Vestibular UFRGS 2025: confira tudo que você precisa saber sobre o fim de semana de provas

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos
Mais de 21 mil candidatos concorrem a 4 mil vagas na universidade. Provas acontecem em seis cidades. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Rochele Zandavalli
O concurso vestibular 2025 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) acontece neste sábado (30) e no domingo (1º). Segundo a universidade, 21.684 candidatos concorrem a 4.023 vagas.
Confira abaixo tudo que você precisa saber sobre o fim de semana de provas:
📌 Como descobrir onde as provas acontecem?
As provas serão aplicadas em Porto Alegre, Bento Gonçalves, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo e Tramandaí.
O participante pode fazer a consulta individual do local de prova no Portal do Candidato. Já o endereço dos locais de prova pode ser confirmado no site da Coperse.
👨‍🎓👩‍🎓 Quantos candidatos por acesso universal e por cotas?
14.235 estão inscritos na modalidade acesso universal
7.449 candidatos concorrem pela concorrência nas modalidades de ações afirmativas (cotas).
Candidatos realizam provas do vestibular da UFRGS 2024
Gustavo Diehl/UFRGS
🕛 A que horas começam as provas?
Os portões serão abertos às 13h30 e fechados pontualmente às 14h. Após esse horário, não será permitido o ingresso nos locais de prova, diz a universidade.
No dia 30 de novembro, os candidatos que indicaram na inscrição a condição de sabatista – guardador do sábado por convicção religiosa – devem ingressar no local de prova até o horário estabelecido para todos os participantes e aguardar em isolamento até o horário adaptado para a realização das provas, às 19h, não sendo permitido, durante esse período de espera, fazer consulta, comunicação ou manifestação. No dia 1º de dezembro, esses candidatos realizam as provas no mesmo horário dos demais vestibulandos.
⏳ Qual a duração das provas?
Os vestibulandos têm 5h30 para realizar as provas, nos dois dias.
🗒️ Qual a ordem das provas e quando é a redação?
Dia 30: provas de Geografia, História, Língua Portuguesa, Literatura e Matemática
Dia 1º: Biologia, Física, Língua Estrangeira, Química e Redação
Nesta edição, a prova de redação foi alterada para o segundo dia. A Comissão Permanente de Seleção (Coperse) reforça que os candidatos poderão sair do local de provas com o caderno de questões depois de transcorridas duas horas de aplicação.
Leia também: Lista de leituras obrigatórias para vestibular inclui 'O Avesso da Pele'
🖊️ O que levar?
Os candidatos precisam levar, obrigatoriamente, caneta esferográfica de tinta azul ou preta e o documento de identificação (o mesmo utilizado na inscrição).
De acordo com a universidade, também serão aceitos documentos no formato digital, desde que apresentados nos aplicativos oficiais ou no Gov.br e tenham foto, como a Carteira de Identidade Nacional (CIN) digital, o RG digital, o e-Título, a CNH digital. Não serão permitidos prints ou fotos. A carteira de trabalho digital também não é aceita, por não configurar como documento de identificação.
🍴 Os inscritos também podem levar água e alimentação, em embalagem transparente, sem rótulo.
❌ O que não é permitido?
📱 Consultas de qualquer natureza durante a realização das provas não serão toleradas. Além disso, não é permitido o uso ou manter consigo o celular, fones de ouvido ou outros aparelhos eletrônicos.
🧢 O uso de bonés ou chapéus também não será aceito.
Uma embalagem plástica será fornecida para os vestibulandos guardarem objetos diferentes dos permitidos.
👨‍🎓👩‍🎓 Candidatos por cidade de aplicação
Porto Alegre: 15.505
Bento Gonçalves: 1.705
Canoas: 1.583
Novo Hamburgo: 1.270
Gravataí: 857
Tramandaí: 764
👨‍🎓👩‍🎓 Cursos mais concorridos
Medicina – Bacharelado: 68,84 candidatos por vaga
Psicologia – Bacharelado – Diurno: 24,54 candidatos por vaga
Psicologia – Bacharelado – Noturno: 21,24 candidatos por vaga
Biomedicina – Bacharelado: 19,88 candidatos por vaga
Fisioterapia – Bacharelado: 15,95 candidatos por vaga
Ciência da Computação – Bacharelado: 14,07 candidatos por vaga
Ciências Jurídicas e Sociais – Direito – Diurno: 10,5 candidatos por vaga
Medicina Veterinária – Bacharelado: 9,96 candidatos por vaga
Relações Internacionais – Bacharelado: 9,86 candidatos por vaga
Engenharia de Computação – Bacharelado: 9,43 candidatos por vaga
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Corte de gastos: Educação perde R$ 42,3 bilhões até 2030; alvo são verbas para ensino integral

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos
Proposta libera no orçamento do MEC recursos hoje 'carimbados' para educação integral. Missão seria transferida para o Fundeb, que também custeia salários e obras; ONG vê risco. Sala de aula em Santa Maria (RS)
Reprodução/ RBS TV
O pacote de corte de gastos anunciado pelo governo federal nesta quinta-feira (29) retira R$ 42,3 bilhões, nos próximos cinco anos, do orçamento do Ministério da Educação.
A medida pode afetar, principalmente, uma promessa de campanha do governo Lula: a expansão do ensino em tempo integral.
A mudança foi parcialmente anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista nesta quinta – mas sem detalhamento.
O pacote ainda vai passar pelo Congresso Nacional, que pode fazer mudanças nas regras durante a tramitação. Os três textos a serem enviados não tinham sido divulgados até a manhã desta sexta (29).
Um dos projetos deve prever que recursos que hoje estão reservados no orçamento próprio do Ministério da Educação para o ensino em tempo integral não teriam mais esse "carimbo".
Ou seja: eles poderiam ser remanejados para outras ações da educação – ou mesmo para outras áreas do governo.
Daí, o ensino integral passaria a ser custeado inteiramente pelo Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – que é composto majoritariamente por recursos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Desafios municipais: ampliar o ensino integral
Atualmente, o governo federal responde por 19% do fundo – percentual que chegará a 23% a partir de 2026 –, mas quem decide onde usar a maior parte do dinheiro são os prefeitos e governadores.
O governo Lula quer que 20% do aporte federal seja destinado obrigatoriamente à expansão do ensino integral.
Hoje, o dinheiro já é fundamental para uma série de despesas: salário de professores, formação continuada, transporte escolar, compra de equipamentos e material didático e obras de infraestrutura, por exemplo.
Se o Congresso validar a mudança, a expansão da educação básica em tempo integral também passaria a vir inteiramente do Fundeb – sem um programa centralizado no MEC para esse fim.
Ou seja: se o Ministério da Educação deixar de investir, e o Fundeb não conseguir absorver esses gastos, a expansão do ensino integral pode perder R$ 42,3 bilhões nos próximos cinco anos.
“Como não haverá necessidade de aportar recursos do Ministério da Educação para escola em tempo integral, abre-se um espaço fiscal no orçamento do MEC que pode ser futuramente aplicado em outros temas, como o Pé de Meia, mas hoje é uma abertura de espaço no orçamento federal”, informou o Ministério da Fazenda, por meio de nota.
Desse modo, o que será feito com esses recursos hoje carimbados no Ministério da Educação vai depender do orçamento de cada ano – que é proposto pelo governo, mas passa pelo crivo do Congresso.
Os valores, na prática, poderão ir para qualquer área.
Governo federal apresenta detalhes do pacote para controlar as contas públicas
13% do pacote total
Nas tabelas atuais, essa medida sozinha responde por 13% do corte total de gastos estimado para os próximos cinco anos (R$ 327,1 bilhões).
É a segunda maior contenção de despesas – perdendo apenas para o ajuste do salário mínimo, que tem impacto nos benefícios previdenciários e assistenciais.
Esse percentual pode mudar, claro, se o Congresso fizer mudanças no pacote durante a tramitação.
ONG vê prejuízo à educação
Segundo o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) – organização não governamental sem fins lucrativos e não partidária –, a proposta transfere para estados e municípios "parte de sua responsabilidade com a educação em tempo integral, um dos compromissos de campanha".
A entidade lembrou que a complementação do Fundeb, feita pela União, vai para estados e municípios com menor capacidade de arrecadação.
Há muitos municípios, inclusive, que "sobrevivem" praticamente só com recursos do Fundeb e outros repasses do governo federal e dos estados.
"Sabemos que boa parte deles não consegue sequer pagar o piso salarial da educação básica e agora terão de arcar com parte da oferta de ensino integral com recursos do Fundeb. O que provavelmente não ocorrerá, ampliando desigualdades regionais", acrescentou o Inesc.
Íntegra
Leia abaixo a íntegra da nota enviada ao g1 pelo Ministério da Fazenda:
A proposta é manter a regra atual de crescimento do Fundeb. Conforme Lei aprovada no governo anterior, a complementação federal chegará a 23%. Isso permanece.
O que estamos fazendo é uma condicionalidade à aplicação desses recursos. Do dinheiro da complementação do governo federal nós teremos um mínimo de aplicação de 20% em educação em tempo integral, porque hoje só há um critério para aplicação, que é no salário dos professores.
A outra parte é livre e acaba sendo aplicada em temas que, às vezes, não chega no aluno. Essa é uma garantia que dá preferência para uma política que é prioridade do governo. Ou seja, o recurso federal continuará sendo repassado pelo Fundeb para Estados e Municípios, mas 20% desses recursos terão que ser aplicados em educação em tempo integral.
Espaço fiscal — Como não haverá necessidade de aportar recursos do Ministério da Educação para escola em tempo integral, abre-se um espaço fiscal no orçamento do MEC que pode ser futuramente aplicado em outros temas, como o Pé de Meia, mas hoje é uma abertura de espaço no orçamento federal.
Piso da educação – Só 30% do Fundeb podem ser usados para compor o piso da educação. Essa é a regra. Se virá da escola de tempo integral, do pagamento do salário do professor, tanto faz. Isso não muda.

Austrália aprova proibição de redes sociais para menores de 16 anos; decisão é inédita no mundo

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos
Câmara ainda deve aprovar alterações feitas no Senado, mas o texto deve ser sancionado. Plataformas que descumprirem a lei serão multadas em quase R$ 200 milhões. Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP telas ansiedade
Reprodução/EPTV
O Senado australiano aprovou na quinta-feira (28) uma proibição de redes sociais para crianças e adolescentes menores de 16 anos. Essa deve se tornar em breve a primeira lei do mundo neste sentido.
Com a proibição, plataformas como TikTok, Facebook, Snapchat, Reddit, X e Instagram se tornarão responsáveis ​​por multas de até 50 milhões de dólares australianos (R$ 194 milhões) por falhas sistêmicas em impedir que crianças menores de 16 anos tenham contas.
O projeto de lei foi aprovado por 34 votos a 19. A Câmara dos Representantes aprovou a legislação por maioria esmagadora, na quarta-feira, por 102 votos a 13.
A Câmara ainda precisa aceitar as emendas da oposição feitas no Senado. Mas isso é uma formalidade, já que o governo já concordou que elas serão aprovadas.
As plataformas terão um ano para descobrir como implementar a proibição antes que as penalidades sejam aplicadas.

Todos os adolescentes são viciados em redes sociais?

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos
O uso da internet e do telefone é massivo e normativo entre os mais jovens. Apesar disso, os autores preferem falar em uso problemático, em vez de dependência. Adolescente na cama mexendo no celular.
Freepik
A penetração da tecnologia em nossas vidas é inegável e, talvez, isso seja especialmente perceptível nos adolescentes. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (2022) (de Portugal), 94,9% dos menores entre os 10 e os 15 anos utilizaram a Internet nos últimos 3 meses e 69,5% deles têm um telefone celular. Além disso, de acordo com um relatório recente da UNICEF (2021), 98,5% dos adolescentes espanhóis estão registados numa rede social e, 83,5%, estão em mais de três.
Uma das atividades mais realizadas pelos adolescentes (mesmo antes da idade legalmente permitida, o que é particularmente preocupante) é a utilização das redes sociais.
Estes dados apenas corroboram o que vemos todos os dias: o uso da internet e do telefone é massivo e normativo entre os mais jovens.
Uso problemático e dependência são a mesma coisa?
A abordagem mais utilizada para tratar de comportamentos relacionados ao uso ou abuso de redes sociais (e outras tecnologias) por adolescentes tem sido a do vício. No entanto, esta abordagem tem limitações conceituais e, muitas vezes, envolve uma patologização desnecessária da vida cotidiana.
Em contraste com o uso do termo dependência, nós (como outros autores) preferimos falar sobre uso problemático.
A dependência se baseia, mais usualmente, em critérios relacionados a substâncias, como tolerância ou abstinência. Já o modelo de uso problemático concebe que um conjunto de comportamentos e processos cognitivos pode tornar-se disfuncional e levar a consequências negativas.
Desta forma, dimensões como a elevada preferência pela interação online e regulação emocional definidas pelas redes sociais podem estar ligadas a um controle deficiente (caracterizado por uma preocupação constante em estar conectado e pelo uso compulsivo das redes sociais).
As consequências negativas para o usuário são: problemas interpessoais (perda de relacionamento com outras pessoas significativas ou afastamento de outras atividades prazerosas ou da escola) e problemas intrapessoais (por exemplo, a sensação de ter perdido o comando sobre a própria vida). Estas consequências negativas são a chave para falar sobre o uso problemático.
É a norma ou a exceção?
O relatório da UNICEF, mencionado anteriormente, estimou em 33% a percentagem de adolescentes que usam a Internet de forma problemática. Outro estudo recente esclarece esse percentual e apresenta dados mais animadores, estimando em 13,2% o número de adolescentes que correm risco de apresentar uso problemático e, em 2,9% os que fazem uso claramente problemático de redes sociais.
Estamos, portanto, falando de uma faixa entre 2,9% e 33% e, possivelmente, a realidade esteja, como quase sempre, em algum lugar no meio.
As diferenças entre os dois estudos centram-se no instrumento de avaliação utilizado e em como o uso problemático é conceituado. De qualquer forma, e para a pergunta do título deste artigo, não há outra resposta a não ser uma negação categórica por parte dos autores.
Como podemos ajudá-los?
Embora o número de pessoas afetadas seja discutível, o que sabemos é que há muitos meninos e meninas potencialmente incluídos. Isso deve levar-nos a educá-los e treiná-los para o uso correto das redes sociis. Para tal, gostaríamos de oferecer algumas sugestões às famílias e aos adolescentes.
Para as famílias, a mensagem é que se envolvam: naveguem com eles, eduquem-os sobre o uso correto, maximizando os benefícios e reduzindo os riscos. Isso pode ser feito com as seguintes estratégias:
A mídia social e a tecnologia não são inerentemente ruins. Pelo contrário, estão repletas de oportunidades e possibilidades. Embora entendamos que esse seja um assunto temido, restringi-lo não é, de forma alguma, uma garantia de sucesso.
Antes que entrem no mundo da tecnologia, é essencial fornecer a eles habilidades específicas para maximizar as chances de uso equilibrado, seguro e útil das mídias sociais. Isso inclui competências para questionar a exatidão do conteúdo, reconhecer sinais de uso problemático, construir relacionamentos saudáveis por meio da mídia social (e pessoalmente), resolver conflitos em plataformas sociais, fornecer pensamento crítico ou evitar comparações prejudiciais.
O uso das mídias sociais deve ser baseado no nível de maturidade de cada adolescente. Recomenda-se a supervisão de adultos e a adaptação dos recursos e permissões da plataforma de acordo com a idade e o grau de amadurecimento.
Os contratos dos pais para o uso da tecnologia podem ser um poderoso aliado nos primeiros passos. O cumprimento de metas e acordos estabelece uma base de confiança e aumenta as possibilidades de utilização eficiente. Da mesma forma, as transgressões, seja em termos de conteúdo ou de tempo conectado, devem ser acompanhadas de consequências acordadas e conhecidas. É importante que o processo de uso seja consensual e relacionado às competências demonstradas.
Dicas para crianças e adolescentes
Como usuário, você deve estar ciente do uso (às vezes abusivo) que faz das redes sociais. Seu objetivo deve ser agregar valor e facilitar a comunicação e os relacionamentos. Se a preocupação por eles for maior do que aquilo que eles oferecem, não estaremos fazendo bom uso.
O fato de podermos acessá-los continuamente não é razão para fazê-lo. Saber o tempo real de uso (existem aplicativos para isso) pode ajudar a reduzi-lo de forma consciente e gradual.
Não é necessário ativar notificações para tudo e nem estar constantemente conectado. As redes sociais são apenas mais uma ferrmenta, mas somos nós que decidimos quando as queremos utilizar. É aconselhável desligar as notificações e escolher determinados horários do dia para nos atualizar, verificar e responder a mensagens e publicações.
*Texto escrito por Juan Manuel Machimbarrena, Alexander Muela Aparicio, Joaquín Manuel González Cabrera e Miriam N. Varona para a The Conversation Espanha.
** Este texto foi publicado originalmente no site The Conversation Brasil

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos

Por que pais nem sempre devem estar ‘em sintonia’ com os filhos
Descobertas recentes de cientistas mostram que pais e mães não precisam estar 'em sintonia' com seus filhos todo o tempo, a todo custo. A constante sintonia entre pai e filho, atendendo a todas as necessidades da criança, é realmente a melhor solução em todos os momentos?
Getty Images (via BBC)
Formar conexões seguras com os pais é fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças.
Após décadas de pesquisas, estudiosos identificaram um ingrediente fundamental deste processo: a coordenação entre o cérebro e o comportamento de pais e filhos durante as interações sociais.
Os seres humanos se conectam sintonizando-se de diversas formas. Este processo, chamado de sincronia biocomportamental, envolve a imitação dos gestos, alinhamento dos batimentos cardíacos e secreção de hormônios, como cortisol e ocitocina.
🧠 Até os cérebros podem se sincronizar, com a atividade cerebral aumentando e diminuindo nas mesmas áreas, praticamente ao mesmo tempo, quando passamos algum tempo com outras pessoas.
Meus colegas e eu realizamos pesquisas que demonstraram que a sincronia entre os cérebros de pais e filhos pode ser útil para a conexão das crianças e tende a aumentar quando pais e filhos brincam, conversam ou resolvem problemas juntos.
Mas, recentemente, começamos a nos perguntar se realmente é sempre melhor ter maior sincronia. E nosso estudo recente, publicado na revista Developmental Science, indica que, às vezes, este pode ser um sinal de dificuldades no relacionamento.
As orientações precisam ser atualizadas?
Grande parte das orientações atuais oferecidas aos pais recomenda que eles permaneçam em constante sintonia com seus filhos. Os pais devem estar fisicamente próximos e sincronizados com as crianças, antecipando e reagindo imediatamente a cada uma de suas necessidades.
Este conselho se baseia na teoria da conexão e em algumas pesquisas. Elas demonstram que maior sensibilidade parental e funcionamento reflexivo são benéficos para o desenvolvimento das crianças e a formação de conexões seguras.
Ainda assim, apesar das boas intenções, este conselho deixa de considerar diversos detalhes importantes.
Pesquisas já indicaram, por exemplo, que, em cerca de 50 a 70% do tempo, pais e filhos não estão "em sintonia".
Nesses momentos, eles podem estar fazendo atividades separadas. Isso ocorre quando um filho explora algo sozinho ou um dos pais está trabalhando, por exemplo.
Pais e filhos costumam participar de uma "dança social" constante, que compreende se sintonizar, sair de sintonia e reparar essa desconexão. E é este fluxo de conexão, desconexão e reconexão que oferece às crianças a combinação ideal de suporte e estresse moderado, que ajuda a fazer crescer o cérebro social delas.
A liberdade e a independência trazem benefícios emocionais, sociais e cognitivos para as crianças.
Getty Images (via BBC)
Os pesquisadores também concordam que pode haver consequências negativas para pais e filhos em sintonia constante entre si. Estes efeitos podem incluir, por exemplo, o aumento do estresse do relacionamento e do risco de conexão insegura das crianças.
Isso ocorre especialmente quando os pais estimulam excessivamente seus filhos ou reagem de forma exagerada a cada necessidade das crianças.
É por este motivo que, quando o assunto é a sincronia entre pais e filhos, aparentemente existe um "nível intermediário ideal". Em outras palavras, mais sincronia pode não ser necessariamente melhor.
Sincronia cerebral e conexão
Pais e filhos não conseguem se manter sintonizados todo o tempo.
Getty Images (via BBC)
Como parte de uma grande equipe internacional de pesquisadores de toda a Europa, meus colegas Trinh Nguyen, Melanie Kungl, Stefanie Hoehl, Lars White e eu decidimos investigar de que forma a sincronia biocomportamental entre pais e filhos está relacionada à conexão entre eles.
Convidamos pares de pais e filhos — 140 pais ou mães e seus filhos de 5 a 6 anos — para o nosso Laboratório da Neurociência Social da Conexão Humana. Juntos, eles resolveram tangrans, os quebra-cabeças de origem chinesa.
Nós avaliamos a atividade cerebral com "hipervarredura" por espectroscopia funcional em infravermelho próximo. Para isso, solicitamos aos pais e filhos que usassem bonés conectados a sensores ópticos.
Também gravamos as interações em vídeo, para determinar o nível de sincronia comportamental demonstrado — o grau de sintonia e atenção que eles mantinham entre si. E, por fim, avaliamos o tipo de conexão entre pais e filhos, conhecido como representações de conexão.
Nós havíamos descoberto anteriormente que a sincronia neural em pares de mãe e filho e de pai e filho aumenta durante tarefas diferentes.
Nos pares de mãe e filho, a sincronia neural estava relacionada a sessões alternadas de resolução de quebra-cabeças ou conversas. Já nos pares de pai e filho, a sincronia durante os quebra-cabeças estava relacionada à confiança e ao prazer dos pais ao desempenharem seu papel.
Mas será que isso significa que a maior sincronia neural entre pais e filhos é sempre uma medida do bom relacionamento?
No nosso novo estudo, observamos que, na verdade, as mães com tipo de conexão inseguro, ansioso ou de fuga demonstraram maior sincronia neural com seus filhos. É interessante observar que os tipos de conexão das mães não têm relação com o grau de sincronia entre as mães e os filhos em termos de comportamento.
Também encontramos, nos pares de pai e filho, sincronia neural mais alta, mas sincronia comportamental mais baixa (em comparação com pares de mãe e filho), independentemente da conexão.
Nossas conclusões indicam que a maior sincronia neural pode ser o resultado da concentração de maior esforço cognitivo na interação entre pais e filhos. Se a conexão da mãe apresentar representações inseguras, ela e seu filho podem ter mais dificuldade para se coordenarem e ajudar um ao outro durante atividades como a solução de quebra-cabeças.
Uma explicação similar pode se aplicar à sincronia neural durante a solução de problemas por pais e filhos. Os pais têm mais familiaridade com jogos ativos e violentos. Por isso, atividades mais estruturadas e cognitivas, como quebra-cabeças, podem ser mais desafiadoras e exigir maior sincronia neural nos pares de pai e filho.
Lições a serem aprendidas
Qual o significado das nossas novas descobertas? Em primeiro lugar, pais e mães não devem acreditar que precisam estar "em sintonia" com seus filhos todo o tempo, a todo custo.
A alta sintonia entre pais e filhos pode também ser reflexo de dificuldades de interação. E, muitas vezes, ela pode aumentar o burnout parental, com impactos negativos para o relacionamento entre pais e filhos.
É claro que sempre é bom ter pais emocionalmente disponíveis — que saibam ler com habilidade as indicações demonstradas pelas crianças, reagindo de forma rápida e sensível às suas necessidades —, especialmente quando os filhos são jovens.
Mas os pais precisam ser "bons o suficiente", ficando disponíveis quando as crianças precisam deles, não "permanentemente ligados".
A liberdade e a independência também trazem benefícios emocionais, sociais e cognitivos para as crianças, especialmente quando elas ficam mais velhas.
O que realmente conta é que a relação entre pais e filhos funcione bem, de forma geral. Que as crianças possam desenvolver a confiança nos seus pais e que eventuais desencontros, que ocorrem naturalmente todo o tempo, sejam reparados com sucesso.
Esta é a verdadeira essência da teoria das conexões, muitas vezes esquecida e mal representada nas orientações apresentadas para os pais.
*Pascal Vrticka é professor de psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons.
Leia aqui a versão original em inglês.