Matemática cansativa e ciências da natureza de ‘fácil para médio’: veja análise do 2º dia do Enem 2024

Neste domingo (10), alunos fizeram 45 questões de matemática e 45 questões de ciências da natureza. Professores ouvidos pelo g1 afirmam que as 90 questões da prova do segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estavam dentro do padrão esperado: não foram mais difícil do que as das edições anteriores, mas exigiram concentração e deve se dar bem quem estudou aquilo que já é regularmente cobrado no exame.
Abaixo, veja a avaliação dos professores em detalhes:
🌳Ciências da Natureza
Para Joyce Sousa, especialista em avaliações do SAS, o bloco de ciências da natureza teve nível de dificuldade de fácil para médio. "Com uma boa gestão de tempo o aluno foi capaz de fazer a prova com tranquilidade", avalia Joyce.
"Como um todo, a prova contou com a quantidade de textos que considero ok, nada que chame a atenção. Textos adequados, trazendo informações necessárias para a resolução ou contextualização. Havia bastante espaço para cálculos, mal foi preciso usar a folha de rascunho. Muitos recursos de imagem para facilitar a leitura e não identifiquei muitas questões difíceis", afirma Joyce Sousa.
Biologia
"Prova foi acessível e bem estruturada, sem questões polêmicas ou que poderiam gerar contestação", afirma Hilton Ramalho, professor de biologia, do Colégio e Curso AZ.
"A prova foi de nível médio, com questões curtas e objetivas, nenhum tema polêmico, e que trouxesse problemas sociais muito gritantes. E biologia conversou pouco com outras disciplinas. Foram questões bem conceituais, quem sabia conseguia resolver", afirma Fábio José Machado, professor de biologia do Cursinho da Poli.
Física
"Em relação aos temas, foi uma prova esperada. Nível de dificuldade médio", afirma Emerson Junior, professor de fisica do Cursinho da Poli.
"Prova equilibrada, com a maioria das questões entre nível fácil e médio. Não houve temas novos ou inesperados, além da análise vetorial de velocidade. Duas questões consideradas difíceis, mas a maioria estava dentro do esperado e acessível para os estudantes. A prova manteve um padrão sem surpresas, exceto pela questão envolvendo vetores, que trouxe um nível um pouco maior de análise e cálculo" afirma Vinicius Pessanha, professor de física do Colégio e Curso AZ.
Química
"Prova foi de nível médio, mas incluiu tanto questões fáceis quanto difíceis. Algumas questões exigiam uma boa capacidade de interpretação e compreensão de gráficos, além do conhecimento teórico de química, para que o aluno pudesse analisar dados e informações corretamente", afirma o professor Lucas, do Cursinho da Poli.
A professora Isabelly Sette, do Elite Rede de Ensino, avalia que a prova também foi mediana e que caíram assuntos "costumeiramente cobrados pela banca como estequiometria, soluções e métodos de separação de misturas e funções orgânicas".
"Outro tópico relevante é a interdisciplinaridade de questões de química e biologia, sendo necessário que o aluno soubesse em qual órgão ou tipo de tecido ocorreria tal fenômeno descrito no enunciado. A prova como de costume também trouxe questões que dialogam com temas ambientais como a utilização fontes energéticas variadas como placas solares, utilização de biogás e células microbianas", completa.
🔢Matemática
Segundo avaliação da maioria dos professores ouvidos pelo g1, a prova seguiu o padrão do exame: foi equilibrada, com um nível de dificuldade que deve favorecer os alunos que têm domínio sobre temas básicos e intermediários.
"Aluno que estudou baseado em provas antigas deve ter se dado muito bem, não tinha nada muito diferente do que o Enem já cobrou", Thiago Galrao, do Colégio e Curso AZ.
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Para Joyce Sousa, especialista em avaliações do SAS, a questão mais difícil é uma de probabilidade que pedia para ele calcular a probabilidade envolvendo a situação problema de tempo no trânsito.
"Não se diferenciou muito do observado nos últimos anos. Aluno que se preparou respondendo provas dos Enem anteriores com certeza estava preparado para a prova. No âmbito geral, foi uma prova com textos com tamanho padrão, não houve destaque para quantidade de textos muito longos", avalia Joyce Sousa, especialista em avaliações do SAS.
Para Sérgio Ghiu, autor do Colégio e Sistema pH, a prova de matemática do Enem 2024 seguiu um padrão equilibrado, com um nível de dificuldade que deve favorecer os alunos que mantêm domínio sobre temas básicos e intermediários.
A distribuição dos conteúdos, ainda que equilibrada, incluiu questões que exigiram análise mais criteriosa, como o gráfico da função exponencial. Em síntese, foi uma prova abrangente, cobrindo temas essenciais com clareza, mas sem trazer grandes surpresas, beneficiando os estudantes bem-preparados em conteúdos fundamentais e intermediários", avalia Sérgio.
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Questão de física do Enem 2024 sobre cafeteira elétrica deve ser anulada, dizem professores

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Pergunta passível de anulação é a de número 124 no caderno verde, 100 no cinza, 129 no azul e 102 no caderno amarelo. Questão de física do Enem 2024 não tem resposta, dizem professores
Reprodução
Uma questão de física do segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 pode ser anulada por falta de alternativa correta, segundo professores ouvidos pelo g1.
A questão cita uma cafeteira elétrica e pede que o candidato indique a eficiência energética do equipamento. É a pergunta de número 124 no caderno verde, 100 no cinza, 129 no azul e 102 no caderno amarelo.
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A sinalização foi feita inicialmente ao g1 por Leonardo Gomes, professor do Descomplica, e depois confirmada por professores do Curso Anglo, do Elite Rede de Ensino e da Plataforma Professor Ferreto.
"Quando se calcula a eficiência, divide-se a potência útil pela potência total. A potência total vem informada na caixa da cafeteira, o que chamamos de potência nominal, que é aquela que está no equipamento", explica Leonardo Gomes.
O professor lembra que o enunciado da questão cita que o equipamento tinha 700 watts. "Mas, devido a algumas perdas, como calor fora do sistema, barulho que possa fazer, outras perdas que a cafeteira pode ter, a potência real, que vai de fato ser utilizada, tem que ser menor considerando essas perdas", afirma.
Leonardo conta que, ao fazer o cálculo de potência útil, o resultado era maior do que o informado na caixa. "Para achar a resposta, era preciso fazer a razão ao contrário, que foi o que eu fiz para ter experiência de prova, mas a questão não está correta", conta Leonardo Gomes.
Segundo Madson Molina, professor de física do Curso Anglo, existe uma "falha conceitual" na formulação da questão.
"Quando você calcula a potência da cafeteira com os dados do enunciado, a gente encontra um valor de 933 watts. Esse valor é acima da potência total fornecida pelo enunciado da cafeteira de 700 watts. Em suma, a questão propõe uma máquina cuja potência total é de 700 watts e quando a gente calcula a potência útil de 933 watts é maior do que a potência total, o que fisicamente é impossível", explica o professor.
"A potência da cafeteira (933 watts aproximadamente) acaba possuindo um valor maior que a potência total/nominal fornecida (700 watts), o que vai contrário aos conceitos físicos", concorda Bruno Sá, professor do Elite Rede de Ensino.
Biologia: questão também pode ser reavaliada
Além da questão de física, outra questão também levantou suspeitas de possibilidade de anulação, segundo professores ouvidos pelo g1.
É a questão 131 da prova verde, 114 da cinza, 124 da azul e 97 da amarela, de biologia, sobre o metabolismo energético de microorganismos de uma cultura bacteriana. A pergunta já apareceu com uma formulação semelhante no vestibular da Universidade Estadual de Feira de Santana, em 2017.
Questão de biologia do Enem 2024 (esq.) já apareceu em vestibular da Estadual de Feira de Santana (dir.).
Reprodução
Apesar de o enunciado apresentado no Enem não ser uma reprodução exata da questão do UEFS, as informações e imagens são equivalentes, segundo os professores.
Ambas as questões são idênticas. Pode-se tratar de usar a mesma fonte bibliográfica, porém, o comando da questão é completamente igual ao da questão anterior da UEFS. Logo, alunos que tenham feito essa questão anteriormente podem ter sido privilegiados em relação aos demais.
Hilton Ramalho, professor de biologia do Curso AZ, concorda, mas acredita que a questão pode não ser anulada. "Os comandos são os mesmos, a questão é quase igual, só tem uma diferença na ordem das imagens. Como ela não é literalmente igual, eu não acho provável que o Enem anule a questão. No geral as anulações ocorrem quando ela for exatamente igual."
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(*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

Divulgação do gabarito oficial do Enem deve ser antecipada

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Ao todo, 4,3 milhões estavam inscritos. Gabarito oficial deve ser antecipado e divulgado nesta semana, segundo ministro da Educação. Enem 2024, 2ºdia
Mateus Santos/g1
O gabarito oficial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que inicialmente estava previsto para 20 de novembro no edital, deve ser antecipado para esta semana. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na noite deste domingo (10).
O Inep também informou os números de abstenção neste segundo dia de prova. A taxa foi de 30,6%. Ao todo, 69,4% dos 4.325.960 de estudantes inscritos fizeram a segunda etapa do Enem.
As informações foram divulgadas pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pelo presidente do Inep, Manuel Palácios. A aplicação do exame foi encerrada às 18h30 sem incidentes. "Não houve prejuízo no local de aplicação de prova. Não houve motivo para cancelamento em nenhum local de aplicação da prova", disse o ministro.
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De acordo com o balanço do Inep houve, neste segundo dia de prova:

eliminação de 1.925 participantes
1.037 ocorrências logísticas
👉 Veja aqui o balanço do primeiro dia do Enem, no último domingo (3).
No ano passado, 71,9% dos 3,9 milhões de alunos inscritos fizeram a prova e 28,1% se ausentaram. Em 2022, foram confirmadas 3,4 milhões de inscrições e abstenção de 28,3%.
👉 Para 2025, o ministro da Educação, Camilo Santana, solicitou ao Inep, até maio, o estudo de duas mudanças:
Enem pode servir como certificação de conclusão do ensino médio dos estudantes com 18 ou mais
Convergência da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com a prova do Enem
✅ Quando sai o resultado do Enem❓
O resultado com as notas individuais deve ficar disponível para os participantes a partir de 13 de janeiro de 2025.
Para que serve o Enem❓
O Enem serve como ingresso para universidades e institutos públicos e privados. É realizado por estudantes ao término da educação básica.
O Enem pode ser critério único ou complementar dos processos seletivos e também para acesso, por exemplo, ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e ao Programa Universidade para Todos (Prouni).
Os resultados do exame Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas.
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Enem 2024: estudante do AP que perdeu a avó no dia do exame enfrentou 16h de viagem

Enem 2024: estudante do AP que perdeu a avó no dia do exame enfrentou 16h de viagem
Eduardo dos Santos veio do Arquipélago do Bailique com um grupo de 80 estudantes para fazer as provas do Enem em Macapá. Estudante do Amapá perdeu a avó no dia da prova do Enem
Josi Paixão/g1
O jovem Eduardo Sarges dos Santos, de 18 anos, enfrentou 16h de viagem da Vila Progresso, no Arquipélago do Bailique até a capital do Amapá, para fazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país.
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Eduardo contou ao g1 que a preparação para o exame foi complicada por causa da falta de estrutura na região – a população enfrenta a erosão, seca e salinização – mas, o que realmente o abateu foi perder a avó no primeiro dia da prova.
"Eu tive um grande privilégio de poder conviver com ela, de compartilhar um pouco da minha vida com ela, muitas das coisas que eu sei, eu aprendi com ela, que tava sempre alí me apoiando, me ensinando, fazendo com que eu fosse uma pessoa sempre melhor. Ela é uma pessoa que eu sempre admirei por ser muito guerreira, uma pessoa que tinha muito conhecimento. Eu queria ter tido a oportunidade de me despedir, porque quando ela se foi, eu já estava em viagem pra Macapá, pra fazer a prova. Queria dar um último abraço, falar pela última vez com ela", lamentou o estudante.
Além dessa triste notícia, antes do falecimento da avó, o estudante também perdeu uma prima – uma semana antes de viajar para Macapá – , que morava em uma fazenda, localizada em uma área que depende da maré para conseguir navegar. A seca dos rios na região e o assoreamento prejudicaram o acesso ao atendimento médico.
"Ela era alérgica a picadas de insetos e infelizmente foi difícil conseguir logo atendimento médico, a situação dela se agravou e ela acabou não resistindo", disse Eduardo.
Mesmo em meio às dificuldades, o estudante tem esperança que vai conseguir se sair bem na prova. Ele acredita que a força de vontade e a busca por ser alguém melhor podem ajudar a vencer os obstáculos.
"Lá, realmente dá pra ver o esforço e o empenho dos professores e de todos os profissionais da escola pra dar um ensino melhor, uma aula de qualidade, sempre buscando nos elevar a um nível a mais, nos preparar mesmo e nos ajudar. Não achei que a prova estava tão difícil, alguns temas, questões deu pra ter noção porque nós já tínhamos visto algo parecido nas aulas", explicou.
Eduardo pretente cursar Biologia e com o curso, conseguir ajudar a comunidade onde mora.
Estudante do Amapá perdeu a avó no dia da prova do Enem 2024
Josi Paixão/g1
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Arquipélago do Bailique
O lugar fica localizado na Foz do Rio Amazonas e enfrenta atualmente a seca dos rios e também a salinização das águas. Tanto que os moradores se reuniram para 'cavar' alguns pontos, para que barcos possam seguir viagem.
Entre as comunidades mais afetadas estão: Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, Livramento, Ilha das Marrequinhas, Equador, Campos do Jordão, Maranata, Igaçaba, Ponta do Bailique, Igarapé do Meio, Franquinho, Macedônia, Progresso e Freguesia.
Segundo moradores da região, as 56 comunidades estão sendo impactadas diretamente por conta da estiagem e do assoreamento dos igarapés.
Ribeirinhos puxam embarcações para não ficarem isolados após seca de rios no Amapá
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