10 palavras em 10 idiomas que vão ajudar a expandir sua mente

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu
Lista inclui um vocábulo em holandês da Pensilvânia (EUA) que significa "não estou com fome, mas sinto vontade de comer" e outra em coreano cheia de significados, usada em episódios que parecem ter sido predestinados a acontecer.
Lista de expressões que apareceram em reportagens da BBC ao longo de 2024 inclui vocábulo que significa 'não estou com fome, mas sinto vontade de comer'.
Serenity Strull/Getty Images
De palavras que capturam a busca de uma rena por comida no Ártico a novas expressões que transmitem as nuances das mudanças climáticas, as línguas podem ajudar nossas mentes a viajar e nos levar a outras culturas.
Aprendemos sobre gêmeos inventando línguas secretas e pesquisadores descobrindo escritas há muito perdidas de antigas rotas comerciais.
Encontramos uma palavra Amish para desejos sutis por comida e ouvimos como os pesquisadores da Antártida desenvolvem suas próprias gírias durante seus longos e sombrios meses de isolamento.
Existem milhares de línguas no mundo, e novas continuam sendo descobertas, incluindo escritas perdidas do passado antigo.
Mas, de acordo com o Living Tongues Institute for Endangered Languages (Instituto Línguas Vivas para Idiomas Ameaçados, em tradução livre, uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos dedicada à documentação de idiomas em risco de extinção), mais de 3 mil línguas estão ameaçadas e em risco de desaparecer.
Aprender, falar e apreciá-las pode ajudar a mantê-las vivas para nós e para as gerações futuras.
Aqui estão algumas das expressões mais intrigantes que aprendemos de línguas ao redor do mundo durante a produção de reportagens da BBC ao longo de 2024.
Redação do Enem ou 'cover' de Machado de Assis?
Elas estão listadas em ordem alfabética:
Ausgeapert (Alemão alpino)
Uma palavra antiga usada em várias áreas de língua alemã dos Alpes que se refere a corpos ou artefatos antigos expostos pelo derretimento do gelo.
À medida que os efeitos do aquecimento global se instalam, ela também é usada para descrever as consequências do recuo dramático das geleiras, que estão revelando mundos perdidos nas altas montanhas e mudando nossa compreensão da história nos Alpes.
Cůme či'k t'ê? (Sarkese)
A frase, que significa "como vai você?", vem de uma língua da ilha de Sark, uma dependência da Coroa Britânica localizada perto da costa francesa.
O sarkese tem apenas três falantes nativos restantes. É uma antiga variedade da língua normanda, que se desenvolveu quando os vikings nórdicos se estabeleceram no que hoje é a Normandia, na França, e sua língua se fundiu com a da população local.
Ealát (sami do norte)
Uma palavra quase intraduzível usada pelos pastores de renas sami do norte no Ártico, referindo-se às condições favoráveis que permitem que as renas cavem líquens nutritivos sob a neve.
O sami do norte e outras línguas sami estão intimamente ligadas ao modo de vida do povo indígena sami na Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia.
Por exemplo, há mais de 300 palavras sami para neve e muitas palavras para diferentes tipos de rena (incluindo várias especificamente para "rena assustada").
Mas a linguagem está mudando, pois algumas palavras antigas relacionadas ao clima, vida selvagem e neve não são mais relevantes no clima do Ártico em rápida mudança.
Firkle (inglês da Estação de Pesquisa da Antártida)
Uma palavra usada por pesquisadores da Antártida, que significa examinar algo ou fazer zoeira.
Isolados por seis meses, cientistas na remota Estação de Pesquisa Rothera, na Ilha Adelaide da Antártida desenvolveram seu próprio sotaque e gíria.
Estudar essas mudanças ajudou linguistas a compreender melhor como as línguas humanas e os padrões de fala evoluem. Em grande escala, também fornece pistas sobre como variedades como o inglês britânico e o americano divergiram.
"Queríamos replicar, o mais próximo possível, o que aconteceu quando o Mayflower foi para a América do Norte e as pessoas a bordo ficaram isoladas por um período de tempo", diz Jonathan Harrington, professor de fonética e processamento de fala na Ludwig-Maximillians-University of Munich.
"Seis meses não é muito tempo, então vimos mudanças muito, muito pequenas. Mas descobrimos que algumas vogais mudaram."
Gluschdich (holandês da Pensilvânia, EUA)
Uma palavra que significa "Não estou com fome, mas sinto vontade de comer".
O holandês da Pensilvânia é uma língua germânica que surgiu entre os colonos nos Estados Unidos no século 18 e agora é usada principalmente pelos grupos religiosos Amish e menonita.
Apesar de ser tão culturalmente específica, também está ligada às origens de um feriado americano muito amado e amplamente difundido (ele foi retratado no filme Feitiço do Tempo, de 1993, um clássico da sessão tarde estrelado por Bill Murray): o Dia da Marmota, chamado "Grundsaudaag" em holandês da Pensilvânia.
Devido ao rápido crescimento da população Amish, a língua está de fato prosperando e crescendo.
"Como linguista e entusiasta de línguas, adoro todas as línguas. Mas há algo especial sobre a língua da minha herança, aquela que me foi falada quando eu era criança", diz Rose Fisher, uma doutoranda em linguística alemã e ciência da linguagem na Universidade Estadual da Pensilvânia, que cresceu na comunidade Amish no Condado de Lancaster, Pensilvânia.
Embora a pesquisadora agora viva em um ambiente de língua inglesa, ela acrescenta: "Adoro ouvir o holandês da Pensilvânia sendo falado ao meu redor e espero um dia estar mais perto dele e me sentir mais confortável em falá-lo novamente. Para mim, significa estar em casa."
Fisher gosta especialmente de usar palavras de sua língua nativa que simplesmente não existem em inglês – como "gluschdich".
Gwaan (patoá jamaicano)
Uma expressão de satisfação. O patoá jamaicano, também conhecido como patois ou crioulo, surgiu na Jamaica no século 17 como uma mistura de dialetos do inglês e de várias línguas africanas.
Hoje também é falado em comunidades da diáspora jamaicana ao redor do mundo – e os mais jovens estão reivindicando-o com orgulho.
"Há alegria e empolgação quando um falante de crioulo conhece outro. Eles entram neste espaço único de entendimento mútuo", diz Shawna-Kaye Tucker, professora assistente de linguística aplicada na Universidade de Toronto, Canadá.
Os jovens falantes também estão misturando o patoá com outras influências linguísticas de todo o mundo, ampliando seu desenvolvimento em alta velocidade.
Há mais de 300 palavras sami para neve e muitas palavras para diferentes tipos de rena – incluindo várias especificamente para 'rena assustada'.
Serenity Strull/Getty Images
Inyeon (coreano)
Uma palavra cheia de nuances com vários significados, incluindo um tipo de relacionamento predestinado.
A palavra ocupa o centro da história no filme Vidas Passadas, de Celine Song, indicado ao Oscar no ano passado.
Como diz um dos personagens: "Significa providência ou… destino. Mas é especificamente sobre relacionamentos entre pessoas. Acho que vem do budismo e da reencarnação."
"É um inyeon se dois estranhos passarem um pelo outro na rua e suas roupas acidentalmente se tocarem. Porque significa que deve ter havido algo entre eles em suas vidas passadas."
Kalo theke aalo (bengali)
Uma frase cunhada para se referir a uma transição justa para a energia renovável – significa literalmente, "da escuridão para a esperança".
Palavras relacionadas às mudanças climáticas e à busca pela redução de emissões podem ser muito difíceis de traduzir, pois muitas vezes podem ser abstratas ou metafóricas.
Mas tradutores especializados estão encontrando maneiras criativas de criar termos significativos e ajudar negociadores e comunidades a agirem para combater o aquecimento global.
Lóng juǎn fēng (mandarim)
Significa tornado – literalmente, "vento de dragão rodopiante". Dragões míticos em diferentes culturas, e as palavras e ditados ao redor deles, revelam como os humanos ao redor do mundo lutaram com o mundo natural, a vida selvagem e fenômenos naturais inspiradores – e deram sentido ao seu próprio lugar no universo.
…e para começar 2025, aqui está uma expressão particularmente brilhante e vibrante da Costa Rica que esperamos que dê o tom para o ano que se inicia:
Pura vida (espanhol costarriquenho)
Refere-se a um sentimento de otimismo e uma visão exclusivamente positiva da vida.
"É absolutamente parte do caráter e da identidade costarriquenhos", diz Víctor Sánchez, professor de linguística na Universidade da Costa Rica.
Seu significado evoluiu ao longo do tempo e pode transmitir uma sensação de gratidão, de que mesmo se você estiver enfrentando dificuldades, você ainda está vivo e pode ver o lado bom das coisas.

Fies: MEC anuncia que programa terá mais de 112 mil novas vagas em 2025

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu
Segundo a pasta, uma quantidade similar de vagas será oferecida também em 2026 e 2027, em conformidade com o que foi estabelecido no Plano Trienal do Fies.
Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta quinta-feira (2) que vai ofertar 112.168 novas vagas para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
De acordo com a pasta, a seleção de candidatos será realizada em dois momentos distintos ao longo do ano. No primeiro semestre, serão disponibilizadas 67.301 vagas. Já no segundo semestre, o número de vagas oferecidas será de 44.867.
Além disso, uma quantidade similar de vagas será oferecida nos anos subsequentes, 2026 e 2027, em conformidade com o que foi estabelecido no Plano Trienal do Fies para o período.
Segundo o MEC, a medida visa garantir a continuidade e previsibilidade do programa de financiamento estudantil nos próximos anos.
“Vamos garantir novas vagas para o Fies em 2025, permitindo que jovens de baixa renda financiem cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior no país. O governo do presidente Lula está investindo mais de R$ 774 milhões no Fies, um programa que abre portas para milhares de brasileiras e brasileiros terem uma educação de qualidade”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana.
LEIA TAMBÉM:
Resultados do Fies 2025 devem sair em fevereiro, diz MEC; em 2024, divulgação no fim de março fez alunos perderem semanas de aulas
O Fies é um programa de financiamento para estudantes em instituições de ensino superior privadas (veja detalhes mais abaixo).
O que é o Fies?
Por meio do Fies, é possível usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pleitear um financiamento das mensalidades de uma instituição de ensino privada.
Atenção: diferentemente do Prouni, o programa não oferece bolsas de estudos, e sim um "empréstimo". Depois de concluir a graduação, o candidato deverá quitar a dívida, em parcelas proporcionais à sua renda.
Quem pode se inscrever?
Para se inscrever, o candidato precisa ter:
participado de alguma edição do Enem a partir de 2010;
alcançado pontuação média nas quatro provas (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática) igual ou superior a 450, e nota superior a zero na redação;
renda familiar mensal bruta per capita de 1 a 3 salários mínimos.
Como participar?
As inscrições para o FIES ocorrem duas vezes por ano, antes do início das aulas em cada semestre.
O aluno deve:
Entrar em http://fies.mec.gov.br.
Clicar em "Minha Inscrição" e, em seguida, em "Fazer Cadastro".
Digitar os dados de acesso da conta "gov.br" (CPF e senha).
Analisar os cursos com vagas disponíveis e escolher até três opções. É possível alterar essas informações quantas vezes quiser, até o encerramento das inscrições.
O que é IES?
Ao buscar os cursos disponíveis, o sistema do Fies pede que o candidato preencha o campo "IES".
A sigla significa "instituição de ensino superior": ou seja, é preciso escrever o nome da faculdade ou da universidade onde se deseja estudar.
Abaixo, veja um vídeo sobre o que considerar antes de assinar o contrato do Fies:
7 perguntas para não cair em uma cilada no Fies
Vídeos

Sisu 2025: inscrições começam 17 de janeiro; veja cronograma

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu
Assim como em 2024, as inscrições do Sisu só serão abertas em janeiro. Programa usa as notas do Enem para aprovar candidatos em universidades públicas. As notas do Enem são utilizadas no processo seletivo do Sisu.
Mateus Santos/g1
As inscrições do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025 estarão abertas entre 17 de janeiro e 21 de janeiro, conforme edital publicado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (26). O resultado da chamada regular será divulgado no dia 26 de janeiro.
Assim como em 2024, o programa terá apenas uma edição — só em janeiro, sem o processo seletivo que usualmente acontecia nos meses de junho ou julho.
Por meio dessa etapa única, os candidatos poderão usar as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 para concorrer, em universidades públicas, a cursos cujas aulas começarão tanto no primeiro quanto no segundo semestre (entenda mais abaixo).
Tire suas dúvidas abaixo e veja o cronograma completo:
➡️Quem está apto a participar? Alunos que tenham feito o Enem 2024 e tirado nota acima de zero na redação. Treineiros não serão aceitos.
➡️Poderei escolher em qual semestre vou entrar na faculdade? Não. Caberá à universidade, por meio da ordem da lista de classificação de candidatos, selecionar quem estudará em cada semestre. A classificação é determinada pelo desempenho de cada participante no Enem 2024.
➡️O programa possui cotas? Sim, e funciona da seguinte maneira:
Todos os candidatos concorrerão, primeiramente, às vagas de ampla concorrência.
Caso não alcancem as notas nesta modalidade e façam parte de algum dos grupos de cotas (os critérios são de raça e de renda), aí, sim, entrarão na disputa pelo benefício.
Com isso, se uma pessoa autodeclarada preta, por exemplo, tirar uma nota mais alta que a exigida na ampla concorrência, será aprovada na "lista geral" e não tirará a vaga de um cotista com desempenho mais baixo.
➡️Qual o cronograma?
Inscrições: 17 a 21 de janeiro
Resultados da 1° chamada: 26 de janeiro
Matrículas: 27 a 31 de janeiro
Manifestação de interesse na lista de espera: 26 a 31 de janeiro
5 cuidados para tomar ao se inscrever no Sisu

Bombou no g1: questão do Enem 2024 sobre média de notas tirou paz dos estudantes durante a prova; relembre

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu
Aparente falta de dados em um enunciado de matemática assustou participantes da prova. Bastava, no entanto, que os números fossem substituídos por incógnitas (como 'a', 'b' e 'c'). Questão de matemática do Enem 2024 viraliza nas redes sociais
Reprodução/Redes sociais
Histórias curiosas, personagens divertidos e casos virais. Neste mês de dezembro, o g1 reconta reportagens que foram sucesso entre os nossos leitores ao longo de 2024. Hoje é dia de relembrar sobre a questão do Enem 2024 sobre média de notas tirou paz dos estudantes durante a prova.
Essa reportagem foi originalmente publicada em novembro.
Relembre
"Isso é conteúdo de faculdade!", "Como você quer que eu saiba?" e "Cadê o resto [da questão]?". Essas foram algumas das manifestações de revolta de candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024, no último domingo (10), diante de uma pergunta de matemática (⚪147 da prova cinza, 🟢155 da verde, 🔵137 da azul e 🟡164 da amarela).
Ela pedia que os estudantes calculassem a média no boletim de uma pessoa, sem que nenhuma nota fosse divulgada no enunciado. A única informação disponível era a seguinte: quando o "personagem" fez a conta, dividiu o total por 5, e não por 4. E, com isso, chegou a um resultado que era uma unidade menor do que o correto.
Segundo professores de quatro cursinhos ouvidos pelo g1 (Anglo, pH, Poliedro e Professor Ferretto), essa questão não estava entre as 10 mais difíceis da prova. O que provavelmente desestabilizou os candidatos foi a aparente (e ilusória) falta de dados.
Abaixo, veja a resolução feita por Rodrigo Serra, professor de matemática do Colégio Oficina do Estudante:
Questão sobre média de notas viraliza nas redes: 'cadê o resto da pergunta?'
🖊️ Resposta: B.

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu

A radical teoria pós-quântica, que tenta responder o que Einstein não conseguiu
A Física moderna é baseada em dois pilares: a física quântica e a teoria da relatividade geral. O problema é que ambos são incompatíveis. 'A última palavra ainda não foi dita', disse Einstein sobre uma das maiores questões da Física moderna
Getty Images/via BBC
"Uma nova moda surgiu na Física", queixou-se Albert Einstein no início da década de 1930.
Essa "moda" era nada menos que a física ou a mecânica quântica. A sua mera existência colocou em perigo a teoria da relatividade geral, a maior criação de Einstein, publicada em 1915.
"Se isso tudo for verdade, então significa o fim da Física", chegou a dizer o famoso cientista.
O ponto aqui é que a física quântica e a relatividade geral são incompatíveis.
Quase 100 anos se passaram e nenhuma das duas teorias cancelou a outra. Na verdade, ambas formam os pilares de todos os avanços da Física moderna.
💡A física quântica provou repetidamente ser a melhor explicação do comportamento das menores partículas do universo, como elétrons, glúons e quarks que constituem os átomos.
💡Por sua vez, a relatividade geral, que é a moderna teoria da gravidade, provou ser a melhor descrição de tudo o que acontece em grande escala, desde o funcionamento do Sistema Solar e dos buracos negros até a origem do universo.
No entanto, elas permanecem contraditórias entre si. Ou seja, as regras da relatividade geral funcionam perfeitamente para as galáxias, bem como para tudo o que nos rodeia e é visível: uma árvore, um gato, uma pérola…
Porém, assim que analisamos o comportamento de algo tão pequeno como um átomo, tudo muda.
Os pesquisadores não conseguem nem usar a mesma Matemática para explicar uma teoria e outra.
De alguma forma, a natureza consegue fazer com que os dois sistemas coexistam — mas a Ciência ainda não fez o mesmo.
Para muitos, esta incompatibilidade é a maior questão sem resposta da Física.
Einstein e milhares de outros pesquisadores em todo o mundo procuraram criar uma teoria que unisse a física quântica e a relatividade geral.
É o que muitos chamam de "teoria de tudo", um nome tão atraente que virou título do premiado filme biográfico de Stephen Hawking, um dos renomados cientistas que tentaram — também sem sucesso — encontrar o "Santo Graal" da Física.
Agora, uma nova teoria propõe uma virada radical nesta charada secular.
Seu nome, porém, é menos mercadológico: ela é chamada de teoria pós-quântica da gravidade clássica e é liderada pelo físico Jonathan Oppenheim, do Instituto de Ciência e Tecnologia Quântica da Universidade College London (UCL), no Reino Unido.
Trata-se de algo tão revolucionário que mesmo alguns dos seus detratores reconhecem que essa é a primeira abordagem verdadeiramente original a surgir em pelo menos uma década.
Há mais de 100 anos vivemos num universo cujas bases foram estudadas e definidas por Einstein
Getty Images/via BBC
A quarta força fundamental
Embora possa parecer contraditório, um dos aspectos mais inovadores da teoria de Oppenheim é o termo "clássico" em seu nome.
Até agora, a abordagem predominante para resolver a incompatibilidade entre a física quântica e a relatividade geral envolve modificar o último sistema para ajustá-lo ao primeiro.
É o que os físicos chamam de "quantização", porque no final ela se converte numa teoria quântica.
"Quantizar" a relatividade geral faz ainda mais sentido se pensarmos que é algo que os cientistas já conseguiram fazer com as outras três forças fundamentais que governam o universo: a força nuclear fraca, a força nuclear forte e a força eletromagnética.
Mas eles simplesmente não conseguiram fazer o mesmo com a gravidade — e não foi por falta de tentativa.
"É um problema matemático muito difícil", contextualiza Oppenheim à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
"Mas também é conceitualmente complicado, porque essas duas teorias têm diferenças tão fundamentais que é muito difícil conciliá-las."
Ele explica: "Quase todas as tentativas assumiram que devemos 'quantizar' a gravidade. A minha sensação sobre a razão pela qual essa tarefa tem sido tão difícil é que talvez não seja possível e que apontamos para a coisa errada."
Por isso, o pesquisador e a equipe dele decidiram mudar o foco e "modificar um pouco, ou muito, a teoria quântica, para que esses dois sistemas possam se encaixar".
Na nova teoria, publicada em dezembro de 2023 nas revistas Nature Communications e Physical Review X, a relatividade geral continua a ser uma teoria não quântica, ou clássica.
A física Sabine Hossenfelder, do Centro de Filosofia Matemática de Munique, na Alemanha, que não fez parte da pesquisa da UCL, diz à BBC News Mundo que a ideia de Oppenheim "é muito legal".
"É muito raro neste campo ver nascer uma nova ideia", observa a especialista.
Hossenfelder fez parte de um comitê que revisou a teoria há seis anos e, embora a achasse interessante, considerou que ela era "muito especulativa, imatura e vaga".
"Tinha tantas pontas soltas que parecia que poderia falhar completamente, por isso fiquei muito impressionada quando vi o que saiu vários anos depois, porque abordava quase todos esses pontos levantados", diz ela, que esclarece com um sorriso "sempre ter algo a comentar e a observar".
Dois conceitos básicos e um 'inaceitável'
O tecido (quadriculado branco na ilustração), que representa o espaço-tempo, deformado por uma bola (em amarelo), que faz alusão a uma estrela como o Sol
BBC
Uma bola de menor massa (em verde) acompanha a curvatura do tecido quadriculado causada pela maior (em amarelo), como acontece com a Terra em relação ao Sol
BBC
Antes de seguir a explicação sobre a teoria de Oppenheim, é importante compreender o conceito básico da relatividade geral e uma das características da física quântica que mais perturbou Einstein.
O que Einstein fez para revolucionar a Ciência em 1915 foi definir a gravidade como "uma deformação do espaço-tempo".
A maneira mais fácil de compreender esse conceito é pensar em um trampolim onde colocamos uma bola pesada — por exemplo, uma bola de bilhar.
Quando uma coisa dessas acontece, o tecido afunda no local onde a bola está.
Agora, imagine jogar nesse mesmo trampolim uma bola mais leve (uma bola de gude), e tentar fazê-la girar na borda da curvatura do tecido relacionada ao peso da bola mais pesada.
O que acontece é que a bola de gude vai se mover em círculos cada vez menores, aproximando-se da bola de bilhar.
Segundo a teoria da relatividade geral, isso não acontece porque a bola de bilhar exerce sobre a bola de gude uma força de atração invisível, mas porque o formato do tecido — ou melhor, a sua deformação — a obriga a fazer essa curvatura.
Na teoria de Einstein, o espaço-tempo faz a mesma coisa de forma quadridimensional — de modo que a Terra gire em torno do Sol, por exemplo.
Oppenheim explica que, na teoria pós-quântica da gravidade clássica "o espaço-tempo se mantém como aquele tecido em que vivem as partículas quânticas, tal como Einstein concebeu".
O que muda é que o espaço-tempo incorpora o acaso da física quântica, característica que deu origem a uma das frases mais famosas de Einstein: "Deus não joga dados."
Einstein acreditava que faltava informação na "moda" da física quântica, mas o que décadas de estudos têm mostrado é que a aleatoriedade não se deve a um erro na teoria ou a uma falha nas medições, mas a uma característica inerente ao comportamento das partículas fundamentais.
Oppenheim e sua equipe unem a física quântica e a relatividade geral, tornando o espaço-tempo também inerentemente aleatório.
"Ainda temos essa aleatoriedade na teoria quântica, mas ela é mediada pelo próprio espaço-tempo", explica o físico.
Em outras palavras, o próprio tecido começa a apresentar oscilações aleatórias.
Isto é algo "inaceitável" para muitos dos seus colegas — e é provável que Einstein também pensasse o mesmo.
"A estrutura aleatória do espaço-tempo é o que, em certo sentido, lança os dados na teoria quântica", compara Oppenheim, parafraseando Einstein.
'Ganha-ganha'
"Cada vez que você propõe uma nova teoria, é preciso fazer uma série de verificações para ver se ela é consistente com as observações", explica Oppenheim.
"E é emocionante que esta teoria faz previsões que podem ser testadas experimentalmente."
"Ao levar em conta que esta teoria exige que o espaço-tempo tenha flutuações, podemos busca-las", acrescenta ele.
Para isso, os pesquisadores propõem medir o peso de uma massa com extrema precisão e verificar se ela é constante ou se apresenta certas oscilações.
Por exemplo, o Escritório Internacional de Pesos e Medidas, localizado na França, pesa rotineiramente um objeto que foi usado para criar o padrão mundial do que é hoje considerado exatamente um quilo.
Ao utilizar novas tecnologias de medição quântica, de acordo com a teoria pós-quântica da gravidade clássica, o peso do referido objeto deixaria de ser um quilo e se tornaria imprevisível.
"Se encontrarmos as flutuações, provaremos que a teoria é verdadeira e, se não as encontrarmos, conseguiremos refutá-la", diz Oppenheim.
"Isso é particularmente emocionante", confessa ele.
Mas há ainda mais coisas a descobrir.
Oppenheim entende que a nova teoria poderia responder a outra das grandes incógnitas da Física moderna: o que são a matéria escura e a energia escura.
Para entender a importância disso, é primeiro antes saber o que esses conceitos são (e não são).
Todos os planetas, estrelas e objetos cósmicos visíveis são feitos da chamada matéria normal. Juntos, eles representam cerca de 5% do universo.
Os 95% restantes ainda são um mistério — e por isso são chamados de matéria escura e energia escura.
Se nos estudos para verificar a nova teoria, as flutuações forem suficientemente intensas, elas "seriam candidatas muito fortes para o que pensamos ser matéria escura e energia escura", segundo Oppenheim.
"Isso explicaria 95% da evolução do Universo, o que representaria um grande impacto", complementa o pesquisador.
Por sua vez, Hossenfelder destaca que a equipe da UCL desenvolveu uma Matemática completamente nova para esta teoria e afirma que a mera existência desses trabalhos pode ser útil para outros fins.
Em suma, a história da Ciência está repleta de pesquisas que tiveram aplicações inesperadas.
O próprio Einstein, aliás, acendeu a centelha que levou à física quântica — a qual ele renunciou até o fim da vida.
"Se houvesse algo que pudesse confirmar que estas previsões são verdadeiras, isso seria muito interessante e certamente atrairia diversas pessoas para observá-las mais de perto", considera Hossenfelder.
Mas a teoria só foi publicada há um ano — e derrubar décadas de consenso científico baseados nos estudos encabeçados por Einstein não será fácil.
Hossenfelder é cética sobre a nova teoria — algo que, na opinião dela, a coloca numa posição de "ganha-ganha".
A cientista ganha se estiver certa no ceticismo dela. Mas também ganha se estiver errada, porque isso significaria que ela — e todos nós — testemunhamos em vida o nascimento de uma nova revolução da Física.
*Com reportagem de Max Seitz.
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