Sisu 2025: Nordeste é a região com mais vagas ofertadas; Minas Gerais lidera entre os estados

Estudante influenciada por Glória Maria tira 960 na redação do Enem, escolhe jornalismo e dá dicas para notão
Consulta de vagas já está disponível, com informações de distribuição por município, instituição e curso. Inscrições para o programa vão de 17 a 21 de janeiro. Universidade Federal do Rio de Janeiro é a instituição com mais vagas no Sisu 2025.
Reprodução/ TV Globo
Os estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 e vão pleitear vagas em universidades públicas por meio do Sisu 2025 já podem consultar a distribuição de vagas. Neste ano, uma grande parte das oportunidades é destinada para estados do Nordeste, que concentram 119.130 vagas.
Ao todo, serão 261.779 vagas para 6.851 cursos de graduação em 124 instituições públicas de ensino superior de todas as regiões do país. Rondônia, na região Norte, é o único estado que não ofertará vagas para suas universidades por meio do Sisu.
O período de inscrição do processo de seleção do programa começa na sexta-feira, (17), e vai até 21 de janeiro.
As regiões terão, respectivamente:
Nordeste: 119.130 vagas
Sudeste: 82.737 vagas
Sul: 29.225 vagas
Centro-Oeste: 20.405 vagas
Norte: 10.282 vagas
Já entre os estados, aqueles com maior quantidade de vagas são Minas Gerais (34.049), Rio de Janeiro (28.424), Bahia (22.889), Paraíba (21.268) e Pernambuco (16.523).
As Universidades com maiores ofertas de vagas são as Federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fluminense (UFF), com 9.050 e 8.683, respectivamente.
E, entre os institutos federais (IFs), o do Ceará (IFCE) é o que tem mais vagas (6.022), seguido pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com 5.675, e pelo Instituto Federal da Paraíba, com 2.850.
👉🏾 Clique aqui e consulte as vagas disponíveis por município, instituição e curso.
🗓️ Calendário do Sisu 2025
Inscrições: 17 a 21 de janeiro
Resultado da chamada regular: 16 de janeiro
Matrícula ou registro acadêmico: 27 a 31 de janeiro
Manifestação de interesse na lista de espera: 26 a 31 de janeiro
Convocação dos selecionados pela lista de espera: 12 de fevereiro a 30 de setembro
🚨 Atenção: O programa terá apenas um calendário válido para todos os participantes. Ou seja, mesmo os candidatos que irão iniciar o curso no segundo semestre precisarão se matricular na mesma data daqueles que iniciam o curso no primeiro semestre.
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Sisu 2025: mais de 6 mil vagas são ofertadas pelas universidades estaduais da Bahia

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Candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 poderão concorrer a uma das vagas, gratuitamente, a partir de sexta-feira (17) até 21 de janeiro. Consulta de vagas no SiSU 2025
Júlia Reis/g1
As universidades públicas estaduais da Bahia estão ofertando 6.689 vagas em cursos gratuitos de graduação, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Sisu 2025: Nordeste é a região com mais vagas ofertadas; Minas Gerais lidera entre os estados
Os candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 poderão concorrer a uma das vagas, gratuitamente, a partir de sexta-feira (17) até 21 de janeiro, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Veja abaixo a quantidade de vagas por universidades:
Universidade do Estado da Bahia (Uneb)
Uneb, em Salvador
Divulgação/Uneb
A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) ofertará 1.633 vagas em 134 cursos presenciais, distribuídas em 24 campi e 30 departamentos.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb)
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb)
Reprodução/TV Sudoeste
Já a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) disponibilizará 1.019 vagas, distribuídas em três campi: Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga.
Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)
Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)
Isabella Freitas/TV Santa Cruz
A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) oferecerá 1.870 vagas em 35 cursos, incluindo o novo curso de Psicologia.
Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)
Uefs
Divulgação
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) terá 1.080 vagas, no primeiro semestre, e 1.087, no segundo.
Como se inscrever no Sisu?
No ato da inscrição para o Sisu, o interessado deve selecionar até duas opções de cursos. O sistema realizará a classificação automática com base nas notas do Enem de 2024.
Após a chamada regular, prevista para 26 de janeiro, os selecionados terão de 27 a 31 de janeiro para efetuar a matrícula ou registro pré-acadêmico na instituição escolhida.
Auxílio estudantil
Os futuros estudantes que integram o CadÚnico poderão ter acesso ao programa Mais Futuro, do Governo da Bahia, que tem o objetivo de formar jovens universitários em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
O programa oferta auxílio financeiro de R$ 400 para os que residem a menos de 100 quilômetros de distância do campus onde frequenta o curso superior. Os que moram a uma distância superior a 100 quilômetros do campus recebem o auxílio de R$ 800.
Cotas para estudantes de áreas rurais
Os estudantes das áreas rurais terão cotas no Sisu 2025. Por meio da Portaria n° 1.127/2024, o Ministério da Educação (MEC) regulamentou a reserva de vagas para aqueles que concluíram o Ensino Médio em escolas localizadas nessas localidades.
A medida já valerá para a edição deste ano e atenderá alunos que fizeram de forma integral o Ensino Médio em escolas situadas em regiões rurais ou que atendam, predominantemente, populações do campo como:
agricultores familiares;
extrativistas;
caiçaras;
povos da floresta;
quilombolas;
pescadores artesanais;
ribeirinhos;
assentados;
acampados da reforma agrária;
outros grupos que dependem do trabalho rural.
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Enem 2024: estudante de Valinhos gabarita questões, mas fica a 1 décimo da nota máxima de matemática

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Pedro Henrique ganhou medalha de ouro em olimpíada internacional de informática e sonha cursar Ciência da Computação na Unicamp. Aluno medalha de ouro em olimpíada internacional de informática fica a 1 décimo da nota máxima de matemática no Enem: ‘aquecimento’
Pedro Henrique Assunção/Arquivo pessoal
Já imaginou ficar a um décimo da nota máxima em uma prova? Isso aconteceu com o estudante de Valinhos (SP) Pedro Henrique Assunção. Com 18 anos, ele sonha fazer Ciência da Computação na Unicamp e tirou 961,9 na área de Matemática e suas Tecnologias. A nota máxima deste ano foi 962.
O estudante, que acumula prêmios em Olimpíadas de Computação, encarou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um “bom treino”, já que a universidade não utiliza a nota do exame na modalidade que ele escolheu.
“O meu foco sempre foi a Unicamp, mas o Enem, querendo ou não, é uma boa prova, então ele serve como um treino e acaba servindo como um aquecimento para os outros vestibulares. Além de não deixar de ser uma boa opção caso não dê certo a Unicamp. Então, sim, ele é um plano B”, diz.
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O fim do ensino médio é um momento de muita tensão e cria expectativa para milhares de alunos que estão tentando entrar na universidade todos os anos. Uma das principais formas de acesso no Brasil é o Enem, que teve o resultado divulgado nesta segunda-feira (13).
📑 Quase nota máxima
O estudante tirou 961,9 na área de Matemática e suas Tecnologias, apenas um décimo da nota máxima, mesmo gabaritando a prova. Isso acontece devido ao modelo matemático pelo qual a prova é corrigida, a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
🔍 Utilizado desde 2009, o TRI prioriza a coerência na nota dos candidatos, quem acerta questões consideradas mais difíceis e erra as mais fáceis terá uma nota inferior que o candidato que fizer o inverso, pois o modelo vai considerar que os acertos foram “chutes”.
Pedro contou que ficou muito feliz com o resultado, pois além de acertar todas as questões de Matemática, considerou ter ido bem nas outras áreas do exame, como Ciências da Natureza, Humanas e Linguagens.
“Errei duas de Ciências da Natureza, três em Ciências Humanas, e cinco em Linguagens. Linguagem com certeza é o mais difícil, porque você pode estudar muito, mas sempre vai ter 45 textos esperando […] Então, eu fiquei feliz que eu errei só cinco”, conta.
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⚖️ Rotina equilibrada
Alguns alunos acabam escolhendo rotinas exaustivas de estudo, mas Pedro Henrique relata que levava pouca coisa para casa. O estudo era mais prático do que para “aprender temas novos”, sempre com exercícios de testes de algum simulado ou de provas anteriores.
“Pode-se dizer que eu estudava umas 5 horas por dia e ficava só por isso mesmo, porque eu preferia não me desgastar mais ainda no resto do dia", relata.
Já em relação à redação, o estudante costumava fazer uma ou duas no fim de semana, sempre cronometrando o tempo. Depois, levava em algum plantão na escola ou pedia para algum professor ler e explicar onde poderia melhorar.
Pedro Henrique Assunção recebe a medalha de ouro na Olimpíada Ibero-americana de Informática em 2024.
Redes sociais
💻 Conquistas e sonhos
A escolha pelo curso surgiu assim que entrou no ensino médio e começou a participar de disputas nacionais e internacionais como a Olimpíada Brasileira de Informática (OBI) nas edições de 2022, 2023 e 2024, e a Olimpíada Ibero-americana de Informática (OII), em 2024.
Desde o início conquistou prêmios. Na OBI, ele conseguiu o ouro em 2022 e 2024, e a prata em 2023. Já na OII, participou apenas uma vez, mas foi o suficiente para ficar entre os primeiros com uma medalha de ouro.
“Foi muito emocionante [participar da OII], porque era a competição mais difícil que eu tinha feito até o momento e ter conseguido ir tão bem me dá muita segurança e muita felicidade”, fala.
Para ele, a felicidade vai além da vitória na competição, pois essa conquista também pode ajudá-lo a entrar na Unicamp. Além do resultado do vestibular que está programado para sair na sexta-feira (24), o estudante pode conseguir a vaga graças ao bom desempenho nas competições.
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Com rotina de mais de 10h de estudo por dia, amigas tiram 980 pontos na redação no Enem 2024 no AC: ‘Rede de apoio’

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Ana Clara Gonçalves Barbosa e Isabelly Lima Bernava, ambas de 18 anos, compõem o seleto grupo de participantes do Enem 2024 que alcançou 980 pontos na redação no Acre. Amigas estudaram em casa, fizeram cursinho preparatório e sonham em cursar medicina. Ana Clara (ao fundo) e Isabelly Bernava (à frente) são amigas há mais de três anos e tiraram a mesma nota na redação do Enem 2024
Arquivo pessoal
As acreanas Ana Clara Gonçalves Barbosa e Isabelly Lima Bernava, ambas de 18 anos, compartilham muito mais do que a idade, amizade, planos e rotina de estudos. As duas compõem o seleto grupo de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 que alcançaram 980 pontos na redação no Acre.
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E as coincidências não param por aí. Ana Clara e Isabelly, que são amigas há mais de três anos, se prepararam juntas para as provas e dividem um sonho em comum: fazer medicina.
As duas terminaram o ensino médio em 2023 e passaram todo o ano de 2024 estudando para o Enem . A rotina incluiu estudo em casa durante à manhã e cursinho preparatório entre a tarde e noite. Elas também responderam simulados, tiveram aulas extras de redação e contaram com o apoio dos pais nos estudos.
"Tivemos basicamente a mesma rotina de estudos. De manhã em casa estudando e à tarde íamos para o cursinho. Era mais ou menos mais de dez horas de estudo diariamente. A gente trocava muita leitura, inclusive, quando a gente tinha intervalo no cursinho, estávamos estudando juntas. Foi muito importante essa rede de apoio, principalmente de amigos que estão na mesma jornada", disse Ana Clara.
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"Foi muito bom e tornou tudo muito mais leve. Fiquei muito feliz quando soube que a Ana tirou a mesma nota que eu. Tornou a caminhada muito mais leve nessa busca pela aprovação no vestibular", disse Isabelly.
Segundo o Ministério da Educação, além das duas jovens, outras duas pessoas tiraram 980 pontos na redação do Enem 2024 no estado. O g1 apurou que uma estudante do Instituto Federal do Acre, campus Cruzeiro do Sul, interior do Acre, também tirou a mesma nota. A jovem tem 18 anos e sonha em cursar direito.
Longas horas de estudo
Isabelly Bernava teve aulas extras de redação com uma antiga professora
Arquivo pessoal
Ana Clara e Isabelly se conheceram após uma prima de Isabelly, que estudava com Ana Clara, apresentar as duas. A amizade se firmou e as duas concluíram o ensino médio no final de 2023, sendo que Ana Clara estudava na rede pública e Isabelly na rede privada.
Já em 2024, as duas decidiram que seria o ano de preparação para o Enem 2024. Se matricularam no cursinho preparatório e separaram os livros, simulados e provas para estudar em casa. "Passava o dia todo estudando, tive uma rotina de estudos bem definida e sempre tentei manter a constância ao longo do ano. Estudava em casa até a hora de ir para o cursinho, que começava às 14h", relembrou Isabelly.
Essa foi a segunda vez que a jovem fez o Enem. A primeira vez foi em 2023 e ela revela que chegou a alcançar 960 pontos na redação. Naquela época, contudo, não conseguiu entrar na faculdade.
Com foco nas provas de 2024, Isabelly passou a ter aulas extras apenas de redação nos últimos seis meses do ano com uma antiga professora. "Era uma vez por semana, aos sábados. Depois do meio do ano, passei a estudar redação duas vezes na semana. Estudava de segunda a sexta no cursinho, sábado só redação e, às vezes, aos domingos ainda estudava em casa", recordou.
Participante ficou surpresa com a nota no Enem 2024
Reprodução
Apesar de toda preparação e empenho, Isabelly conta que ficou surpresa com a nota alta na redação. "Acho que a gente sempre com o pé atrás, mesmo tendo se preparado o ano todo. Quando vi a nota, fiquei muito feliz, já chamei minha mãe. Não sabia que apenas quatro pessoas tinham tirado essa nota", destacou.
A jovem ressalta também a rede de apoio que teve em casa durante os estudos. Com o pai empresário e a mãe dona de casa, Isabelly foi poupada das tarefas domésticas para focar apenas nos estudos.
"Valeu muito a pena todo esforço. Estudei muito porque meus pais sempre me apoiaram. Minha mãe me deixou livre para estudar o quanto quisesse e isso foi essencial. Meus pais nunca mediram esforços pelos meus estudos e isso não é apenas uma vitória minha, mas deles também. É uma vitória muito grande", celebrou.
Mãe enfermeira
Ana Clara sonha em cursar medicina e realizar o sonho da mãe
Arquivo pessoal
O sonho em cursar medicina transcende gerações na família de Ana Clara. A mãe dela se formou em enfermagem, mas queria fazer medicina. Já o irmão mais velho dela é formado em fisioterapia.
"Minha mãe sempre quis ser médica e acho que isso influenciou um pouco. Meu pai é autônomo, trabalha na área da culinária e meu irmão mais velho também é da área da saúde. Não tenho outra opção além de medicina, então, meus pais me incentivaram muito", pontuou.
Ana Clara Gonçalves tirou 980 pontos na redação do Enem 2024
Reprodução
O amor pela saúde motivou Ana Clara a focar nos estudos ao longo do ano passado. "O ano inteiro foi de estudo. Estudava de manhã em casa, gostava de responder provas antigas, escrever redações com temas antigos também e à tarde estava no cursinho", explicou.
Além dos estudos, Ana Clara dividiu o tempo também ajudando o pai em uma barraca de salgados. "Meu pai tem um ponto que vende comida e ajudo ele. Ficava com ele no sábado e domingo em casa descansando. Pra mim foi um desafio muito grande porque aprendi redação do zero, fiquei triste e agora fiquei muito feliz quando alcancei essa nota", concluiu.
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Estudante influenciada por Glória Maria tira 960 na redação do Enem, escolhe jornalismo e dá dicas para notão

Estudante influenciada por Glória Maria tira 960 na redação do Enem, escolhe jornalismo e dá dicas para notão
Mirella Archangello ficou conhecida aos 11 anos por brincar de jornalista ao denunciar problemas do bairro em Ribeirão Preto, SP. Em 2017, ela conheceu ídolo da comunicação e, agora, realiza sonho da universidade. De reporter mirim à estudante de jornalismo: Mirella Archângelo tirou 960 na redação do ENEM 2024
Reprodução/Acervo Pessoal
O que começou como uma brincadeira transformou para sempre a vida de Mirella Archangello, estudante de 18 anos que viralizou nas redes sociais em 2017 ao brincar de repórter com seus irmãos, denunciando problemas do bairro Avelino Alves Palma, na zona Norte de Ribeirão Preto (SP), onde mora.
O sucesso foi tanto, que a jornalista Glória Maria, que morreu em 2023, ídolo de Mirella, viajou até a cidade com uma equipe do Fantástico, da TV Globo, e surpreendeu a menina, que pode entrevistá-la.
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Sete anos depois do encontro, a estudante, que ficou conhecida como “repórter mirim”, deve iniciar os estudos no ensino superior e, é claro, escolheu o jornalismo como profissão a ser seguida.
Mirella tirou 960 na redação do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um notão que vai ajudá-la a participar do Programa Universidade para Todos (Prouni).
“Eu fiquei muito feliz e muito grata. Foi realmente incrível ver o resultado de um esforço de três anos ali, árduo. Como estudante, a gente sempre se pergunta: 'Será que vai dar certo? Será que vou conseguir mesmo passar? Será que vou conseguir tirar uma nota muito boa?' A partir do momento em que vi a minha nota, percebi que o segredo foi me esforçar um pouquinho a cada dia. Agora, finalmente, consegui um resultado tão bom. Ainda não caiu a ficha”.
Mirella se diz animada e ansiosa para começar a graduação que deve ser feita em Ribeirão Preto mesmo.
“Escolhi ficar por vários motivos. Minha família não tem condição de me deixar ir embora para fazer um curso em outra cidade. Eu não sou filha única, eu tenho ainda três irmãos e meus pais teriam que me ajudar de alguma forma, eu não iria conseguir o recurso público de modo imediato. Eu também tenho um apego muito emocional com a minha família. Não tenho um amadurecimento tão grande para conseguir conciliar tudo ao mesmo tempo, morar sozinha e estudar”, diz.
📺 Relembre o dia em que Mirella conheceu Glória Maria:
Repórteres mirins de Ribeirão Preto se encontram com a jornalista Glória Maria
Mão na massa
A estudante faz jornalismo amador desde os 11 anos, mas agora vai passar por todo o processo de profissionalização que uma faculdade oferece. Para Mirella, o sentimento de abraçar a nova etapa mistura medo e ansiedade. Apesar das dúvidas sobre gostar ou não do curso ou da vida universitária, ela se sente feliz.
“Eu, durante todos esses anos, só fiz a prática. Eu nunca tive a parte teórica, a parte de trás. Então é isso que está me causando mais ansiedade, de saber como é esse outro lado do jornalismo, como é estar em contato com professores”.
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Glória Maria conheceu a fã Mirella, de 11 anos, em Ribeirão Preto, em 2017
Reprodução/ Fantástico
Preparação para o vestibular
O resultado positivo no Enem veio depois de vários anos de preparação. Mirella cursou o Ensino Médio em uma escola particular após conseguir uma bolsa integral. Ela criou uma rotina de estudos, apostando principalmente no seu gosto pela leitura como instrumento de aprendizagem.
A estratégia foi trabalhar um pouco por dia, sem sobrecarregar e sem tentar fazer tudo de uma vez. Diariamente, estudava, fazia exercícios de treino, resolvia provas antigas. A parte mental também foi importante, trabalhando a calma e o equilíbrio para não se desgastar.
“Tinha essa rotina já de vestibular que é o que é comum. No ensino médio da maioria das escolas também há uma preparação mental de saber que mesmo que não tenha um resultado tão bom, teria outros anos para continuar tentando. Por isso, mantive a calma e mantive momentos de lazer com a minha família”, diz.
Ela garante que o fato de ter se tornado conhecida não atrapalhou sua rotina. Também diz que está tranquila sobre as decisões para o futuro, mesmo que queira escolher caminhos diferentes mais adiante, como deixar o jornalismo para experimentar outras áreas.
Mirella Archângelo e sua família em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/Acervo Pessoal
Após um ano de muita dedicação, persistência e trabalho duro, o resultado do Enem é apenas a primeira etapa de meses de apreensão. Assim como milhares de brasileiros, Mirella deverá realizar a inscrição para o Prouni de 24 a 28 de janeiro. O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 26 de fevereiro.
O momento da redação
Em 2024, a redação do Enem teve como tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”, o que agradou bastante a estudante, que tem um projeto nas redes sociais de valorização de histórias e personagens negros brasileiros. Na teoria, o tema não seria um problema, já que a consciência racial é uma questão transmitida pelos pais e que ela trabalhou nos últimos anos.
“Eu achei uma temática superpertinente a ser cobrada, principalmente por se tratar de um tema que tinha que ser discutido em nível nacional. A herança africana traz vários outros eixos do racismo. Todo mundo está sabendo sobre isso e está consciente que existe. Então nada melhor do que uma prova que tem como público-alvo os jovens, que são os principais fomentadores dos debates das reivindicações. Eu fiquei muito feliz e satisfeita com a minha escrita”.
Ainda assim, nem tudo são flores. Mesmo tendo se preparado por meio de leituras de autores brasileiros e estrangeiros que tratam da temática, o maior inimigo de Mirella foi o nervosismo.
Na hora da prova, a dificuldade foi organizar todo o conteúdo e transmitir o conhecimento em palavras. As principais referências foram a obra “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo, e o trabalho de Bell Hooks, autora americana que tem foco na educação antirracista.
Mirella Archângelo dá dicas para estudantes em fase vestibular
Reprodução/Acervo Pessoal
Conselho para futuros vestibulandos
Mirella lamenta que atualmente, entre os jovens, cursar universidade esteja em desprestígio. A jovem nota que, nas redes sociais, o discurso contra o estudo tem sido forte, onde se atribui a ideia de que ‘não levará a lugar algum’. Ela lembra que estudar não é somente sobre a profissão, mas é sobre transformar a si mesmo e a realidade.
“Isso é muito triste. Não desvalorizo outras escolhas ou caminhos, mas, ao mesmo tempo, precisamos ter a mente aberta e reconhecer que somente a educação é capaz de mudar o mundo e transformar as pessoas”, diz.
Ela diz que o segredo para se dar bem no vestibular é a paciência e a perseverança. Para a jovem, o estudo é um processo constante, onde é necessário compreender a melhor forma de fazer, que é individual de cada um.
“Haverá dias em que você conseguirá fazer um simulado inteiro do Enem, e haverá outros em que só conseguirá resolver 10 questões, e está tudo bem! Não é a quantidade que importa, mas, sim, a qualidade do estudo”.
A equipe mirim de reportagem em Ribeirão Preto em 2017: Peterson, Marjorie, Mirella e Pablo
Emily Cardoso/G1
Como criar gosto pela leitura?
O gosto pela leitura sempre foi uma realidade para Mirella, apaixonada pelos livros. Nas redes sociais, faz troca de autores, indica novas obras e também adora receber indicações. A leitura para ela vai muito além de uma “obrigação”: é um meio de entender a si mesma e a sociedade em que vive.
Por isso mesmo, a dica que ela dá para os colegas é que sempre escolham obras que fazem sentido para cada um. A principal palavra é a paciência e a insistência na leitura. Ela recomenda que os estudantes façam as leituras obrigatórias de forma intercalada com livros mais prazerosos e livres.
“A melhor maneira de fazer isso é incentivá-los a lerem o que gostam. Ao mesmo tempo em que eu lia os livros obrigatórios, como os da lista da Fuvest ou da escola, sempre tentava intercalar com alguma leitura que me interessava pessoalmente, algo que fosse do meu gosto. Isso foi um dos principais fatores para a minha nota do Enem”.
Ela lembra que a pessoa não vai conseguir ler tudo em um dia ou uma semana. É um processo que deve ser feito um pouco por dia.
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