Plano da Austrália de banir crianças das redes sociais se mostra popular e problemático

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas
País quer proibir menores de 16 anos em mídias sociais, mas especialistas alertam para desafios em segurança, privacidade e implementação. Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP telas ansiedade
Reprodução/EPTV
Como você remove as crianças dos danos das redes sociais? Politicamente, a resposta parece simples na Austrália, mas na prática a solução pode ser muito mais difícil.
O plano do governo australiano de banir crianças de plataformas de mídia social, incluindo X, TikTok, Facebook e Instagram, até seus 16 anos é politicamente popular.
O partido de oposição diz que teria feito o mesmo depois de vencer as eleições previstas para dentro de meses se o governo não tivesse agido primeiro.
Os líderes de todos os oito estados australianos e territórios continentais apoiaram unanimemente o plano, embora a Tasmânia, o menor estado, preferisse que o limite fosse fixado em 14 anos.
No entanto, muitos especialistas nas áreas de tecnologia e bem-estar infantil têm se mostrado preocupados com a medida. Mais de 140 desses especialistas assinaram uma carta aberta ao primeiro-ministro Anthony Albanese condenando o limite de idade de 16 anos como "um instrumento muito contundente para lidar com os riscos de forma eficaz".
Os detalhes sobre o que é proposto e como será implementado são escassos. Mais será conhecido quando a legislação for introduzida no Parlamento na próxima semana.
O adolescente preocupado
Nesta imagem feita a partir de um vídeo divulgado por Leo Puglisi, de 17 anos, grava seu serviço de notícias on-line 6 News Australia, de Melbourne, Austrália, em janeiro de 2024.
Leo Puglisi via AP
Leo Puglisi, um estudante de Melbourne, de 17 anos, que fundou o serviço de streaming on-line 6 News Australia aos 11 anos, lamenta que os legisladores que impõem a proibição não tenham a perspectiva sobre as mídias sociais que os jovens ganharam ao crescer na era digital.
"Com relação ao governo e ao primeiro-ministro, eles não cresceram na era das redes sociais. O que muitas pessoas não estão conseguindo entender aqui é que, goste ou não, essas plataformas fazem parte da vida diária das pessoas", disse Leo.
"Faz parte de suas comunidades, faz parte do trabalho, faz parte do entretenimento, é onde eles assistem ao conteúdo – os jovens não estão ouvindo rádio, lendo jornais ou assistindo TV aberta – e, portanto, não pode ser ignorado. A realidade é que essa proibição, se implementada, é apenas chutar a lata no caminho para quando um jovem entrar nas redes sociais", acrescentou o adolescente.
Leo foi aplaudido por seu trabalho on-line. Ele foi finalista na indicação de seu estado natal, Victoria, para o prêmio Jovem Australiano do Ano, que será anunciado em janeiro. Sua candidatura credita sua plataforma por "promover uma nova geração de pensadores críticos e informados".
A mãe enlutada que virou ativista
A defensora da segurança on-line Sonya Ryan participa de uma coletiva de imprensa no Parlamento em Canberra, Austrália, em 15 de junho de 2021. Ryan sabe por tragédia pessoal como a mídia social pode ser perigosa para as crianças.
Mick Tsikas/AAP via AP
Uma das defensoras da proposta, a ativista de segurança cibernética Sonya Ryan, sabe por tragédia pessoal como as redes podem ser perigosas para as crianças.
Sua filha de 15 anos, Carly Ryan, foi assassinada em 2007 no estado da Austrália do Sul por um pedófilo de 50 anos que fingiu ser um adolescente on-line. Em um marco sombrio da era digital, Carly foi a primeira pessoa na Austrália a ser morta por um predador on-line.
"As crianças estão sendo expostas à pornografia prejudicial, estão sendo alimentadas com desinformação, há problemas de imagem corporal, há sextorsão, predadores on-line, bullying", disse Sonya Ryan.
"Há tantos danos diferentes para eles tentarem administrar e as crianças simplesmente não têm as habilidades ou a experiência de vida para administrá-los bem", acrescentou.
Sonya Ryan faz parte de um grupo que assessora o governo sobre uma estratégia nacional para prevenir e responder ao abuso sexual infantil na Austrália.
Uma grande preocupação para usuários de mídia social de todas as idades são as possíveis implicações de privacidade da legislação.
A tecnologia de estimativa de idade provou ser imprecisa, então a identificação digital parece ser a opção mais provável para garantir que um usuário tenha pelo menos 16 anos.
O Comissário de Segurança Eletrônica da Austrália, um escritório que se descreve como a primeira agência governamental do mundo dedicada a manter as pessoas mais seguras on-line, sugeriu em documentos de planejamento a adoção do papel de autenticador.
O governo manteria os dados de identidade e as plataformas descobririam por meio do comissário se um potencial titular da conta tinha 16 anos.
O cético especialista em internet
Tama Leaver, professora de estudos de internet na Curtin University, teme que o governo faça com que as plataformas mantenham os dados de identificação dos usuários.
O governo já disse que o ônus recairá sobre as plataformas, e não sobre as crianças ou seus pais, para garantir que todos cumpram o limite de idade.
"O pior resultado possível parece ser aquele para o qual o governo pode estar inadvertidamente pressionando, que seria que as próprias plataformas de mídia social acabariam sendo o árbitro da identidade", disse Leaver.
"Eles seriam os detentores de documentos de identidade, o que seria absolutamente terrível, porque eles têm um histórico bastante ruim até agora de manter bem os dados pessoais", acrescentou.
As plataformas terão um ano após a legislação se tornar lei para descobrir como a proibição pode ser implementada.
Ryan, que divide seu tempo entre Adelaide, no sul da Austrália, e Fort Worth, Texas, disse que as preocupações com a privacidade não devem impedir a remoção de crianças das mídias sociais.
"Qual é o custo se não o fizermos? Se não colocarmos a segurança de nossos filhos à frente do lucro e da privacidade?" ela perguntou.
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SkyRats: equipe da USP é destaque em competição internacional de drones

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas
Os SkyRats ficaram em 4º lugar na categoria outdoor (ambiente aberto), em 5º na categoria indoor (ambiente fechado), e ainda levou o prêmio especial Judge's Award. SkyRats: equipe da USP é destaque em competição internacional de drones
SkyRats/Divulgação
A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que reúne 17 cursos das áreas de engenharia civil, elétrica, mecânica, química, foi destaque em uma competição internacional em setembro graças à sua equipe de drones inteligentes.
Os SkyRats foram até Bristol, na Inglaterra, participar da International Micro Air Vehicles Conference and Competition (IMAV), a maior competição e conferência internacional na área de drones e veículos aéreos não tripulados.
A equipe ficou em 4º e 5º lugar nas duas categorias da competição: outdoor (ambiente aberto) e indoor (ambiente fechado), respectivamente.
Além disso, o grupo também foi condecorado com Judge's Award, um prêmio que avalia o projeto que melhor atendeu ao edital proposto. Neste ano, o tema central foi preservação ambiental, e a equipe se destacou como aquele que melhor utilizou tecnologias de VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) para o monitoramento e proteção da biodiversidade.
A programação completa do encontro acontece em cinco dias, sendo:
Dia 1: testes
Dias 2 e 3: competições
Dias 4 e 5: conferências
Marcos Gabriel foi um dos 11 membros da equipe que foi até Bristol para participar da competição. Segundo ele, a preparação foi cansativa, mas a experiência foi "fantástica".
"É incrível ter a oportunidade de mostrar a capacidade da tecnologia que conseguimos produzir no Brasil, e de como é possível melhorar ainda mais tudo isso com mais investimento e apoio do governo e da sociedade", diz.
Após a competição internacional, a equipe agora participa da Competição Brasileira de Robótica, que acontece de 11 a 17 de novembro em Goiânia (GO), e que deve ser a última disputa do grupo no ano.
SkyRats: equipe da USP é destaque em competição internacional de drones inteligentes
SkyRats/Divulgação
Agora, a equipe pensa nos próximos passos.
Para além do cenário de competição, queremos procurar alguma área de aplicação real [da experiência da equipe]. Por exemplo, um dos pontos mais fortes da equipe é mapeamento aéreo, que tem diversos tipos de aplicação, e um dos mais em voga, eu diria, é a questão de preservação ambiental.
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Proclamação da República: como foi a última festa de arromba da monarquia, regada a champanhe, foie gras e música até o sol raiar

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas
Corre em livros de História a seguinte anedota sobre o então imperador Dom Pedro 2º: ao chegar ao baile que acabou sendo o último do seu reinado e da monarquia, no dia 9 de novembro de 1889, tropeçou ao entrar no salão. Ao se reerguer, disse, brincando: "a monarquia tropeça, mas não cai". Um convite para o baile foi preservado no Arquivo Nacional
Reprodução Arquivo Nacional via BBC
Corre em livros de História a seguinte anedota sobre o então imperador Dom Pedro 2º: ao chegar ao baile que acabou sendo o último do seu reinado e da monarquia, no dia 9 de novembro de 1889, tropeçou ao entrar no salão. Ao se reerguer, disse, brincando: "a monarquia tropeça, mas não cai".
Não se sabe se a cena de fato aconteceu, mas ela se tornou uma metáfora perfeita daquele momento. A monarquia caiu menos de uma semana depois, com a proclamação da República, data comemorada nesta sexta-feira (15/11).
O baile da Ilha Fiscal, o último e o maior do período imperial, se tornou tão emblemático que virou quase uma expressão idiomática — é evocado quando se quer descrever uma grande celebração antes de um fim.
Como um baile entra para a História? O que ele teve a ver com o fim da monarquia? O que de fato aconteceu naquela noite?
A BBC News Brasil ouviu pesquisadores e leu relatos para responder a essas perguntas.
O baile da Ilha Fiscal foi o último e o maior do período imperial
Ribeiro, A / Biblioteca Nacional via BBC
O que estava acontecendo na política naquele momento?
O baile da Ilha Fiscal foi o ápice da chamadas "festas chilenas". No ano de 1889, durante dois meses, as autoridades brasileiras recepcionaram oficiais do navio chileno Almirante Cochrane, que visitavam o país em viagem diplomática.
Foram dias e dias de jantares, passeios turísticos às montanhas, corridas de cavalo e regatas — "um nunca acabar de festas", como descreveu um cronista — que mobilizaram a elite carioca.
O baile seria o mais opulento desses eventos. De acordo com um dos artigos do livro Festas Chilenas (EdiPUCRS, 2014), só o banquete custou 250 contos de Réis, quase 10% do orçamento da Província do Rio.
A imprensa fez uma farta cobertura, em grande parte de forma crítica, do evento. "O baile aconteceu muito nos jornais", diz Claudia Beatriz Heynemann, pesquisadora do Arquivo Nacional e organizadora do livro Festas Chilenas com Jurandir Malerba e Maria do Carmo Rainho.
"O peso do baile está nesse esgarçamento da opinião pública. Nesse sentido teve um efeito negativo", diz Malerba.
Os veículos de comunicação descreviam diariamente os eventos e os preparativos para as festas, e os republicanos questionavam e ironizavam os luxos e gastos.
Naquele momento, os movimentos que se tornaram favoráveis à República já corriam fortes, diz Angela Alonso, professora associada do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap, autora de livros e ensaios sobre a República.
Uma série de crises se acumulavam. "A questão não era se a monarquia ia cair, era quando", diz ela, e começa a listar alguns fatores: desde 1888, o Partido Republicano já tinha representação forte em vários Estados; havia um grupo considerável de pessoas da elite urbana e latifundiários que queriam mais representação política; ao mesmo tempo, os militares, que haviam vencido a Guerra do Paraguai, queriam mais espaço, e ficavam cada vez mais insubordinados. Finalmente, diz a pesquisadora, o programa do chefe do governo, o visconde de Ouro Preto não enfrentava esses problemas com eficácia.
Para piorar ainda mais a situação da monarquia, o último gabinete ministerial havia sofrido uma série de acusações de corrupção, conta Alonso. Por causa disso, opina a professora, a opulência das festas organizadas para os chilenos caiu especialmente mal na imagem pública do governo.
Como as cores do símbolo brasileiro foram reinterpretadas para apagar ligação com a monarquia
Enquanto a elite passeava com os chilenos, já acontecia a articulação entre militares e civis republicanos que levaria à deposição de Dom Pedro, diz o historiador Jurandir Malerba.
No livro Castelo de Papel (Rocco, 2013), Mary Del Priore diz que num jantar para os chilenos no palácio do príncipe Pedro Augusto, neto de Dom Pedro 2º, a monarquia estava "cercada por aqueles que apostavam na sua sucessão". "No cardápio, faisão trufado, foie-gras e costeletas de pombo à Pompadour."
Charge publicada na imprensa sobre o baile da Ilha Fiscal
Reprodução Arquivo Nacional via BBC
Por que fizeram a festa?
Se a situação política já estava hostil, por que dedicaram tanta energia à realização da festa? Para Alonso, a celebração era, na verdade, parte de uma tentativa de legitimar a princesa Isabel, filha de Dom Pedro 2º, como futura imperatriz, perspectiva que não era nem de longe um consenso, de acordo com a professora.
Dom Pedro 2º tinha mais de 60 anos, estava doente e já havia inclusive recebido extrema-unção – ritual católico em que se aplica óleo consagrado na pessoa enferma, geralmente terminal.
Artigo de jornal sobre o baile
Reprodução Arquivo Nacional via BBC
"O baile não acontece sozinho", diz Alonso. Ela conta que, pouco antes das festas chilenas, o marido da princesa Isabel, o conde d'Eu, viajara pelo país em campanha pela monarquia.
Claudia Heynneman vê nos eventos também uma tentativa mais genérica de transmitir uma imagem de força da monarquia, que estava abalada com o movimento republicano.
Para Del Priore, a monarquia estava alienada naquele momento. "Os monarquistas olhavam para o trono como se ele fosse sustentado por forças invencíveis."
Ela escreve que as festas inclusive mascararam as movimentações republicanas. "A multiplicidade de festas maquilou a insatisfação em curso, empurrando os chilenos para os salões onde se misturavam militares, civis, monarquistas e republicanos. As valsas e hinos nacionais abafavam as tensões. Mas elas estavam presentes. A agenda camuflava o jogo de interesses dos adversários da monarquia", escreve a historiadora.
Desenho da sala de baile no Gazeta de Notícias
Reprodução Arquivo Nacional via BBC
Como foi o baile da Ilha Fiscal
A última festa da monarquia foi também a maior que aconteceu nos 67 anos do Brasil Império.
"Depois de alguns anos festeiros, Dom Pedro 2º passou 30 anos sem dar festas, quando de repente concedeu aquele baile nababesco. Isso teve um valor simbólico. Alguns interpretam como 'o canto do cisne', o último suspiro do seu reinado", diz Malerba.
O baile aconteceu na Ilha Fiscal, pequena ilha na Baía de Guanabara pertencente à Marinha. A construção na ilha também é chamada por alguns de "castelinho" devido ao seu estilo arquitetônico.
Os preparativos ocuparam as páginas dos jornais por semanas. Foram convidadas cerca de 3 mil pessoas, mas somaram-se a elas mais uns mil penetras, escreve o jornalista Laurentino Gomes no livro 1889 (Globo Livros, 2013).
Retrato de Dom Pedro 2º quando jovem
Museu Nacional de Belas Artes via BBC
Na lista estava toda a elite econômica e política, mas, segundo Alonso, alguns militares importantes não foram convidados.
A festa começava no cais, onde uma banda entretinha os convidados que esperavam para embarcar no barco que os levaria à ilha. Ali também se concentraram os excluídos da festa, curiosos por ver os convidados e assistir às queimas de fogos.
As milhares de lâmpadas e velas que iluminavam a ilha formavam um espetáculo descrito pelo narrador do romance Esaú e Jacó (1904), de Machado de Assis, como uma "cesta de luzes no meio da escuridão tranquila do mar".
No início da noite, foi servido um banquete com uma enorme lista de pratos de ingredientes sofisticados e diversos tipos de vinho.
Aqui alguns números registrados no livro Festas Chilenas:
"Entre copeiros, trinchadores, cozinheiros e ajudantes foram mobilizados 300 funcionários. Registram-se 12 mil garrafas de vinho, champanhe e outras bebidas; 12 mil sorvetes; a mesma quantidade de taças de ponche, 500 pratos de doces variados. Serviram-se ainda 18 pavões, 80 perus, 300 galinhas, 350 frangos, 30 fiambres, 10 mil sandwiches, 18 mil frituras, mil peças de caça, 50 peixes, 100 línguas, 50 mayoneses e 25 cabeças de porco recheadas."
Algumas horas depois do jantar, começou a dança. Cada salão ofereceria um tipo de música diferente. Seis bandas tocaram.
A festa acabou com o sol raiando. Para o deleite dos jornais dos dias seguintes, dizem os livros, durante a limpeza foram achados todo tipo de objetos, como peças íntimas de mulheres.
A família imperial chegou por volta das 21h. Dom Pedro 2º teria dançado uma só vez. Foram embora às 3h.
Como narraria o escritor Rodrigo Otávio, que na época tinha 23 anos, Dom Pedro 2º, "embevecido na maravilha daquela noite e no deslumbramento daquela festa (…), não imaginava que naquela mesma hora se estava concertando num pequeno sobrado (…) o trambolhão do Império e que os dias de seu reinado estavam contados".
Charge na Gazeta da Tarde publicada dois dias depois do baile da Ilha Fiscal
Reprodução Arquivo Nacional via BBC
Líder da Proclamação da República assistiu ao baile de fora
Alguns livros, como o de Laurentino Gomes, contam uma história curiosa sobre aquela noite, narrada com base nos diários de uma das filhas de Benjamin Constant, um dos militares que arquitetaram a deposição de Dom Pedro.
Segundo o relato de Bernardina, então uma adolescente, Benjamin chegou em casa após uma reunião com militares e não encontrou sua família lá. Eles estavam no cais, assistindo ao embarque dos convidados do baile. Constant, então, contratou um pequeno barquinho e assistiu do mar, ao lado da família, aos acontecimentos daquela noite.
Qual foi o impacto do baile?
"Articular o baile em si, algo que faz parte da história factual, com a Proclamação da República, algo muito complexo, é complicado, mas ele teve um peso simbólico e está na crônica da época, registrado por Machado de Assis, Coelho Netto", diz Malerba.
"Mais importante do que o baile em si foi o dia seguinte", diz Claudia Heynneman. A pesquisadora conta que os jornais dedicaram várias edições a criticar o excesso de luxo.
Os gastos reforçaram a imagem da monarquia como uma instituição distante da sociedade.
"Até o fato de ele ter sido feito numa ilha, ou seja, longe da população, reforçava essa ideia", diz Alonso.
Mas, para ela, "o fato de o baile ter acontecido logo antes do fim da monarquia foi uma casualidade" — os fatores que levaram à Proclamação da República já estavam postos.
"Ainda assim, ele é muito significativo porque foi uma representação da alienação da monarquia. Enquanto eles festejavam o país estava fervilhando", diz Alonso.
"Depois do baile da ilha Fiscal", escreve Del Priore, "um relógio invisível bateu as horas. Os últimos acordes da festa marcaram alegremente o enterro de um mundo do qual muitos não queriam mais ouvir falar. Os ponteiros da história empurraram o fim do império brasileiro. E anunciaram o início do que, se acreditou, fosse o 'progresso'".
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*Esta reportagem foi publicada originalmente em 14 de novembro de 2019

Gabarito do Enem 2024 é divulgado pelo Inep; confira as respostas oficiais

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas
Provas foram aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país. Mais de 4,3 milhões de pessoas estavam inscritas. Cadernos de prova do 2º dia de Enem 2024.
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Os gabaritos dos dois dias de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 foram divulgados nesta quinta-feira (14), no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Confira as imagens abaixo.
➡️Uma questão de física foi anulada. Ela cita uma cafeteira elétrica e pede que o candidato indique a eficiência energética do equipamento. É a de número 124 no caderno verde, 100 no cinza, 129 no azul e 102 no amarelo.
Inicialmente, as respostas seriam disponibilizadas em 20 de novembro, como previsto em edital, mas o cronograma foi adiantado, conforme informou o ministro da Educação, Camilo Santana, no último domingo (10).
Clique nas cores e navegue pela página:
1º DIA – PROVA AZUL 🔵
1º DIA – PROVA VERDE🟢
1º DIA – PROVA AMARELA 🟡
1º DIA – PROVA BRANCA ⚪
2º DIA – PROVA AZUL 🔵
2º DIA – PROVA VERDE 🟢
2º DIA – PROVA AMARELA 🟡
2º DIA – PROVA CINZA ⚪
🔵1º DIA – AZUL
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno azul
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA AZUL DO 1º DIA
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🟢1º DIA – VERDE
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno verde
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA VERDE DO 1º DIA
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🟡1º DIA – AMARELA
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno amarelo
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA AMARELA DO 1º DIA
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⚪1º DIA – BRANCA
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno cinza
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA BRANCA DO 1º DIA
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🔵2º DIA – AZUL
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno azul
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA AZUL DO 2º DIA
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🟢2º DIA – VERDE
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno verde
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA VERDE DO 2º DIA
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🟡2º DIA- AMARELO
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno amarelo
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA AMARELA DO 2º DIA
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⚪2º DIA – CINZA
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno cinza
Reprodução
BAIXE AQUI O CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA BRANCA DO 2º DIA
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✏️ O Enem 2024 foi aplicado nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país. Mais de 4,3 milhões de candidatos estavam inscritos. No primeiro domingo, os alunos fizeram as provas de linguagens e de ciências humanas, além da redação, cujo tema foi "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil". No segundo, foi a vez das provas de matemática e de ciências da natureza.
Nota do Enem é calculada por método 'antichute'; saiba como funciona o TRI
Número de acertos não determina nota final
Apesar da divulgação do gabarito, que permite ao candidato saber a quantidade de questões que acertou no Enem, ele só saberá sua nota final em 13 de janeiro de 2025.
Isso acontece por causa da Teoria de Resposta ao Item (TRI), método de correção utilizado no Enem que prioriza a coerência no desempenho dos alunos.
Se alguém acertar as questões muito difíceis, mas errar as fáceis, será "incoerente" — o sistema já detectará um possível "chute" e atribuirá menos pontos à pessoa.
Portanto, dois candidatos que acertarem exatamente o mesmo número de perguntas podem tirar notas diferentes (veja ilustração abaixo).
Dois participantes acertaram 5 respostas. Veja só como aquele que errou justamente as mais fáceis tirou uma nota menor do que o ouro, que errou as difíceis
Reprodução/Inep
🤔 Para que existe a TRI?
A TRI apresenta as seguintes vantagens em relação ao método clássico de correção:
ao detectar os famosos "chutes", ela premia o aluno que, de fato, se preparou para a prova;
possibilita a comparação entre candidatos que tenham feito diferentes edições do exame;
torna mais improvável que dois concorrentes tirem exatamente a mesma nota, já que o resultado final é divulgado com duas casas decimais (816,48 pontos, por exemplo).
📈 Por que a nota da prova não vai de 0 a 1.000?
No Enem 2023, a nota máxima na prova de Linguagens, por exemplo, foi 820,8 e a mínima, 287,0.
Ou seja: quem acertou todas não tirou 1.000, e quem errou 100% das perguntas não ficou com zero. Por quê?
Segundo o Inep, que organiza e aplica o Enem, o que determina os "extremos" da nota é o grau de dificuldade das perguntas daquela edição.
"Quando a prova for composta por muitos itens fáceis, o máximo tenderá a ser mais baixo, e quando for formada por itens difíceis, o mínimo tenderá a ser mais alto", diz o órgão, em documento de orientação aos participantes.
Enem 2024: correção da questão de Física sobre eficiência energética da cafeteira

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas

Inep divulga gabarito oficial do Enem 2024; confira as respostas
Provas foram aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país. Mais de 4,3 milhões de pessoas estavam inscritas. Cadernos de prova do 2º dia de Enem 2024.
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Os gabaritos dos dois dias de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 foram divulgados nesta quinta-feira (14), no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Confira as imagens abaixo.
➡️Uma questão de física foi anulada. Ela cita uma cafeteira elétrica e pede que o candidato indique a eficiência energética do equipamento. É a de número 124 no caderno verde, 100 no cinza, 129 no azul e 102 no amarelo.
Inicialmente, as respostas seriam disponibilizadas em 20 de novembro, como previsto em edital, mas o cronograma foi adiantado, conforme informou o ministro da Educação, Camilo Santana, no último domingo (10).
Clique nas cores e navegue pela página:
1º DIA – PROVA AZUL 🔵
1º DIA – PROVA VERDE🟢
1º DIA – PROVA AMARELA 🟡
1º DIA – PROVA BRANCA ⚪
2º DIA – PROVA AZUL 🔵
2º DIA – PROVA VERDE 🟢
2º DIA – PROVA AMARELA 🟡
2º DIA – PROVA CINZA ⚪
🔵1º DIA – AZUL
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno azul
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🟢1º DIA – VERDE
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno verde
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🟡1º DIA – AMARELA
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno amarelo
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⚪1º DIA – BRANCA
Gabarito do Enem 2024 – 1º dia – caderno cinza
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🔵2º DIA – AZUL
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno azul
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🟢2º DIA – VERDE
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno verde
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🟡2º DIA- AMARELO
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⚪2º DIA – CINZA
Gabarito do Enem 2024 – 2º dia – caderno cinza
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✏️ O Enem 2024 foi aplicado nos dias 3 e 10 de novembro em todo o país. Mais de 4,3 milhões de candidatos estavam inscritos. No primeiro domingo, os alunos fizeram as provas de linguagens e de ciências humanas, além da redação, cujo tema foi "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil". No segundo, foi a vez das provas de matemática e de ciências da natureza.
Nota do Enem é calculada por método 'antichute'; saiba como funciona o TRI
Número de acertos não determina nota final
Apesar da divulgação do gabarito, que permite ao candidato saber a quantidade de questões que acertou no Enem, ele só saberá sua nota final em 13 de janeiro de 2025.
Isso acontece por causa da Teoria de Resposta ao Item (TRI), método de correção utilizado no Enem que prioriza a coerência no desempenho dos alunos.
Se alguém acertar as questões muito difíceis, mas errar as fáceis, será "incoerente" — o sistema já detectará um possível "chute" e atribuirá menos pontos à pessoa.
Portanto, dois candidatos que acertarem exatamente o mesmo número de perguntas podem tirar notas diferentes (veja ilustração abaixo).
Dois participantes acertaram 5 respostas. Veja só como aquele que errou justamente as mais fáceis tirou uma nota menor do que o ouro, que errou as difíceis
Reprodução/Inep
🤔 Para que existe a TRI?
A TRI apresenta as seguintes vantagens em relação ao método clássico de correção:
ao detectar os famosos "chutes", ela premia o aluno que, de fato, se preparou para a prova;
possibilita a comparação entre candidatos que tenham feito diferentes edições do exame;
torna mais improvável que dois concorrentes tirem exatamente a mesma nota, já que o resultado final é divulgado com duas casas decimais (816,48 pontos, por exemplo).
📈 Por que a nota da prova não vai de 0 a 1.000?
No Enem 2023, a nota máxima na prova de Linguagens, por exemplo, foi 820,8 e a mínima, 287,0.
Ou seja: quem acertou todas não tirou 1.000, e quem errou 100% das perguntas não ficou com zero. Por quê?
Segundo o Inep, que organiza e aplica o Enem, o que determina os "extremos" da nota é o grau de dificuldade das perguntas daquela edição.
"Quando a prova for composta por muitos itens fáceis, o máximo tenderá a ser mais baixo, e quando for formada por itens difíceis, o mínimo tenderá a ser mais alto", diz o órgão, em documento de orientação aos participantes.
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