Quase 500 detentos do AC vão fazer provas do Enem para pessoas privadas de liberdade

‘Quem quer ser um milionário?’: faça o quiz e descubra se acertaria todas as perguntas ou iria para casa sem nada
Exame será aplicado nos dias 10 e 11 de dezembro. Preparação, segundo o Iapen, conta com material didático, vídeos e aulas duas vezes por semana. Número de inscritos para o Enem PPL no Acre chega a 491 detentos
Isabelle Nascimento/Iapen-AC
Quase 500 detentos do Acre vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pessoas privadas de liberdade (PPL), segundo dados do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC). As provas serão aplicadas nos dias 10 e 11 de dezembro e 491 presos devem participar.
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Em 2023, foram 535 participantes. Para a inscrição, foi preciso que os familiares dos presos levassem RG, CPF e comprovante de escolaridade dos interessados ao Núcleo de Apoio à Família (NAF), situado no Polo Moveleiro, Distrito Industrial, em Rio Branco.
Ainda segundo o Iapen, a preparação dos inscritos conta com material didático, vídeos e aulas duas vezes por semana, com apoio da Secretaria de Estado de Educação (SEE-AC).
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As disciplinas são ministradas de acordo com programa definido pelo Ministério da Educação (MEC). As aulas são ministradas pela escola Fábrica de Asas, localizada no Complexo Penitenciário de Rio Branco.
“Nós temos aula duas vezes por semana. Além disso, a gente ganha os livros e materiais pra estudar na cela. Os professores passam a tarefa pra cela também. É muito importante para mim terminar meus estudos aqui dentro, porque lá fora eu parei na terceira série”, explica uma detenta que vai fazer o Enem PPL e deseja cursar Engenharia Civil.
Apesar das grades, necessárias por conta do protocolo do sistema prisional, os professores da Fábrica de Asas cumprem um papel essencial na trajetória de quem passa pelas unidades do estado.
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É o caso do professor de História, Paulo Mário de Souza Moll. Com a proximidade as provas, o educador explica que as aulas entram em fase de revisão.
“A gente faz quiz com perguntas e respostas. E elas levam para a cela, o que a gente chama de atividades indiretas. Essas atividades indiretas, além de textos, têm questões de múltiplas escolhas e, quando elas retornam para a sala de aula, a gente corrige”, conta.
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Metade dos alunos brasileiros de 9 anos não sabe resolver tabuada ou contas como ‘100 + 210’, mostra estudo internacional

‘Quem quer ser um milionário?’: faça o quiz e descubra se acertaria todas as perguntas ou iria para casa sem nada
É a 1ª participação do Brasil no Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss, na sigla em inglês). Entre jovens de 13 anos, 62% não conhecem formas geométricas básicas. Estudo internacional mostra que, entre as crianças brasileiras, há defasagem nos conhecimentos básicos de matemática
Reprodução/Pexels
No Brasil, 51% das crianças do 4º ano do ensino fundamental não dominam habilidades básicas de matemática, como fazer tabuada, interpretar gráficos simples ou somar e subtrair números de três algarismos (200 – 150 ou 300 + 120, por exemplo). Elas sequer alcançam o nível de conhecimento considerado "baixo".
➡️É o que mostram os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss, em inglês), divulgados nesta quarta-feira (4) pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA). As provas são aplicadas a cada 4 anos, desde 1995 — mas esta é a primeira participação brasileira no exame.
📉Na escala do Timss, a média do Brasil em matemática, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, à frente apenas de três dos 64 países participantes: Marrocos, Kuwait e África do Sul. Em comparação ao resultado geral das demais nações nessa etapa (503 pontos), é como se estivéssemos três anos escolares atrás delas.
“São crianças de 9 anos: é muito cedo para estarmos tão atrasados. Nosso desempenho ficou próximo ao de países africanos com PIB menor do que o nosso”, afirma Ernesto Martins Faria, especialista em avaliação de políticas públicas educacionais e diretor-executivo do Iede.
👎Entre os participantes brasileiros do 4º ano, os 5% que tiveram pior rendimento atingiram, no máximo, 259 pontos. “Isso significa que eles basicamente não reagiram à prova. Não sabiam responder, porque era muito difícil para eles”, explica Faria.
Ele ressalta que o nível de dificuldade do Timss é superior ao da principal prova brasileira para crianças dessa idade — o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), no qual nosso desempenho já é preocupante. “Precisamos subir a régua. A nossa está muito baixa, e as redes de ensino costumam se guiar pelo que é cobrado nessas avaliações. O ideal seria ter uma mistura nacional entre o básico, que já é medido pelo Saeb, e o mais complexo, exigido pelo Timms.”
🟨No 8º ano, 62% não sabem calcular o lado de um quadrado
O Timss também avalia o conhecimento de alunos do 8º ano (idade média de 13 anos). A tendência é a mesma já revelada pelo Pisa, prova internacional que foca na faixa etária dos 15 anos: o Brasil está atrasadíssimo em relação ao que é esperado para o ensino fundamental II.
Mais de 60% dos jovens daqui não conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles:
não sabem lidar com formas básicas (como círculo e quadrado) e suas representações visuais;
não entendem relações lineares de proporção;
não conseguem determinar o lado de um polígono;
não são capazes de interpretar informações em gráficos.
🌎Com média de 378 pontos, o Brasil ficou à frente apenas do Marrocos. Foi ultrapassado por nações como Irã, Uzbequistão, Chile, Malásia, Arábia Saudita, África do Sul e Jordânia.
Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. São casos em que os jovens basicamente não souberam responder a nada.
👩‍🔬E em ciências?
O desempenho dos brasileiros em ciências, apesar de insatisfatório, foi melhor do que em matemática.
4º ano: 39% não dominam conhecimentos básicos, como saber informações simples sobre plantas, animais e meio ambiente. O rendimento médio foi de 425 pontos, entre o patamar baixo e o intermediário.
8º ano: 42% não conseguiram responder a perguntas sobre células, tecidos e órgãos, e também não souberam distinguir uma reação química de uma física. Afirmações como “o sol provê luz e calor” ou “há sal no oceano” não são conhecidas por eles. Na média geral, o Brasil alcançou 420 pontos, também entre os níveis baixo e intermediário.
📚‘O problema da matemática é ainda pior do que o da leitura’, diz especialista
Segundo Ernesto Martins Faria, o Timss deixa claro, mais uma vez, que o maior problema na educação básica brasileira é a matemática — um buraco ainda mais fundo do que em leitura ou em ciências.
“Quase não existe a realidade de alunos abaixo de 400 pontos na Inglaterra, por exemplo. No Brasil, é a pontuação mais comum. Nós temos uma questão no letramento matemático: crianças e jovens não dominam a base mínima da disciplina para conseguir resolver um problema”, diz.
A seguir, veja hipóteses que explicam esse desempenho tão baixo:
🔢POUCA FAMILIARIDADE COM NÚMEROS – Em língua portuguesa, ainda há um contato mais intenso com a disciplina no dia a dia (seja lendo um livro ou trocando mensagens no Whatsapp). Se houver boas bibliotecas ou se os pais do aluno forem escolarizados, é possível que o aluno adquira habilidades de leitura e escrita. Já em matemática, dependemos muito mais de bons professores e de bons colégios. E o Brasil enfrenta problemas graves na formação docente (como crescimento avassalador do ensino à distância e a baixa qualidade dos cursos de pedagogia e de licenciatura).
➡️BAIXA ATRATIVIDADE – A carreira de professor já não é atrativa, em geral, pela baixa remuneração e pelas condições de trabalho. Nos cursos de licenciatura em matemática, então, a procura por vagas é baixíssima. E não para por aí: a evasão nessas graduações também é alta. O aluno que é bom em cálculo acaba migrando para carreiras com melhores perspectivas de mercado de trabalho, como economia, engenharia e ciências da computação.
⚖️ DESEQUILÍBRIO NA DISTRIBUIÇÃO DE PROFESSORES: Forma-se um ciclo. Os estudantes aprovados nas faculdades privadas entram, em geral, com uma defasagem nos conhecimentos básicos, provavelmente pela baixa qualidade do ensino médio público. ➡️ Têm acesso a um curso superior fraco. ➡️Após a formatura, enfrentam maior dificuldade para passar nos concursos públicos mais concorridos.➡️ São contratados como professores temporários, em escolas de pior estrutura.➡️ Ensinam alunos que já são mais socialmente vulneráveis e que, por tabela, continuarão recebendo uma formação escolar pior que a dos mais ricos.
💰 DESIGUALDADE ECONÔMICA: Émerson de Pietri, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), já explicou ao g1 em fevereiro dois aspectos:
O processo de educação formal no Brasil é recente – A escolarização básica, no sistema público, passou a ser acessível para a maior parte da população após a década de 1970, gradualmente. “Foi só na década de 1990 que a maioria chegou ao ensino fundamental 2”, disse. Ou seja: partimos de um ponto diferente da média dos outros países.
Por quase 400 anos, o Brasil viveu um sistema escravocrata, “que deixou uma estrutura social difícil de ser superada”. “No cotidiano escolar, recebemos alunos que vêm de situações socioeconômicas muito difíceis. São crianças que precisam se preocupar antes com a sobrevivência. Ela tem o que comer? O que vestir? Pode tomar banho? É um conjunto de fatores para que ela tenha condições de aprender”, afirmou o professor.
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‘Quem quer ser um milionário’: entenda o contexto por trás da pergunta de R$ 1 milhão sobre fotografia

‘Quem quer ser um milionário?’: faça o quiz e descubra se acertaria todas as perguntas ou iria para casa sem nada
Pergunta do quadro do 'Domingão com Huck' era sobre o ano da primeira fotografia. Entenda por que a resposta correta era 1826, na França. Clécio Mello participa do Quem Quer Ser Um Milionário
Reprodução/Globo
O metalúrgico Clécio Melo, de Piracicaba (SP), participou do quadro "Quem Quer Ser um Milionário", exibido no Domingão com Huck, no último domingo (1º). Ele chegou até uma das etapas mais difíceis do jogo, a pergunta de R$ 1 milhão.
Nessa fase, seu desafio era responder a seguinte questão: Em que ano foi tirada a primeira fotografia? As opções eram as seguintes:
a) 1877 na Bélgica
b) 1826 na França (alternativa correta) ✅
c) 1859 na Inglaterra
d) 1848 na Alemanha
Clécio, em vez de arriscar uma resposta que poderia custar todo o dinheiro acumulado, preferiu sair do programa com os R$ 500 mil que já havia conquistado.
📸 Mas e você, saberia qual era a alternativa correta?
Nesta reportagem, vamos explicar isso e trazer uma história curiosa sobre a fotografia no Brasil.
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Clécio Mello conquista meio milhão de reais no 'Quem Quer Ser Um Milionário'
Reprodução/Globo
As pegadinhas
Para quem não conhece a fundo a história da fotografia, as alternativas poderiam parecer bastante confusas. Afinal, cada uma menciona um país europeu diferente e uma data que parece plausível:
a) Primeiro, 1877 na Bélgica soa como uma data factível porque, nessa época, a fotografia já era amplamente utilizada na Europa. No entanto, a primeira fotografia registrada aconteceu muito antes disso.
b) Essa era a alternativa correta, 1826 na França ✅
c) Já 1859 na Inglaterra também poderia confundir. Afinal, a Inglaterra foi um grande centro de avanços científicos e industriais durante o século XIX. Contudo, a fotografia nasceu na França.
d) Por fim, 1848 na Alemanha é outra opção enganosa. A Alemanha sempre esteve na vanguarda de muitas descobertas científicas, mas não foi lá que a primeira imagem foi capturada.
Já a alternativa correta, "b) 1826 na França", está relacionada ao inventor Joseph Nicéphore Niépce. Foi ele quem produziu a primeira fotografia da história, chamada "Vista da Janela em Le Gras" (veja abaixo).
Vista da Janela em Le Gras, a primeira 'fotografia' da história.
Wikimedia/Domínio Público
Niépce nasceu na França em 1765 e, além de fotógrafo, foi inventor e cientista. Em 1807, ele e seu irmão Claude inventaram o primeiro motor de combustão interna, mas foi através de suas experiências fotográficas que ele ganhou notoriedade.
Para criar a imagem de "Vista da Janela em Le Gras", Niépce usou uma técnica chamada de heliografia em que aplicou betume da Judeia, um tipo de asfalto, dissolvido em um líquido sobre uma placa de estanho.
Essa placa foi então exposta à luz por cerca de 8 horas dentro de uma câmara escura, o que fez com que a parte exposta à luz se endurecesse, formando a imagem permanente.
Quando exposta à luz em uma câmara escura, a substância endurecia, criando uma imagem permanente após a lavagem com óleo de lavanda e terebintina (um tipo de diluente).
Hoje a foto faz parte da coleção Gernsheim na Universidade do Texas, nos Estados Unidos.
O daguerreótipo e o Brasil
Um detalhe interessante nessa história é que em 1829, Niépce se uniu a um outro francês chamado Louis Daguerre para melhorar seu processo de fotografia.
Juntos, eles fizeram ajustes e, em 1832, introduziram uma nova técnica, que reduzia o tempo de exposição para apenas um dia, uma mudança possível com o uso de resíduos de óleo de lavanda.
Niépce morreu em 1833, e foi Daguerre quem, em 1838, inventou o daguerreótipo, o primeiro processo fotográfico que incluía uma fase de "desenvolvimento".
Nesse método, uma placa de prata coberta com uma camada fina de iodeto de prata era exposta à luz, e depois colocada em vapores de mercúrio para revelar a imagem invisível.
Uma câmara de daguerreótipo.
Wikimedia/Domínio Público
Mas o que muitos não sabem é que o Brasil também teve um papel importante nos primórdios da fotografia. Um francês chamado Hercule Florence, que morava no interior de São Paulo, em Campinas, começou a fazer experimentos semelhantes em 1832.
Ele estava tentando encontrar um jeito de "gravar" as imagens que apareciam em uma câmera escura. Em suas anotações, Florence chegou a usar o termo photographie antes mesmo de o processo ser popularizado na Europa.
Porém, como Florence estava isolado e sem acesso aos grandes centros científicos da época, suas inovações ficaram desconhecidas por muito tempo.
Como mostrou o g1, foi só em 1976, mais de 140 anos depois, que o pesquisador brasileiro Boris Kossoy conseguiu comprovar que Hercule Florence havia, de fato, feito uma grande contribuição para a história da fotografia.
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Estudantes brasileiros de medicina na Argentina abandonam país após aumento do preço das faculdades

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Milhares de alunos brasileiros foram pegos de surpresa por aumentos acima da inflação anunciados pelo governo Milei. Enquanto alguns voltam para o Brasil, outros vão para o Paraguai. Passageiros no saguão do Aeroparque, em Buenos Aires, em foto de 2016
Reuters
Aos 22 anos, Amanda Mello está no terceiro ano de medicina. Ela trocou Cuiabá por Buenos Aires para seguir o sonho de ser médica. Mas, na metade do caminho, vieram os aumentos do custo de vida na Argentina e, sobretudo, da mensalidade.
“Quando saí da minha cidade, eu tinha a intenção de vir para a Argentina para me formar. Atualmente, com a situação que está, a faculdade em particular e o custo de vida em geral, tive de refazer os planos porque aqui não está dando mais para continuar", lamenta Amanda num desabafo à RFI.
"Tive de conversar muito com a minha família e pensar em outras possibilidades para poder continuar com meu sonho que infelizmente foi interrompido."
Amanda está de mudança para o Paraguai, onde vai continuar seus estudos de medicina. “O Paraguai conseguiu abrir as portas para mim do mesmo jeito que a Argentina abriu há dois anos, porém com um custo de vida menor e com uma faculdade muito boa”, compara.
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Seis mil sob maior risco
Segundo um relatório do Ministério do Capital Humano da Argentina, com base nos números mais atualizados disponíveis de 2022, existem 20.255 estudantes brasileiros de medicina no país, dos quais 12.131 estão matriculados no sistema público de educação.
Dos restantes 8.124, cerca de 6 mil estão na universidade Barceló, onde os brasileiros ocupam 75% das vagas, segundo o centro de estudantes da faculdade.
Numa das três sedes da universidade, a situada em Santo Tomé, na fronteira com a cidade gaúcha de São Borja, a Barceló já cobra 25% a mais se o estudante for de nacionalidade brasileira.
A situação chegou ao limite, e, com isso, milhares de estudantes que habitam em Buenos Aires decidiram protestar.
A inflação implica nos aumentos
O índice de preços ao consumidor desde janeiro deste ano é 106,98% e deve fechar o ano abaixo de 120%, mas os aumentos na Barceló quase triplicaram essa cifra (325%).
Para muitos, o sonho de ser médico ficou para trás. É o caso do baiano Ario Santos, de 42 anos, que decidiu voltar para Vitória da Conquista, sua cidade natal, depois de três anos de estudos na Argentina.
“O que eu vou fazer agora é trancar minha faculdade aqui, voltar para o Brasil, esperar um pouco mais para ver se melhora a condição cambial daqui e, se isso acontecer, eu volto para continuar a minha faculdade. Porque eu estou no terceiro ano, já é um pouco mais da metade, eu não posso perder o que eu já investi”, explica Ario Santos à RFI.
“Hoje, com R$ 8 mil, está difícil você conseguir pagar tudo. Então, eu creio que aumentou 300% ou até 350%. É uma coisa incrível. Ninguém pode pagar isso. Por isso, a maioria dos brasileiros está voltando”, acrescenta.
Contas que não fecham
Os brasileiros decidem vir para estudar na Argentina por três motivos principais:
no país não existe vestibular, basta se matricular;
o ensino é de qualidade;
o custo de vida era baixo até o ano passado.
Entretanto, este ano a moeda argentina foi a que mais se valorizou no mundo. E o custo de vida para os estudantes brasileiros mais do que triplicou em reais.
Apesar da inflação acumulada desde dezembro — quando o governo do presidente Javier Milei começou — ter atingido 160%, o valor do dólar financeiro (usado pelos brasileiros) é apenas 7% maior, quando comparado com o de dezembro de 2023.
Na contramão, em 2024, o real se desvalorizou 19,2% e o dólar aumentou 23,7% no Brasil, tocando os 6 reais.
Essa equação de peso argentino valorizado e de real desvalorizado atinge o poder aquisitivo dos brasileiros que recebem a ajuda da família no Brasil.
Há um ano, o curitibano Matheus Vieira, de 26 anos, pagava o equivalente a R$ 700 de mensalidade; hoje, paga R$ 1.900, quase o triplo. Com aluguel, transporte e alimentação, o custo de vida chega a R$ 5 mil e continua a subir todos os meses.
Depois de dois anos na Argentina, Matheus admite que agora também está na dúvida sobre voltar ao Brasil ou recomeçar no Paraguai.
“Diante desse panorama, com os aumentos mensais da faculdade e com o aumento do custo de vida, infelizmente as opções são trancar a faculdade, voltar para o Brasil ou estudar a possibilidade de transferir para o Paraguai", lamenta o estudante.
"Mas isso é muito triste porque isso é uma interrupção de um sonho, de um planejamento muito longo que envolve a minha família, que se programa e que se organiza para isso."
Interrupção e recomeço
A paulista Mikaela Bessa, de 20 anos, indica à RFI que "vai jogar no lixo os dois anos investidos" na universidade privada Barceló, mas não vai desistir do sonho. Como na Argentina, a universidade pública não reconhece o estudo da privada, Mikaela vai recomeçar do zero.
“O impacto desse aumento na minha vida é que eu terei de recomeçar. Vou ter de trancar, parar a faculdade no meu segundo ano. Ou seja: são dois anos que paguei a faculdade, que eu me esforcei, jogados no lixo. E vou recomeçar numa universidade pública aqui na Argentina para continuar o meu sonho e não ter de desistir e voltar para o Brasil”, resigna-se.
A também paulista Iasmin Riboski, de 21 anos, olha ao redor e vê como o sonho se tornou um pesadelo para os brasileiros e para as suas famílias no Brasil que arcam com os custos.
“Eu tenho a minha família no Brasil. Os meus avós, já aposentados, e os meus pais, que também estão dando todo o esforço possível. É muito complicado porque a gente vem com um sonho e volta com uma ilusão de que a vida é barata, de que a faculdade vai nos escutar, mas, infelizmente, esse sentimento de frustração não é somente meu, mas de todos os meus colegas e de todos os estudantes aqui”, aponta Iasmin sobre o caso de brasileiros nas universidades privadas argentinas.

‘Quem quer ser um milionário?’: faça o quiz e descubra se acertaria todas as perguntas ou iria para casa sem nada

‘Quem quer ser um milionário?’: faça o quiz e descubra se acertaria todas as perguntas ou iria para casa sem nada
O metalúrgico Clécio Melo teve a chance de garantir o prêmio de R$ 1 milhão, mas desistiu na pergunta final e levou R$ 500 mil. Clécio Mello participa do Quem Quer Ser Um Milionário
Reprodução/Globo
O metalúrgico Clécio Melo teve a oportunidade de participar do quadro "Quem quer ser um milionário", do Domingão com Huck, no último domingo (1º). Após garantir R$ 500 mil, ele decidiu não arriscar na última pergunta e saiu com metade do grande prêmio de R$ 1 milhão.
Em sua 13º tentativa e primeira participação respondendo as questões no programa, Clécio respondeu corretamente 14 perguntas, chegou à que poderia torná-lo um milionário, mas desistiu.
E você, se tivesse a mesma oportunidade que Clélio, teria levado o grande prêmio? Faça o quiz do g1 e confira!
Você acertaria perguntas do "Quem quer ser um milionário?"