‘Polarização’ é a palavra do ano eleita pelo Dicionário Merriam-Webster; música de Taylor Swift influenciou TOP 10

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato
No contexto dos Estados Unidos, termo referiu-se principalmente à disputa eleitoral pela presidência. No ranking, também aparece 'Fortnight', nome de uma música da cantora americana. A democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump
Getty Images/via BBC
A palavra do ano, em 2024, é "polarização", definiu o Dicionário Merriam-Webester, nesta segunda-feira (9). Pensando no contexto dos Estados Unidos, não é difícil imaginar por que o termo foi escolhido: as eleições presidenciais entre Donald Trump e Kamala Harris foram acirradíssimas e dividiram a população.
🧠O que significa "polarização"? No próprio dicionário citado acima, a explicação é: "divisão entre dois opostos totalmente distintos", especificamente quando nos referimos a "opiniões, interesses ou crenças de um grupo em relação a outro".
Peter Sokolowski, editor geral do Merriam-Webster, afirmou à agência de notícias Associated Press que o vocábulo "polarização" é relativamente recente: foi criado no início do século XIX. "É um termo que traz intensidade a alguma outra palavra, seja para descrever relações raciais, políticas ou ideológicas", diz.
🧠Quais outras palavras ficaram no TOP 10 do dicionário, em número de buscas? Veja a lista abaixo (os swifties vão gostar).
Taylor Swiftt
Getty Images
Polarization: polarização
Demure: reservado, modesto
Fortnight: quinzena (período de duas semanas), nome de uma música da cantora americana Taylor Swift
Totality: totalidade (conjunto, somatório ou plenitude)
Resonate: ressoar (afetar ou apelar de forma pessoal ou emocional)
Allision: colisão com objeto fixo (quando um objeto em movimento colide com outro imóvel)
Weird: estranho, esquisito
Cognitive: cognitivo (relacionado a atividades intelectuais conscientes, como pensar, raciocinar ou lembrar
Pander: bajular (dizer, fazer ou oferecer algo para agradar, mesmo que não seja adequado ou razoável)
Democracy: democracia (forma de governo em que o povo elege representantes para tomar decisões e criar leis)
Já para o Dicionário Oxford, termos de 2024 são "cérebro podre"
O Dicionário Oxford elegeu, há uma semana, a expressão "brain rot" como a vencedora de 2024 ("cérebro podre" ou "podridão cerebral", em inglês). Foram simplesmente 130.000 buscas por esse verbete ao longo de 2024.
🧠O que significa "brain rot" ? É a deterioração mental ou intelectual causada pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais e pouco desafiadores, principalmente os de redes sociais.
🧠Quando surgiu? O termo foi usado pela primeira vez em 1854 por Henry David Thoreau, no livro "Walden". O autor criticava a falta de valorização de ideias complexas e comparava o "brain rot" ao apodrecimento das batatas na Inglaterra.
🧠Por que se popularizou? Segundo os pesquisadores do Dicionário Oxford, a procura pelo termo cresceu 230% entre 2023 e 2024, possivelmente por causa da "preocupação com o impacto trazido por tantos conteúdos de baixa qualidade on-line". Um órgão de saúde dos Estados Unidos chegou até a publicar orientações para detectar casos de "brain rot".
O que é brain rot?
'Quem quer ser um milionário?': você acertaria as perguntas que metalúrgico enfrentou na TV?
'Cotista, pobre'; 'Sou playboy, seu pai é motoboy': por que luta de classes domina jogos universitários
Vídeos de Educação
Luta de classes em jogos universitários: torcidas demonstram racismo e preconceito

A técnica de Feynman, o método de estudo criado por Nobel para aprender qualquer coisa

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato
O físico americano era conhecido por conseguir explicar assuntos muito complexos em termos bastante simples. Richard Feynman era conhecido por explicar temas complexos de forma simples
Getty Images/Via BBC
Se a ideia de fazer um exame o deixa estressado — seja na escola, na universidade ou para conseguir uma promoção no trabalho — você não está sozinho.
Reter informações, principalmente quando se trata de temas complexos, é uma tarefa difícil, mesmo para quem tem grande inteligência e memória.
No entanto, o cientista americano e ganhador do Prêmio Nobel de física Richard Feynman (1918 –1988) criou um método simples que pode ser uma ferramenta útil para estudar quase qualquer assunto.
O físico – reconhecido por suas importantes contribuições ao campo da mecânica quântica e da física de partículas – criou a técnica de estudo para aprimorar seu próprio entendimento e depois transmitir seu conhecimento aos seus alunos.
VEJA TAMBÉM
Metade dos alunos brasileiros de 9 anos não sabe resolver tabuada
A chave do método – que ele desenvolveu informalmente quando ainda era estudante – é trazer ideias complexas para um nível mais básico e tentar explicá-las de uma forma simples.
Em vez de memorizar conceitos, este método ajuda você a se envolver ativamente com o material de estudo, compreender totalmente as ideias e aplicá-las de forma eficaz.
Confira passo a passo como funciona o método, e veja se você consegue aplicar esta técnica nos assuntos que você tem interesse em estudar.
4 passos
Richard Feynman já foi chamado de gênio e ridicularizado por sua abordagem considerada excêntrica da ciência
Getty Images/Via BBC
1. Escolha um conceito
Pode ser qualquer um. Macroeconomia ou economia doméstica, ou o que você quiser aprender. Química ou medicina veterinária, ou primeiro um conceito e depois outro.
Anote o tópico escolhido.
2. Ensine
Escreva tudo o que você sabe sobre o assunto como se o estivesse ensinando a uma criança. Embora pareça absurdo, esse é um passo muito importante.
Certifique-se de usar a linguagem mais simples possível do início ao fim. Ao usar apenas as palavras mais comuns, você evita se enganar pensando que — por conhecer o jargão do tópico — você entende do que está falando.
3. Volte
No passo 2, você provavelmente identificou lacunas no seu conhecimento: coisas que você esqueceu ou não conseguiu explicar.
É neste momento que você realmente começa a aprender. Volte à fonte (podem ser seus livros, notas, um podcast) e explore o que você ainda precisa entender.
E, com cada subtópico, quando você achar que está claro, tente colocá-lo no papel em termos que uma criança possa entender.
Quando você se sentir confortável com tudo que era confuso, volte à redação original e siga em frente.
4. Revise e simplifique
Leia o que você escreveu. Certifique-se mais uma vez de que não está usando jargões.
Leia em voz alta.
Se a explicação não for simples ou parecer confusa, tome-a como uma indicação de que você não está entendendo alguma coisa.
Procure criar analogias, pois elas não apenas esclarecem, mas mostram que você já domina o assunto.
O exemplo dos elásticos
Além de seu trabalho em física, Feynman é lembrado por seu entusiasmo e dom para popularizar a ciência — apesar de seu trabalho ser altamente especializado.
Ele tinha um talento natural para explicar tópicos complexos para que fossem compreensíveis para um público mais amplo.
Foi assim que ele explicou, por exemplo, as propriedades dos elásticos.
"Os elásticos ou borrachas têm algumas moléculas longas, em forma de cadeia e retorcidas, e outras pequenas."
"Quando você estica o elástico, as cadeias se endireitam, mas os pequenos átomos as bombardeiam constantemente, tentando fazê-las encolher novamente. Essa é a razão da resistência em permanecerem esticadas. E esse bombardeio produz calor."
"Para testar isso, puxe um dos elásticos mais grossos entre os lábios e você sentirá a temperatura aumentar. Deixe-o voltar ao tamanho inicial e você sentirá ele esfriar."
"Sempre achei os elásticos fascinantes: pense que enquanto eles mantêm um monte de papéis juntos, esses pequenos átomos estão bombardeando perpetuamente as grandes moléculas, ano após ano."
Desvantagens
Existe alguma situação em que esse método não funciona? Ele possui alguma desvantagem em comparação com outras formas de aprendizagem?
Segundo um guia de estudos da Universidade de York, no Reino Unido, o método não é adequado para conceitos simples ou tópicos fortemente baseados na memorização.
O método também requer muito tempo e esforço considerável para aprender, compreender em profundidade e explicar com suas próprias palavras.
Mas suas vantagens são que ele aprofunda sua compreensão do tópico, ajuda a conectar ideias com experiências pessoais e ajuda a desenvolver sua capacidade de explicar ideias.

Como a polêmica do assento no avião nos ensina a lidar com as frustrações das crianças

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato
Especialistas em desenvolvimento infantil afirmam que os pais precisam saber agir em situações de estresse e validar os sentimentos das crianças, sem deixar de explicar limites e regras Acolher e explicar as regras é fundamental para lidar com a frustração de crianças, segundo especialistas.
Getty Images via BBC
Um vídeo feito dentro de um avião, expondo uma passageira que se recusou a ceder o assento na janela para uma criança que estava chorando, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. A gravação, publicada inicialmente por um perfil no TikTok, tinha como objetivo criticar a atitude da passageira, a bancária Jeniffer Castro, mas acabou gerando o efeito contrário: várias pessoas apoiaram a atitude da jovem e se revoltaram contra a mãe da criança, acusada de ter gravado o vídeo.
Em entrevista ao portal Leo Dias nesta sexta-feira (06), a mãe, que se identificou como Aline, disse que não se incomodou com a atitude de Jeniffer, pediu desculpas e trocou o filho de lugar. Ela também afirmou que nenhuma pessoa da família gravou o vídeo.
Já Jeniffer contou, em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, que foi xingada pela mãe da criança, que a chamou de "imbecil" e perguntou se ela tinha algum problema por não querer trocar de lugar.
Especialistas em desenvolvimento infantil entrevistados pela BBC Brasil afirmam que a forma como algumas pessoas dentro do avião lidaram com o episódio foi inadequada, gerando ainda mais frustração para a criança, que já estava chateada.
"O fato de ter alguém filmando e xingando a passageira dificulta a tentativa da mãe de acalmar a criança, porque a criança percebe aquilo como algo muito mais grave do que realmente é e é mais difícil para o cérebro dela se sentir seguro e parar de chorar. Essa pessoa que filmou atrapalhou muito a situação, intensificando o estresse da criança", afirma Nanda Perim, psicóloga especialista em Inteligência Parental.
Para Mayra Gaiato, psicóloga e neurocientista infantil, a interferência de outras pessoas também gera uma carga de estresse para a mãe, que já está tendo que lidar com a frustração do filho e o julgamento de outras pessoas. "Ter alguém filmando é um fator que potencializa toda a situação e pode nos levar a tomar atitudes que não queremos", afirma.
Como os pais devem agir
Na avaliação de Nanda Perim, não há nenhum problema em os pais pedirem ao passageiro para trocar de lugar, até porque algumas pessoas não se importam.
"Às vezes, a mãe ou o pai está com a criança cansada, pode ter acordado cedo, com a rotina alterada, e quer evitar mais um fator de estresse", afirma Perim, que pontua: "Mas, se o passageiro diz não, os pais precisam legitimar isso e agir com maturidade."
Segundo Mayra Gaiato, por mais raiva que os pais possam sentir nessas situações, esse sentimento precisa ser controlado, porque é por meio do exemplo dos pais que os filhos aprendem a lidar com problemas.
"Nós somos o principal modelo para as crianças e precisamos cuidar muito de todas as nossas ações, porque essas são as mensagens que passamos para elas sobre como conviver na sociedade", destacou.
Segundo Aline, ela não se importou com o fato de Jeniffer ter se negado a ceder o assento e retirou o filho imediatamente do lugar. A criança tinha um assento na janela, mas continuou chorando porque queria se sentar ao lado da avó.
Como lidar com a frustração das crianças
Em situações de estresse como essa, além de os pais adotarem o comportamento correto, é importante saber como lidar com a frustração das crianças, que têm pouco discernimento do que está acontecendo.
"Muitas crianças, principalmente as pequenas ou as que estão no espectro autista, apresentam inflexibilidade cognitiva. Elas não conseguem compreender, por exemplo, que trocar de uma janela para outra janela ainda seria estar em um assento na janela. O raciocínio delas não alcança isso, e a situação as frustra. Se a criança está frustrada, ela vai chorar", afirma Nanda Perim.
A psicóloga explica que a birra, embora seja malvista pela sociedade, é parte do desenvolvimento infantil e não é algo de crianças "mal-educadas", como muita gente julga.
"Existe um grande preconceito em relação às explosões emocionais das crianças, que são uma parte natural do desenvolvimento. Isso faz com que muitas pessoas não saibam lidar com isso e culpem as crianças", acrescenta.
Assim, quando uma criança está frustrada e chorando, a melhor forma de agir, segundo Mayra Gaiato, é falar a verdade. Ela sugere explicar de maneira clara a criança o porquê ela não pode fazer aquilo, e no caso do avião, até usar exemplos concretos, como mostrar o número do assento, por exemplo. Além disso, é importante acolher o sentimento da criança.
"O ideal é narrar, descrever e validar o que ela está sentindo. Tentar distrair a criança da situação não é o caminho. É importante dizer algo como: 'Entendi, você está sofrendo por causa disso e disso, sei que está difícil, mas isso não pode.' Valide o sentimento, descreva o que está acontecendo e explique, porque isso ajuda o cérebro da criança a entender que foi ouvida, mas que existem limites e regras", pontua.
Nanda Perim acrescenta que é importante ter um olhar respeitoso nesses momentos e não apenas dizer "não pode", "tem que aceitar e ponto final", como é comum se ouvir na educação tradicional.
"Uma alternativa é falar: 'eu sei que você está chateado, mas você não tem direito de sentar lá, porque aquele lugar é de outra pessoa. Você tem direito de ficar frustrado, e eu estou aqui para te dar meu colo', porque você acolhe", sugere.

Metade dos alunos brasileiros de 9 anos não sabe resolver tabuada e contas como ‘109 + 212’, mostra estudo internacional

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato
É a 1ª participação do Brasil no Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss, na sigla em inglês). Entre jovens de 13 anos, 62% não conhecem formas geométricas básicas. Metade dos alunos brasileiros de 9 anos não sabe resolver tabuada
No Brasil, 51% das crianças do 4º ano do ensino fundamental não dominam habilidades básicas de matemática, como fazer tabuada, interpretar gráficos simples ou somar e subtrair números de três algarismos (200 – 150, por exemplo). Elas sequer alcançam o nível de conhecimento considerado "baixo".
➡️É o que mostram os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss, em inglês), divulgados nesta quarta-feira (4) pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA). As provas são aplicadas a cada 4 anos, desde 1995 — mas esta é a primeira participação brasileira no exame.
📉Na escala do Timss, a média do Brasil em matemática, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, à frente apenas de três dos 64 países participantes: Marrocos, Kuwait e África do Sul. Em comparação ao resultado geral das demais nações nessa etapa (503 pontos), é como se estivéssemos três anos escolares atrás delas.
Estudo internacional mostra que, entre as crianças brasileiras, há defasagem nos conhecimentos básicos de matemática
Reprodução/Pexels
“São crianças de 9 anos: é muito cedo para estarmos tão atrasados. Nosso desempenho ficou próximo ao de países africanos com PIB menor do que o nosso”, afirma Ernesto Martins Faria, especialista em avaliação de políticas públicas educacionais e diretor-executivo do Iede.
👎Entre os participantes brasileiros do 4º ano, os 5% que tiveram pior rendimento atingiram, no máximo, 259 pontos. “Isso significa que eles basicamente não reagiram à prova. Não sabiam responder, porque era muito difícil para eles”, explica Faria.
Ele ressalta que o nível de dificuldade do Timss é superior ao da principal prova brasileira para crianças dessa idade — o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), no qual nosso desempenho já é preocupante. “Precisamos subir a régua. A nossa está muito baixa, e as redes de ensino costumam se guiar pelo que é cobrado nessas avaliações. O ideal seria ter uma mistura nacional entre o básico, que já é medido pelo Saeb, e o mais complexo, exigido pelo Timms.”
🟨No 8º ano, 62% não sabem calcular o lado de um quadrado
O Timss também avalia o conhecimento de alunos do 8º ano (idade média de 13 anos). A tendência é a mesma já revelada pelo Pisa, prova internacional que foca na faixa etária dos 15 anos: o Brasil está atrasadíssimo em relação ao que é esperado para o ensino fundamental II.
Mais de 60% dos jovens daqui não conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles:
não sabem lidar com formas básicas (como círculo e quadrado) e suas representações visuais;
não entendem relações lineares de proporção;
não conseguem determinar o lado de um polígono;
não são capazes de interpretar informações em gráficos.
🌎Com média de 378 pontos, o Brasil ficou à frente apenas do Marrocos. Foi ultrapassado por nações como Irã, Uzbequistão, Chile, Malásia, Arábia Saudita, África do Sul e Jordânia.
Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. São casos em que os jovens basicamente não souberam responder a nada.
👩‍🔬E em ciências?
O desempenho dos brasileiros em ciências, apesar de insatisfatório, foi melhor do que em matemática.
4º ano: 39% não dominam conhecimentos básicos, como saber informações simples sobre plantas, animais e meio ambiente. O rendimento médio foi de 425 pontos, entre o patamar baixo e o intermediário.
8º ano: 42% não conseguiram responder a perguntas sobre células, tecidos e órgãos, e também não souberam distinguir uma reação química de uma física. Afirmações como “o sol provê luz e calor” ou “há sal no oceano” não são conhecidas por eles. Na média geral, o Brasil alcançou 420 pontos, também entre os níveis baixo e intermediário.
📚‘O problema da matemática é ainda pior do que o da leitura’, diz especialista
Segundo Ernesto Martins Faria, o Timss deixa claro, mais uma vez, que o maior problema na educação básica brasileira é a matemática — um buraco ainda mais fundo do que em leitura ou em ciências.
“Quase não existe a realidade de alunos abaixo de 400 pontos na Inglaterra, por exemplo. No Brasil, é a pontuação mais comum. Nós temos uma questão no letramento matemático: crianças e jovens não dominam a base mínima da disciplina para conseguir resolver um problema”, diz.
A seguir, veja hipóteses que explicam esse desempenho tão baixo:
🔢POUCA FAMILIARIDADE COM NÚMEROS – Em língua portuguesa, ainda há um contato mais intenso com a disciplina no dia a dia (seja lendo um livro ou trocando mensagens no Whatsapp). Se houver boas bibliotecas ou se os pais do aluno forem escolarizados, é possível que o aluno adquira habilidades de leitura e escrita. Já em matemática, dependemos muito mais de bons professores e de bons colégios. E o Brasil enfrenta problemas graves na formação docente (como crescimento avassalador do ensino à distância e a baixa qualidade dos cursos de pedagogia e de licenciatura).
➡️BAIXA ATRATIVIDADE – A carreira de professor já não é atrativa, em geral, pela baixa remuneração e pelas condições de trabalho. Nos cursos de licenciatura em matemática, então, a procura por vagas é baixíssima. E não para por aí: a evasão nessas graduações também é alta. O aluno que é bom em cálculo acaba migrando para carreiras com melhores perspectivas de mercado de trabalho, como economia, engenharia e ciências da computação.
⚖️ DESEQUILÍBRIO NA DISTRIBUIÇÃO DE PROFESSORES: Forma-se um ciclo. Os estudantes aprovados nas faculdades privadas entram, em geral, com uma defasagem nos conhecimentos básicos, provavelmente pela baixa qualidade do ensino médio público. ➡️ Têm acesso a um curso superior fraco. ➡️Após a formatura, enfrentam maior dificuldade para passar nos concursos públicos mais concorridos.➡️ São contratados como professores temporários, em escolas de pior estrutura.➡️ Ensinam alunos que já são mais socialmente vulneráveis e que, por tabela, continuarão recebendo uma formação escolar pior que a dos mais ricos.
💰 DESIGUALDADE ECONÔMICA: Émerson de Pietri, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), já explicou ao g1 em fevereiro dois aspectos:
O processo de educação formal no Brasil é recente – A escolarização básica, no sistema público, passou a ser acessível para a maior parte da população após a década de 1970, gradualmente. “Foi só na década de 1990 que a maioria chegou ao ensino fundamental 2”, disse. Ou seja: partimos de um ponto diferente da média dos outros países.
Por quase 400 anos, o Brasil viveu um sistema escravocrata, “que deixou uma estrutura social difícil de ser superada”. “No cotidiano escolar, recebemos alunos que vêm de situações socioeconômicas muito difíceis. São crianças que precisam se preocupar antes com a sobrevivência. Ela tem o que comer? O que vestir? Pode tomar banho? É um conjunto de fatores para que ela tenha condições de aprender”, afirmou o professor.
Vídeos de Educação

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato

Curso de Engenharia Ferroviária da UFSC tem um único inscrito para o vestibular; conheça o candidato
João Francisco Rubbo Nobre tem 18 anos e acredita que uma boa estrutura ferroviária é fundamental para o desenvolvimento de um país. Natural de Valinhos (SP), ele vai fazer vestibular em Joinville. Quem é o único inscrito no curso de Engenharia Ferroviária da UFSC
Arquivo Pessoal/Divulgação
João Francisco Rubbo Nobre, de 18 anos, foi o único inscrito, como primeira opção, no curso de Engenharia Ferroviária e Metroviária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Às vésperas da prova, que ocorre no sábado (7) e no domingo (8), ele se prepara para viajar até Joinville, no Norte do estado, onde prestará vestibular.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
Morador de Valinhos (SP), o jovem assistiu de perto a ferrovia e os trens que por ela cruzavam desenvolverem a cidade natal. Ele se disse surpreso pela pouca procura do curso e a falta de interesse pelo tema, mas afirmou que o número reflete a falta da presença do setor no país.
"Fiquei bastante surpreso. Esperava que não houvessem muitos inscritos, mas como havia até pesquisado projetos de alunos do curso, pensei que haveria pelo menos uma dúzia além de mim, ainda mais por ser em uma universidade pública e prestigiada", disse o jovem.
Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC: locais de prova e cursos com maior concorrência são divulgados
O curso que escolheu tem duração de cinco anos, em turno integral, e oferece 28 vagas. Como segunda opção, o estudante escolheu Engenharia de Transporte e Logística, também em Joinville, que tem 35 vagas, mas encerrou as inscrições com 19 nomes.
O jovem optou por Joinville por ter interesse em conhecer melhor a cidade, que é a mais populosa de Santa Catarina, com 616.317 habitantes, além de querer contribuir para projetos de trens de passageiros no território catarinense.
"Estudos preparatórios da Infra já analisaram a região de Joinville, que certamente tem demanda o suficiente, mas não se iniciou um projeto de fato. Acho surpreendente que não existam movimentos em grande escala exigindo a volta do serviço muito utilizado no século passado, mas que foi abandonado", disse.
Quem é o único inscrito no curso de Engenharia Ferroviária da UFSC
Arquivo Pessoal/Divulgação
Além de Joinville, Nobre fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e se inscreveu para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP). Nas duas instituições, escolheu o curso de Física por não contemplar o curso ligado à ferroviária.
Futuro
No futuro, Nobre pretende trabalhar na área e mudar o transporte ferroviário do Brasil. Para ele, o país que deseja se desenvolver, especialmente se for continental como o Brasil, deve ter boa estrutura ferroviária, especialmente no transporte de passageiros.
"Se a malha fosse mais extensa e contemplasse o transporte de mais pessoas, muito mais estudantes entrariam em contato com a realidade e a importância do modal, e haveriam mais inscritos para o curso", pondera.
Segundo a UFSC, a formação do Engenheiro Ferroviário e Metroviário pelo Centro Tecnológico de Joinville (CTJ) busca propiciar visão sistêmica da engenharia ferroviária e metroviária, desenvolvida para atuar em quatro grandes áreas: projeto veicular, operação, manutenção e gestão ferroviária e metroviária.
O curso começou em agosto de 2009 e exige o mínimo de 10 semestres presenciais, complementado com o estágio obrigatório, a realização de atividades complementares e de ações de extensão para a comunidade não acadêmica.
LEIA TAMBÉM:
Advogados são alvos de operação contra crimes envolvendo organizações criminosas
Ex-mulher de autor de atentado contra o STF morre 16 dias após incêndio em residência
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias