As lições da escola argentina em bairro pobre eleita uma das melhores do mundo

Enem 2024 no dia da final da Copa do Brasil: secretários de Educação pedem mudança na data dos jogos
A escola Maria de Guadalupe educa cerca de 700 crianças e adolescentes, e a maioria dos alunos é de origem bastante humilde. O colégio María de Guadalupe oferece um acompanhamento personalizado a cada aluno a partir de 4 anos
Fundación María de Guadalupe via BBC
Ele está localizado em um bairro humilde de uma das áreas com menos recursos da província de Buenos Aires, na Argentina, mas o modesto colégio María de Guadalupe acaba de ser eleito uma das cinco melhores escolas do mundo.
A instituição privada, que educa cerca de 700 crianças e adolescentes — a maioria de famílias muito pobres —, no bairro de Las Tunas, no município de Tigre, ganhou o Prêmio Melhor Escola do Mundo (World's Best School Prizes) na categoria “colaboração com a comunidade”.
O prêmio é entregue pela plataforma educacional britânica T4 Education desde 2022, e concede US$ 10 mil (R$ 57 mil) a cada uma das instituições de ensino a nível mundial que se destacam em cinco categorias (ação ambiental, inovação, superação de adversidades e promoção de vida saudável são as outras).
Os vencedores foram escolhidos por um júri composto por líderes renomados no mundo todo, incluindo acadêmicos, educadores, ONGs, empreendedores sociais, representantes de governos, da sociedade civil e do setor privado.
O colégio María de Guadalupe é a única escola da América Latina premiada nesta edição — e também a primeira da Argentina a ser indicada ao prêmio.
Quatro escolas brasileiras estavam concorrendo neste ano como finalistas, mas nenhuma delas foi premiada. No ano passado, duas escolas brasileiras estiveram entre as premiadas — a Escola Municipal Professor Edson Pisani, de Belo Horizonte (MG), e a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Joaquim Bastos Gonçalves, de Carnaubal (CE).
Luis Arocha, diretor do colégio argentino, contou à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, que a escola foi criada há apenas 12 anos como parte de uma ação de solidariedade, quando algumas pessoas que ofereciam reforço escolar no bairro de Las Tunas, com uma organização da Igreja Católica, decidiram criar uma fundação para abrir uma escola no local.
"A assistente social María Paz Mendizabal e o empresário Roberto Souviron, fundador da agência de viagens online despegar.com (no Brasil, decolar.com), criaram a fundação e, em 2012, abriram a escola com a ideia de que teria características específicas em termos de resultados educacionais e eficiência", diz Arocha.
Quando foi inaugurado, o colégio María de Guadalupe tinha apenas 150 alunos, e oferecia apenas as três primeiras séries do ensino fundamental. Em 2016, já ensinava alunos do ensino médio, e atualmente educa crianças a partir dos quatro anos.
Imitando youtubers, crianças ‘comem’ sílabas ao falar e 'desesperam' pais e professores
A escola foi fundada em 2012
Fundación María de Guadalupe via BBC
A T4 Education destacou que a escola foi premiada porque "empodera alunos de origens socialmente vulneráveis com um modelo integrado que combina aprendizado acadêmico com desenvolvimento profissional".
A seguir, contamos com mais detalhes quais são os segredos do sucesso desta escola — e por que ela se destaca num momento em que a educação argentina, outrora uma das mais admiradas da região, atravessa uma grave crise.
Inclusão
Um dos destaques do María de Guadalupe é seu modelo inovador de inclusão.
A equipe da escola não só educa. Também ajuda as famílias humildes a superar os obstáculos que dificultam colocar os filhos na escola.
Dado que a pobreza atinge quase 53% da população — incluindo duas em cada três crianças —, um destes obstáculos é econômico.
"O colégio recebe subsídio estatal da província de Buenos Aires, que cobre 60% do orçamento. Outros 30% são custeados por patrocinadores e doadores que ajudam a fundação. As famílias só precisam pagar 10%", explica Arocha.
Atualmente, isso significa uma mensalidade de cerca de US$ 36 (R$ 205) para uma educação em tempo integral, valor bem inferior a outras escolas particulares.
"Muitas das famílias da nossa escola vivem de trabalhos informais, e há meses em que não conseguem pagar nem sequer essa quantia. Nestes casos, avalia-se a concessão de uma bolsa", diz o diretor.
Mas a falta de dinheiro não é o único obstáculo para as crianças estudarem.
A escola também lida com outros desafios, como a violência doméstica ou os problemas de moradia enfrentados por muitos de seus alunos.
A equipe interdisciplinar de assistentes sociais, psicólogos e psicopedagogos que atendem as crianças é fundamental neste aspecto.
Além dos professores, a escola conta com um grupo de especialistas que atendem as crianças
Fundación María de Guadalupe via BBC
"Realizamos uma entrevista socioambiental com cada família nova para identificar problemas graves", diz Arocha.
"Tentamos nos articular bastante com a prefeitura e com outras ONGs que se dedicam a resolver determinados problemas, como o de moradia."
"De qualquer forma, sabendo que metade das nossas famílias vive em casas superlotadas, e que as crianças não têm espaço adequado para fazer o dever de casa, tentamos fazer com que o processo de aprendizado ocorra principalmente aqui na escola", explica.
Evasão escolar
Em um país onde, de acordo com um estudo do observatório Argentinos por la Educación, apenas 13 em cada 100 alunos concluem o ensino médio dentro do prazo esperado, o María de Guadalupe tem um desempenho surpreendente.
Lá, 99% dos alunos terminam os estudos, e mais de 95% fazem isso dentro do prazo.
"O acompanhamento personalizado é fundamental para isso. Trabalhamos muito com cada família e com cada criança. Conhecendo cada história, a mochila que cada um traz, sem julgamentos", afirma Arocha.
No ensino médio, quando o problema da evasão escolar se agrava (segundo o observatório, cerca de 15% das crianças abandonam a escola), os alunos do María de Guadalupe têm um orientador por ano, que os ajuda com os desafios da adolescência.
A escola consegue realizar esta difícil tarefa de contenção, apesar de o investimento por aluno ser semelhante ao das escolas públicas. Mas como eles conseguem fazer isso? Perguntamos ao diretor.
"Nessas escolas que trabalham com populações altamente vulneráveis, há sempre problemas, mas você pode ser um bombeiro, e nunca terminar de apagar os incêndios. É por isso que nosso trabalho é sistemático e com uma abordagem preventiva", diz ele.
"A partir da entrevista socioambiental que realizamos, podemos saber que temas vamos trabalhar com cada família."
O María de Guadalupe educa cerca de 700 crianças e adolescentes
Fundación María de Guadalupe via BBC
Futuro
Outro sucesso do María de Guadalupe destacado pelo júri do prêmio é o grande número de formandos que ingressam em cursos universitários ou conseguem emprego após a formatura.
De acordo com dados compilados pela escola, quase 5 em cada 10 de seus ex-alunos continuam os estudos com curso superior ou universitário, o que é o dobro da média nacional para este grupo social, segundo o observatório Argentinos por la Educación.
Enquanto isso, 87% trabalham ou estudam, percentual que também supera a média nacional (75%).
Isso se deve, em parte, ao fato de que a maioria dos alunos do María de Guadalupe sai da escola tendo aprendido conhecimentos básicos, algo que — infelizmente — não acontece em muitas escolas na Argentina.
De acordo com os resultados das últimas provas Aprender — uma avaliação nacional de alunos da sexta série —, metade das crianças não entende matemática, e um terço não consegue compreender o que lê.
Em contrapartida, 70% dos meninos da sexta série do María de Guadalupe passaram na prova de matemática, e 69% na prova de língua, em 2021 (dados mais recentes disponíveis).
Mas a escola oferece a eles outras ferramentas que facilitam o ingresso na universidade ou no mercado de trabalho após a formatura.
"É disso que mais nos orgulhamos", diz Arocha, que sabe muito bem como há poucas oportunidades de carreira para crianças de origem humilde.
"Tem a ver com um trabalho muito forte ao longo de toda a jornada escolar, no que chamamos de conhecimentos básicos: matemática, língua, currículo digital e habilidades socioemocionais."
A maioria dos formandos da escola segue carreiras ligadas à área de tecnologia
Fundación María de Guadalupe via BBC
No ensino médio, a escola oferece orientação vocacional, mentoria e programas de inclusão no mercado de trabalho. Além disso, permite que as crianças se especializem em quatro áreas: programação, produção audiovisual, administração ou meio ambiente.
"A maioria dos nossos formandos segue carreiras relacionadas à tecnologia, e muitos acabam estudando na Universidade Tecnológica Nacional (UTN), que fica perto de nós", diz ele, satisfeito.
O diretor revela ainda que a escola pretende usar o prêmio de US$ 10 mil para investir em novos computadores.
O sucesso da escola não é visto apenas no desempenho dos alunos que se formam, mas também no grande número de pessoas que desejam ingressar na instituição.
"Para cada aluno que entra na turma para 4 anos, há seis que ficam de fora", lamenta o diretor.
Mas ele tem esperança de que, no futuro, haverá mais escolas como esta.
Na verdade, ele conta que a Fundação María de Guadalupe (MDG) foi criada com a ideia de replicar esta primeira escola, e já abriu uma segunda unidade, o colégio Rosario Vera Peñaloza, em Garín, outra área bastante carente de Buenos Aires.
VÍDEOS

Trend do corte seco: imitando youtubers, crianças ‘comem’ sílabas ao falar e ‘desesperam’ pais e professores

Enem 2024 no dia da final da Copa do Brasil: secretários de Educação pedem mudança na data dos jogos
Alunos de 6 a 12 anos falam: 'Quero comer hambúr!' ou 'Vou para escó', por exemplo. Entenda se brincadeira pode trazer prejuízos para o desenvolvimento cognitivo na infância. ‘Trend do corte seco’: imitando youtubers, crianças ‘comem’ a última sílaba das frases
"Mãe, a Helena pegou meu casá!"
"Teacher, posso ir ao banhê?"
"Eu tô com fó!"
As frases acima foram ouvidas por mães e professoras que já estão desesperadas: não aguentam mais ouvir as crianças “comendo” a última sílaba de cada sentença. “Preciso pegar o livro”, por exemplo, vira “preciso pegar o lí”. Os adultos que lutem, em casa e na sala de aula, para adivinhar qual palavra foi encurtada.
“Surto todo dia com isso!”, diz a escritora Carol Campos, mãe de Pedro, de 9 anos (que ama tomar água de “cô” e ir ao “cinê”).
📱Essa “mania linguística” — que atinge principalmente alunos de 5 a 12 anos — virou “a trend do corte seco” no TikTok: familiares gravam crianças falando desse jeito e postam o vídeo nas redes (alguns, apenas para efeitos de humor, outros, para compartilhar a angústia de não escutar as frases até o final). Um desses registros passou de 3 milhões de visualizações.
Mas de onde veio essa “moda”? Isso pode ser prejudicial para o desenvolvimento infantil? O g1 entrevistou fonoaudiólogas e educadores para entender as possíveis consequências da brincadeira. Em resumo:
Como o hábito de cortar sílabas provavelmente é resultado da influência de youtubers na linguagem das crianças (entenda mais abaixo), pode ser que o tempo de exposição a telas esteja excessivo.
Quem "come" o fim das palavras acaba comprometendo a clareza da comunicação. Isso dificulta o diálogo.
O "corte seco", para alguns especialistas, prejudica crianças em fase de alfabetização, especialmente nos processos de formação de palavras e de fluência leitora.
Por outro lado, se o aluno já dominar bem essas habilidades, pode usar a brincadeira como estímulo cognitivo (desde que não passe o dia inteiro falando desse jeito, claro).
Veja abaixo os detalhes.
📢De onde veio a “febre”?
“Noto que são os alunos maiores, com acesso ao celular, que acabam falando desse jeito”, conta Clarice Kumaru, professora de inglês do ensino fundamental I em uma escola particular de Canhotinho (PE).
Ela explica que alguns youtubers e tiktokers produzem vídeos “infantis” com este estilo de edição, para que os posts fiquem mais dinâmicos: fazem cortes secos no final das frases, antes mesmo de as palavras serem ditas por inteiro.
“Se você assistir a um vídeo dos Irmãos Natu, por exemplo, vai notar esses pequenos cortes. As crianças imitam com mais exagero: já tiram a sílaba inteira”, diz a docente. “Virou um hábito constante, até na hora de pedirem para beber água.”
Em São Paulo, a escritora Carol Campos, citada no início do texto, também percebe essa associação entre o celular e a nova mania das crianças.
“Infelizmente, a forma de falar dos influenciadores digitais, especialmente os do Youtube, não ajuda muito. É tudo rápido e até com certo grau de agressividade”, diz. “E não é algo raro. [Com o meu filho], acontece de ‘comer’ as palavras principalmente quando ele está nos contando algo da escola. Como me incomoda bastante, sempre o alerto.”
➡️Os efeitos são em cadeia: um aluno, espectador assíduo de "shortz" no Youtube, começa a imitar os influenciadores e a cortar a última sílaba das palavras na escola. Mesmo os amigos que não assistem aos vídeos passam a imitá-lo. O que começou em um grupinho já contagia a sala… e a escola inteira.
“Em outro colégio onde eu dava aula, o hábito era ainda maior, porque todos tinham resistência a falar do jeito normal. Só queriam [pronunciar ]‘cortado’. Quando eu pedia para falarem a palavra completa, ficavam com vergonha e desistiam”, conta a professora Clarice.
👨‍👨‍👧‍👦O ‘corte seco’ pode prejudicar as crianças?
Não há consenso entre os especialistas: há quem ache que é apenas uma brincadeira inofensiva, como a antiga “língua do p”, enquanto outros se preocupam com os possíveis danos na alfabetização e na comunicação infantil. Veja os pontos principais:
Excesso de telas e sintoma da vida acelerada:
Se a criança estiver sendo influenciada pela maneira como youtubers falam, talvez isso seja um sinal de que ela passa tempo de mais em frente a tablets e celulares.
A fonoaudióloga Ângela Ribas, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), reforça que os responsáveis devem limitar o tempo de exposição a telas. “Crianças em fase escolar necessitam de estímulos muito mais ricos do que aqueles produzidos na internet”, afirma.
É a mesma preocupação manifestada por Carol, mãe de Pedro. Ela faz um balanço: seu filho fica mais tempo diante de ‘youtubers’ do que de contadores de história, por exemplo.
“Achei que essa mania de cortar as palavras existisse só na escola do meu filho. Mas, ao entender que virou uma ‘trend’, fico pensando se não estamos criando uma geração que quer acelerar tudo. Já estão escrevendo cada vez de forma mais abreviada quando usam celular”, conta. “Querem tudo mais rápido e mais curto.”
Américo Amorim, pesquisador afiliado na New York University e doutor em educação pela Universidade Johns Hopkins, também destaca o cuidado que devemos ter para não “agitar” tanto a vida das crianças. “Deixá-las assistirem a vídeos na velocidade 2x pode aumentar os níveis de ansiedade delas”, afirma.
Perda de sentido nas frases:
Amorim lembra que as últimas sílabas das palavras, na língua portuguesa, trazem mudanças importantes no significado, como: o gênero (“aluno”, “aluna”), o número (“sanduíche”, “sanduíches”), o tempo verbal (“caminharam” ou “caminharão”), a pessoa verbal (“participou ou “participei”) etc.
“Pode haver situações em que a própria formação de vocabulário vai ficar prejudicada, porque a criança não ouve a palavra inteira. Isso atrapalha também a interpretação textual”, diz.
A fonoaudióloga Mayra Camargo, mestre em distúrbios da comunicação e especialista em linguagem oral, presencia exemplos tanto com pacientes quanto com suas filhas.
“Insisto na importância de uma comunicação clara e articulada. Aqui em casa, eu vejo que uma criança precisa ficar perguntando para outra: ‘quê? O que você falou?’. E não é algo pontual: virou uma mania que dificulta o diálogo”, diz.
Dificuldades na alfabetização ou estímulo cognitivo?:
Nesse tópico, os especialistas ouvidos pela reportagem demonstraram diferentes posicionamentos. Amorim, por exemplo, afirma que o “corte seco não é bom para a alfabetização nem para a fluência da leitura”, porque os alunos podem passar a achar que as palavras são deste jeito, “cortadas”.
“Isso gera problemas na escrita e na compreensão dos diferentes tempos verbais”, diz.
Já a psicóloga e educadora Cláudia Tricate, diretora do Colégio Magno (SP), acredita que haja uma problematização excessiva no que é apenas uma brincadeira.
“'A língua do p' de antigamente, não atrapalhou ninguém. É natural experimentar esses jogos linguísticos. Não há razão para se preocupar”, afirma.
Essa também é a linha de raciocínio de Ribas, fonoaudióloga do Pequeno Príncipe. Ela diz que “comer” a última sílaba da frase ainda desenvolve estratégias mentais e cognitivas das crianças. “Elas aprendem a manipular os sons das palavras”, diz.
Tudo vai depender também da faixa etária e do perfil dos alunos. É preciso monitorar se a brincadeira está interferindo na aprendizagem.
Falta de acessibilidade:
Mayra Camargo, citada mais acima, diz que atende pacientes com distúrbios no processamento auditivo central — eles ouvem bem, mas não conseguem prestar atenção a todos os sons de uma palavra. Em geral, acabam se atendo sempre ao fragmento final de cada termo. “O que fica na cabeça deles é o último som que escutaram. Com essa brincadeira, isso se perde. Vão ser prejudicados”, afirma.
‘Meu filho não para de fazer o corte seco. Devo intervir?'
⌚É preciso estipular o momento certo para a brincadeira. A criança deve entender que nem todos os contextos são adequados para fazer esses jogos de sons. Se, no meio da aula ou ao conversar com os pais, ela insistir em cortar as sílabas, você deve intervir. Explique que, para uma conversa dar certo, todos os participantes devem se comunicar de forma clara e eficaz. Sugira alguma outra oportunidade para que ela faça o “jogo do corte seco” — talvez, durante a visita de um amiguinho no fim de semana.
📖Fique atento principalmente se seu filho estiver em fase de alfabetização. Não há uma conclusão científica única a respeito de possíveis prejuízos no aprendizado da leitura e da escrita. Se você notar que a criança está pulando algumas sílabas ao redigir uma frase, converse com ela e com os professores. E, caso ela tenha um colega com distúrbios no processamento auditivo central, explique que a brincadeira deve ser evitada para que ninguém se sinta excluído.
📵E o principal: fique atento ao tipo de estímulo que seu filho está recebendo. Ele precisa estar mais exposto a diálogos no dia a dia e a contação de histórias, por exemplo, do que a vídeos do TikTok ou a "shortz" do Youtube. Não permita que o principal “influenciador” da linguagem da criança esteja do outro lado de uma tela.
Vídeos
Celular proibido nas escolas?

Vestibular e redes sociais: como conciliar uso das ferramentas para não atrapalhar reta final de estudos

Na hora de estudar, ter muitas abas abertas pode comprometer o desempenho na hora da prova; a dica dos especialistas é usar as telas com moderação e saber por onde navegar. Vestibular e redes sociais: como conciliar uso das ferramentas para não atrapalhar estudos
Deslizar o dedo pela tela infinitamente e passar horas do dia rolando o feed. Para quem está se preparando para a segunda fase da Unicamp, para o Enem ou outros vestibulares, esse comportamento, típico nas redes sociais, pode afetar o desempenho na hora das provas e acabar prejudicando o sonho de ingressar no ensino superior.
Esses aplicativos podem levar a um ciclo vicioso de procrastinação, gerando ansiedade e irritação, que, por sua vez, levam a uma busca mais frequente pelos aplicativos como forma de escape. É o que explica o docente pesquisador do programa de pós Graduação em psicologia da PUC-Campinas, André Luiz Monezi Andrade.
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"Diversos estudos mostram que quanto mais tempo os estudantes passam em redes sociais — seja no celular, computador ou tablet — maior a chance de haver uma queda no desempenho acadêmico. Um dos principais fatores é a procrastinação: o tempo que poderia ser dedicado aos estudos acaba sendo utilizado de maneira menos produtiva, já que muitos alunos passam mais tempo nas redes do que estudando de fato".
"Os estudantes acabam se sentindo mais pressionados por não conseguirem acompanhar o conteúdo ou lidar com o volume de estudo. Isso leva ao uso ainda maior das redes como forma de escape, intensificando o estresse e dificultando a concentração", completa.
Multitarefa, mas nem tanto
Nosso cérebro é multitarefas e essa habilidade pode ser interessante em algumas situações, como digitar e andar, por exemplo. No entanto, quando se trata de estudar para o vestibular, dividir a atenção com as telas pode interromper a linha de pensamento, dificultar a concentração e impedir o retorno para a tarefa de estudar, que exige muito mais esforços do que abrir uma notificação.
O professor de biologia do pré-vestibular Oficina do Estudante, Gustavo Camacho, faz um alerta aos candidatos e explica o motivo disso acontecer. "Cada vez que você sai do foco, você está estudando e vai sair do foco, o seu cérebro entende que aquela tarefa não vai mais ser realizada e agora ele precisa fazer uma nova tarefa. Quando você retorna para o estudo, o processo fica comprometido".
"Fora que na hora que você interrompe seus estudos para ver uma notificação do seu celular, dependendo dessa notificação, vai liberar dopamina em você. A dopamina é um neurotransmissor de prazer. Esse neurotransmissor de prazer vai querer fazer com que você continue no celular, que deve ser algo muito menos tedioso e libera muito mais dopamina".
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É possível tirar proveito das redes ao estudar?
Apesar de tudo, os especialistas destacam que as redes sociais e a internet podem, sim, ser fonte de conhecimento e informação, dependendo de por onde se navega. "Muitas vezes, as redes sociais são vistas como vilãs no período do vestibular, mas isso depende de como elas são utilizadas. Não é só o tempo de uso que importa, mas também o tipo de conteúdo que os estudantes acessam".
"Se elas forem usadas para estudar, acessar matérias relevantes ou ficar atualizado com notícias importantes, podem ser uma boa ferramenta. O acesso a conteúdos de qualidade, como portais jornalísticos, também ajuda a preparar para as provas de atualidades, que são comuns em muitos vestibulares", conclui Andrade.
📱 Confira abaixo algumas estratégias que podem ser adotadas para otimizar a relação entre estudos, smartphone e redes sociais:
desative as notificações ou coloque o celular no modo silencioso durante o estudo: isso ajuda a manter a concentração e evitar que outras atividades diminuam o rendimento acadêmico;
evite o uso excessivo de telas, especialmente de celulares, à noite, principalmente na hora de dormir: a qualidade do sono está diretamente relacionada ao processo de aprendizagem;
busque por conteúdos de qualidade e que possam contribuir com seu conhecimento, como vídeo-aulas;
acesse portais jornalísticos, que vão te preparar para as provas de atualidades, comuns em muitos vestibulares.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Trend do corte seco: imitando youtubers, crianças comem sílabas e ‘desesperam’ pais e professores

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As frases acima foram ouvidas por mães e professoras que já estão desesperadas: não aguentam mais ouvir as crianças “comendo” a última sílaba de cada sentença. “Preciso pegar o livro”, por exemplo, vira “preciso pegar o lí”. Os adultos que lutem, em casa e na sala de aula, para adivinhar qual palavra foi encurtada.
“Surto todo dia com isso!”, diz a escritora Carol Campos, mãe de Pedro, de 9 anos (que ama tomar água de “cô” e ir ao “cinê”).
📱Essa “mania linguística” — que atinge principalmente alunos de 5 a 12 anos — virou “a trend do corte seco” no TikTok: familiares gravam crianças falando desse jeito e postam o vídeo nas redes (alguns, apenas para efeitos de humor, outros, para compartilhar a angústia de não escutar as frases até o final). Um desses registros passou de 3 milhões de visualizações.
Mas de onde veio essa “moda”? Isso pode ser prejudicial para o desenvolvimento infantil? O g1 entrevistou fonoaudiólogas e educadores para entender as possíveis consequências da brincadeira. Em resumo:
Como o hábito de cortar sílabas provavelmente é resultado da influência de youtubers na linguagem das crianças (entenda mais abaixo), pode ser que o tempo de exposição a telas esteja excessivo.
Quem "come" o fim das palavras acaba comprometendo a clareza da comunicação. Isso dificulta o diálogo.
O "corte seco", para alguns especialistas, prejudica crianças em fase de alfabetização, especialmente nos processos de formação de palavras e de fluência leitora.
Por outro lado, se o aluno já dominar bem essas habilidades, pode usar a brincadeira como estímulo cognitivo (desde que não passe o dia inteiro falando desse jeito, claro).
Veja abaixo os detalhes.
📢De onde veio a “febre”?
“Noto que são os alunos maiores, com acesso ao celular, que acabam falando desse jeito”, conta Clarice Kumaru, professora de inglês do ensino fundamental I em uma escola particular de Canhotinho (PE).
Ela explica que alguns youtubers e tiktokers produzem vídeos “infantis” com este estilo de edição, para que os posts fiquem mais dinâmicos: fazem cortes secos no final das frases, antes mesmo de as palavras serem ditas por inteiro.
“Se você assistir a um vídeo dos Irmãos Natu, por exemplo, vai notar esses pequenos cortes. As crianças imitam com mais exagero: já tiram a sílaba inteira”, diz a docente. “Virou um hábito constante, até na hora de pedirem para beber água.”
Em São Paulo, a escritora Carol Campos, citada no início do texto, também percebe essa associação entre o celular e a nova mania das crianças.
“Infelizmente, a forma de falar dos influenciadores digitais, especialmente os do Youtube, não ajuda muito. É tudo rápido e até com certo grau de agressividade”, diz. “E não é algo raro. [Com o meu filho], acontece de ‘comer’ as palavras principalmente quando ele está nos contando algo da escola. Como me incomoda bastante, sempre o alerto.”
➡️Os efeitos são em cadeia: um aluno, espectador assíduo de "shortz" no Youtube, começa a imitar os influenciadores e a cortar a última sílaba das palavras na escola. Mesmo os amigos que não assistem aos vídeos passam a imitá-lo. O que começou em um grupinho já contagia a sala… e a escola inteira.
“Em outro colégio onde eu dava aula, o hábito era ainda maior, porque todos tinham resistência a falar do jeito normal. Só queriam [pronunciar ]‘cortado’. Quando eu pedia para falarem a palavra completa, ficavam com vergonha e desistiam”, conta a professora Clarice.
👨‍👨‍👧‍👦O ‘corte seco’ pode prejudicar as crianças?
Não há consenso entre os especialistas: há quem ache que é apenas uma brincadeira inofensiva, como a antiga “língua do p”, enquanto outros se preocupam com os possíveis danos na alfabetização e na comunicação infantil. Veja os pontos principais:
Excesso de telas e sintoma da vida acelerada:
Se a criança estiver sendo influenciada pela maneira como youtubers falam, talvez isso seja um sinal de que ela passa tempo de mais em frente a tablets e celulares.
A fonoaudióloga Ângela Ribas, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), reforça que os responsáveis devem limitar o tempo de exposição a telas. “Crianças em fase escolar necessitam de estímulos muito mais ricos do que aqueles produzidos na internet”, afirma.
É a mesma preocupação manifestada por Carol, mãe de Pedro. Ela faz um balanço: seu filho fica mais tempo diante de ‘youtubers’ do que de contadores de história, por exemplo.
“Achei que essa mania de cortar as palavras existisse só na escola do meu filho. Mas, ao entender que virou uma ‘trend’, fico pensando se não estamos criando uma geração que quer acelerar tudo. Já estão escrevendo cada vez de forma mais abreviada quando usam celular”, conta. “Querem tudo mais rápido e mais curto.”
Américo Amorim, pesquisador afiliado na New York University e doutor em educação pela Universidade Johns Hopkins, também destaca o cuidado que devemos ter para não “agitar” tanto a vida das crianças. “Deixá-las assistirem a vídeos na velocidade 2x pode aumentar os níveis de ansiedade delas”, afirma.
Perda de sentido nas frases:
Amorim lembra que as últimas sílabas das palavras, na língua portuguesa, trazem mudanças importantes no significado, como: o gênero (“aluno”, “aluna”), o número (“sanduíche”, “sanduíches”), o tempo verbal (“caminharam” ou “caminharão”), a pessoa verbal (“participou ou “participei”) etc.
“Pode haver situações em que a própria formação de vocabulário vai ficar prejudicada, porque a criança não ouve a palavra inteira. Isso atrapalha também a interpretação textual”, diz.
A fonoaudióloga Mayra Camargo, mestre em distúrbios da comunicação e especialista em linguagem oral, presencia exemplos tanto com pacientes quanto com suas filhas.
“Insisto na importância de uma comunicação clara e articulada. Aqui em casa, eu vejo que uma criança precisa ficar perguntando para outra: ‘quê? O que você falou?’. E não é algo pontual: virou uma mania que dificulta o diálogo”, diz.
Dificuldades na alfabetização ou estímulo cognitivo?:
Nesse tópico, os especialistas ouvidos pela reportagem demonstraram diferentes posicionamentos. Amorim, por exemplo, afirma que o “corte seco não é bom para a alfabetização nem para a fluência da leitura”, porque os alunos podem passar a achar que as palavras são deste jeito, “cortadas”.
“Isso gera problemas na escrita e na compreensão dos diferentes tempos verbais”, diz.
Já a psicóloga e educadora Cláudia Tricate, diretora do Colégio Magno (SP), acredita que haja uma problematização excessiva no que é apenas uma brincadeira.
“'A língua do p' de antigamente, não atrapalhou ninguém. É natural experimentar esses jogos linguísticos. Não há razão para se preocupar”, afirma.
Essa também é a linha de raciocínio de Ribas, fonoaudióloga do Pequeno Príncipe. Ela diz que “comer” a última sílaba da frase ainda desenvolve estratégias mentais e cognitivas das crianças. “Elas aprendem a manipular os sons das palavras”, diz.
Tudo vai depender também da faixa etária e do perfil dos alunos. É preciso monitorar se a brincadeira está interferindo na aprendizagem.
Falta de acessibilidade:
Mayra Camargo, citada mais acima, diz que atende pacientes com distúrbios no processamento auditivo central — eles ouvem bem, mas não conseguem prestar atenção a todos os sons de uma palavra. Em geral, acabam se atendo sempre ao fragmento final de cada termo. “O que fica na cabeça deles é o último som que escutaram. Com essa brincadeira, isso se perde. Vão ser prejudicados”, afirma.
‘Meu filho não para de fazer o corte seco. Devo intervir?'
⌚É preciso estipular o momento certo para a brincadeira. A criança deve entender que nem todos os contextos são adequados para fazer esses jogos de sons. Se, no meio da aula ou ao conversar com os pais, ela insistir em cortar as sílabas, você deve intervir. Explique que, para uma conversa dar certo, todos os participantes devem se comunicar de forma clara e eficaz. Sugira alguma outra oportunidade para que ela faça o “jogo do corte seco” — talvez, durante a visita de um amiguinho no fim de semana.
📖Fique atento principalmente se seu filho estiver em fase de alfabetização. Não há uma conclusão científica única a respeito de possíveis prejuízos no aprendizado da leitura e da escrita. Se você notar que a criança está pulando algumas sílabas ao redigir uma frase, converse com ela e com os professores. E, caso ela tenha um colega com distúrbios no processamento auditivo central, explique que a brincadeira deve ser evitada para que ninguém se sinta excluído.
📵E o principal: fique atento ao tipo de estímulo que seu filho está recebendo. Ele precisa estar mais exposto a diálogos no dia a dia e a contação de histórias, por exemplo, do que a vídeos do TikTok ou a "shortz" do Youtube. Não permita que o principal “influenciador” da linguagem da criança esteja do outro lado de uma tela.
Vídeos
Celular proibido nas escolas?

Enem 2024 no dia da final da Copa do Brasil: secretários de Educação pedem mudança na data dos jogos

Enem 2024 no dia da final da Copa do Brasil: secretários de Educação pedem mudança na data dos jogos
Candidatos farão prova nos dias 3 e 10 de novembro, exatamente quando Flamengo e Atlético-MG se enfrentarão. Consed solicitará à CBF, ainda nesta quinta (24), a alteração do calendário do campeonato. Enem 2024 está marcado para os dias 3 e 10 de novembro
Agência Brasil
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país — nas mesmas datas das finais da Copa do Brasil, entre Flamengo e Atlético-MG.
⚽Por isso, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) solicitou, nesta quinta-feira (24), a mudança no calendário dos jogos. Um ofício será encaminhado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até o fim do dia.
"Essa coincidência de datas, especialmente nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro, pode acarretar dificuldades logísticas para os participantes do exame, como congestionamentos e agitação de torcedores, prejudicando o deslocamento e o ambiente adequado para a realização das provas."
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Os secretários de Educação também temem que estudantes deixem de fazer o Enem ou corram para terminar a prova mais rápido só para acompanharem a decisão do futebol.
Ao g1, a CBF afirmou que, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia sido consultada sobre a possibilidade de alteração do calendário esportivo. O sorteio do mando dos jogos está previsto para as 15h desta quinta.
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Abaixo, veja todas as informações que os estudantes precisam saber sobre o Enem, como datas, horários, o que pode e o que não pode levar, dicas sobre o conteúdo das provas e análise da redação.
🗓️ Datas das provas
O Enem 2024 será aplicado apenas na versão impressa em mais de 10 mil locais de prova, distribuídos entre 1.753 municípios.
O exame acontece nos dois primeiros domingos de novembro.
3 de novembro
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
10 de novembro
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
⌚ Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Portões abrem às: 12h
Portões fecham às: 13h
Prova começa às: 13h30
Pode sair, mas sem o caderno de questões: a partir das 15h30
Pode sair da prova com o caderno de questões: a partir das 18h
Aplicação da prova no 1º dia acaba às: 19h
Aplicação da prova no 2º dia acaba às: 18h30
O candidato só deixa o local de aplicação com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos que antecedem o término da prova.
🗺️ Locais de prova
O local de prova de cada participante é informando no cartão de confirmação de inscrição, que reúne as principais informações e recomendações para os candidatos. O documento ainda não está disponível para consulta, mas deve ser disponibilizado cerca de duas semanas antes do primeiro dia de provas.
Quando o cartão de confirmação estiver disponível, o candidato poderá consultá-lo na página de participante (enem.inep.gov.br/participante/), com login gov.br (cpf e senha).
Após consultar o cartão de confirmação, as dicas são:
pesquisar o endereço do seu local de prova;
verificar a distância e o tempo de deslocamento; e,
se possível, simular o percurso antes, e considerar que, aos domingos, o trânsito e o transporte público têm fluxos diferentes.
🚨 O portão fecha às 13h, mas a orientação do Inep é chegar às 12h no local de prova.
No cartão de confirmação, o candidato também pode confirmar o idioma escolhido para a prova de língua estrangeira (inglês ou espanhol), datas do exame e solicitações de atendimento especializado (como adaptações para pessoas com deficiência).
O Inep recomenda que o candidato imprima o documento e o leve no dia do Enem, mas isso não é obrigatório.
🖋️ O que precisa levar para o Enem
Documento: RG ou outra documentação oficial com foto (documentos digitais também são válidos);
Proteção contra doenças: álcool em gel e máscara de proteção facial (só não é obrigatória em locais que liberaram o uso em ambientes fechados);
Caneta para Enem: a caneta deve ser esferográfica transparente com tinta na cor preta (leve pelo menos duas para o caso de uma falhar);
Opcional: cartão de confirmação de inscrição;
O que levar para comer: lanche, idealmente levar alimentos que deem energia, como chocolates, castanhas e barras de cereal, e água em garrafa transparente (a embalagem não deve ter rótulo). O lanche poderá ser vistoriado pelo fiscal de sala.
Dica: Como são cinco horas e meia de exame, é recomendado que o candidato vá com uma roupa confortável e calçados que não apertem.
Exemplos de documentos digitais de identificação que serão aceitos pelo Inep:
e-Título,
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital; e
RG Digital.
Atenção: O candidato deve apresentar o aplicativo oficial ao fiscal — capturas de tela não serão válidas. Após a entrada na sala de aula, o uso do celular continuará vetado.
🎒 Ah, e pode levar bolsa e mochila para o Enem, já que o edital não proíbe. Mas, uma vez dentro da sala de aplicação, a mochila deve ser colocada debaixo da cadeira e não pode ser manuseada. Então, tudo que for ser utilizado durante a prova, como canetas, água, lanche e máscaras, deve ficar fora da bolsa.
❌ O que não pode levar para o Enem
Telefones celulares, calculadoras ou qualquer equipamento eletrônico devem ser desligados e guardados no envelope porta-objetos antes de entrar na sala de provas. Caso algum som seja emitido dos aparelhos durante a prova, o candidato será eliminado;
Qualquer dispositivo que receba imagens, vídeos ou mensagens;
Óculos escuros, bonés, chapéus, viseiras ou gorros;
Bebidas alcoólicas, cigarro e/ou drogas ilícitas.
🚨 Atenção: O envelope porta-objetos, lacrado e identificado, deve ser mantido debaixo da carteira desde o ingresso na sala de provas até a saída definitiva do local de provas.
A partir das 13h (horário de Brasília), é permitido ir ao banheiro, mas desde que acompanhado pelo fiscal.
😷 Fiquei doente no dia de prova. O que devo fazer?
O candidato que estiver com uma das doenças infectocontagiosas listadas abaixo não deverá comparecer ao local de prova e precisará pedir a reaplicação do exame, comprovando a condição (veja detalhes no próximo tópico).
Confira a lista de doenças infectocontagiosas previstas no edital do Enem:
Tuberculose;
Coqueluche;
Difteria;
Doença invasiva por Haemophilus influenzae;
Doença meningocócica e outras meningites;
Varíola;
Varíola dos macacos (monkeypox)
Influenza humana A e B;
Poliomielite por poliovírus selvagem;
Sarampo;
Rubéola;
Varicela; e
Covid-19.
O que fazer se perder um dia de prova?
O candidato que perder um dos dias de prova por motivo previsto no edital poderá pedir reaplicação do exame exclusivamente do dia perdido. A nova data deve ser em dezembro, quando é aplicado o Enem para pessoas privadas de liberdade (Enem PPL).
Além dos candidatos contaminados por doenças infecciosas, também podem solicitar a reaplicação participantes que forem afetados por problemas logísticos durante a aplicação das provas.
O pedido deve ser feito de 11 a 15 de novembro na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante/). As solicitações serão julgadas individualmente pelo Inep. O direito à reaplicação é válido somente em certas situações, como por problema logístico ou em caso de doenças infectocontagiosas, que precisarão ser comprovadas pelos candidatos.
Também devem fazer esse processo de socitação de reaplicação os candidatos que foram afetados pelo erro da empresa que organiza o Enem e ficaram em locais de prova a mais de 30 km de sua residência.
🚨 Atenção: O Inep alerta ainda que o participante que alegar indisposição ou problemas de saúde durante a aplicação e não concluir as provas ou precisar ausentar-se do local de provas não poderá retornar à sala de provas para concluir o exame e não poderá solicitar a reaplicação.
Quem tiver o pedido de reaplicação aceito pelo Inep fará o exame nos dias 10 e 11 de dezembro.
Como são as provas
No primeiro dia, além da redação, os candidatos responderam a 45 questões de múltipla escola de linguagens e outras 45 de ciências humanas.
No segundo dia, os candidatos respondem a 45 questões de matemática e outras 45 de ciências da natureza.
Seis técnicas que podem turbinar seus estudos
Correção: vale a pena chutar?
As questões são corrigidas usando um modelo matemático chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI). A prova é preparada com perguntas pré-classificadas como fáceis, médias e difíceis. O esperado é que o candidato tenha um desempenho melhor nas mais simples. A TRI faz uma análise estatística, "antichute", para calcular uma nota final que indique se houve coerência nas respostas.
Um exemplo: supondo que haja, no Enem, uma questão sobre quanto é 3 vezes 2. O candidato erra e responde 5, em vez de 6. Outra pergunta pede que o aluno calcule a área de um retângulo cuja base meça 3 cm e a altura, 2 cm. Ele responde corretamente: 6 cm².
Pela TRI, mesmo acertando a pergunta mais difícil, o aluno faria menos pontos. Isso porque, se ele não conseguiu efetuar a multiplicação da primeira questão, não teria como saber a resposta da segunda. Ou seja: provavelmente, "chutou" a resposta.
Redação
O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 foi: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
Na avaliação de professores ouvidos pelo g1, o tema tinha a "cara" do Enem por tratar de um problema social relevante e exigir uma boa proposta de intervenção.
O aluno precisa ir atrás da relação de causas e consequências, principalmente porque o tema fala de desafios. É preciso pensar, então, nas causas que levam à invisibilidade desse trabalho.
Agora, os textos produzidos pelos participantes em 5 de novembro serão avaliados e receberão notas que podem chegar a mil. Para isso, são consideradas cinco competências, que valem 200 pontos e, em linhas gerais, avaliam o seguinte:
Competência 1 – Domínio da modalidade formal da língua portuguesa.
Competência 2 – Compreensão da proposta de redação, com o uso de conceitos de várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3 – Organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 – Conhecimento de mecanismos linguísticos para construir uma argumentação.
Competência 5 – Elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Tema da redação do Enem 2023 é 'Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil'
Erros fatais que zeram a redação
São pelo menos 7 os erros que podem ser fatais na redação, deixando para o candidato apenas o temido zero:
Fuga ao tema
Desobediência ao formato de dissertação
Folha em branco ou com menos de 7 linhas
Cópia dos textos motivadores
Desenhos e sinais gráficos impróprios
Partes desconexas ou com assinatura
Texto escrito em língua estrangeira ou com letra ilegível
Como é feita a correção da redação
A redação será avaliada por, pelo menos, dois professores graduados em Letras ou Linguística, de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. Cada avaliador dará uma nota entre 0 e 200 pontos para cada uma das cinco competências. A nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.
Se houver discrepância entre as notas, com uma diferença de mais de 100 pontos no total ou superior a 80 pontos em qualquer uma das competências, a redação será avaliada, de forma independente, por um terceiro avaliador.
A nota final será a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem. Caso a discrepância ainda continue, a redação será avaliada por uma banca composta por três professores, que dará a nota final.
Para que serve a nota do Enem?
As notas do Enem podem garantir vaga em instituição de ensino superior pública ou privada brasileiras e até em faculdades fora do país. Confira como podem ser utilizadas em cada situação.
Sisu: O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é o meio pelo qual o Ministério da Educação (MEC) seleciona estudantes para vagas em cursos de ensino superior de instituições públicas. Para concorrer a uma vaga, o candidato precisa estar dentro da nota de corte do curso em questão, ou seja, precisa ter obtido uma nota igual ou maior à nota mínima definida para aquele curso.
Prouni: O Programa Universidade para Todos (Prouni) é uma iniciativa do Ministério da Educação que oferece bolsas integrais e parciais em faculdades particulares.
Fies: O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal que paga parte das mensalidades de estudantes em universidades e faculdades privadas, com a contrapartida de os beneficiários quitarem o financiamento após a formatura. O crédito pode cobrir total ou parcialmente a mensalidade do curso. Para se inscrever, é preciso ter feito o Enem.
Instituições privadas: Muitas instituições de ensino superior também oferecem desconto nas mensalidades usando a nota do Enem. Geralmente, o candidato não precisa prestar um vestibular próprio da universidade. O ideal é procurar a instituição para saber se oferecem bolsas e descontos conforme a nota no exame e quais são os requisitos.
Universidades no exterior: O Ministério da Educação possui acordo com algumas instituições em países como Portugal, Inglaterra, França, Irlanda e Canadá, que aceitam o Enem no seu processo seletivo. Em alguns casos, a instituição pode exigir que o interessado passe pelo processo seletivo local. É preciso pesquisar diretamente no site das universidades.
✅ Quando sai o resultado do Enem?
De acordo com o edital do Enem 2024, o gabarito oficial do exame vai ser divulgado em 20 de novembro.
Já o resultado com as notas individuais deve ficar disponível para os participantes em 13 de janeiro de 2025.
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