Modelos pré-prontos de redação do Enem são vendidos por R$ 50 e podem ser cilada; ‘Levei um baque com a minha nota’, diz aluna

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo
Textos, em tese, serviriam para qualquer assunto cobrado na prova — bastaria que o aluno preenchesse lacunas com o tema. g1 encontrou exemplos com erros de ortografia ou com citações que não teriam funcionado nos exames de 2022 e 2023. Já ensinava Sócrates: “Os erros são consequência da ignorância humana”. Logo, é válido analisar as causas da ___invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher___ no Brasil.
Já ensinava Sócrates: “Os erros são consequência da ignorância humana”. Logo, é válido analisar as causas da ___desvalorização das comunidades e povos tradicionais___ do Brasil.
➡️Os dois trechos acima foram escritos com base em um modelo pronto de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O candidato que compra esse tipo de texto na internet (por até R$ 50) tenta memorizá-lo e, no dia da prova, preenche as lacunas com o tema pedido na edição (nos exemplos acima, foram os de 2022 e 2023).
Em tese, os modelos pré-fabricados cumpririam os principais requisitos e serviriam para qualquer assunto escolhido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Mas será que, na prática, eles realmente funcionam e garantem uma boa nota? Não seria essa uma tática arriscada a ser adotada pelos candidatos? Leia a reportagem abaixo.
Anúncio de modelos prontos de redação do Enem na internet
Reprodução
“Trabalho diariamente com Enem há 7 anos e reconheço, de cara, quando a redação veio desses ‘modelos’. É uma receita de bolo. Em geral, esses alunos começam o texto falando da Constituição e terminam responsabilizando o poder público pelo problema. Dá para identificar na hora”, diz Felipe da Costa Rico, professor do cursinho Redação Nota 1.000.
✏️Do ponto de vista pedagógico, é um desastre, afirmam especialistas ouvidos pelo g1. Normalmente, os alunos:
não desenvolvem a habilidade de argumentação e de articulação de ideias;
chegam à faculdade sem conseguir escrever um artigo simples;
prestam outros vestibulares, que exigem redações diferentes (como o da Unicamp ou da Fuvest), e ficam "travados";
têm dificuldade de adaptar os modelos, dependendo do tema, e acabam produzindo um texto sem coerência.
📢Por outro lado, os atuais critérios de correção do Enem valorizam mais o formato da dissertação do que a profundidade dos argumentos, na opinião de professores. Isso acaba incentivando os candidatos a comprar “fórmulas prontas” ou a procurá-las gratuitamente em e-books e nas redes sociais.
Além disso, não há, nas regras do Inep, uma penalização prevista caso dois ou mais estudantes entreguem textos basicamente iguais.
“Não é raro encontrar redações nota mil que não têm conteúdo aprofundado. Mas, como trazem uma estrutura correta e desenvolvem minimamente uma ideia, são bem avaliadas”, diz Thiago Braga, professor de língua portuguesa do Colégio pH (RJ).
“Infelizmente, percebemos que o Enem criou uma fórmula que, se seguida minimamente, traz uma boa nota. É triste constatar que textos com bons argumentos podem receber notas menores, só porque não estão nesse formato ‘formulaico’.”
➡️Ao g1, o Inep afirma que "o critério 'criatividade' não é objeto de avaliação do exame, pois não faz parte do construto julgado na prova de redação". Diz também que os textos dissertativos "possuem um rol limitado de características formais. Eventualmente, isso pode motivar atividades didáticas que visem ao domínio de tais características".
Mais abaixo, leia sobre:
os motivos pelos quais os alunos recorrem aos modelos pré-prontos;
os riscos de seguir essa tática;
a forma mais indicada de se preparar para a redação.
🖨️Por que os alunos recorrem aos modelos pré-prontos?
As principais razões são:
busca por uma solução mais rápida e imediata, quando comparada ao método tradicional de estudos;
dificuldade de alcançar um bom desempenho em redações originais;
tentativa de poupar tempo no dia da prova, para dedicar mais atenção às 90 questões.
Em Primavera do Leste (MT), o estudante Luiz Henrique, de 18 anos, usará um desses modelos no Enem 2024, para disputar uma vaga em administração.
“Peguei [o ‘molde’] com a minha amiga; ela achou na Internet. [Essa estratégia] acaba me ajudando a ter uma base para o texto, porque geralmente não vou bem na conclusão da redação”, diz. “Mas meu sonho é prestar medicina. Aí, em curso concorrido, acho que os modelos não dariam certo.”
Vamos testar como ficaria o último parágrafo da dissertação no Enem 2023, usando como base uma dessas “receitas”:
Molde: A fim de solucionar esse empasse [o certo é “impasse”; a palavra estava escrita de maneira errada no modelo], é necessária a mobilização de certos agentes implicados em (problema social). Portanto, o (agente) deve (ação), por intermédio de (meio/modo), com (detalhamento). Como resultado dessa nova perspectiva, (indicar o que se realizaria – finalidade).
Preenchendo as lacunas com ideias simples (e corrigindo o erro de português):
Molde preenchido: A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de certos agentes implicados na invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil". Portanto, o governo deve elaborar um programa de conscientização, por intermédio da imprensa e das redes sociais, com mensagens a respeito da importância da igualdade de gênero na divisão de tarefas. Como resultado dessa nova perspectiva, mães e esposas poderiam se sentir menos sobrecarregadas e mais valorizadas.
Perceba que o modelo pode até ajudar o aluno a não esquecer os elementos obrigatórios da conclusão (ação, agente, meio de execução, finalidade e detalhamento).
📢Mas de nada adiantará memorizar esse parágrafo caso o candidato não retome a tese que desenvolveu (ou deveria ter desenvolvido) ao longo do texto. Ele também deverá formular uma proposta que respeite os direitos humanos e que tenha relação direta com o tema. E, sem corrigir o erro de ortografia, poderia ainda ter sido penalizado na competência 1 (“Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa”).
📈Quais os riscos de usar os modelos?
1- O tema pode não se encaixar.
Copiar apenas o molde da conclusão, como Luiz pretende fazer, traz riscos menores do que memorizar um texto pré-pronto inteiro.
Maria Eduarda Dal Pozzo, de Guarapuava (PR), decorou um desses modelos completos para o Enem do ano passado… e ficou decepcionada com a sua nota: 680.
“Levei um baque. Não adiantou nada ter usado essa estratégia, porque faltava a argumentação. O tema não se encaixava. Para este ano, preferi fazer aulas de redação e estudar a estrutura do Enem, sem decorar nada. Já melhorei muito e consegui criar um repertório”, conta a jovem.
Na prova, é esperado que o aluno demonstre referências socioculturais e cite, por exemplo, filósofos, filmes, livros, séries ou documentários ao longo de seu texto. E nem sempre o modelo pré-pronto trará exemplos que tenham alguma conexão com o tema daquele ano.
“O candidato acaba usando Platão para falar de violência contra a mulher ou de inserção de surdos na sociedade. Não adianta: precisa ter a ver com o assunto cobrado. Se não for algo pertinente, vai haver penalização na competência 2 [que avalia a mobilização do repertório para a construção da argumentação]”, afirma Renato Fonseca, professor de redação do Cursinho da Poli (SP).
Outro teste, com base em mais um modelo pré-pronto:
Modelo pré-pronto vendido na internet
Reprodução
"De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, o Governo deve operar tendo como objetivo o bem universal. Entretanto, é notório que, no Brasil, ___a democratização do acesso ao cinema no Brasil (tema do Enem 2019) ___ rompe com essa paridade, uma vez que prejudica o avanço social brasileiro e afeta a população no dia a dia."
Perceba que o aluno que não fizesse os devidos ajustes escreveria, sem querer, que a democratização prejudica o avanço social brasileiro.
➡️Observação: Os próprios temas têm sido mais complexos nos últimos anos — em 2013, os alunos tiveram de escrever sobre os efeitos da Lei Seca; em 2023, sobre os “desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
“É uma forma de criar um filtro e superar essas fórmulas prontas, para avaliar a competência argumentativa do aluno”, diz Fonseca.
2- O aluno deixa de mostrar seus próprios argumentos e fica “preso” ao que decorou.
No parágrafo citado mais acima, mencionando Maquiavel, é bem possível que o estudante fosse capaz de apresentar uma introdução mais coerente do que a que ele memorizou — ainda mais se considerarmos que o acesso ao cinema é um tema relativamente simples e próximo à realidade dos jovens.
“Nas redações de quem usou modelo, as ideias que ficam no início de cada parágrafo estão desconectadas do restante das ideias. É a principal evidência [de que houve cópia]”, diz Felipe Braga.
3- O candidato esquece uma parte do que memorizou e fica desestabilizado emocionalmente.
Nas redes sociais, a pouco mais de uma semana do Enem, há dezenas de estudantes postando frases como:
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Se eles não se lembrarem do que memorizaram — e convenhamos que não é fácil decorar 30 linhas escritas por outra pessoa —, podem simplesmente “travar”. É preciso dominar a estrutura básica da dissertação e saber, por exemplo, que tipo de conteúdo deve aparecer em cada parágrafo.
Quem redigiu (de verdade) uma redação por mês, ao longo deste semestre, dificilmente esquecerá como fazer uma introdução nos padrões do Enem. A “decoreba” é sempre mais arriscada.
4- O resultado nas redações de outros vestibulares é muito ruim.
Cada processo seletivo tem seus próprios critérios de avaliação. O que serve para o Enem não se encaixa no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) ou da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo.
Se o candidato estudar as estratégias de argumentação, desenvolver seu vocabulário, reforçar o repertório sociocultural e ficar bem informado a respeito do formato de cada prova, conseguirá demonstrar suas habilidades em todas as avaliações.
🤔O que fazer?
“A escrita de um texto não é uma ciência exata em que se aplica uma fórmula. Sempre vai ter de alterar algo no modelo, dependendo do tema”, explica Felipe Rico. “Por isso, é mais importante aprender a relacionar ideias e pesquisar sobre um assunto.”
Foque, portanto, em:
memorizar a estrutura geral de uma redação do Enem (quantos parágrafos, quais as partes essenciais), e não o texto corrido, por inteiro;
fortalecer o repertório sociocultural (dá para assistir a séries e filmes ou ler livros e entrevistas) para ter um leque de opções em mente, sem se ater apenas à que estava no modelo pré-pronto;
usar textos nota mil como inspiração, em vez de copiá-los.
Vídeos

De sala de leitura a biblioteca comunitária, conheça histórias que marcam o Dia Nacional do Livro

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo
Reportagem especial do g1 traz depoimentos de pessoas que foram impactadas pela literatura e que geraram transformações no cotidiano em que vivem, em Presidente Prudente (SP). Sala da Escola Estadual Dr. José Foz realiza projetos de incentivo à leitura
Isabela Gomes/g1
Livros grandes, pequenos, físicos, digitais, com diferentes tipos de gramatura, diagramação e capas. Para aqueles que têm o hábito de leitura, termos como esses não assustam, pelo contrário, promovem conexões entre os leitores e discussões sobre os temas.
📱 Participe do Canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
No Dia Nacional do Livro, comemorado em 29 de outubro, o g1 mostra nesta reportagem especial três histórias que envolvem muito mais do que preferências literárias, mas o impacto que a leitura gera na realidade daqueles que se dispõem a experimentar.
Espaço da sala de leitura na Escola Estadual Dr. José Foz, em Presidente Prudente (SP)
Isabela Gomes/g1
Próxima parada: sala de leitura 💡
Autor de um dos livros mais conhecidos do Brasil, “O Picapau Amarelo” (1939), Monteiro Lobato (1882-1948) dizia que “quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele”, e trazendo o pensamento para o contexto dos alunos da Escola Estadual Dr. José Foz, na Vila Marcondes, em Presidente Prudente (SP), pode-se dizer que os estudantes “quase” vivem a frase na prática, mas ao invés de morar em um castelo, passam grande parte do tempo na sala de leitura.
O espaço literário da instituição é coordenado pela professora Tânia Neves, de 53 anos, que promove projetos e desenvolve a leitura de forma leve e divertida com os acadêmicos.
Professora Tânia Neves realiza projetos de leitura na Escola Estadual Dr. José Foz
Isabela Gomes/g1
Segundo Tânia, iniciativas como roda de leitura, clube do livro, passeios no Centro Cultural Matarazzo, bate-papo com autores, teatros e até competições já foram realizadas na escola, gerando resultados e memórias na vida daqueles que participaram.
“A ideia dos projetos surgiu através de parcerias com o Centro Cultural Matarazzo e também dos alunos, dependendo da obra que era feita, eles eram os próprios protagonistas e se prontificavam a fazer o que fosse preciso dependendo do tema da obra. Eu sou apenas a mediadora, o restante eles que fazem, e são tantas ideias criativas que saem da cabeça deles”, destacou.
Bate-papo com a contadora de histórias Rita de Cássia Nespoli
Cedida
“Uma lembrança que me marcou foi em 2017, quando nós ganhamos o primeiro lugar no projeto de rádio novela (confira a gravação aqui), competindo com sete diretorias participantes do Estado de São Paulo. Todos nós fizemos com muito amor e dedicação, saiu muito além do que estávamos imaginando”, exemplificou.
Alunos da Escola Estadual Dr. José Foz ao lado do autor Ricardo Azevedo
Cedida
“Os livros têm uma importância inestimável na nossa vida, oferecendo benefícios que se estendem além da simples aquisição de conhecimento. Os livros são portais para novos mundos, ideias e perspectivas, enriquecendo nossa vida intelectual, emocional e social, e aqui na sala de leitura não é diferente”, concluiu ao g1.
Alunos da Escola Estadual Dr. José Foz participam de projeto no Centro Cultural Matarazzo
Cedida
Leitura também é cultura 🎭
A publicitária e fotógrafa Sarah Campos Bratfisch, de 23 anos, foi uma das alunas de Tânia e fez parte dos primeiros projetos da sala de leitura. Desde a 5ª série do ensino fundamental até o 1º ano do ensino médio, a profissional recorda dos momentos em que viveu ao lado dos amigos e da diferença que os livros fizeram na vida dela.
“A sala de leitura foi um lugar muito acolhedor, um espaço em que eu e meus amigos íamos no intervalo, depois de comer, aí a gente descia lá, pegava alguns livros e ficava conversando com a Tânia. Depois que reformaram, colocaram novas prateleiras, pintaram e instalaram o ar condicionado, aí que deu vontade de ficar ainda mais lá (risos) ”, relembrou.
Em alusão ao Dia do Índio, alunas participaram de projeto cultural
Cedida
“Todas as atividades que tinham na escola e que a Tânia me pedia para fazer, desde me vestir de índia, como no Dia do Índio, até fazer alguma apresentação de Emília sobre as histórias de Lobato, eu sempre participava e gostava de ajudar. Hoje me vejo e penso sobre como consegui fazer tanta coisa, tenho muita saudade daquela época”, explicou ao g1.
“Eu sempre tive o hábito de ler gibis, e na escola eu tinha a oportunidade de pegar livros que ainda não conhecia emprestado. Outro lugar que também me incentivou na leitura foi a biblioteca do Centro Cultural Matarazzo, nossa, eu peguei muitos livros lá, devolvia e pegava mais”, pontuou.
Alunos realizavam apresentações sobre os livros do autor Monteiro Lobato nas salas de aulas
Cedida
“Hoje em dia, eu continuo gostando de ler. tenho meus livros em casa e acredito que o gosto pela leitura veio por meio da sala de leitura e de todo o incentivo que eu tive, foi o pontapé para que agora na vida adulta eu pudesse ler cada vez mais”, finalizou.
Sarah Campos, na ponta do lado direito, vestida da personagem Emília, na Escola Estadual Dr. José Foz
Cedida
Virando a página 📖
Os livros possuem chaves que abrem portas aos leitores. Nem sempre o acesso ao destino é imediato, porém, ao longo da história e, com uma dose de criatividade, o leitor começa a imaginar como seria, por exemplo, estar no lugar exato da narrativa, vivenciando as situações da trama e participando de todo o contexto literário.
Escritor mirim Eduardo Silva Muraro, de 12 anos, possui três obras infantis lançadas
Cedida
Para o escritor mirim Eduardo Silva Muraro, de 12 anos, a leitura já lhe possibilitou chegar a muitos lugares imaginários, inclusive até a lua, em que estava acompanhado de uma cachorrinha aventureira que desbravava o espaço e que, posteriormente, virou tema de uma das obras autorais dele.
Responsável pela escrita de três livros que envolvem muita aventura, diversão e conscientização, a criança descobriu na leitura o prazer de passar o tempo desenvolvendo a criatividade e o aprendizado.
Eduardo, de 12 anos, no evento de lançamento do primeiro livro ao lado dos pais
Cedida
“Para mim, os livros são muito importantes, me ajudam a ter mais ideias no meu dia a dia. Já li diversas obras, mas a minha favorita (além das que eu mesmo escrevi) se chama ‘A noite do meteoro’ (2021), gosto bastante”, ressaltou Eduardo.
O escritor mirim diz que a sensação de ter escrito três livros é de felicidade e que, durante o processo de tratamento do câncer da mãe, Juliane Muraro, de 45 anos, a leitura faz com que ele consiga enxergar a vida de uma forma especial, e que quando ele lê para um livro para ela, a mãe fica muito animada.
De sala de leitura a biblioteca comunitária, histórias marcam o Dia Nacional do Livro
Cedida
“Eu acredito que a leitura é essencial para a educação do Eduardo, ajuda a estimular sua curiosidade, expandir seu vocabulário e desenvolver sua criatividade. Desde pequeno, ele sempre gostou de ouvir histórias, então, os livros sempre estiveram presentes na sua vida, principalmente nas famosas leituras na hora de dormir, que ocorriam repetidas vezes em casa”, afirmou Juliane ao g1.
Biblioteca Comunitária 📚
Além do incentivo que Juliane oferece para Eduardo na escrita dos livros, a doutora em educação é uma das responsáveis pela organização da Biblioteca Comunitária no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, localizada no Centro de Uso Comunitário.
A sala conta com um acervo com mais de dois mil livros e possui capacidade para atender 25 crianças por vez.
Evento infantil na Biblioteca Comunitária, em Presidente Prudente (SP).
Cedida
“O acervo literário atende todas as faixas etárias, nas categorias literatura infantil, infantojuvenil, literatura brasileira, conhecimentos gerais, educação, autocuidado, religioso, enciclopédias, entre muitas outras”, exclamou.
“Há cinco anos, fui chamada para ajudar com os livros no Centro Comunitário, porém, naquele momento não tinha tempo para me dedicar ao projeto voluntário. Recentemente, tive a oportunidade de escrever um projeto para a Secretaria de Cultura do município, no qual fui contemplada pelo edital da Lei Paulo Gustavo e foi possível receber um recurso para viabilizar a instalação da biblioteca”, detalhou.
“O projeto da biblioteca é embrionário. Ainda não é possível realizar empréstimo de livros, pois é preciso fazer todo processo de catalogação do acervo primeiro, porém, pretendemos realizar ações com as crianças e o público que for atender com contação de histórias, clube do livro, oficinas e cursos livres com instituições parceiras”, finalizou.
Biblioteca Comunitária fica localizada no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, em Presidente Prudente (SP)
Cedida
Biblioteca Comunitária fica localizada no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, em Presidente Prudente (SP)
Cedida
VÍDEOS: Tudo sobre a região de Presidente Prudente
VÍDEOS: Tudo sobre a região de Presidente Prudente| em G1 / SP / Presidente Prudente e Região
Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região.

Vestibular 2025: entenda por que começar pela redação é uma boa estratégia e como se preparar

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo
Professor orienta candidatos que vão prestar segunda fase da Unicamp e Enem e dá dicas para um texto 'nota 10'. Especialista também dá dicas de temas que podem ser abordados neste ano. Redação do Enem é aplicada no primeiro dia de provas
Agência Brasil
A redação do vestibular figura lugar importante na ansiedade dos estudantes. Além do peso da nota, a atenção exigida leva a um preparo que, muitas vezes, ocupa bastante espaço no cronograma de estudos ao longo do ano. Mas, e na hora da prova, como se organizar para ir bem nessa avaliação?
Para o professor de literatura e redação do colégio oficina do estudante, Kauan Taiar Schiavon, uma boa estratégia é, justamente, começar pela redação. Com a cabeça fresca, isso ajuda o candidato a entregar um texto melhor pensado, estruturado e revisado.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
"Ao iniciar pela redação, o aluno tem a possibilidade de pensar sua tese, pensar as referências que gostaria de trazer, fazer um rascunho e, antes de passar o gabarito da prova, ele revisa e passa seu texto a limpo, fazendo as correções gramaticais necessárias", explica.
Além da dica geral de começar as provas pela redação, o professor orienta ainda sobre como os candidatos devem elaborar cada texto, pois as provocações de escrita da Unicamp e do Enem seguem caminhos bem diferentes e os alunos devem estar atentos a cada proposta para acertar a caneta no alvo. Confira abaixo o que ele diz.
📅 Neste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorre nos dias 3 e 10 de novembro, sendo que a redação será aplicada no primeiro final de semana. Já a segunda fase da Unicamp será em 1º e 2 de dezembro.
LEIA TAMBÉM:
Química, geografia e biologia: o que estudar sobre garimpo ilegal e terras indígenas para o vestibular
Redação do Enem
"O Enem pede uma dissertação quase sempre relacionada a um problema social. Por isso, o aluno deve pensar nas causas e consequências daquele tema, trabalhar com dois argumentos, sempre, e principalmente trazer a sua proposta de intervenção no texto. Ou seja, o aluno deve trazer a solução para os problemas que ele apresentou ali no texto no final, na conclusão".
Redação da Unicamp
"Na prova de redação da Unicamp, a grande questão é o gênero, o tipo de texto exigido que pode ser crônica, carta, discurso etc. Então, o candidato deve escrever com os elementos presentes nesse gênero. Se for um discurso, por exemplo, ele deve colocar no início algo como, 'boa tarde a todos'. Essa marca é importante para sinalizar que o candidato entendeu a proposta de gênero exigida".
O professor ressalta ainda que o aluno deve se certificar de que cumpriu as tarefas exigidas na redação e que fez uso das referências obrigatórias. "Começar pela redação ajuda também nessa organização, para saber se os itens das tarefas foram cumpridos e a destacar as partes dos trechos de leitura que o aluno deseja incluir na sua redação, atendendo a exigência da prova".
O professor completa dizendo ainda que "nos dois casos, tanto no Enem quanto na Unicamp, é essencial que o aluno apresente um texto autoral, real, que seja pensado e feito por ele, sem se apegar a modelos prontos ou cópias".
Quais temas podem cair nas redações do Enem e da Unicamp?
A pedido do g1, Kauan também compartilhou algumas apostas de temas que podem ser abordados nas redações desse ano e que merecem atenção especial dos candidatos. Confira a seguir:
Meio ambiente e eventos climáticos (enchentes, queimadas e os impactos sociais das tragédias ambientais);
Tecnologia e inteligência artificial (cidadania digital e impactos na educação e nas relações familiares);
Criminalização do bullying e do cyberbullying (causas e consequências da criminalização);
Fome (Brasil e seu paradoxo por ser um dos países que mais desperdiça comida e um dos países onde mais pessoas passam fome);
Saúde mental (relação entre ansiedade e mercado de trabalho).
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Estudante aprovada em medicina e que tirou nota mil na redação do Enem ensina como estudar em casa: ‘foco e determinação’

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo
Maitê Maria estudou por quatro anos até passar no curso dos sonhos em duas universidades federais. A jovem conta quais os métodos e atividades que a levaram à aprovação. Maitê Maria, estudante de medicina que tirou nota mil na redação após estudar em casa
Maitê Maria / Arquivo pessoal
Maitê Maria estudou durante quatro anos até ser aprovada em medicina, o curso dos sonhos dela. Parte dessa preparação, que inclusive a fez alcançar nota mil na redação do Enem, aconteceu em casa. Por isso, g1 conversou com a estudante, que dá dicas para quem que estuda da mesma forma.
Ao longo dessa jornada, a jovem, de 23 anos, foi aprovada para medicina por meio do Sistema de Seleção Unificada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde estuda atualmente. Confira abaixo as dicas e conselhos que ela dá:
Como organizar o tempo para estudar ⏳
Um dos passos mais importantes dos estudos de Maitê para o Enem foi a organização do tempo.
“Criei meu próprio horário, no qual distribuí as matérias conforme o tempo que eu tinha disponível”.
Para fazer essa distribuição da melhor forma, a jovem se baseava em três fatores:
A relevância de cada disciplina para o exame;
A quantidade de conteúdos que precisavam ser estudados;
Na dificuldade sentida em cada assunto.
Outro elemento essencial nesse processo foi intercalar os momentos de estudo com pausas para o descanso e também para a prática de exercícios físicos. O tempo para essas atividades precisa ser priorizados já no planejamento do estudante.
Treinar redação 📝
A futura médica costumava escrever pelo menos uma redação por semana. Essa produção era feita sempre no início da semana para que ela evitasse procrastinar e desistir do treino de produção textual.
“A escrita semanal de redações é de fundamental importância, pois além de favorecer o desenvolvimento de habilidades importantes para a escrita, nos deixa mais confiantes e minimiza a chance de desvios”.
Foi assim que a estudante alcançou nota máxima na prova de redação do Enem 2021, que teve como tema “invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”.
PRA SE DAR BEM: 5 citações de Zygmunt Bauman para a redação do Enem 📝
Na hora da prova, a paraibana recorreu à ajuda do “conhecimento de mundo”, do que foi “aprendendo ao longo da vida”. Por isso, acredita que, para a redação, a bagagem cultural conta muito.
Com o que sabia, ela resolveu dissertar sobre as questões burocráticas para se conseguir um registro civil e ainda a respeito da indiferença social em relação a essas questões.
Os métodos certos para cada um ✏️
De segunda a sexta-feira, a jovem estudava todo o conteúdo que precisava. Já o fim de semana, ficava reservado para simulados e outras estratégias de revisão.
“No meu último ano de preparação foquei bastante da resolução de questões e, principalmente, na correção dos meus erros. Além disso, como a preparação para o Enem é extensa, a revisão e a realização de simulados e de provas antigas são indispensáveis”.
ENEM 2024: saiba tudo sobre o exame 🤓
Por outro lado, Maitê alerta que os métodos de estudos são individuais. Sendo assim, o que foi melhor para ela, pode não ser para outro estudante e vice versa.
“A realidade de cada estudante é única. Logo, cada um se adaptará a uma metodologia distinta”.
Descansar é obrigatório 💤
“Descanso e lazer, assim como a prática de atividades físicas, não deveriam ser opcionais, mas sim partes constituintes da rotina de estudos para o Enem”. É assim que a paraibana define a necessidade de destinar tempo para o descanso.
Maitê aprendeu que essas práticas ajudam na manutenção da saúde física e mental. No último ano de preparação, por exemplo, ela reservou um dia da semana inteiramente livre para o descanso e para se organizar para a nova semana de estudos que se iniciaria.
Diminuir o ritmo na reta final de estudos 🚩
A jovem costumava estudar 10 horas por dia. Esse tempo era intercalado com os momentos de descanso. Mas na reta final de preparação para a prova, ela diminuiu o ritmo para garantir o bem-estar físico e mental.
Evitar distrações 📵
Para que quem está se preparando para o Enem 2024 se dê bem nos estudos e nas provas, a recomendação de Maitê é que cada um evite distrações, peça a compreensão das pessoas que moram na mesma casa e foque no objetivo que é a aprovação.
“Foco e determinação nos seus sonhos, pois só você pode lutar por eles e, independentemente de tudo, o conhecimento é uma das poucas coisas que ninguém pode tirar de nós”.
Maitê Maria em atividades do curso de medicina na UFPB
Maitê Maria / Arquivo pessoal
Estudar em casa: desafios x facilidades
No início, a agora estudante de medicina pensou que não se adaptaria aos estudos em casa. Porém, com o tempo, percebeu que essa foi a melhor escolha que fez.
“A melhor parte com certeza é a comodidade e a flexibilidade. Não precisar me locomover de um lugar para o outro, não enfrentar trânsito, tudo isso possibilitou a otimização do meu tempo. Além disso, tive a oportunidade de estar mais próxima a minha família, o que tornou minha rotina mais leve”.
Já como lado negativo desse tipo de preparação, a jovem destacou que estudar em casa exige mais foco e determinação por conta de uma maior possibilidade de distrações. Além disso, também é necessário contar com a colaboração da família em quesitos como o barulho, exemplo.
Aprovação em medicina: ‘muitas foram as lições para a minha vida’
Maitê está no 4º período de medicina. O curso tem sido intenso e exigido muito dela, assim como já imaginava.
“Ainda assim, nesses dois anos de curso inúmeros foram os aprendizados teóricos, mas também muitas foram as lições para a vida”.
A jovem escolheu estudar medicina para ajudar as pessoas. Ela acredita que as profissões, com suas particularidades, têm o poder de ajudar. Mas foi com essa área que ela sempre se identificou.
“Era aquilo que Deus havia claramente colocado em meu coração, não havia outro caminho”, concluiu.
Conheça também a história de irmãs gêmeas que estão se preparando para o Enem 2024. Elas dividem toda a rotina de estudos, tiram notas iguais, mas escolheram disputar vagas em cursos diferentes.
Irmãs gêmeas apostam na união para se preparar para as provas do Enem
VÍDEOS: Lá Vem o Enem 2024

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo

Estudantes brancos apresentam melhores notas do que colegas negros em Português e Matemática, aponta estudo
Levantamento do Observatório da Branquitude foi feito com base nos resultados que alunos do 9º ano tiveram no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2023. Testes são aplicados a cada dois anos nas redes pública e privada. Alunos da rede estadual de de SP
Reprodução/Governo de SP
Alunos da rede estadual de de SP
Reprodução/Governo de SP
Um estudo publicado nesta terça-feira (29) pelo Observatório da Branquitude mostrou que estudantes brancos, tanto meninos quanto meninas, obtiveram melhores notas em português e matemática em comparação aos colegas negros no Brasil.
O levantamento foi feito com base nos resultados que alunos do 9º ano tiveram no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2023. Os testes são aplicados a cada dois anos nas redes pública e privada.
Segundo Nayara Melo, pesquisadora do observatório, alguns pontos podem explicar as diferenças de desempenho entre meninos e meninas. “Tanto o gênero quanto a raça configuram variáveis de peso na distribuição destas médias. Perceber que há disciplinas que são mais mobilizadas para determinados gêneros mostra desigualdades de ocupação em determinadas áreas, o que se reflete também na ocupação por raça e cor".
Abaixo, confira os números em cada área de conhecimento:
Língua Portuguesa: meninas brancas lideram
Na área de Língua Portuguesa, a pesquisa revela que meninas brancas apresentam o melhor desempenho na média nacional. As meninas negras ocupam a segunda posição, com exceção dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, onde meninos brancos superaram as notas das meninas negras.
Já os meninos negros foram os que tiveram as médias mais baixas, acima apenas da média geral de cada estado, exceto no Distrito Federal, onde ficaram abaixo da média distrital.
Média da nota de Português no Saeb por raça/cor e gênero no Brasil
Média da nota de Língua Portuguesa no Saeb por raça/cor e gênero no Brasil
Observatório da Branquitude
Matemática: liderança de meninos brancos
Em Matemática, a liderança fica majoritariamente com os meninos brancos, que apresentam os melhores desempenhos na maioria dos estados, com exceção de Alagoas, onde meninos negros obtiveram as melhores notas.
Nesse disciplina, meninos negros têm o segundo melhor desempenho na maioria dos estados, seguidos por meninas brancas e meninas negras.
As exceções são os estados de Roraima e Tocantins, onde meninas brancas obtiveram o segundo lugar, ficando à frente dos meninos negros e das meninas negras.
Média da nota de Matemática no Saeb por raça/cor e gênero no Brasil
Média da nota de Matemática no Saeb por raça/cor e gênero no Brasil
Observatório da Branquitude