Único paraibano em Harvard quer ajudar outros estudantes a ingressarem na universidade americana

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade
Itamar Rocha Filho é paraibano, cursa mestrado na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard e pretende ajudar outros paraibanos a entrarem na universidade americana, através de um programa de mentoria. Itamar Rocha Filho é o único paraibano que estuda em Harvard
Reprodução/Redes sociais
Itamar Rocha Filho, graduado em Engenharia da Computação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é o único paraibano que atualmente estuda na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Desde setembro do ano passado, ele está cursando mestrado na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard, no programa de Computational Science and Engineering.
O processo seletivo para ingressar na instituição americana é bem diferente dos procedimentos adotados pelas universidades brasileiras. Itamar, ao explicar o processo de ingressar na academia americana, destacou que o foco de Harvard é em uma avaliação mais holística do candidato.
“Para o meu programa de mestrado em específico, eu tive que escrever algumas cartas, um propósito com a universidade, uma carta sobre a minha história, e precisei de algumas cartas de recomendação de alguns professores e profissionais com quem eu trabalhei na indústria antes de ingressar em Harvard. Além disso, você precisa ter o seu currículo atualizado, precisa dizer com quais professores você quer trabalhar. É um pouco mais extenso, mas é diferente em relação ao Brasil, porque não existe uma prova em específico que você precisa fazer, então eles avaliam mais o candidato de forma holística”, explicou.
Paraibano que estuda em Harvard faz mentoria para estudantes
Reprodução/TV Cabo Branco
Itamar, portanto, se tornou o único representante da Paraíba na instituição, mas tem como objetivo mudar essa realidade. Junto com a Associação de Brasileiros em Harvard, ele está à frente de um programa de mentoria que busca aumentar a diversidade na universidade.
“Hoje em dia eu sou o único paraibano em Harvard e com certeza eu quero mudar isso, por isso que eu, junto com a Associação de Brasileiros em Harvard, a gente está com um programa de mentoria que já acontece há alguns anos, e o intuito desse programa é justamente aumentar a diversidade na nossa faculdade. Você pode entrar no perfil no Instagram, pelo @harvardbrazil, lá vai ter um webinário, que a gente vai fazer dia 28 de janeiro, falar um pouco mais sobre esse processo seletivo, como você pode se candidatar, e como passar e vir a estudar em Harvard assim como a gente”, afirmou Itamar.
Graduado na UFPB é único paraibano em Harvard
Se depender de outros estudantes paraibanos, essa realidade pode mudar. Lara Pontes é uma jovem paraibana que recentemente visitou Harvard, e também compartilha o sonho de seguir os passos de Itamar e ingressar na universidade. Ela acredita que a instituição oferece uma excelente conexão entre a indústria e a academia, sendo o lugar ideal para sua futura pós-graduação.
“Eu tenho interesse em fazer pós-graduação lá nos Estados Unidos, gosto muito de pesquisa aplicada, e acredito que essa conversa entre indústria e academia é muito forte lá, por isso que eu tenho interesse em aprender e seguir a pós-graduação, doutorado, mais especificamente lá [nos Estados Unidos]”, relatou Lara.
Lara Pontes é uma estudante paraibana que tem o sonho de estudar em Harvard
Reprodução/TV Cabo Branco
Lara contou como foi sua visita à universidade e a troca de experiências com os alunos. “Conheci algumas pessoas de lá, deu pra trocar algumas ideias, e a gente sonha”, comentou Lara, que está determinada a voltar de forma definitiva para Harvard no futuro.
Com a mentoria oferecida, tanto Itamar, com sua experiência em já estar na universidade americana, quanto Lara, que tem o desejo de entrar em Harvard, esperam abrir portas para outros paraibanos e nordestinos conquistarem seu lugar em uma das universidades mais renomadas do mundo.
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Estudante de medicina que dá aulas gratuitas no AC tira 980 na redação do Enem 2024: ‘Muita felicidade’

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade
Pedro França é acadêmico de medicina na Ufac e foi um dos quatro participantes que alcançaram a nota no Acre. Ao g1, ele contou que fez exame para melhorar a nota na redação. Pedro França é acadêmico de medicina na Ufac e fez o Enem 2024 para melhorar a nota na redação
Arquivo pessoal
O quarto participante do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 que alcançou 980 pontos na redação no Acre é o estudante de medicina Pedro de Lima França, de 21 anos. O acadêmico dá aulas gratuitas para a comunidade por meio do MedAprova, um projeto de extensão da Universidade Federal do Acre (Ufac), e disse que fez o exame para melhorar a nota que havia tirado na edição anterior.
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O Acre não teve nenhuma nota mil na redação na edição de 2024, mas quatro textos alcançaram 980 pontos, sendo estes de Pedro França, das amigas Ana Clara Gonçalves Barbosa e Isabelly Lima Bernava, ambas de 18 anos, e de uma estudante do Instituto Federal do Acre (Ifac), campus Cruzeiro do Sul, também da mesma idade. O tema da redação foi: "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil".
O g1 conversou com os quatro participantes. Pedro França contou ao g1 que faz o Enem desde 2020. Em 2023, ele conseguiu 900 pontos na redação, se inscreveu no curso de medicina na Ufac pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na modalidade de ampla concorrência com bônus regional e foi aprovado.
"Fiz as últimas cinco edições [do Enem] e essa foi a maior nota que tirei na redação. Mas, sempre tirei de 900 pontos para cima. Me superei esse ano. Fiquei surpreso porque um dos corretores me deu mil pontos, então, minha reação foi de muita felicidade. Estava com a expectativa de 960 porque recordo de um erro de gramática que cometi depois que entreguei a prova. Então, fiquei muito contente com a nota e com a sensação de alívio", celebrou.
Cursar medicina é um sonho de Pedro e ele contou que vai continuar no curso. O jovem explicou que fez as provas para testar as habilidades e que pretende continuar participando do exame até tirar nota mil na redação. "Não me preparei muito porque estava ocupado com a faculdade. Apenas na última semana, antes das provas, olhei alguns antigos modelos de redação", complementou.
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MPF defende legalidade de bônus de inclusão regional para curso de medicina da Ufac
Pedro França dá aula de graça em cursinho prepatório do Enem
Arquivo pessoal
Projeto de extensão
Pedro França dá aula de matemática e física no Projeto de Extensão Universitária MedAprova, do curso de medicina da Ufac. A iniciativa atende a comunidade com aulas de graça para o Enem. Pedro começou a lecionar no projeto em 2024.
"Me chamaram para dar aula de redação, mas não me sentia seguro por conta das minhas antigas notas. Agora vou dar aula. A gente não recebe por dar aula, apenas os bolsistas", pontuou.
O estudante explicou que ficou preocupado ao saber que poucos participantes do estado acreano alcançaram a nota.
"De um lado fico feliz porque ser uma das poucas pessoas, mas preocupado em relação aos demais alunos. Não tivemos nenhuma nota mil aqui, ano passado tivemos 60 no Brasil. Então, foi uma queda muito grande e acredito que tem a ver muito com a forma que corrigiram", finalizou.
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MPF defende legalidade de bônus de inclusão regional para curso de medicina da Ufac

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade
Órgão afirma que benefício é considerado de interesse público tendo em vista a necessidade de permanência dos futuros profissionais na região. Ufac
Reprodução/Rede Amazônica Acre
O entendimento do Ministério Público Federal (MPF) é de que aplicação do bônus de inclusão regional para o ingresso no curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) é constitucional. Para o procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, o benefício se justifica pela necessidade de permanência dos futuros profissionais na região.
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O STF declarou inconstitucional a concessão do bônus por violar o princípio da igualdade em outubro do ano passado.
O Ministério da Educação (MEC) havia enviado uma solicitação a todas as instituições que aplicavam o bônus para que não incluíssem a bonificação no termo de adesão depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir o uso de bônus regional pelas universidades públicas que participam do Sisu. A Ufac faz uso desta bonificação desde 2018.
Nesta quinta-feira (16), o MPF se posicionou a favor do bônus após procedimento aberto que questionou o uso da bonificação regional nos processos seletivos da Ufac. De acordo com Lucas, o bônus regional é uma política afirmativa prevista na Lei 12.711/2012 e no Decreto 7.824/2012.
Além disso, ele lembrou que a criação do curso de medicina em universidade pública no Acre buscava a formação de profissionais para atuação na região. Desse modo, Lucas afirmou que o uso do “argumento de inclusão regional” é um fator importante para melhorar a condição de permanência na universidade e a fixação dos profissionais na região de formação.
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O procurador da República citou que a Ufac já comprovou empiricamente a alta evasão dos alunos de outros estados e a baixa fixação de médicos após a formação pela universidade.
“A universidade se mostra como uma instituição de passagem para estudantes dos demais estados, apenas para assegurar a vaga, por sua nota de corte ser mais baixa, e, após a garantia da vaga, busca exercer a profissão em seus estados de origem”, explicou.
Por outro lado, o MPF esclareceu que, embora algumas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham declarado a inconstitucionalidade de reservas de vagas em outros estados, a tese que prevalece é a da constitucionalidade de ações afirmativas regionais, como é o caso da Ufac. Além disso, não há reserva de vagas, mas apenas incremento da nota.
“Dessa forma, os candidatos de outras unidades da federação não são tolhidos do direito de disputar as vagas com os alunos acreanos, já que as vagas permanecem na ampla concorrência”. conclui.
Bônus regional
O bônus regional da Ufac, aprovado em 2018 pelo Conselho Universitário e implementado a partir de 2019, concede 15% de acréscimo na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para candidatos que concluíram o ensino médio no Acre.
O benefício é válido apenas para quem cursou integralmente o ensino médio regular e presencial em instituições de ensino acrenas. Além disso, a universidade destaca que o bônus não é cumulativo e é oferecido para os candidatos que optarem por vagas de ampla concorrência no Enem.
Segundo a universidade, foi feito um estudo de viabilidade para a adoção da medida, e atende à necessidade de reforçar o compromisso de responsabilidade social da Ufac em relação à formação acadêmica e intelectual da sociedade acreana.
A bonificação para estudantes do Acre já foi alvo de várias ações na Justiça Federal. No mês de abril de 2023, o estudante paraibano César Lima Brasil conseguiu uma liminar que derrubou a bonificação, após se inscrever para vaga no curso de medicina como beneficiário da modalidade, mesmo sem ter direito. Em maio do mesmo ano, a Justiça Federal cassou a liminar.
No mês de julho de 2023, foi a vez de um estudante de Goiás questionar o bônus após se inscrever nesta modalidade e conseguir uma liminar que considerou o acréscimo ilegal. Em ambos os casos foi argumentado que o bônus cria desigualdade e não é previsto na Lei de Cotas, o que o tornaria ilegal. O g1 tirou algumas dúvidas sobre o que é o bônus e como funciona.
Em dezembro de 2024, a Ufac decidiu, após votação do Conselho Universitário (Consu), manter o bônus regional para todos os cursos no termo de adesão 2025 e retirar o curso de medicina do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Isso aconteceu após o Ministério da Educação (MEC) solicitar a todas as instituições que aplicavam o bônus para que não incluíssem a bonificação no termo de adesão depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir o uso de bônus regional.
Mais de 2,2 mil vagas em 45 cursos são ofertados na Ufac no Sisu; medicina está fora
Arquivo/Ufac
Medicina fora do Sisu
Mais de 2,2 mil vagas em 45 cursos de graduação são ofertadas pela Universidade Federal do Acre (Ufac) para ingresso no primeiro semestre de 2025 no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). As vagas são destinadas para candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. Pela primeira vez desde 2011, o curso de medicina não foi incluído no Sisu.
Guida Aquino esclareceu que foi necessária a retirada do curso de medicina do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para que fosse mantido o bônus para todos os outros cursos no termo de adesão 2025.
A decisão foi tomada após a votação do Conselho Universitário (Consu), no dia 4 de dezembro. A instituição deve passar a fazer um processo seletivo próprio para medicina usando as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano.
As inscrições para o Sisu são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. A primeira chamada está prevista para o dia 26 de janeiro. Confira a lista completa de cursos da Ufac aqui.
Para se inscrever no processo seletivo do Sisu 2025, é necessário ter participado do Enem 2024 com nota maior do que zero na redação, além de ter concluído o Ensino Médio.
Do total, 1.150 vagas serão destinadas à reserva na Lei nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas, 971 à ampla concorrência e 89 para ação afirmativa própria da instituição (do tipo reserva de vagas).
Ufac estuda sair do Sisu a partir de 2026 para garantir bônus regional
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Nesta quinta-feira (16),

As crianças superdotadas negligenciadas ou expulsas das escolas: ‘Meu filho era visto como problema’

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade
Embora senso comum faça pensar que crianças superdotadas serão sempre bem-sucedidas nas aulas e capazes de se virar sozinhas, elas precisam de atenção especial nas escolas, segundo apontam famílias e especialistas. Especialistas e famílias apontam para falta de preparo de professores para lidar com crianças superdotadas.
Getty Images via BBC
Quando se pensa em crianças superdotadas, é comum imaginar que elas vão se destacar na escola. A realidade, no entanto, pode ser muito diferente — e difícil.
Apesar de apresentarem habilidades cognitivas acima da média, essas crianças muitas vezes enfrentam dificuldades de adaptação em escolas que, segundo relatam pais e organizações focadas em pessoas com alto Quociente de Inteligência (QI), não estão preparadas para lidar com as necessidades específicas desses estudantes.
Às vezes, essas dificuldades resultam até em expulsões de alunos superdotados, com alegações de que são hiperativos, agressivos e indisciplinados.
É o caso do filho de Luciana (nome fictício), um menino de 9 anos que tem altas habilidades e já está em sua quarta escola — todas particulares e na capital paulista.
Provavelmente, ele irá para uma quinta escola, pois a família não está satisfeita com a atual.
Várias vezes, segundo a mãe, ele levou advertências e suspensões por apresentar comportamento agitado e algumas vezes agressivo, por exemplo falando palavrões em sala de aula.
Em duas escolas, o menino foi convidado a se retirar e a mãe impedida de fazer a rematrícula. Em uma dessas situações, ela questionou o posicionamento da escola.
"Quando eu matriculei meu filho, levei o laudo que aponta as altas habilidades dele, porém ele nunca teve um acompanhamento especial em sala de aula. Por ficar entediado com as atividades e até mesmo ser alvo de chacotas, tinha momentos em que ele se desregulava emocionalmente e ficava mais agressivo", relata.
"Eu sentia que a escola não me ouvia e colocava meu filho como sendo um problema."
O menino tem QI de 130 — número bem acima dos 83, a média brasileira. O QI acima de 130 é considerado superdotação, segundo a Associação Mensa Brasil, afiliada brasileira da Mensa Internacional (sociedade britânica fundada em 1946 que reúne pessoas de alto QI no mundo).
O filho de Roberta de Castro, Filippo, tem um valor parecido: 134 de QI.
Mas ele teve problemas de adaptação quando ingressou na primeira escola, aos 3 anos. Hoje, ele tem 7 e está em uma segunda escola, mais bem adaptado.
Filippo já falava inglês fluentemente aos 3 anos após aprender o idioma sozinho, relata a mãe dele, Roberta.
Arquivo pessoal (via BBC)
Segundo a família, aos 3, o menino já falava inglês fluentemente após aprender o idioma sozinho, assistindo a desenhos animados; aos 5, sabia todas as operações matemáticas, resolvendo problemas com números complexos e raiz quadrada.
Quando Filippo entrou na primeira escola, particular, a mãe entregou à instituição um relatório com tudo que o menino sabia fazer naquela idade.
"Mas foi como se eu não tivesse feito nada e tivesse entregue um papel em branco", relata Roberta, afirmando que a escola não proporcionou atividades que estimulassem as habilidades do filho.
A mãe lembra de uma situação que viu pelas câmeras da escola e a deixou "bem aflita".
"Eles davam giz para desenhar e ele começou a ficar muito entediado. A atividade era uma hora de giz: muitas crianças ficavam sentadas brincando, já o Filippo escrevia o alfabeto e saia correndo para brincar no parquinho. Daí eles iam lá buscar ele, e ele começava a chorar. Ele queria sair da sala de aula", recorda a mãe.
Roberta então passou a buscar outras opções de escolas e encontrou uma, particular, que adota a metodologia do aprendizado ativo — a qual não se restringe a apostilas e livros e estimula as crianças a buscarem conhecimento de forma prática, a partir de acontecimentos do cotidiano.
Filippo foi matriculado nessa escola antes dos 5 anos e está lá até hoje.
"Ao mesmo tempo que ele faz as atividades da turma em que ele está, ele também recebe atividades à frente com foco nas facilidades que ele tem devido à superdotação. E isso tudo é feito na mesma sala, para que ele não se sinta excluído", comemora Roberta.
Como lidar com crianças superdotadas na escola
Filippo teve dificuldade de adaptação na primeira escola em que estudou, segundo relata a mãe, Roberta.
Arquivo pessoal (via BBC)
De acordo com o Censo Escolar 2023, 38.019 estudantes brasileiros foram identificados como superdotados — 0,08% dos alunos da educação básica.
A pedagoga Jéssica Maranhão, especializada em educação especial, afirma que os obstáculos na capacitação de professores para lidar com a superdotação começam na faculdade por qual eles passam.
"Quando a gente fala que um aluno precisa de um atendimento educacional especializado, logo se pensa em alunos do espectro autista ou com alguma dificuldade de aprendizagem. De modo geral, na faculdade não se estuda sobre as crianças com altas habilidades", pontua Maranhão.
Ainda segundo a pedagoga, quando o assunto é superdotação, predomina-se o mito de que o aluno vai aprender sozinho, não sendo necessário nenhum tipo de acompanhamento — muito menos individualizado e feito por um profissional capacitado.
"Ao meu ver, é necessário ter um investimento plural no setor. Seja da difusão de informação sobre o tema, da especialização dos profissionais para fazer esse acolhimento do estudante e também dos governos e redes de ensino em ofertar cursos sobre o tema", diz a pedagoga.
Para Fabiano de Abreu Agrela, neurocientista e presidente ISI Society (sociedade para pessoas com QI acima de 148 e criatividade notável), o primeiro passo para lidar com a superdotação é justamente entender que essas crianças têm necessidades educacionais específicas.
"Um acolhimento eficaz, independentemente do modelo educacional, exige adaptações individualizadas: atenção dedicada, atividades personalizadas, estímulo à autonomia, ao desenvolvimento de liderança e à exploração de suas potencialidades", afirma Agrela.
O neurocientista diz que crianças com superdotação são "frequentemente mais sensíveis, perfeccionistas e suscetíveis à frustração".
"Educadores devem evitar comparações ou o sentimento de intimidação; pelo contrário, devem atuar como facilitadores que oferecem segurança, experiência e um ambiente de confiança. O foco principal deve ser a motivação intrínseca, o estímulo à curiosidade e o desenvolvimento integral da criança", aponta.
No Brasil, 0,08% dos alunos da educação básica foram identificados com superdotados em 2023.
Getty Images via BBC
Desde 2013, o conceito de superdotação faz parte da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que regulamenta a educação brasileira.
Isso faz com que esses alunos tenham direito ao atendimento educacional especializado (AEE) na rede regular de ensino, que possibilita a aceleração de séries e currículo adaptado, além de salas de recursos multifuncionais.
O Ministério da Educação (MEC) afirmou em nota que está desenvolvendo várias ações "em prol da educação inclusiva", como a capacitação de professores não especializados e a formação de professores e gestores dedicados à educação especial.
"Também está em processo de elaboração de publicações sobre essa temática, com um volume dedicado às altas habilidades/superdotação. Estas propostas e materiais objetivam contribuir para a promoção de práticas educacionais inclusivas para alunos com altas habilidades/superdotação, promovendo o pleno desenvolvimento dos potenciais de todos os estudantes, com respeito às suas demandas específicas", disse o MEC, em nota.
Procurada, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirmou que "em casos em que não há atendimento satisfatório em alguma instituição de ensino, seja ela pública ou particular, pais e responsáveis podem buscar orientação na Diretoria de Ensino da região".
A secretaria acrescentou que a Política de Educação Especial do Estado de São Paulo visa oferecer um atendimento especializado e adaptado aos estudantes com altas habilidades/superdotação na rede estadual de ensino.
A pasta também destacou a importância da Avaliação Pedagógica Inicial (API), que auxilia na identificação das necessidades específicas de estudantes; e do Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE), que é elaborado por professores especializados e organiza estratégias pedagógicas voltadas para o desenvolvimento das altas habilidades nas escolas.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO E PODCSAT

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade

Sisu 2025: AL tem 5.250 vagas; confira a oferta por universidade
Inscrições para o programa vão de 17 a 21 de janeiro. Vagas disponíveis são da Ufal e da Uneal. Consulta de vagas no SiSU 2025
Júlia Reis/g1
Duas universidades públicas de Alagoas estão ofertando 5.250 vagas em cursos de graduação através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025.
Os candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 poderão concorrer a uma das vagas, gratuitamente, a partir desta sexta-feira (17) até 21 de janeiro, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
As vagas ofertadas são da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal).
A Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) não aderiram ao Sisu 2025, por isso não há vagas disponíveis nessas instituições.
Ufal
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é a instituição de Alagoas com o maior número de vagas. São 4.015 vagas em 98 cursos presenciais.
Clique aqui para conferir todas as vagas ofertadas na Ufal
A Ufal também divulgou um relatório para que os candidatos do Sisu 2025 possam conferir a nota de corte do Sisu 2024 (confira aqui).
A nota de corte é a menor pontuação exigida para que o candidato fique entre os selecionados e é calculada com base no número de inscritos e de vagas.
Uneal
A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) oferta 1.235 vagas em 36 cursos de graduação.
Clique aqui para conferir todas as vagas ofertas na Uneal
➡️Qual o cronograma?
Sisu 2025: inscrições começam nesta sexta (17)
Inscrições: 17 a 21 de janeiro de 2025
Resultados da 1ª chamada: 26 de janeiro de 2025
Matrículas: 27 a 31 de janeiro de 2025
Participação na lista de espera: manifestar interesse entre 26 e 31 de janeiro de 2025
Resultado das listas de espera: datas serão definidas por cada universidade
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