Estudante aprovada em medicina após 9 anos de cursinho relembra críticas que sofreu em desabafo que viralizou: ‘Hate por querer estudar’

Indígena do AC que tirou 920 pontos na redação sonha fazer medicina: ‘Quero ajudar as crianças’
Ana Laura Ramazotti, de 26 anos, é moradora de Jaú (SP) e foi aprovada na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Vídeo em que desabafa sobre possibilidade de ir para 10º ano em cursinho preparatório já ultrapassou 1,5 milhão de visualizações. '2025 vai ser meu 10º ano de cursinho': jovem que sonha em cursar medicina faz desabafo
Assim como muitos outros vestibulandos, Ana Laura Ramazotti, de 26 anos, moradora de Jaú, no interior de SP, estava ansiosa nos dias que antecediam a divulgação das notas dos vestibulares e do Enem.
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Candidata ao curso de medicina, ela decidiu gravar um vídeo para desabafar sobre a expectativa e a pressão do momento, especialmente porque, em caso de um resultado negativo, enfrentaria o 10º ano consecutivo de cursinho preparatório.
O que Ana Laura não esperava era que o desabafo, publicado inicialmente no TikTok, alcançaria mais de 1,5 milhão de visualizações e geraria uma repercussão inesperada, com comentários positivos, de apoio à estudante, mas também negativos.
Toda essa situação aconteceu há pouco mais de uma semana, em 6 de janeiro. Quatro dias depois, Ana Laura recebeu a notícia de que havia sido aprovada em medicina no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e compartilhou a novidade nas redes sociais. Novamente, o vídeo repercutiu nas plataformas.
Ana Laura, de 26 anos, desabafa sobre medo de ir para 10º ano de cursinho
Reprodução
Repercussão inesperada
Em entrevista ao g1, a jauense compartilhou que não esperava tanta repercussão de sua história e disse que acreditava que as "bolhas da internet" atuariam a seu favor, entregando seu vídeo apenas para estudantes que estivessem na mesma situação que ela.
"Eu comecei a gravar o vídeo, na verdade, porque eu achei que ele ia ficar na bolha dos 'mediciners do TikTok’ e ele furou a bolha totalmente. Eu achei que ia ficar na bolha e que eles iriam me dar uma força, porque eu realmente estava muito mal, com medo de não passar. Teve gente que falou que eu já sabia que ia passar e resolvi falar tudo isso para ficar famosa, e foi justamente o contrário. Eu gravei porque eu estava com muito medo de não passar", conta a jovem.
O discurso de ódio voltado a ela nos comentários do primeiro vídeo também a assustou. Muitas pessoas gravaram outros vídeos comentando a situação da jovem e julgando principalmente o fato de ela ter passado nove anos no cursinho preparatório.
"Eu nunca imaginei tomar um hate na internet por querer estudar, porque foi basicamente isso que aconteceu. Eu não estava espalhando ódio, falando mal de ninguém, eu só estava falando sobre a minha vida e a minha trajetória em busca de uma vaga na faculdade. Até agora eu não consegui entender", disse ao g1.
🎉 A aprovação veio
No dia 10 de janeiro, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou sua lista de aprovados para o curso de medicina e, entre os nomes, estava o de Ana Laura.
Jovem que temia fazer 10º ano de cursinho em 2025 é aprovada em medicina
Ela estava junto do namorado quando recebeu a notícia e registrou o momento. Ao g1, a jovem contou como se sentiu ao receber a notícia.
"Foi uma conquista incrível. Eu recebi a notícia e estava no quarto com meu namorado, não tinha contado ainda para ninguém, porque eu estava muito nervosa. Quando eu vi meu nome, a minha única reação foi pular e gritar. Eu dei uma choradinha, mas logo passou, foi um choro assim de alívio, eu acho que até agora minha ficha ainda não caiu", lembra Ana Laura.
No fim de semana seguinte à aprovação, Ana Laura foi às ruas de Jaú participar do tradicional trote, quando os alunos aprovados no vestibular saem pelas ruas da cidade, levam ovadas e são pintados com as letras da faculdade em que foram aprovados. A jovem, novamente, compartilhou as fotos desse momento nas redes sociais.
Estudante que viralizou por fazer 9 anos de cursinho comemora aprovação em medicina relembra críticas na internet
Arquivo pessoal
Vida de 'influencer'
Ana Laura explica que pretende aproveitar a popularidade que conseguiu com seus vídeos para levar esperança a outros estudantes que sonham em passar nos vestibulares de medicina.
Ela ainda está processando toda a popularidade nas redes sociais, mas pretende continuar compartilhando sua rotina, agora como estudante de medicina.
"Eu ainda estou aprendendo a lidar com tudo isso, mas eu quero continuar postando, mostrando a vida na faculdade, mostrando a rotina. Eu acho que seria uma coisa muito legal, dando dicas de estudo também. Algumas que eu aprendi até com a própria internet que eu quero aplicar na vida acadêmica", finaliza.
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Estudantes do RJ apostaram na prática para tirar nota mil na redação do Enem

Indígena do AC que tirou 920 pontos na redação sonha fazer medicina: ‘Quero ajudar as crianças’
Em todo país, 12 alunos tiraram nota máxima. Amanda Chagas e Clara Oliveira estão entre elas. Amanda Chagas e Clara Oliveira tiraram notas mil no Enem
Reprodução
Duas estudantes do Rio de Janeiro tiraram nota mil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em todo o país, apenas 12 estudantes alcançaram esse feito. Uma das jovens é do Rio de Janeiro e outra é de Niterói, na Região Metropolitana.
Este ano, o tema da redação foi "desafios para a valorização da herança africana no Brasil". A proficiência média da redação, que considera média das notas de todos os candidatos, foi de 660 pontos, 15 pontos a mais do que na edição de 2023.
Amanda Chagas, de 21 anos, é aluna do AZ Rio. Ela contou que a nota mil foi uma surpresa, mas a rotina de estudo foi intensa. A jovem apostou em uma estratégia em que a prática leva a perfeição, fazendo várias redações durante a semana.
"Eu tentava fazer umas duas redações por semana. Mas, principalmente, eu buscava corrigir todas elas com muita atenção, tentando identificar os erros que eu cometia em cada competência”, contou Amanda.
As redações bem-sucedidas de outros estudantes também foram uma inspiração durante os estudos.
“Eu li muitas redações nota mil, eu usava a cartilha do participante do Inep, além de outras redações encontradas na internet e de redações de amigos que tiraram notas altas. Eu lia essas redações tentando identificar os pontos positivos, que poderiam agregar na minha evolução. eu acho que deu super certo", explicou a jovem.
Folha de rascunho da redação do Enem.
g1
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Amanda sonha em cursar Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Quem também sonha com uma vaga no curso é Clara Oliveira, de 19 anos, moradora de Niterói e aluna do Colégio PH.
“Eu costumava estudar todos os dias e fazia uma redação por semana, fazendo rascunhos e corrigindo os erros de acordo com os retornos. Fiz pelo menos umas 30 a 40 redações no ano, o que me deu mais confiança no dia da prova. No dia do resultado, eu esperava uma nota menor por conta das notícias de que iriam pesar mais na correção da redação do Enem. A nota foi um choque, mas fiquei muito feliz e não estou acreditando até agora”, disse Clara.

Indígena do AC que tirou 920 pontos na redação sonha em fazer medicina: ‘Quero ajudar as crianças’

Indígena do AC que tirou 920 pontos na redação sonha fazer medicina: ‘Quero ajudar as crianças’
Tayla Kaxinawá estudava na rede pública do Jordão, cidade acreana onde só se pode chegar de barco ou avião de pequeno porte. Tayla Kaxinawá sonha em estudar medicina
Mardilson Gomes/SEE
Aulas na escola pela manhã, estudo em casa pela tarde, assistir videoaulas e participar de aulões. Essa foi a rotina de estudos da jovem Tayla Paulino Sales Kaxinawá, de 18 anos, durante cinco meses de preparação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. E o esforço valeu a pena: Tayla tirou 920 pontos na redação.
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Tayla é da etnia Kaxinawá, estudava na rede pública de ensino e mora no Jordão, uma das cidades isoladas por via terrestre no Acre que possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,469, um dos menores do Brasil, segundo o IBGE.
O acesso ao município, onde vivem pouco mais de nove mil pessoas, é possível apenas por barco ou avião de pequeno porte.
Essa foi a segunda vez que ela fez o Enem. A primeira vez foi como treineira. Em entrevista ao g1 nesta terça-feira (14), Tayla revelou que sonha em cursar medicina e se especializar em pediatria para atender na rede pública de saúde.
"É uma área que eu gosto, quero ajudar as crianças. Meu pai trabalha na recepção do hospital e sempre que ia lá ficava admirando os médicos no trabalho, atendendo. Achava muito legal, é inspirador. Fui vendo e cresceu esse desejo em mim", contou.
O resultado do Enem de 2024 foi divulgado nessa segunda (13). O exame é a porta de entrada para alunos do ensino médio em universidades públicas no Brasil. A prova é composta por 180 questões e uma redação.
No Acre, nenhum estudante tirou nota mil na redação do exame. Segundo o Ministério da Educação (MEC), apenas 12 alunos dos quase 3,2 milhões de participantes chegaram à nota máxima. A pontuação máxima no Acre, alcançada por quatro alunos, foi 980 pontos.
Jovem estudou com material da escola, videoaulas e provas de edições passadas do Enem
Mardilson Gomes/SEE
Rotina de estudos
Para se preparar para as provas do Enem 2024, Tayla se dividiu entre as atividades do último ano do ensino médio, resumo de conteúdos em casa pela tarde, videoaulas, leitura e participar de aulões do pré-Enem.
Ela contou que resolveu muitas provas das edições passadas do Enem para se preparar. "Resolvi muitas questões de 2022, 2023 e de outras edições passadas. Assistia as videoaulas e fazia os resumos. De manhã estudava na escola e à tarde em casa com o que eu tinha", destacou.
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Mesmo com a preparação, Tayla revela que ficou surpresa ao conferir a nota. "Não esperava. Foi uma surpresa muito grande. Tirei abaixo de 400 pontos em matemática, vou esperar para ver como vou fazer, se vou ser aprovada no curso. Sei que agora não tem mais medicina pelo Sisu. Não tenho outra opção, quero medicina", concluiu.
Pela primeira vez desde 2011, o curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) não foi incluído no Sisu. O rompimento com o sistema ocorreu em meio ao debate sobre o oferecimento de um bônus regional de 15% na nota para estudantes que tenham feito o ensino médio em escolas do Acre.
O bônus era oferecido pela Ufac desde 2018, mas foi declarado inconstitucional pelo STF por violar o princípio da igualdade, em outubro do ano passado.
O argumento da universidade é que a medida atende à necessidade de reforçar o compromisso de responsabilidade social da Ufac em relação à formação acadêmica e intelectual da sociedade acreana. Após diversos questionamentos na Justiça, porém, a Ufac decidiu fazer um processo seletivo próprio para medicina usando as notas do Enem. A medida não deve afetar os demais cursos, ao menos este ano.
Começaram a ser divulgados hoje os resultados do Enem 2024
O que fazer com a nota do Enem❓
O resultado do Enem pode ser utilizado para acessar a educação superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (SISU), Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). Confira datas de inscrição:
SISU: Inscrições de 17 a 21 de janeiro pelo site;
Prouni: Inscrições de 24 a 28 de janeiro;
FIES: Inscrições de 4 a 7 de fevereiro.
Vídeos g1

Única estudante de escola pública a tirar mil na redação do Enem chegou a fazer mais de 40 redações em menos de 1 ano

Indígena do AC que tirou 920 pontos na redação sonha fazer medicina: ‘Quero ajudar as crianças’
Além do ensino regular no Colégio de Aplicação Coluni, Samille também era aluna de um curso preparatório de redação em Viçosa. Samille Malta foi uma das 12 estudantes do país a tirar mil na redação
Arquivo Pessoal
📚 A estudante Samille Malta, de 19 anos, que foi a única aluna da rede pública a alcançar nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024, chegou a fazer mais de 40 textos em menos de dez meses.
Em todo o país, apenas 12 candidatos conquistaram a nota máxima. (Clique aqui e veja quem são)
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“Estudei bastante durante todo o ensino médio, mas no terceiro ano foquei mais no Enem. Acordava cedo e estudava todos os dias. Fazia uma redação por semana, o que deu aproximadamente 40 no ano passado”.
Nascida em Brockton, no estado de Massachusetts, Estados Unidos, a americana radicada no Brasil mudou-se com os pais para Virginópolis, em Minas Gerais, aos 7 anos.
Lá, estudou na Escola Estadual Nossa Senhora do Patrocínio até que em 2021 foi aprovada no Colégio de Aplicação (Coluni) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que oferece apenas o ensino médio.
Única estudante de escola pública a tirar mil na redação do Enem não esperava nota: 'Tenho mais facilidade em exatas'
Enem 2024: quem são os alunos nota mil na redação
Além do ensino regular, Samille também era aluna de um curso preparatório de redação em Viçosa.
Ao g1, a professora Giovana Berbert, que tem oito anos de profissão, contou como foi a preparação da aluna:
“A gente não chegou a trabalhar especificamente o tema da redação, que foi a questão da valorização da herança africana no Brasil. Só que trabalhamos com eixos temáticos, que são grupos de temas separados por assunto. Então, no curso, ela escreveu muito”.
Aluna de Viçosa tirou mil na redação
Arquivo Pessoal
Apesar do excelente desempenho, Samille Malta contou que a redação não era a matéria em que tinha mais afinidade e que “tinha muito mais facilidade em matemática e química”. Por isso, ela precisou se dedicar bastante à escrita.
"Fiquei muito feliz quando vi a nota, mas não esperava. Minha família também ficou muito feliz, todos choraram de emoção, e todos estavam ansiosos pela minha nota do Enem, que nos surpreendeu bastante", disse.
Agora, Samille Malta espera garantir uma vaga no curso de medicina, seu grande sonho.
Colégio de Aplicação já teve outras notas mil
O Colégio de Aplicação Coluni foi criado em 1965 e, inicialmente, oferecia apenas a terceira série, com função preparatória para o vestibular.
Porém, no início da década de 1980 a reitoria da Universidade Federal de Viçosa propôs a transformação da instituição em Colégio de Ensino Médio, oferecendo as três séries, além da criação de uma grade curricular que atendesse às exigências da legislação.
Dessa forma, o Coluni se transformou em Colégio de Aplicação em 2001e regulamentado pela Portaria nº 959 do Ministério da Educação (MEC), de 27 de setembro de 2013. A partir desta data, a sigla do nome do colégio recebeu o CAp, passando a ser denominado CAp-Coluni.
Além de Samille, o colégio já teve outros alunos que alcançaram a nota máxima na redação do Enem. Em 2022, Malu Souza, tirou mil pontos na redação do exame, que naquele ano teve como tema da redação a "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil".
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Samille Malta com a mãe e a irmã mais nova
Arquivo Pessoal
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"É uma área que eu gosto, quero ajudar as crianças. Meu pai trabalha na recepção do hospital e sempre que ia lá ficava admirando os médicos no trabalho, atendendo. Achava muito legal, é inspirador. Fui vendo e cresceu esse desejo em mim", contou.
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Mesmo com a preparação, Tayla revela que ficou surpresa ao conferir a nota. "Não esperava. Foi uma surpresa muito grande. Tirei abaixo de 400 pontos em matemática, vou esperar para ver como vou fazer, se vou ser aprovada no curso. Sei que agora não tem mais medicina pelo Sisu. Não tenho outra opção, quero medicina", concluiu.
Pela primeira vez desde 2011, o curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) não foi incluído no Sisu. O rompimento com o sistema ocorreu em meio ao debate sobre o oferecimento de um bônus regional de 15% na nota para estudantes que tenham feito o ensino médio em escolas do Acre.
O bônus era oferecido pela Ufac desde 2018, mas foi declarado inconstitucional pelo STF por violar o princípio da igualdade, em outubro do ano passado.
O argumento da universidade é que a medida atende à necessidade de reforçar o compromisso de responsabilidade social da Ufac em relação à formação acadêmica e intelectual da sociedade acreana. Após diversos questionamentos na Justiça, porém, a Ufac decidiu fazer um processo seletivo próprio para medicina usando as notas do Enem. A medida não deve afetar os demais cursos, ao menos este ano.
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Prouni: Inscrições de 24 a 28 de janeiro;
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