Enem 2024: quando sai o gabarito oficial? E o resultado com as notas finais?

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
Exame serve como porta de acesso ao ensino superior, por meio de programas como Sisu, Prouni e Fies. Gabarito Enem
Reprodução
Os gabaritos oficiais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 serão divulgados em 20 de novembro (próxima quarta-feira) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Eles mostrarão as respostas consideradas corretas das quatro provas (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática).
✏️Até lá, você pode consultar a CORREÇÃO EXTRAOFICIAL do g1, elaborada em parceria com professores do Curso Anglo (SP).
Mas é preciso lembrar que o Enem é corrigido pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), método "antichute" que avalia a coerência no desempenho dos candidatos. Se eles acertarem as questões consideradas "difíceis" e errarem as "fáceis", o sistema atribuirá menos pontos na soma total.
Ou seja: você pode conferir seu número de acertos pelo gabarito, mas só saberá a nota final do Enem (tanto da prova objetiva quanto da redação) em 13 de janeiro, quando os boletins forem divulgados.
🗓️ Datas das provas
3 de novembro (último domingo)
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
10 de novembro (próximo domingo)
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
🖋️ O que levar no dia da prova
RG ou outro documento oficial com foto (documentos digitais também são válidos);
Álcool em gel;
Máscara de proteção facial (só não é obrigatória em locais que liberaram o uso em ambientes fechados);
Caneta esferográfica transparente com tinta na cor preta (leve pelo menos duas para o caso de uma falhar);
Cartão de confirmação de inscrição;
Lanche (ideal é levar alimentos que deem energia, como chocolates, castanhas e barras de cereal) e água em garrafa transparente (a embalagem não deve ter rótulo). O lanche poderá ser vistoriado pelo fiscal de sala.
Dica: Como são cinco horas de exame, é recomendado que o candidato vá com uma roupa confortável e com calçados que não o apertem.
Exemplos de documentos digitais de identificação que serão aceitos pelo Inep: e-Título, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital e RG Digital. O candidato deve apresentar o aplicativo oficial ao fiscal — capturas de tela não serão válidas. Após a entrada na sala de aula, o uso do celular continuará vetado.
Horários de aplicação (no fuso de Brasília)
Portões abrem às: 12h
Portões fecham às: 13h
Prova começa às: 13h30
Aplicação da prova no 1º dia acaba às: 19h
Aplicação da prova no 2º dia acaba às: 18h30
O candidato só deixa o local de aplicação com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos que antecedem o término da prova.
Vídeos

Enem 2024: macetes de matemática ensinados no TikTok podem induzir aluno ao erro; veja quais funcionam e quais são ‘ciladas’

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
A pedido do g1, professores de matemática analisaram técnicas ensinadas nas redes sociais e explicaram o que, de fato, pode ajudar candidatos a pouparem tempo na prova. Veja se macetes de matemática realmente ajudam no Enem
"Seu professor não ensinou isto na escola; aprenda!", "Veja essa magia da matemática!", "Não sabe resolver frações? Tente isto aqui!". A poucos dias da 2ª etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024, ouvir essas promessas nas redes sociais dá até uma esperança de melhorar seu desempenho na prova de exatas, certo?
O problema é que alguns vídeos — com milhares de visualizações — estão matematicamente errados ou funcionam apenas em casos muito específicos.
"É um desserviço danado, que vai atrapalhar candidatos que já estão tensos", diz Fellipe Rossi, professor do Colégio ao Cubo (RJ). Ele recomenda que o aluno:
✏️teste se o macete funciona com outros números, além daqueles que aparecem na gravação;
👨‍🏫 confirme com um docente se realmente pode ser uma boa tática de resolução.
Abaixo, veja a análise de cinco "truques" ensinados no TikTok e descubra quais podem realmente ajudar o estudante (e quais são ciladas completas). No fim da reportagem, confira um bônus com duas maneiras (corretas!) de agilizar contas que envolvem o número 5.
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1 – Multiplicação de dois algarismos mais rápida — será?
Veja se macete para multiplicação de 2 algarismos realmente ajuda no Enem
Um vídeo com mais de 17 mil curtidas no TikTok busca ensinar um jeito mais rápido de fazer multiplicação (veja no vídeo acima).
⛔Funciona? Só em casos específicos, quando a primeira multiplicação do processo (unidade do número de cima x unidade do número de baixo) dá um resultado de "uma casa" só.
Por exemplo: ao tentar fazer a conta 16 x 12 por meio do macete, o candidato precisaria começar multiplicando 6 por 2. O resultado seria 12 (dois algarismos). Em um caso assim, o "truque" só funcionaria se fosse adaptado.
"De forma geral, esses macetes dão certo só em situações extremamente específicas. Quando a gente tenta transpor para outra conta, já encontra problemas", diz Leonardo Cavalcante, professor de matemática da equipe da UpMat Educacional.
"O estudante precisa inserir um novo mecanismo [que não é citado no vídeo] e transferir o número para a dezena — e provavelmente não vai fazer isso, por falta de conhecimento. Vai acabar errando."
2 – Raiz quadrada na 'magia da matemática'? Furada total
Veja se macete para raiz quadrada realmente ajuda no Enem
❌Atenção! O vídeo acima, que ensina um "truque" para calcular raízes quadradas, é uma furada, explicam os professores ouvidos pelo g1. E olhem o perigo: até a última atualização desta reportagem, já havia quase 100 mil curtidas.
É bem simples de descobrir que não dá certo. Basta testar com outros exemplos que não estão no vídeo, como √144. Pela técnica ensinada na rede social, faríamos: 1 + 4 + 4 = 9. Depois, 9 – 2 = 7. Só que a raiz quadrada de 144 é 12 (e não 7).
Outra prova de que não funciona: √36. Vamos lá: 3 + 6 = 9. 9 – 2 = 7. E a raiz quadrada de 36 é 6.
"É preciso desconfiar de tudo o que parece muito incrível", afirma Rossi. Ficou realmente em dúvida? Pergunte ao seu professor.
3 – Subtração 'sem pegar emprestado': dica que funciona
Veja se macete para subtração realmente ajuda no Enem
✅A técnica ensinada no vídeo acima é matematicamente correta e busca ajudar o aluno a não precisar "pegar emprestado" nas contas de subtração. Por exemplo: se você fosse resolver a conta "1854 – 569", começaria calculando quanto falta para o 9 chegar até o 4. Caso não saiba lidar com isso, pode tentar seguir a dica das redes sociais e alterar os números, de forma que o resultado continue o mesmo.
Pontos de atenção:
Só dá certo em subtrações. Nada de tentar com adição!
Em alguns casos, fazer a "manobra" de mudar os números, como ensina o vídeo, pode acabar dando ainda mais trabalho do que a conta original.
"É bem bacana ajudar o aluno a pensar nessas formas de flexibilizar os números. Pode auxiliar nas habilidades de contas mentais", diz o professor Leonardo.
4 – Técnica da borboleta: funciona, mas não é tão inovadora assim
Veja se macete para fração realmente ajuda no Enem
✅No procedimento tradicional de resolver uma soma de frações, aprendemos sempre a fazer o "mínimo múltiplo comum", o famoso "MMC". O macete da borboleta, ensinado no vídeo acima, usa exatamente o mesmo princípio, mas com outra representação.
"Esse desenho cruzado, que parece a borboletinha, torna o mecanismo mais intuitivo. Mas, dependendo da conta, pode acabar levantando mais tempo do que a forma tradicional", explica o professor Leonardo.
Veja o exemplo abaixo: a "borboleta" exige mais cálculos. A decisão é do aluno: com qual jeito você se sente mais à vontade?
Qual técnica é mais simples para você? Borboleta ou MMC?
Arte/g1
5 – Multiplicação com números repetidos: só em casos muito pontuais
Veja se macete para multiplicação com números iguais realmente ajuda no Enem
O vídeo (veja acima) "joga limpo" e deixa claro que o truque só funciona em um caso muito específico: quando multiplicamos números de dois algarismos iguais (11, 22, 33 etc.) por um outro número de apenas um dígito.
⛔É preciso ficar atento: não tente reproduzir essa estratégia em outras situações, ok?
Bônus: dois macetes do número 5
O professor Fellipe Rossi ensina, no vídeo abaixo, dois macetes que podem ajudar o candidato a ganhar tempo no Enem quando tiver de:
elevar ao quadrado um número terminado em 5;
dividir qualquer número por 5.
Professor ensina duas maneiras de ganhar tempo em exatas no Enem
Esta reportagem foi originalmente publicada em outubro de 2023.
Outros vídeos

Enem 2024: professor explica se vale a pena decorar fórmulas para as provas de exatas

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
No segundo dia de provas, marcado para esse domingo (10), os candidatos encaram questões de matemática e ciências da natureza. Calculadora; empresa; gastos; dinheiro
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O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está marcado para este domingo (10), com a abertura dos portões ao meio-dia. Dessa vez, os candidatos precisam resolver questões de exatas, nas áreas de matemática, que envolvem raciocínio lógico e cálculos, e de ciências da natureza, com questões de física, química e biologia.
🔢 Cada uma das áreas conta com 45 perguntas, totalizando 90 questões de múltipla escolha, que devem ser respondidas até as 18h30. Será que, diante do desafio dos números e do tempo, vale a pena decorar fórmulas? O coordenador do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, Ricardo Marcio, respondeu ao g1.
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“Não vale a pena decorar fórmulas se o aluno estiver pensando em memorizá-las sem entender as grandezas envolvidas no conteúdo. Quando falamos do Enem, estamos falando de uma prova contextualizada, com textos mais extensos e com vários fatores a serem considerados na resolução de um problema".
"Então, se você apenas sabe a fórmula, mas não compreende o papel de cada grandeza, de cada elemento, de cada variável envolvida, realmente não vale a pena".
Qual é o melhor caminho?
De acordo com Marcio, no Enem, o aluno não vai encontrar um exercício simples, como por exemplo, ‘calcule a área de um triângulo cuja base é X e a altura é Y’, no qual basta aplicar uma fórmula e pronto. "As questões sempre apresentam um contexto. Então, como relembrar essas fórmulas? Um recado para quem já estudou: não se preocupe em decorar fórmulas por decorar".
"Se você já estudou, o importante é retomar um ou outro exercício dos assuntos mais frequentes no Enem. Ao revisar suas anotações e exercícios, você vai relembrando pontos importantes, o que certamente é uma ótima preparação para a prova", orienta.
Mesmo com o segundo dia do Enem voltado para provas de exatas, a leitura e a interpretação de textos são fundamentais para correta realização do exercício. O coordenador lembra ainda que, especialmente na prova de matemática, o teste costuma trabalhar com problemas contextualizados envolvendo as quatro operações básicas.
O que posso revisar nessa reta final?
Para dar aquela mãozinha para os candidatos, a pedido do g1 Campinas, o coordenador apontou quais os principais assuntos que devem cair nas provas do segundo dia do Enem.
em matemática, proporcionalidade, especialmente porcentagem;
escalas e conversão de unidades;
em geometria plana, revisar áreas de figuras como triângulos, quadriláteros e circunferências;
trigonometria e geometria espacial;
volumes, como cilindros e cones;
sequências numéricas, com progressão aritmética (PA) e progressão geométrica (PG);
problemas com médias: média aritmética e ponderada.
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Horários e tempo de prova no segundo dia do Enem
No segundo dia de provas do Enem, os portões abrem ao meio-dia e fecham às 13h, no horário de Brasília. O início das provas é às 13h30 e o tempo de duração será de cinco horas, com encerramento às 18h30. A saída permitida sem o caderno de questões é a partir das 15h30 e a saída permitida com o caderno de questões, a partir das 18h.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Enem: confira os assuntos que mais caem na prova do segundo dia, com Matemática e Ciências da Natureza

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
Mais de 4,3 milhões de candidatos já fizeram a primeira parte do exame; neste domingo os participantes voltam aos pontos de aplicação para a segunda etapa. Enem 2024 – Domingo (3) – Campinas (SP) – Candidatos e pais precisam se proteger da chuva na Unip após o fim do exame
Pedro Amatuzzi/g1
A segunda prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicada neste domingo (10) em todo o Brasil. Desta vez, os estudantes terão de responder 45 questões de múltipla escolha de Matemática e suas Tecnologias e outras 45 de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (conteúdos de física, química e biologia).
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'Cola' no Enem: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
Na primeira etapa do exame, aplicada no último domingo (3), mais de 4,3 milhões de candidatos responderam questões sobre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias, que compreende História, Geografia, Filosofia e Sociologia; mais a redação, cujo tema foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”.
Embora a prova deste domingo seja de exatas, área que exige cálculos, é fundamental que os estudantes dominem conceitos dos fenômenos para chegar às respostas, de acordo com André Rebelo, coordenador do Ensino Médio do Colégio Vital Brasil.
“Cada dia de provas tem desafios e complexidade diferentes. No primeiro, a presença de textos é grande, exige muita leitura e o aluno ainda precisa escrever a redação. Já no segundo, há os cálculos, mas também requer interpretação de texto para os problemas e é necessário compreender os fenômenos e ter habilidade para relacionar os conceitos”, afirma Rebelo.
Mas quais são os temas mais recorrentes em cada uma das áreas do conhecimento?
🧮Matemática
Do total de 90 questões desta prova, 45 são de Matemática. Rebelo afirma, com base nas edições dos anos anteriores, que cerca 35% do exame deve ser composto por perguntas sobre Matemática Básica, com problemas de aritmética que envolvem regra de três, razão e proporção, e porcentagem.
Estatística descritiva que vai testar a capacidade de os candidatos analisarem gráficos e tabelas também tem incidência no Enem, como lembra Lázaro Divino Assunção, professor de Matemática do Colégio Magno.
Geometria plana e espacial, com conceitos de triângulos, quadriláteros e circunferências, fórmulas de volume e área para prismas, cilindros, cones, pirâmides e esferas costumam ser cobradas na prova.
Os outros temas recorrentes, de acordo com os educadores, são:
álgebra, com equações de primeiro e segundo grau,
e funções; probabilidade e estatística; e análise combinatória.
Além do domínio dos conteúdos, não dá para o candidato fugir da interpretação de texto, pois a prova de Matemática do Enem costuma trazer problemas com enunciados longos que exigem atenção. “Muitas vezes, a dificuldade não está no cálculo. Leia com calma, sublinhe informações importantes e entenda o que a questão realmente pede antes de resolver”, aconselha Jéssica Rama, professora e gestora da área de matemática do Colégio pH.
🌲Biologia
Assuntos ligados às questões ambientais são muito recorrentes na prova de Biologia do Enem. “Encontramos muitos temas ligados aos biomas brasileiros, também coisas relacionadas às agressões impostas pelos seres humanos ao meio ambiente e à utilização de recursos como plástico, uso da água, destinação do lixo. A prova tem uma cara de Biologia de atualidades”, explica Sérgio Cerione, professor de Biologia do Colégio Magno.
Além de ecologia, assunto muito explorado pelo exame, a expectativa é que ele também cobre conhecimentos na área de botânica; bioenergia e fisiologia; citologia, evolução e zoologia, de forma relacionada ao mundo real, contextualizando com tratamento de doenças e descobertas na área da saúde.
“As questões da prova de Ciências da Natureza muitas vezes não envolvem memorização simples de conteúdo. O aluno precisa ser capaz de interpretar gráficos, tabelas, figuras e situações-problema”, explica Joana Cabral, gestora da área de Ciências da Natureza do Colégio pH.
👨‍🔬Física
Tanto em Física como em Química, os conteúdos aparecem mais pulverizados, de acordo com os docentes. Porém, eles consideram que assuntos como:
eletrodinâmica e calorimetria;
termologia;
ondulatória;
cinemática e
óptica terão presença certa neste ano, assim como nas edições anteriores.
“Destacaria assuntos como montagem de circuitos elétricos, correntes, questões que envolvem potência elétrica e consumo de energia e lâmpadas. Em eletromagnetismo, ímãs, força magnética, campo magnético tanto de imãs quanto de fios caíram nas últimas provas”, comenta Wiliam Ramos Mamedio, professor de Física do Colégio Magno.
Em calorimetria, os temas mais comuns no Enem envolvem calor sensível e latente, mudança de estado físico, potência e capacidade térmica, e lei geral dos gases. “Na parte de ondulatória, características das ondas tanto da luz quanto do som e interferência das ondas apareceram nas últimas provas. Em óptica, espelhos e lentes esféricas, os fenômenos da refração e miragens são temas frequentes dos últimos anos”, complementa Mamedio.
⚗️Química
Neste campo, conteúdos que não deixaram de ser cobrados no Enem foram: estequiometria; separação de mistura; moléculas e propriedades; funções orgânicas e reações.
“Em geral, as questões sobre separação de misturas, química ambiental e funções orgânicas são as mais consideradas fáceis e médias e, portanto, é importante que os alunos valorizem esses temas na revisão”, diz Joana.
Consulte as edições anteriores
Os inscritos que faltaram ao primeiro dia de provas não estão impedidos de participar do Enem neste domingo. Se a ausência ocorrer por conta de problemas logísticos ou se o candidato for acometido por alguma doença contagiosa antes do exame, é possível solicitar a reaplicação ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Caso contrário, ao fazer somente um dos dias de provas, o estudante não conseguirá alcançar a pontuação necessária para participar de iniciativas que utilizem o desempenho no exame como critério de seleção, entre elas o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que distribui vagas em instituições públicas de ensino superior, e o Prouni, que concede bolsas de estudo na rede particular.
Para os candidatos que farão o Enem neste domingo, Rebelo destaca que o nível de dificuldade da prova depende das afinidades de cada aluno. O educador espera uma “prova sem surpresas”, assim como foi a primeira, na sua opinião, mas ressalta a importância de o estudante controlar a ansiedade e nervosismo.
“O aluno que fez uma boa prova no primeiro dia vai estar mais tranquilo e confiante agora. Mas se não foi bem, se não atingiu as expectativas, talvez tenha de trabalhar o emocional para chegar mais seguro. Tudo é possível”, diz.
Para isso, a dica é recuperar os exames anteriores disponíveis no site do Inep e resolver os exercícios como teste, o que colabora inclusive para entender como o estudante precisa administrar o tempo na hora da prova.
Resultados só no ano que vem
As provas deste domingo serão aplicadas nos mesmos endereços da semana passada em 1.753 cidades brasileiras. A diferença desta vez é que os candidatos terão 30 minutos a menos, a aplicação ocorre das 13h30 às 18h30. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h. Para entrar nos locais do exame, os candidatos precisam apresentar um documento de identificação, as versões digitais de CNH ou RG são aceitas.
Os cartões de respostas devem ser preenchidos com caneta esferográfica preta fabricada em material transparente. Não é permitido o uso de qualquer dispositivo eletrônico, como celulares, tablets, pulseiras e relógios inteligentes. No último domingo, cerca de 5 mil candidatos foram eliminados por estarem com equipamentos eletrônicos, saírem antes do horário permitido ou não respeitarem as orientações dos fiscais, segundo o Inep.
O gabarito oficial e os cadernos de questões serão divulgados pelo Ministério da Educação no dia 20 de novembro. Já os resultados individuais dos alunos saem somente no dia 13 de janeiro de 2025.

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova

‘Cola’ no Enem 2024: candidatos postam que levaram modelos de redação escondidos para a prova
Nas redes sociais, jovens vangloriam-se de terem trapaceado. Edital do Enem prevê eliminação de quem fraudar ou tentar fraudar o exame. Folha de rascunho da redação do Enem 2024 mostra que jovem escreveu exatamente o mesmo texto que estava na 'cola'
Reprodução
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 postaram nas redes sociais que “colaram” na avaliação: imprimiram e levaram ao local de prova um modelo pré-pronto de redação, escondido, para copiá-lo na hora decisiva. Eles dão a entender que não foram flagrados por nenhum fiscal no domingo (4): "dica de ouro, meninas!", escreveu uma das jovens, na legenda.
Segundo o edital de 2024, “utilizar ou tentar utilizar meio fraudulento em benefício próprio ou de terceiros em qualquer etapa do Exame” leva à eliminação do estudante. Há relatos de que, no dia da aplicação do Enem, cartazes foram espalhados nas escolas com o aviso de que “fraudar a prova é um crime federal”. Ainda assim, alunos desrespeitaram a regra e ainda publicaram na internet uma evidência das trapaças.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que os candidatos ainda podem ser eliminados, mesmo não tendo sido flagrados no momento da prova. "O edital do Enem prevê que os participantes do exame podem ser eliminados 'a qualquer momento' caso utilizem meios fraudulentos em benefício próprio. Portanto, estudantes identificados descumprindo as regras serão desclassificados", disse o Inep.
Procurados pelo g1, os candidatos não se manifestaram.
➡️O que são esses modelos de redação? São textos distribuídos gratuitamente na internet ou vendidos por até R$ 50. Em tese, eles serviriam para qualquer tema: bastaria que o candidato preenchesse lacunas com o assunto cobrado naquela edição da prova. Os repertórios culturais, a introdução e o argumentos são genéricos, justamente para se encaixarem tanto em uma dissertação sobre meio ambiente quanto em uma sobre tecnologias. Essa técnica, que pode ser uma cilada, coloca em xeque os atuais critérios de correção do Enem (leia mais abaixo).
🖥️Os posts continuam no ar? Nem todos. Depois que um dos “prints” da "confissão" viralizou no X [o g1 optou por não reproduzi-lo aqui], a candidata apagou a foto em que mostrava sua estratégia para "colar".
No entanto, em outro vídeo postado pela mesma estudante (e que continuava disponível na manhã de terça-feira, 6), é possível ler o rascunho da dissertação “oficial” entregue por ela — era exatamente igual à “cola”, só que com as lacunas preenchidas com o tema da edição: “Desafios para valorizar a herança africana na cultura brasileira” (foto no topo da reportagem).
Como são esses modelos de redação?
Veja um exemplo de introdução genérica vendida na internet:
Já ensinava Sócrates: “Os erros são consequência da ignorância humana”. Logo, é válido analisar as causas da ___invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher___ no Brasil.
Já ensinava Sócrates: “Os erros são consequência da ignorância humana”. Logo, é válido analisar as causas da ___ desvalorização da herança africana" ___ no Brasil.
Já ensinava Sócrates: “Os erros são consequência da ignorância humana”. Logo, é válido analisar as causas da ___desvalorização das comunidades e povos tradicionais___ do Brasil.
✏️Do ponto de vista pedagógico, é um desastre, afirmam especialistas ouvidos pelo g1. Normalmente, os alunos:
não desenvolvem a habilidade de argumentação e de articulação de ideias;
chegam à faculdade sem conseguir escrever um artigo simples;
prestam outros vestibulares, que exigem redações diferentes (como o da Unicamp ou da Fuvest), e ficam "travados";
têm dificuldade de adaptar os modelos, dependendo do tema, e acabam produzindo um texto sem coerência.
📢Por outro lado, os atuais critérios de correção do Enem valorizam mais o formato da dissertação do que a profundidade dos argumentos, na opinião de professores. Isso acaba incentivando os candidatos a comprar “fórmulas prontas” ou a procurá-las gratuitamente em e-books e nas redes sociais (e ainda usar "colas", como nos casos relatados mais acima).
Além disso, não há, nas regras do Inep, uma penalização prevista caso dois ou mais estudantes entreguem textos basicamente iguais.
➡️Ao g1, o Inep afirma que "o critério 'criatividade' não é objeto de avaliação do exame, pois não faz parte do construto julgado na prova de redação". Diz também que os textos dissertativos "possuem um rol limitado de características formais. Eventualmente, isso pode motivar atividades didáticas que visem ao domínio de tais características".
📈Quais os riscos de usar os modelos?
1- O tema pode não se encaixar.
Maria Eduarda Dal Pozzo, de Guarapuava (PR), decorou um desses modelos completos para o Enem do ano passado… e ficou decepcionada com a sua nota: 680.
“Levei um baque. Não adiantou nada ter usado essa estratégia, porque faltava a argumentação. O tema não se encaixava. Para este ano, preferi fazer aulas de redação e estudar a estrutura do Enem, sem decorar nada. Já melhorei muito e consegui criar um repertório”, conta a jovem.
Na prova, é esperado que o aluno demonstre referências socioculturais e cite, por exemplo, filósofos, filmes, livros, séries ou documentários ao longo de seu texto. E nem sempre o modelo pré-pronto trará exemplos que tenham alguma conexão com o tema daquele ano.
“O candidato acaba usando Platão para falar de violência contra a mulher ou de inserção de surdos na sociedade. Não adianta: precisa ter a ver com o assunto cobrado. Se não for algo pertinente, vai haver penalização na competência 2 [que avalia a mobilização do repertório para a construção da argumentação]”, afirma Renato Fonseca, professor de redação do Cursinho da Poli (SP).
Outro teste, com base em mais um modelo pré-pronto:
"De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, o Governo deve operar tendo como objetivo o bem universal. Entretanto, é notório que, no Brasil, ___a democratização do acesso ao cinema no Brasil (tema do Enem 2019) ___ rompe com essa paridade, uma vez que prejudica o avanço social brasileiro e afeta a população no dia a dia."
Perceba que o aluno que não fizesse os devidos ajustes escreveria, sem querer, que a democratização prejudica o avanço social brasileiro.
➡️Observação: Os próprios temas têm sido mais complexos nos últimos anos — em 2013, os alunos tiveram de escrever sobre os efeitos da Lei Seca; em 2023, sobre os “desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
“É uma forma de criar um filtro e superar essas fórmulas prontas, para avaliar a competência argumentativa do aluno”, diz Fonseca.
2- O aluno deixa de mostrar seus próprios argumentos e fica “preso” ao que decorou.
No parágrafo citado mais acima, mencionando Maquiavel, é bem possível que o estudante fosse capaz de apresentar uma introdução mais coerente do que a que ele memorizou — ainda mais se considerarmos que o acesso ao cinema é um tema relativamente simples e próximo à realidade dos jovens.
“Nas redações de quem usou modelo, as ideias que ficam no início de cada parágrafo estão desconectadas do restante das ideias. É a principal evidência [de que houve cópia]”, diz Thiago Braga, professor de língua portuguesa do Colégio pH (RJ).
3- O candidato esquece uma parte do que memorizou e fica desestabilizado emocionalmente.
Se os candidatos não se lembrarem do que memorizaram — e convenhamos que não é fácil decorar 30 linhas escritas por outra pessoa —, podem simplesmente “travar”. É preciso dominar a estrutura básica da dissertação e saber, por exemplo, que tipo de conteúdo deve aparecer em cada parágrafo.
Quem redigiu (de verdade) uma redação por mês, ao longo deste semestre, dificilmente esquecerá como fazer uma introdução nos padrões do Enem. A “decoreba” é sempre mais arriscada — a "cola", mais ainda.
4- O resultado nas redações de outros vestibulares é muito ruim.
Cada processo seletivo tem seus próprios critérios de avaliação. O que serve para o Enem não se encaixa no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) ou da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo.
Se o candidato estudar as estratégias de argumentação, desenvolver seu vocabulário, reforçar o repertório sociocultural e ficar bem informado a respeito do formato de cada prova, conseguirá demonstrar suas habilidades em todas as avaliações.
Enem 2024: tema da redação é divulgado
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