O Assunto #1385: O risco de um apagão de professores no Brasil

O programa Mais Professores irá pagar bolsas para universitários matriculados em cursos de licenciatura e para docentes em lugares com carência de profissionais da área. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Apple Podcasts, na Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio.
A carreira docente vive uma crise multifatorial no país: salários pouco atraentes, risco de violência na sala de aula, falta de valorização e plano de carreira e problemas de estrutura nas escolas são as principais queixas dos profissionais da área.
O resultado disso é que cai, ano após ano, o interesse dos jovens pela licenciatura. Uma projeção divulgada em 2022 indica que o país pode ter um déficit de 235 mil docentes em 2040. Naquele mesmo ano, um estudo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) afirmou que não é exagero dizer que já vivemos esse apagão.
Nesta terça-feira (14), o governo federal lançou um novo programa para enfrentar alguns desses gargalos. Com o objetivo de aumentar a atratividade da carreira, o Mais Professores irá pagar bolsas para universitários matriculados em cursos de licenciatura e para docentes em lugares com carência de profissionais da área.
Para analisar o quadro geral da docência no Brasil e avaliar, ponto a ponto, o que prevê o programa recém-lançado pelo governo, Julia Duailibi conversa com Olavo Nogueira filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação.
O que você precisa saber:
'Pé-de-meia' para estimular formação de professores terá bolsa de R$ 1.050 para universitários
No Brasil, 1 a cada 3 professores do ensino médio não é formado na disciplina que leciona
Brasil pode enfrentar 'apagão de professores' em 2040, diz pesquisa
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Qual o risco de um apagão de professores?

Estudantes gêmeas de Pindamonhangaba tiram 900 na redação do Enem: ‘Gêmeas até na nota’

‘Pé-de-meia’ para estimular formação de professores terá bolsa de R$ 1.050 para universitários
Foi a terceira vez que elas fizeram o Enem e, pela primeira vez, tiraram a mesma nota na prova. Marina Scofano (à esquerda) e Marília Scofano (à direita) tiraram a mesma nota na redação do Enem
Arquivo pessoal
Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 foram divulgados nesta segunda-feira (13). No Vale do Paraíba e região, milhares de estudantes participaram das provas em diversas cidades, mas foi em Pindamonhangaba (SP) que um fato curioso chamou a atenção: duas irmãs gêmeas tiraram a mesma nota na redação: 900.
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As irmãs são Marina de Oliveira Scofano e Marília de Oliveira Scofano, de 18 anos. Em entrevista ao g1, elas falaram sobre a felicidade de terem tirado a mesma nota — e uma nota alta. Marina foi a primeira a ver o resultado.
Eu consegui abrir primeiro, vi a nota 900 lá, fiquei muito feliz, comemoramos juntas e ficamos esperando o site da Marília abrir. O site dela não abria de jeito nenhum. 1 hora depois foi abrir e daí a gente viu o 900 dela também e foi muito legal, a gente comemorou muito juntas.
As irmãs contaram que fizeram a prova do Enem em todos os anos do Ensino Médio. Pela primeira vez tiraram a mesma nota na redação.
“Foi muita surpresa na hora que a Marina abriu a dela. A gente comemorou junto e a gente ficou na expectativa para ver a minha. E aí, quando eu abri o site, vi a mesma nota, a gente não acreditou”, revelou Marília.
Quem também comemorou foi a mãe, Renata Scofano, que torceu para que as duas fossem bem na prova.
“Eu sabia que elas iriam bem, porque eu vejo quanto elas são estudiosas e dedicadas desde sempre. Mas ver que as duas tiraram a mesma nota foi muito gratificante para mim, porque, como mãe das duas, você torce pelas duas igualmente. Eu até fiz uma brincadeira com elas: gêmeas até na nota”, celebrou.
Segundo as estudantes, elas sempre seguiram a mesma rotina de estudos: de manhã — e às vezes à tarde — na escola, além de estudos em casa. Na redação do Enem, as duas usaram o mesmo repertório de introdução do texto.
“É engraçado que a vida toda a gente teve a mesma rotina e ano passado, nos estudos, na preparação, não foi diferente. A gente tinha as mesmas aulas, os mesmos estudos em casa, na escola, e quando a gente saiu do Enem, a gente usou o mesmo repertório na introdução, a gente chegou em casa, discutiu sobre isso e isso já foi engraçado. Aí abrir a nota e ver que era a mesma, foi mais ainda”, disse Marina.
Apesar de seguirem a mesma rotina, estudarem juntas a vida inteira e tirarem a mesma nota no Enem, as duas querem seguir carreiras diferentes: Marina revelou que quer fazer jornalismo, enquanto Marília quer fazer psicologia.
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Como vai funcionar o Mais Professores para o Brasil, programa que vai oferecer bolsa de R$ 1.050 para docentes em formação

‘Pé-de-meia’ para estimular formação de professores terá bolsa de R$ 1.050 para universitários
Além da bolsa para estimular a entrada e permanência de alunos em cursos de licenciatura, a iniciativa terá ainda eixos para seleção de professores para as redes públicas e oferta de cursos de aprimoramento. Ministro Camilo Santana, do MEC, e presidente Lula, em lançamento do programa Mais Professores.
Reprodução
O Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), lançou nesta terça-feira (14) o programa Mais Professores para o Brasil, que tem como um de seus eixos o Pé-de-Meia Licenciaturas, direcionado para estudantes de formação de docente.
"A iniciativa reúne um conjunto de ações integradas para promover a valorização e a qualificação dos professores da educação básica, assim como o incentivo à docência no país", explicou o MEC em nota.
De acordo com o ministro Camilo Santana, o programa tem ao todo 5 eixos. São eles:
1 – Seleção para ingresso na docência e criação da Prova Nacional Docente
Tem o objetivo de uniformizar e qualificar a seleção dos professores em todo o Brasil, respeitando a autonomia dos Estados, que poderão escolher aderir ou não ao programa.
A seleção será feita por meio do Enade, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes realizado por estudantes do ensino superior.
“A ideia é subsidiar os entes federativos na seleção desses profissionais qualificados para sua rede de ensino, e estimular a realização de concursos públicos para induzir o aumento de professores efetivos nas redes de ensino do Brasil,” explicou o ministro da Educação.
O calendário previsto é de:
Adesão das redes em fevereiro.
Redes divulgam o processo seletivo por meio da Prova Nacional Docente de fevereiro a junho.
Inep abre inscrições da prova em julho.
Inep realiza a prova em novembro.
Inep divulga os resultados em janeiro de 2026.
2 – Atratividade e Pé-de-Meia Licenciaturas
O programa também tem ações definidas para atrair alunos para cursos de licenciatura, e estimular a conclusão do curso. Para isso, segundo Camilo Santana, alunos que fizeram o Enem 2024 e vão pleitear vagas por meio do Sisu, Prouni e Fies, e que tenham tirado 650 pontos ou mais no exame, vão receber, desde o início do curso, a bolsa mensal de R$ 1.050.
LEIA TAMBÉM: Governo pagará bolsa de R$ 1.050 para estudantes de liceniatura e valor extra a quem for trabalhar em áreas com mais demanda
Serão pagas 12 mil bolsas, distribuídas, em ordem de prioridade, entre Sisu, Prouni e Fies, respectivamente. As bolsas remanescentes do Sisu irão para o Prouni, e assim em diante.
O pagamento será feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
3 – Alocação de professores
Como vai funcionar o eixo de alocação de docentes do programa Mais Professores.
Reprodução/MEC
Segundo o ministro da Educação, a operacionalização do programa deve ser semelhante à do programa Mais Médicos. O objetivo é focar em localidades e áreas do conhecimento com maior carência.
Nesta vertente do programa, profissionais graduados que já atuam na área e aceitem ensinar em localidades em que há baixa oferta de educadores receberão uma bolsa adicional ao salário de R$ 2,1 mil, por um período de dois anos.
O governo também vai proporcionar uma pós-graduação latu sensu, durante o período de pagamento do valor extra, com objetivo de garantir a qualificação desses profissionais.
A expectativa do Ministério, segundo Camilo Santana, é que a partir de agosto os professores já tenham sido realocados nos novos postos de trabalho.
4 – Formação
O programa vai reunir oportunidades de ações e políticas direcionadas exclusivamente ao professor, desde formação inicial e continuada à pós-graduação, no intuito de estimular o aperfeiçoamento do docente.
As informações serão disponibilizadas em um portal, que apresentará opções oferecidas pelo MEC e por organizações parceiras.
"A ideia desse portal é facilitar o acesso desse professor, para ele receber informações sobre os cursos que estão sendo ofertados para as redes estaduais e municipais", explicou Camilo Santana.
5 – Valorização dos professores
"A gente sabe que valorizar os professores significa melhorar e reconhecer as condições de trabalho e remuneração, mas também reconhecer sua importância e valor social", declarou o ministro Camilo Santana.
Por isso, de acordo com ele, o objetivo deste eixo é valorizar e cuidar dos professores por meio de benefícios diretos, e reconhecer os professores que já atuam nas redes de ensino.
Isso será feito por meio de ações como:
parceria com bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa) para acesso a benefícios específicos;
parceria com o Ministério do Turismo com descontos em hotéis associados a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH); e
distribuição de 100 mil notebooks por ano para professores premiados.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Formação de professores: governo pagará bolsa de R$ 1.050 e valor extra a quem for trabalhar em áreas com mais demanda

Bolsa para universitários integra versão do Pé-de-meia licenciaturas, para estudantes da graduação. Profissionais que já atuam e aceitem lecionar em áreas com baixa demanda receberão adicional de R$ 2,1 mil no salário. O governo federal lançou, nesta terça-feira (14), um pacote de ações voltadas para melhorar a qualidade de ensino na educação básica, o programa Mais Professores.
Os estudantes universitários de baixa renda que optem por cursos de licenciatura poderão aderir a uma nova versão do Pé-de-meia, voltado para este público. Além disso, professores que aceitem lecionar em áreas de baixa demanda também receberão incentivos financeiros.
Como vai funcionar?
Estudantes universitários da licenciatura: receberão bolsa de R$ 1.050 por mês, durante o período regular do curso.
Professores que já atuam e aceitem lecionar em áreas de baixa demanda: receberão bolsa de R$ 2,1 mil como adicional ao salário, por dois anos.
🔎Os cursos de licenciatura são graduações que preparam estudantes para atuar como professores em áreas do conhecimento específicas.
Pagamento da 1ª parcela do programa Pé-de-Meia começa amanhã
O programa foi lançado nesta terça, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Educação, Camilo Santana.
Veja detalhes sobre cada etapa do programa:
Pé-de-meia Licenciaturas
Estudantes de graduação de baixa renda que optarem por cursos de licenciatura receberão uma bolsa mensal de R$ 1.050 durante todo o curso acadêmico.
Desse total, o estudante poderá sacar R$ 700 por mês. Os outros R$ 350 serão depositados como uma "poupança", e poderão ser sacados após o profissional recém-formado passar a atuar na rede pública de ensino em até cinco anos após a conclusão do curso.
De acordo com o ministro, neste primeiro momento serão disponibilizadas 12 mil vagas para o programa.
A ideia do Ministério da Educação é que os alunos que se inscrevam via Sisu para alguma vaga de curso de licenciatura já possam optar por ingressar no Pé-de-meia Licenciatura. As inscrições do Sisu começam nesta sexta-feira (17).
As primeiras vagas estarão disponíveis via Sisu, e as remanescentes serão distribuídas para beneficiários do Prouni e do Fies.
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Mais professores
Nesta vertente do programa, profissionais graduados que já atuam na área e aceitem ensinar em localidades em que há baixa oferta de educadores receberão uma bolsa adicional ao salário de R$ 2,1 mil, por um período de dois anos.
O governo também vai proporcionar uma pós-graduação latu sensu, durante o período de pagamento do valor extra, com objetivo de garantir a qualificação desses profissionais.
A expectativa do Ministério, segundo Camilo Santana, é que a partir de agosto os professores já tenham sido realocados nos novos postos de trabalho.
Como funciona o Pé-de-meia para o Ensino Médio?
O Pé-de-Meia é um programa que oferece incentivo financeiro para estudantes de baixa renda regularmente matriculados no Ensino Médio da rede pública com o objetivo de combater a evasão escolar. Ele foi lançado no início de 2024.
Podem participar alunos de 14 aos 24 anos, cuja família está inscrita no Cadastro Único (CadÚnico).
Os valores pagos aos estudantes são:
valor anual de R$ 200, ao fazer a matrícula;
valor anual de R$ 1,8 mil (pago em parcelas mensais);
valor anual de R$ 1 mil, ao concluir o ano letivo sem reprovação;
parcela única de R$ 200, ao fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

‘Pé-de-meia’ para estimular formação de professores terá bolsa de R$ 1.050 para universitários

Estudantes poderão sacar parte do dinheiro de forma imediata. Outra parcela do valor ficará guardada em uma espécie de "poupança". O governo federal lança, nesta terça-feira (14), uma versão do programa Pé-de-meia voltada para universitários matriculados em cursos de licenciatura. Os participantes receberão mensalmente R$ 1.050 durante o período regular do curso.
🔎Os cursos de licenciatura são graduações que preparam estudantes para atuar como professores em áreas do conhecimento específicas.
Desse total, o estudante poderá sacar R$ 700 por mês. Os outros R$ 350 serão depositados como uma "poupança", e poderão ser sacados após o profissional recém-formado passar a atuar na rede pública de ensino em até cinco anos após a conclusão do curso.
Pagamento da 1ª parcela do programa Pé-de-Meia começa amanhã
O programa será lançado nesta terça, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Educação, Camilo Santana.
A ideia do Ministério da Educação é que os alunos que se inscrevam via Sisu para alguma vaga de curso de licenciatura já possam optar por ingressar no Pé-de-meia Licenciatura. As inscrições do Sisu começam nesta sexta-feira (17).
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O Pé-de-meia Licenciaturas faz parte de um pacote de ações lançadas pelo governo no âmbito do programa Mais Professores. O objetivo é promover a valorização do magistério e incentivar a docência no país.
Como funciona o Pé-de-meia para o Ensino Médio?
O Pé-de-Meia é um programa que oferece incentivo financeiro para estudantes de baixa renda regularmente matriculados no Ensino Médio da rede pública com o objetivo de combater a evasão escolar. Ele foi lançado no início de 2024.
Podem participar alunos de 14 aos 24 anos, cuja família está inscrita no Cadastro Único (CadÚnico).
Os valores pagos aos estudantes são:
valor anual de R$ 200, ao fazer a matrícula;
valor anual de R$ 1,8 mil (pago em parcelas mensais);
valor anual de R$ 1 mil, ao concluir o ano letivo sem reprovação;
parcela única de R$ 200, ao fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).