Conheça o único professor brasileiro finalista em prêmio considerado o ‘Nobel da Educação’ em 2025

‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’
Helder Guastti da Silva concorre ao Global Teacher Prize. Professor criou projeto em que alunos de escola pública do ES resgatam contos populares com o uso de inteligência artificial. Helder Guastti é o único professor brasileiro finalista em prêmio internacional considerado o "Nobel da Educação".
Arquivo pessoal
Helder Guastti da Silva herdou da mãe professora o ofício, o prazer em conhecer as histórias e a vontade de mudar a realidade dos alunos. Foi a inspiração para que ele desenvolvesse o projeto “Como Diz o Outro", que levou o professor a ser finalista no prêmio internacional Global Teacher Prize, considerado por especialistas da área o “Nobel da Educação”.
Natural de João Neiva, no Norte do Espírito Santo, Helder foi selecionado entre 5 mil inscritos de 89 países e é o único brasileiro entre os 50 finalistas na competição anual, que reúne professores com iniciativas notáveis de todo o mundo. O grande vencedor da edição de 2025 vai levar a quantia de US$ 1 milhão.
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Helder Guastti desenvolveu projeto “Como Diz o Outro…” com alunos de uma turma do 5° ano.
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Na descrição do site da premiação que apresenta cada finalista, o professor Helder, de 37 anos, é descrito como “excepcional, com abordagens inovadoras, paixão pela educação e compromisso em promover um senso de comunidade que o destacam como um modelo global no campo educacional”.
“Acredite. A gente tem a tendência de não apostar tanto na gente, se não fosse isso eu não estaria aqui como finalistas e nem alcançado outros feitos na minha carreira. […] Estar aqui nessa situação em que sou finalista é quase surreal. Não sou eu sozinho, nesses anos todos, com as turmas que eu tenho, as crianças que eu recebo, na escola ou em casa, são elas que fazem eu ser o professor que eu sou! É uma realização que está no nome do professor Helder, mas que é coletiva”, celebrou o professor.
O professor embarca para Dubai, nos Emirados Árabes, no dia 10 de fevereiro, para participar de uma imersão com outros finalistas. O top 10 será anunciado ainda em fevereiro, e o vencedor será revelado em uma cerimônia no final do ano.
"Estar entre os finalistas já é uma realização de vida. Não trabalhamos para validação, mas é um reconhecimento que simboliza um esforço coletivo. O professor no Brasil é muito valorizado no discurso, mas pouco na prática. A rede de João Neiva nem paga o piso salarial. Trabalhar em uma escola pública é sempre desafiador. Esse prêmio é para mostrar que nossa educação tem potencial e que acreditar em si mesmo é transformador", concluiu.
O Global Teacher Prize é um prêmio anual criado em 2014 pela Varkey Foundation em parceria com a Unesco, órgão das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Projeto aliou tradição e tecnologia
Helder Guastti é o único professor brasileiro finalista em prêmio internacional considerado o "Nobel da Educação".
Redes sociais
Formado em Pedagogia, atualmente, o professor dá aula em duas escolas públicas de cidades vizinhas, a Emef Pedro Nolasco, em João Neiva, e a Emef Mário Leal, em Aracruz, para turmas do ensino fundamental, com alunos entre 8 e 11 anos.
O projeto inovador “Como Diz o Outro…” foi desenvolvido em 2023, com uma turma de alunos do 5° ano, da escola de João Neiva, e mesclou tradição e tecnologia.
“Eu desenvolvi o projeto com uma turma muito singular e especial. Um projeto simples, de resgate de contos da tradição popular, só que com o diferencial da autonomia, da participação das crianças em todas as tomadas de decisão”, contou.
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Segundo o professor, inicialmente, a ideia era modernizar contos populares brasileiros, através das pesquisas feitas em casa, com pais e avós, e também na rua. Uma iniciativa que valorizasse a memória e a oralidade.
Entretanto, após a leitura de uma notícia em sala de aula que falava sobre o mau uso da Inteligência Artificial (IA), por alunos de uma escola no Rio de Janeiro, veio a ideia de mostrar que a ferramenta poderia ser incorporada de um jeito diferente.
"As crianças trouxeram histórias de suas famílias, trava-línguas, parlendas e contos populares para a sala de aula. No início, seria um simples livro com desenhos, mas elas expandiram a ideia e usamos IA para modernizar as ilustrações", lembrou o professor.
Também com o projeto “Como Diz o Outro…”, Helder venceu o prêmio 'Educador Nota 10', em dezembro de 2024, um dos maiores prêmios de Educação do Brasil.
Garagem de casa aberta para a leitura
Professor Helder Guastti toca com a mãe, Rogéria Guastti (a esquerda), o projeto Espaço de Leitura Confabulando, na garagem de casa. Espírito Santo
Arquivo pessoal
Além das salas de aula, Helder impacta a comunidade onde nasceu, cresceu e mora com o Espaço de Leitura Confabulando, criado em 2017, no bairro de Fátima, região conhecida como Caixa D’Água.
Na garagem de casa, o professor e a mãe, Rogéria Guastti, oferecem empréstimos de livros, atividades culturais e até já realizaram aulas de inglês.
"É um espaço para crianças e adultos, onde incentivamos o hábito da leitura e a troca de conhecimento. A gente já tinha um acervo literário nosso, só dividimos esse acesso. […] Isso contou para o prêmio também que não contabiliza apenas ações em sala de aula, mas a atuação como um todo”.
Apesar de já ter ouvido de colegas que deveria sair de onde nasceu e se lançar em cidades maiores, Helder contou que não cogita essa possibilidade, e que acredita no poder de transformação que uma pessoa pode ter sobre o ambiente em que ela está.
“Para a maioria, o conceito de sucesso é deixar o lugar de onde você veio, mas eu sou muito teimoso em permanecer. Justamente por mentalidade como essas eu tenho que estar aqui e não largar o lugar de onde eu venho!”, explicou.
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Enare: candidatos do ‘Enem da Residência Médica’ relatam desespero após erros em notas

‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’
Etapa de análise de currículos, que responde por 10% da nota total, é motivo de queixa de milhares de candidatos. FGV e estatal ligada ao MEC, responsáveis pelo exame, afirmam que garantem 'rigidez, transparência e isonomia'. O Enare é organizado pela Ebserh, com apoio da FGV, e conta com a adesão de mais de 160 instituições
Divulgação
“Estou tendo crises de ansiedade diariamente. Acabaram com a minha saúde mental ao zerarem minha nota”, afirma Andressa Nietto, candidata do Exame Nacional de Residência Médica (Enare) 2025, o “Enem dos residentes”. A candidata é uma das que apontam inconsistências nos critérios de seleção de médicos para vagas de especialização em hospitais brasileiros na atual edição do exame.
➡️Segundo relatos, vídeos e documentos enviados ao g1, alunos de pelo menos 6 estados receberam notas injustificadamente baixas, principalmente “zero”, na etapa de avaliação de currículos e de histórico escolar (entenda mais abaixo).
“É um erro gigantesco. Estou há 3 anos estudando para passar em uma vaga de residência no Rio de Janeiro, para aí chegar a parte mais importante do processo, justamente a que prova o quanto me esforcei durante o curso de medicina, e me darem zero?”, questiona.
🩺O que é Enare? Depois dos 6 anos de graduação em medicina, o médico pode optar por ser especialista em alguma área (cardiologia, pediatria, ginecologia etc.) e se inscrever em um curso de residência de algum hospital. O Enare é justamente uma prova única que seleciona médicos para vagas em mais de 160 estabelecimentos de saúde do país inteiro.
Em 2024/2025, são 89 mil alunos participantes. Eles disputam 8,7 mil vagas.
Todo o processo seletivo é organizado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
🗣️O que dizem os envolvidos? A Ebserh afirma que, “imediatamente após tomar conhecimento dos relatos de possíveis inconsistências na análise curricular, solicitou apuração da FGV". Já a própria FGV diz que os recursos serão devidamente apreciados e que “reitera seu compromisso com a rigidez e a isonomia do exame”.
Lucas passa em 1º lugar em Medicina na UFRN e é aprovado também na USP
Entenda o tamanho do prejuízo
💉Médicos, especialmente recém-formados, alegam que cumpriram todas as exigências do edital (bom desempenho nas disciplinas ao longo da graduação, presença em congressos e participação em atividades de pesquisa e em estágios, por exemplo) e, ainda assim, não pontuaram. Outros admitem que receberam pontos a mais, de maneira misteriosa, por certificados que sequer apresentaram.
Na nota final do Enare, 90% dos pontos vêm da prova de conhecimentos, aplicada em 20 de outubro de 2024, e 10% são relativos a essa análise de currículos.
“São dois anos de estudo para a residência, mais de 30 mil questões realizadas e muitos momentos dos quais abdiquei para estudar”, diz Vitor Dantas, de Guanambi, no interior da Bahia.
“Tenho colegas com o mesmo histórico escolar que eu e que, depois de entrarem com recurso, conseguiram a correção. Como é possível zerar o meu? É inadmissível.”
Juliana Andrade, de São Luís, enfrenta o mesmo problema: ela tem os números dos protocolos de quando enviou os documentos, mas o sistema atribui nota zero a ela.
“A análise curricular feita pela banca organizadora afirma que o histórico escolar não foi anexado. Sendo assim, invalidaram a análise, ignoraram e zeraram meu histórico escolar. Várias pessoas sendo beneficiadas com pontuações por certificados inexistentes, e a maioria com os currículos não avaliados ou avaliados erroneamente. O processo perdeu totalmente a credibilidade”, diz.
Inconsistências no Enare: veja a linha do tempo
08 de janeiro: a FGV publica os resultados preliminares das análises de currículos. Estudantes relatam que suas notas estão erradas.
10 de janeiro: a FGV e a Ebserh tornam “sem efeito” o resultado da primeira análise curricular.
14 de janeiro: são publicados os novos resultados.
15 e 16 de janeiro: quem ainda se sentiu lesado pela avaliação entra com recurso no site do Enare.
21 de janeiro: resultados finais, pós-recursos, são divulgados. Parte dos estudantes continua afirmando que, mesmo após cumprir todos os requisitos acadêmicos, ficou com nota zero no histórico escolar, sem nenhuma justificativa específica.
A partir desta terça-feira (28), os candidatos do Enare devem usar suas notas finais para se inscrever em opções específicas de residência — por exemplo, cirurgia cardiovascular no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, ou ginecologia e obstetrícia na Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga (SP).
Como as vagas são disputadas, a possibilidade de haver algum erro nas notas pode facilmente eliminar um candidato injustamente e aprovar o que não era tão qualificado.
Candidatos entram com ações judiciais
Laboratórios de faculdades de medicina e de hospitais universitários oferecem tecnologia para uma formação atualizada
Divulgação
Diante do desespero, estudantes entraram na Justiça para pedir a revisão das notas.
“A FGV está dando respostas vagas aos alunos, como 'indeferido ou parcialmente deferido, veja detalhamento na página de respostas'. E o detalhamento é 'documento não enviado’”, afirma a advogada Arsênia Breckenfeld, que representa 16 candidatos do Enare.
“O site não especifica qual foi a exigência supostamente desrespeitada. Vem uma resposta genérica. Isso é um desrespeito à isonomia entre os concorrentes.”
➡️Em Florianópolis, Vitor de Carvalho enviou documentos iguais aos de seus colegas, mas só o dele foi recusado. “Tive o segundo melhor desempenho do país na prova objetiva para minha especialidade (87 pontos) e, mesmo assim, não vou ser aprovado”, diz.
Ele conseguiu uma liminar da Justiça, na 1ª Vara Federal de Blumenau, para “determinar às autoridades impetradas que promovam a análise do histórico escolar”. Mesmo após a decisão, de 24 de janeiro, a FGV e a Ebserh não se pronunciaram, conta Vitor.
➡️Outra candidata, Giovana Lins, de João Pessoa, relata que teve pontos injustamente cancelados, enquanto recebeu nota “extra” por um documento que sequer enviou. “Vou ter de pagar R$ 6 mil [com advogados] para corrigir um erro que não é meu. Meus documentos estão corretos, mas continuo com 10 pontos a menos do que deveria. É muito triste. Estão acabando com o meu psicológico”, afirma.
➡️A espera pelo resultado da decisão judicial abala os estudantes. Carlos Vinícius busca uma vaga de residência no Ceará, na especialidade de clínica médica, e teve problemas com sua nota. Depois de entrar com recurso administrativo no próprio Enare, alguns artigos escritos por ele e eventos aos quais compareceu foram validados — mas seu histórico escolar, não.
“Já protocolei ação judicial contra a FGV/EBSERH e estou aguardando a análise do juiz. É lamentável que os candidatos estejam tendo de tomar medidas drásticas para tentar de alguma forma resolver todo esse transtorno. Minha saúde mental encontra-se abalada, estou extremamente desgastado e consumido por tudo que estou enfrentando nos últimos dias”, conta.
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Volta às aulas: como escolher, reduzir o peso e otimizar o uso das mochilas

‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’
Escolha da mochila errada ou o uso inadequado do equipamento pode causar danos à saúde. Use a calculadora do peso e descubra qual deve ser o peso máximo da mochila do seu filho. Como escolher e usar a mochila escolar.
TV Globo/Reprodução
A chegada de um novo período letivo exige escolhas: caderno ou fichário? Qual tipo de caneta? Mochila ou mala de rodinhas?
Sobretudo quando a questão envolve como carregar o peso dos materiais, a decisão precisa ser levada a sério, segundo Francisco Carlos Salles Nogueira, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Caso contrário, os danos à saúde podem ser sérios.
O primeiro ponto de atenção deve ser a mochila, o que, segundo o especialista, é mais que um adereço e precisa ser escolhida com cuidado. Aquelas bolsas laterais, que reúnem o peso de do material de um único lado, devem ser evitadas.
A escolha por uma bolsa escolar inadequada pode causar:
Dores nas costas, ombros, quadril e joelhos;
Má postura;
Desvios na coluna, como escoliose;
Aumento da cifose (deixando a pessoa corcunda).
A mochila ideal deve ir do ombro da criança até a altura da cintura. O ideal é que fique uns 5 centímetros abaixo da linha da cintura. Então, não pode ser muito grande para a criança. Além disso, a mochila deve ser ergonômica, respeitando as curvaturas naturais da região dorsal e da lombar. Ela deve ter alças largas e acolchoadas, para não causar incômodos nos ombros.
Mas o especialista alerta que ter o modelo correto não basta para evitar os danos na coluna. É preciso regular e utilizar da maneira correta. Para isso, as duas alças devem ser usadas nos ombros, sempre bem ajustadas.
O peso do material escolar que vai ser carregado pelo aluno também deve ser levado em conta. Por isso, nada de jogar todos os itens na mochila e levar para a escola diariamente.
O peso carregado não deve ultrapassar 10% do peso da criança, como orienta a SBOT. Na prática, o ideal é que uma criança que pesa 40 quilos carregue uma mochila de no máximo 4 quilos.

E saber distribuir este peso também pode fazer a diferença. "O ideal é que a mochila tenha algumas divisões, para que o material mais pesado, como livros e cadernos, fique mais próximo das costas”, explica Nogueira.
Pode fichário?
Assim como as bolsas laterais, o uso do fichário também pode ser prejudicial para o estudante. Por ser comumente maior e mais pesado que o caderno e, por isso, mais difícil de carregar na mochila, seria preciso levar o fichário nos braços.
E, como o uso do fichário não dispensa a necessidade da mochila, seria um peso extra que pode, inclusive, atrapalhar no transporte de outros itens essenciais para as aulas (entenda abaixo).
Isso pode fazer com que o aluno force mais sua coluna, podendo ocasionar dores, desvios, entre outros problemas.
Como reduzir o peso?
Mochila cheia de material escolar. Carregar muito peso pode ser prejudicial para a coluna.
Freepik
O médico Salles Nogueira diz que o recomendado é levar na mochila somente o que vai ser essencial para as aulas. E, se ultrapassar o peso indicado, leve o mais pesado nos braços.
"Não é o ideal, mas se for algo esporádico, pelo menos não vai forçar tanto a coluna", diz o ortopedista.
O especialista também avalia que armários nas escolas, para aqueles que têm essa opção, são uma ótima alternativa para evitar que as crianças carreguem pesos desnecessários.
Quando usar a mochila de rodinha?
A versão da bolsa com rodinhas e puxador pode ser uma alternativa à mochila tradicional, mas o modelo também exige alguns cuidados.
Se a escolha for pela bolsa de carrinho, opte por uma versão com o puxador ajustável. Assim, se a criança crescer ao longo do ano, não precisará forçar a coluna com uma mochila inadequada para seu tamanho.
O especialista diz que a posição de puxada da mochila também demanda muito da coluna. Por isso, a alça não deve nem estar muito baixa para o aluno não precisar se curvar, nem muito alta que não permita esticar os braços.
“Esses cuidados são importantes a curto e a longo prazo e pode evitar que a criança desenvolva, mais para frente, um problema irreversível na coluna”, explica.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO E PODCAST

Inscrições do Prouni do 1º semestre terminam nesta terça; veja outras datas e quem pode se inscrever

‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’
Edição do programa oferece mais de 338 mil bolsas para 1.031 instituições privadas de ensino superior, e 403 cursos em todo o país. Período de inscrição está aberto até 23h59. Período de inscrições do Prouni 1º semestre de 2025 terminam na terça-feira (28).
Patricia Lauris/g1 Tocantins
Termina às 23h59 desta terça-feira (28) o período de inscrições para o Prouni do primeiro semestre de 2025. A edição do programa oferta mais de 338 mil bolsas. (Veja o detalhamento e divisão por UF mais abaixo.)
O Programa Universidade para Todos é uma iniciativa do governo federal que oferece bolsas integrais (100%) e parciais (50% de desconto) em instituições de ensino particulares.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente por meio do portal Acesso Único (acessounico.mec.gov.br/prouni), utilizando o login gov.br com CPF e senha.
Pode se inscrever o candidato que realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 ou 2024 e obteve média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação. (Confira os detalhes mais abaixo.)
📅 Datas do ProUni 2025 do 1º semestre
Inscrições: 24 a 28 de janeiro
Resultado da primeira chamada: 4 de fevereiro
Resultado da segunda chamada: 28 de fevereiro
Manifestação de interesse na lista de espera: 26 e 27 março
Resultado da lista de espera: 1º de abril
Total de vagas e distribuição por UF
A edição do Prouni do 1º semestre de 2025 ofertará um total de 338.444 bolsas, sendo 203.539 integrais (100%) e 134.905  parciais (50%) .
Participam desta edição do programa 1.031  instituições privadas de ensino superior, com 403 cursos.
Nº de bolsas por UF
📝 Como funciona
O candidato deve indicar, em ordem de preferência, até duas opções de curso (selecionando a instituição de ensino e o turno).
Depois, é necessário marcar se quer participar na modalidade de ampla concorrência ou de cotas.
Por fim, precisa monitorar, a cada dia, a nota parcial para aqueles cursos.
Se quiser, pode mudar suas escolhas (valerá a última opção marcada no período de inscrições).
Se o candidato estiver dentro da nota de corte e conseguir uma das vagas ao final do prazo de inscrição, ele constará como pré-selecionado.
O que significa ser 'pré-selecionado'?
O candidato pré-selecionado ainda não é "dono" da vaga. Ela está reservada para ele, mas, antes de assumi-la, é necessário cumprir com as últimas etapas de seleção.
Ainda será preciso comprovar as informações prestadas no ato da inscrição (como a renda familiar per capita e o certificado de conclusão de curso em escola pública, por exemplo). Isso é feito na instituição de ensino na qual o aluno estudará no prazo indicado no edital.
Se não houver formação de turma, o aluno perderá a vaga. Poderá tentar participar da segunda chamada e da lista de espera (caso manifeste interesse).
Quais são os critérios de desempate?
No caso de notas idênticas na média aritmética das notas do Enem, o desempate entre os candidatos será determinado de acordo com a seguinte ordem de critérios:
Maior nota na prova de redação.
Maior nota na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias.
Maior nota na prova de matemática e suas tecnologias.
Maior nota na prova de ciências da natureza e suas tecnologias.
Maior nota na prova de ciências humanas e suas tecnologias.
🎓 Cotas no Prouni
As bolsas separadas para pessoas com deficiência e para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.
A quantidade de vagas de cotas é equivalente à porcentagem que cada grupo representa na população do estado, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os cotistas têm ainda que, obrigatoriamente, se encaixar nos demais critérios de exigência do Prouni.
📚 Quem pode se inscrever
Pode se inscrever o candidato que realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 ou 2024 e obteve média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação.
Além disso, é preciso atender a pelo menos um dos pontos abaixo:
Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada como bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada com bolsa parcial ou sem a condição de bolsista; ou
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista;
Ser pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação; ou
Ser professor da rede pública de ensino, exclusivamente para os cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica.
💰 Renda
Para concorrer às bolsas integrais, o estudante deve ter renda familiar bruta mensal per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 2.277 por pessoa).
Para as bolsas parciais, o limite da renda familiar bruta mensal per capita é de três salários mínimos (R$ 4.554 por pessoa).
👉🏾 Como calcular a renda familiar bruta mensal por pessoa?
Para saber se o aluno se encaixa nos critérios de renda, deve somar os salários de todos os que moram com ele e, depois, dividir pelo número de componentes do grupo.
Por exemplo: pai (R$ 2,3 mil por mês), mãe (R$ 1,7 mil por mês), candidato do Prouni (sem renda) e irmão mais novo (sem renda).
Somando os valores, chega-se ao total mensal de R$ 4 mil.
Depois, dividindo pelos 4 membros da família, o resultado é R$ 1 mil.
Esse é o valor que deve ser tomado como referência pelo Prouni. Como está abaixo de 1,5 salário mínimo per capita (R$ 2.277), o candidato poderá concorrer à bolsa de estudos integral.
🧾 É possível usar Prouni e Fies ao mesmo tempo? E Prouni e Sisu?
Fies e Prouni: Sim. Se o candidato conseguir a bolsa de estudos parcial do Prouni, que cobre apenas 50% da mensalidade, poderá financiar a outra metade pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Sisu e Prouni: Não. O aluno até pode se inscrever nos dois programas, mas precisará escolher apenas um ao efetivar a matrícula. Lembrando que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) oferece vagas em instituições de ensino públicas, e o Prouni, em particulares.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO:
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‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’

‘Não adianta escola proibir celular e os pais continuarem deixando usar 5 horas seguidas em casa’
Educadora Débora Garofalo, primeira brasileira a chegar no top 10 do "Nobel da educação", afirma que os celulares são uma possibilidade de conexão em escolas públicas que muitas vezes não têm computadores para todos. Educadora afirma que proibição de celulares em sala de aula traz novas responsabilidade às escolas
Getty Images via BBC
Foi graças ao celular que Débora Garofalo, na época professora em uma escola municipal paulistana, conseguiu desenvolver atividades de programação com seus alunos do ensino fundamental — impulsionando um projeto de robótica com sucata que a fez chegar aos melhores colocados do Global Teacher Prize, prêmio para professores considerado o "Nobel da educação".
Ela foi a primeira brasileira a chegar ao top 10 do prêmio internacional, em 2019.
Desde que esses aparelhos eletrônicos passaram a entrar nas salas de aula sem pedir licença, Garofalo defendeu que eles podem ser aliados, e não inimigos.
Por isso, diante da notícia recente de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a proibição dos celulares nas escolas e de iniciativas semelhantes em municípios, estados e outros países, a educadora critica o banimento puro e simples — apesar de admitir os problemas que o uso do celular pode acarretar a crianças e adolescentes.
"Não dá para falar em proibição, que é uma ação radical, se a gente não educar as crianças verdadeiramente para um uso consciente da tecnologia", afirma Garofalo, em entrevista à BBC News Brasil.
"A proibição é uma medida inicial pra gente poder retomar o controle da sala de aula. Ela é um caminho, mas não pode ser um fim."
Para a educadora, os celulares são uma possibilidade de conexão em escolas públicas que muitas vezes não têm computadores para todos, além de uma oportunidade de inclusão digital para estudantes que não têm acesso pleno à internet em casa.
Educadora Débora Garofalo
Arquivo Pessoal via BBC
A lei que proibe os celulares nas escolas brasileiras afirma ter como objetivo salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes.
Ao defender a restrição, o ministro da Educação, Camilo Santana, citou estudos que mostram que o uso excessivo desses equipamentos pode causar ansiedade e depressão. Segundo Santana, a proibição seria uma demanda dos próprios professores.
Ao sancionar a lei, no último dia 13, Lula parabenizou a aprovação do projeto pelo Congresso.
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"O que vocês fizeram nesse ato de coragem foi falar o seguinte: nós vamos cuidar das nossas crianças, vamos evitar mutilamento, que as crianças possam voltar a brincar, possam voltar a interagir entre si", disse.
A nova lei abre exceções para estudantes que precisem do celular por razões de acessibilidade, inclusão ou condições de saúde, além de permitir o uso dos aparelhos "para fins estritamente pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação".
Também decreta que as redes de ensino criem estratégias para abordar o tema do uso excessivo de telas com os estudantes e acolham aqueles que estiverem em sofrimento psíquico devido à nomofobia (medo ou ansiedade pela falta do celular).
Para Garofalo, o aproximação do uso pedagógico das tecnologias começou quando ela, então professora de língua portuguesa em uma escola municipal, decidiu se candidatar a uma vaga para professora orientadora de educação digital, em 2015.
Hoje com experiência de 19 anos em sala de aula, Garofalo é assessora de políticas públicas inovadoras da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Ela é também pós-graduada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e professora convidada do curso de especialização em Computação Aplicada à Educação da USP (Universidade de São Paulo).
Na entrevista, Garofalo abordou ainda o "apagão" docente, o novo programa de incentivos à profissão criado pelo governo federal e o papel da inteligência artificial (IA) na educação.
"A máquina pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem, mas não vai substituir o professor", diz.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC News Brasil – O que acha da lei que proíbe celulares em escolas?
Débora Garofalo – Eu não sou contra, mas acho que é uma medida incompleta. Estamos esquecendo que o papel principal da escola é educar. Não dá para falar em proibição, que é uma ação radical, se a gente não educar as crianças verdadeiramente para um uso consciente da tecnologia.
A lei é importante para dar um resguardo pedagógico para os professores, mas só isso não é suficiente para a gente ter uma mudança. Não estamos olhando para a educação midiática, ainda não conseguimos implementar nas escolas a BNCC [Base Nacional Comum Curricular] da Computação, que traz os pilares da cultura digital e do pensamento computacional.
A gente não pode negar que está vivenciando uma revolução tecnológica. Não dá para a gente voltar à era do giz e da lousa, somente do livro didático.
Precisamos educar para o uso, ainda mais em uma sociedade em que teremos cada vez mais a disseminação de notícias falsas. O estudante tem que saber que, quando acessa uma rede social ou faz uma pesquisa, existem algoritmos. Ele precisa saber o que está por trás desse algoritmo.
Não se trata de formar um programador, mas que ele [o aluno] compreenda a mentalidade por trás de um dado. Que, ao acessar uma informação, ele não tome aquilo como verdadeiro e cheque esse dado antes de repassar.
BBC News Brasil – No caso de dispositivos que têm um potencial viciante, como os celulares, a proibição não se justifica?
Garofalo – Ela vai atacar o vício num primeiro momento porque é uma medida drástica, mas se você não tiver o apoio dos pais, dos familiares em casa, isso cai por terra.
Não adianta a escola proibir e os pais continuarem permitindo o uso de forma liberada, sem uma rotina. A criança chega em casa e fica quatro, cinco horas seguidas no celular ou no computador.
Hoje, o que a gente vê são as crianças tendo acesso cada vez mais cedo a dispositivos móveis para entretenimento. A gente precisa mudar isso também, fazer isso de uma forma mais consciente. A família vai precisar aprender com esse processo.
BBC News Brasil – O celular não é um fator de distração em sala de aula?
Garofalo – Realmente, a sala de aula está se tornando um lugar onde o professor não tem um diálogo com os estudantes. Eu vejo [a proibição] como uma medida importante para estancar essa epidemia de distração que estamos vivenciando. Mas só isso não resolve o problema se as aulas não forem mais atrativas.
Os estudantes hoje aprendem de uma maneira diferente e lidam de uma forma diferenciada com a tecnologia. Ele não precisa anotar tudo que o professor fala, pode tirar uma foto, por exemplo. Isso não é errado, faz parte da maneira dele de aprender.
Quando eu era professora de tecnologias, o celular foi muito importante para o trabalho de robótica com sucata. A escola não tinha infraestrutura e o celular possibilitou que as crianças pudessem programar através dos aplicativos.
É possível usar a tecnologia com uma intencionalidade pedagógica. Não é usar algo só por usar, é ter um sentido naquilo que você está propondo.
BBC News Brasil – O celular é necessário para as atividades tecnológicas em sala de aula? Não poderiam ser usados computadores da própria escola?
Garofalo – A gente pode usar qualquer dispositivo que tenha conectividade. O que ocorre nas escolas públicas é que muitas vezes você não tem os computadores necessários para os estudantes.
Além disso, uma pesquisa de 2022 mostrou que 71% dos estudantes do ensino fundamental público não têm acesso à internet em casa. Temos que tomar cuidado para não aumentar esse abismo digital, deixando esses meninos despreparados para lidar com esse mundo tecnológico que vai cobrar deles a capacidade de lidar com a inteligência artificial, pensamento computacional, programação.
Precisamos de políticas públicas para melhorar a conectividade e a infraestrutura das escolas em todo o território brasileiro.
BBC News Brasil – A proibição do celular no recreio pode ajudar na socialização dos estudantes?
Garofalo – A escola é um lugar para a socialização e isso sem dúvida é benéfico, mas esse tipo de controle vai ser um grande desafio para as escolas, principalmente porque o aparelho não é da escola, é do estudante. Vai ser mais uma regra, sendo que as escolas geralmente não têm um quadro suficiente de apoio escolar, de inspetores.
BBC News Brasil – Do ponto de vista prático, que outros desafios as escolas devem enfrentar para colocar em prática a lei?
Garofalo – Essa é uma crítica que eu tenho: é mais uma responsabilidade que recai sobre a escola. O que elas estão fazendo é criar caixas na entrada para que os estudantes coloquem os seus celulares, mas e se sumir um pertence? De quem é a responsabilidade? Isso é muito sério.
A gente também precisa pensar em todos os estudantes que têm essa necessidade, crianças com deficiência, com autismo, que às vezes precisam ficam conectadas por conta das crises, para se autorregular. Como a escola vai gerir isso?
BBC News Brasil – A lei prevê exceções para esses casos.
Garofalo – Sim, mas eu estou falando do dia a dia da gestão da escola, de como ela vai controlar todos esses casos. Precisamos pensar em maneiras de não onerar a escola, que já tem um dia a dia muito desafiador.