer pessoa que pode fazer treinamentos em peças anatômicas, mas os cursos são recomendado para estudantes de todos os cursos da área da saúde. São exemplos de cursos da área:
Medicina.
Enfermagem.
Odontologia.
Psicologia.
Fisioterapia.
Farmácia.
Fonoaudiologia.
Nutrição.
Em entrevista ao g1 Campinas, a cirurgiã-dentista e professora na Faculdade CTA, Erika Bueno Camargo, explica que cada peça pode ser utilizada várias vezes, mas em determinado momento, quando não é mais possível devido ao estado de deterioração, há todo um protocolo para o reenvio de volta aos Estados Unidos. “Ela vai durar alguns meses e é muito cara”, pontua.
“A cabeça é perfeita, então o aluno tem essa sensação de conseguir passar o fio de PDO, o ácido hialurônico, e o subcutâneo do 'fresh frozen' e sentir como seria no paciente de verdade”, detalha.
A cirurgiã lembra que ainda existe a rigidez cadavérica na parte de músculo, no entanto, a parte subcutânea “os alunos conseguem sentir exatamente”.
Cadáveres “fresh frozen” na estética
O treinamento em cadáveres para aperfeiçoamento e domínio de técnicas de procedimentos estéticos é tão recomendado quanto para treinamento de técnicas cirúrgicas e outros procedimentos médicos mais invasivos, segundo Mohamad Abou Wadi.
Ele explica que as peças preservadas por congelamento possibilitam uma experiência mais próxima daquela vivenciada durante o atendimento de um paciente vivo. Além disso, o profissional em treinamento também se familiariza com o corpo humano de maneira mais completa.
Mohamad defende que este tipo de experiência é benéfico para o profissional e para seu futuro paciente, e avalia que procedimentos estéticos também demandam cuidado e atenção especializados, já que a realização incorreta ou cuidados inadequados podem trazer riscos à saúde.
Mesmo procedimentos mais simples como preenchimentos faciais, labiais, aplicação de botox e preenchimentos de nariz podem causar necrose do tecido se a substância for aplicada no vaso, por exemplo.
Para evitar este tipo de erro médico, ele avalia que o conhecimento anatômico adequado e o que chama de “adestramento manual” é fundamental – e isso vai ser adquirido por meio de treinamento em espécimes humanos sem vida.
“Não dá para fazer um treinamento anatômico em porco, coelho ou cachorro, e achar que vai conseguir operar um paciente humano vivo. É preciso antes se familiarizar com a anatomia humana à exaustão”.
Importação de peças “fresh frozen”
No Brasil, a doação de cadáveres ocorre quando famílias não reclamam os corpos em até 30 dias após o óbito, ou quando a pessoa declara em vida que quer ter o corpo doado à ciência em caso de morte.
Entretanto, diversas instituições de saúde já relataram déficit de corpos para treinamento especializado. Para além de cadáveres conservados em formol com anos de uso, tem sido cada vez mais comum a utilização de bonecos e manequins robóticos.
Em contrapartida, instituições privadas se destacam pela oferta de treinamentos em “fresh frozen”, e recorrem à importação dos Estados Unidos e Europa para suas instalações.
As peças não podem ser compradas, já que a legislação brasileira proíbe a comercialização de órgãos e corpos humanos, mas empresas internacionais especializadas oferecem serviços de conservação, armazenamento e transporte de cadáveres dentro da regulação nacional.
Além disso, as instituições podem solicitar peças específicas para finalidades diversas, como um espécime com problemas dentais para treinamentos odontológicos, por exemplo.
Diferente dos cadáveres embalsamados que podem ser usados por anos, o fresh frozen tem um período útil mais curto e começa a putrefazer após alguns dias. Em contrapartida, os espécimes congelados permitem usos mais variados do que os conservados em formol.

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários

MEC diz que prepara versão do programa Pé-de-Meia para universitários
Programa começou neste ano com investimento de R$ 7 bilhões com pagamentos a alunos do ensino médio como incentivo para permanecerem estudando. Governo que estender ao ensino universitário. MEC planeja Pé-de-Meia universitário
Divulgação
O ministro da Educação, Camilo Santana, disse que a pasta deve lançar, até 2025, uma versão universitária do programa Pé-de-Meia, que oferece remuneração a alunos de baixa renda do ensino médio.
O anúncio foi feito em entrevista ao jornal O Globo, com as informações confirmadas ao g1. Segundo o Ministério da Educação, o programa ainda está em fase de elaboração, mas a ideia é replicar o formato, oferecendo suporte aos alunos para que consigam se manter no ensino universitário.
A pasta afirmou que está estruturando um plano para 2025, mas que isso ainda está sendo discutido com o presidente. O g1 questionou o MEC sobre a projeção de valores gastos, número de alunos e critérios, mas a pasta não informou.
Na versão para o ensino médio, por exemplo, o governo está prevendo um investimento anual em 2024 de mais de R$ 7 bilhões.
Pagamento da 1ª parcela do programa Pé-de-Meia começa amanhã
O que é o programa Pé-de-Meia
O programa Pé-de-Meia entrou em vigor este ano, com um investimento federal de mais de R$ 7 bilhões. Com ele, alunos de baixa renda do ensino médio recebem uma remuneração mensal, além de bônus.
Podem participar do programa os estudantes matriculados em escolas públicas e que estejam cursando o ensino médio ou o programa para Educação de Jovens e Adultos (EJA). Além disso, é necessário:
ter entre 14 e 24 anos;
fazer parte de família inscrita no Cadastro Único (CadÚnico).
Segundo MEC, terão prioridade para receber o benefício os estudantes que integrem famílias que recebem o Bolsa Família.
Os valores pagos são:
Incentivo para matrícula, no valor anual de R$ 200;
Incentivo de frequência, no valor anual de R$ 1.800;
Incentivo para conclusão do ano, no valor anual de R$ 1.000;
Incentivo para o Enem, em parcela única de R$ 200.