Jovem trans decide ser médico após sofrer transfobia em consultórios

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas
Liel Marín é o único transmasculino no curso de medicina da UFOB e foi aprovado pela política de cotas. No Brasil, 23 universidades públicas política de afirmação para alunos e alunas trans desde 2018. Nesta quarta-feira (29), é celebrado o Dia da Visibilidade Trans. Liel Marín, estudante de medicina da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).
Arquivo Pessoal
O estudante de medicina Liel Marín bem que tentou silenciar para si e para os outros sua verdadeira identidade de gênero. Por muito anos, se identificou como uma mulher lésbica e, assim, foi se livrando da dores da transfobia.
Ainda sofria discriminação, principalmente da família, mas achava que isso era mais fácil de suportar. “Eu pensava que a vida já estava difícil demais, já era terrível, só por ser lésbica. Imagina sendo uma pessoa trans. Então, eu resolvi silenciar isso dentro de mim e não viver a transexualidade. Isso virou um conflito interno profundo”.
Até que um dia, sozinho em casa durante a pandemia, não foi mais possível fugir. O medo de morrer, negando quem era de verdade, o obrigou a se deparar consigo mesmo – e a vida, de fato, ficou mais difícil a partir de então.
O processo de transição e o tratamento hormonal fez Liel vivenciar a transfobia nos consultórios. “Toda a ida ao médico era complicada. Se eu estivesse com uma gripe, relacionavam ao hormônio que eu tomava. Sempre que ia fazer um exame, mesmo com o nome social no documento, me chamavam pelo nome antigo. Existe muita falta de conhecimento sobre a saúde da população trans”, disse.
Foram as sucessivas violências que o levaram a abandonar a carreira de 10 anos como jornalista, e voltar para a universidade. Hoje, Liel é o único transmasculino no curso de medicina da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), aprovado pela política de cotas.
Liel Marín
Arte/g1
“Quero fazer uma clínica mais humanizada e, acima de tudo, ensinar outros profissionais da saúde a acolherem as pessoas trans”, afirmou.
Essa também é a esperança dos amigos trans, que Liel considera sua verdadeira rede de apoio. “Eles nunca me deixaram desistir. Dizem que querem abrir a porta de um consultório e verem alguém como eu atendendo”.
O futuro médico pretende aplicar nos seus atendimentos o conceito amplo de saúde, que envolve acesso ao lazer, ao esporte e à segurança. “Desejo que outras pessoas trans não tenham as mesmas crises de ansiedade que eu tenho em todos os espaços de saúde”, concluiu.
Cotas para pessoas trans
23 universidades públicas têm cotas para pessoas trans
Arte/g1
De acordo com levantamento do g1, ao menos 23 universidades públicas brasileiras aderiram à política de cotas desde 2018, sendo que 16 delas (69,5%) aprovaram a ação afirmativa entre 2023 e 2024.
As universidades que implantaram cotas para pessoas trans reservaram ao menos uma vaga em cada curso, mas a maioria dessas reservas fica ociosa.
Segundo informações de 8 universidades que repassaram o dado solicitado pelo g1, apenas 190 estudantes ingressaram no ensino superior por meio da ação afirmativa. Eles estão em cursos como medicina, administração, artes visuais, biologia, farmácia, pedagogia e direito.
Segundo o pró-reitor de Ações Afirmativas da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Sandro Augusto Ferreira, a instituição – primeira a implantar a política de cotas para pessoas trans – já ofertou ao menos 300 vagas desde 2018, mas apenas 14 foram preenchidas, e só uma pessoa se formou. Atualmente, nove estudantes que entraram na universidade por meio de cotas estão matriculados.
Os números provam que reservar vagas está longe de ser o bastante para superar um processo de exclusão, que é anterior à universidade.
A dificuldade para as pessoas trans ocuparem as vagas oferecidas, mesmo por meio de cotas, pode ser explicada por pesquisas como a divulgada em 2022 pelo projeto TransVida, realizada com apoio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Transfobia na formação escolar: 36,7% das pessoas trans entrevistadas dizem ter sido vítimas de preconceito
Arte/g1
Segundo o levantamento, 37% dos entrevistados disseram ter sido vítimas de transfobia durante sua trajetória educacional. Em quase 33% dos casos, a discriminação foi praticada por professores, coordenadores e diretores das escolas. Pelo menos 10% dos entrevistados abandonaram os estudos após episódio de violência.
Desrespeito ao nome social foi o relato mais recorrente, seguido de tortura psicológica e a proibição do uso de banheiro adequado ao seu gênero.

‘Cheguei no topo, mas me sinto só’: primeira pró-reitora trans do Brasil luta por cotas nas universidades

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas
23 universidades públicas no Brasil aprovaram política de afirmação para alunos e alunas trans desde 2018, mas exclusões sofridas desde a educação básica deixam vagas ociosas. Nesta quarta-feira (29), é celebrado o Dia da Visibilidade Trans. Joyce Alves, pró-reitora adjunta de assuntos estudantis da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Isabella Kariri
Desde criança, Joyce Alves tinha uma ideia fixa: a educação seria sua tábua de salvação. Naquela época, entre a década 1980 e 1990, ela não entendia o que estava por trás desse pensamento. Hoje, mulher trans e pró-reitora de universidade, aos 46 anos, sabe que era uma estratégia de sobrevivência.
“Eu sempre fui muito estudiosa. Sentava na frente, tirava as melhores notas e fazia tudo o que a professora pedia. Assim, conseguia escapar de maiores violências, porque tinha algo a oferecer às pessoas. Eu podia ensinar aos meus colegas”, reflete.
A estratégia funcionou e Joyce não só sobreviveu, como pavimentou sua trajetória – se formou em letras e em pedagogia, fez mestrado em literatura brasileira, doutorado em educação e se tornou servidora efetiva da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Em 2021, chegou onde outras pessoas como ela nunca haviam chegado no Brasil. Foi nomeada pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis. Era a primeira mulher trans a ocupar um cargo desses. Mas Joyce se sente sozinha lá no topo. É a única servidora trans em uma universidade que tem mais de 2 mil funcionários efetivos. Nesta quarta-feira (29), é celebrado o Dia da Visibilidade Trans.
Longe de ser apenas uma histórias de superação, o caso de Joyce aponta para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas trans para terem acesso à educação, um direito constitucional.
“Enquanto uma pessoa de gênero e sexualidade dissidente, eu sabia que as coisas iam ser muito mais difíceis para mim na escola. Eu não era um menino como os outros. Por isso, fui me esgueirando, sempre me escondendo, sempre na sombra. Ao mesmo tempo em que eu era a melhor da turma, não podia me expor muito, não podia ficar muito em evidência”, lembra Joyce.
Cotas para pessoas trans
23 universidades públicas têm cotas para pessoas trans
Arte/g1
Hoje, Joyce faz parte de uma articulação que luta por cotas para trans nas universidades públicas. O movimento tem participação de entidades como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que elaborou uma nota técnica para orientar políticas públicas sobre ações afirmativas para pessoas trans, travestis, transmasculinas e não binárias no ensino superior.
De acordo com levantamento do g1, ao menos 23 universidades públicas brasileiras aderiram à política de cotas desde 2018, sendo que 16 delas (69,5%) aprovaram a ação afirmativa entre 2023 e 2024. O aumento nos últimos dois anos é fruto da articulação da qual Joyce faz parte.
“Ajudar outras pessoas a chegarem no lugar em que estou é a melhor coisa que eu poderia fazer enquanto uma mulher trans. As cotas são uma maneira de falar que a universidade pode ser para elas também”, diz Joyce.
Joyce Alves
Arte/g1
Ela sabe que violências psicológicas, físicas e institucionais são causadoras da exclusão de crianças e adolescentes à educação básica. É um gargalo que dificulta o acesso ao ensino superior e, consequentemente, ao mercado de trabalho.
As universidades que implantaram cotas para pessoas trans reservaram ao menos uma vaga em cada curso, mas a maioria dessas reservas fica ociosa.
Segundo informações de 8 universidades que repassaram o dado solicitado pelo g1, apenas 190 estudantes ingressaram no ensino superior por meio da ação afirmativa. Eles estão em cursos como medicina, administração, artes visuais, biologia, farmácia, pedagogia e direito.
Dificuldades para manter estudantes
Segundo o pró-reitor de Ações Afirmativas da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Sandro Augusto Ferreira, a instituição – primeira a implantar a política de cotas para pessoas trans – já ofertou ao menos 300 vagas desde 2018, mas apenas 14 foram preenchidas, e só uma pessoa se formou. Atualmente, nove estudantes que entraram na universidade por meio de cotas estão matriculados.
Os números provam que reservar vagas está longe de ser o bastante para superar um processo de exclusão, que é anterior à universidade.
A dificuldade para as pessoas trans ocuparem as vagas oferecidas, mesmo por meio de cotas, pode ser explicada por pesquisas como a divulgada em 2022 pelo projeto TransVida, realizada com apoio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Transfobia na formação escolar: 36,7% das pessoas trans entrevistadas dizem ter sido vítimas de preconceito
Arte/g1
Segundo o levantamento, 37% dos entrevistados disseram ter sido vítimas de transfobia durante sua trajetória educacional. Em quase 33% dos casos, a discriminação foi praticada por professores, coordenadores e diretores das escolas. Pelo menos 10% dos entrevistados abandonaram os estudos após episódio de violência.
Desrespeito ao nome social foi o relato mais recorrente, seguido de tortura psicológica e a proibição do uso de banheiro adequado ao seu gênero.
“Não conseguem terminar a educação básica porque a escola diz ‘não’ para elas o tempo todo. Não respeitam o nome social, as proíbem de utilizar o banheiro de acordo com a sua identidade de gênero”, afirma Joyce.
A presidenta da Antra, Bruna Benevides, afirma que o primeiro desafio é garantir a permanência das pessoas trans no ensino fundamental e médio, por meio das políticas de proteção.
O desrespeito do corpo técnico e administrativo é o principal motivo para a exclusão educacional da comunidade trans mais jovem, segundo Bruna. “Isso culmina com a marginalização e nos retira da disputa em pé de igualdade na formação educacional, acadêmica e profissional”.
Em 2023, o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers e Intersexos publicou uma resolução com orientações para garantir acesso e permanência dessa comunidade nas escolas públicas e privadas.
O documento prevê, entre outras coisas, que o nome social de estudantes travestis e transexuais seja usado em todos os registros escolares. O texto propõe ainda o uso de banheiros de acordo com a identidade ou expressão de gênero de cada estudante.
Apoio da família
Yngrid Sofia Barbosa
Arquivo Pessoal
Desistir dos estudos nunca esteve nos planos de Yngrid Sofia Barbosa, embora ela tivesse motivo para isso durante toda a sua vida escolar.
“Eu sofri violências físicas e psicológicas. Precisava limitar minha expressão, esconder um pouco de quem sou para evitar essas agressões. A escola se tornou um ambiente que eu já não suportava. Mas, quando eu olhava para a minha realidade, eu não tinha outra opção. Era suportar e permanecer na escola, ou sofrer violência nas ruas”.
Além da capacidade de persistir, Yngrid conta que ter o apoio da família, algo constantemente negado a pessoas trans, foi essencial para enfrentar a exclusão no ambiente escolar. “Quando eu trazia essas queixas, minha família sempre me defendia. Quem não tem isso, não permanece”, diz.
Yngrid Sofia Barbosa
Arte/g1
A presidente da Antra, Bruna Benevides, destaca que a escola é um ambiente hostil também para os pais de pessoas trans que aceitam a identidades de gêneros dos seus filhos ou suas filhas e reivindicam que os professores os tratem pelo gênero com o qual se identificam.
“Há casos em que a escola opta por excluir, desligar o aluno ou aluna. Às vezes, até promove denúncias contra os pais para os órgãos de proteção à infância, como se eles estivessem, de alguma forma, incentivando a criança ou adolescente a ser trans”, diz Bruna.
Não sem sofrer, Yngrid superou dificuldades como essas ao lado da sua família e está concluindo o curso de pedagogia na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). É uma das estudantes que foi aprovada pela política de cotas da instituição.
Ela nem esperou pegar o diploma para se inscrever em um processo seletivo de mestrado. “Como uma mulher trans, é muito difícil ter expectativa, pensar tão longe. Agora, com um curso superior, eu consigo imaginar o futuro. O curso me abriu novas portas”.

Estudante que passou em 1º lugar para medicina na UFCG chegou a estudar mais de 12 horas por dia

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas
Eduardo Suassuna conseguiu a aprovação na segunda tentativa e refinou as técnicas de estudos entre um resultado e outro. Eduardo Suassuna chegou a estudar mais de 12 horas por dia
Colégio Motiva/Divulgação
A aprovação no curso de medicina, para o Eduardo Suassuna, é uma conquista construída ao longo de anos. O jovem, de 18 anos, passou em primeiro lugar do curso na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). E durante a preparação chegou a estudar de 12h a 14h por dia.
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O futuro médico foi aprovado no curso dos sonhos na segunda tentativa. Na primeira, ele contou que ficou de fora da lista de selecionados por conta de 20 pontos abaixo da nota de corte. Dessa vez, o paraibano alcançou uma média de 829,19 pontos e ainda o feito de acertar todas as questões da prova de matemática.
A notícia da aprovação foi recebida com alegria pelo agora universitário e a família dele.
"Foi incrível, pois meus pais me acordaram avisando que o resultado tinha saído. E foi emocionante conferi-lo junto deles e ver a satisfação e felicidade estampada no rosto de cada um, de fato um momento mágico", recordou.
O jovem sempre teve curiosidade para entender mais como funciona o corpo humano. Por isso, decidiu estudar medicina. Além disso, ele credita que a profissão tem um impacto positivo na sociedade.
A preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) exigiu dedicação e disciplina. Por isso, durante os últimos dois anos, o estudante encarou a rotina de assistir às aulas na escola pela manhã e continuar com os estudos nos turnos da tarde e noite.
"Ficava horas e horas naquelas cabines, lendo, fazendo questões e simulados. Então foi algo que envolveu muito esforço, dedicação e apoio da escola, dos meus amigos, minha namorada e minha família para manter minha cabeça e emocional firmes durante toda essa maratona", explicou.
A correção de simulados e o debate das questões com os amigos levam os créditos pelo aprendizado do conteúdo e a fixação dele por diferentes pontos de vista. E de um ano, quando não conseguiu a aprovação, para o outro, quando foi aprovado em primeiro lugar, houve um refinamento nas estratégias de estudo de Eduardo.
"Trabalhei melhor meu tempo de prova fazendo muitos simulados e melhorei minha redação ao ponto de não precisar me preocupar tanto com ela na hora da prova, o que creio que foram os dois fatores que me tiraram em 2023, além do emocional", destacou.
O estudante reconhece que cada candidato possui qualidades e dificuldades próprias, mas dá dicas para quem vai fazer as provas do Enem em 2025:
Identificar em que tem mais facilidade e dificuldade no Enem;
Desenvolver uma estratégia para resolver as questões da forma mais confortável;
Saber o que faz bem emocionalmente e que pode desequilibrar o candidato na hora da prova;
Trabalhar bem o fator tempo para não se atrapalhar lá no momento da prova.
E daqui em diante, Eduardo pretende cuidar do corpo e da mente para que daqui a alguns meses entre na universidade preparado para os desafios que o curso apresentar e se tornar um bom médico.
VÍDEOS: Lá Vem o Enem 2024

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados muda cronograma das universidades e adia o fim do período de matrícula

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas
Para os candidatos, resultados foram divulgados na segunda-feira (27), com um dia de atraso. Já no caso das instituições de ensino, até as 13h desta terça, algumas ainda não haviam recebido os nomes dos estudantes selecionados. MEC decidiu estender prazo da etapa até 3 de fevereiro. Página do MEC mostra a lista de selecionados na chamada regular do SISU 2024.
Reprodução

Os candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025 enfrentam mais um obstáculo na busca por uma vaga no ensino superior: parte das universidades não havia recebido do Ministério da Educação (MEC), até o início da tarde desta terça-feira (28), as listas de aprovados no processo seletivo.
Por isso, pelo menos 8 instituições federais — como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) —alteraram o calendário de matrículas dos estudantes.
✏️O que diz o MEC? Diante disso, no início da tarde desta terça-feira, a pasta decidiu ampliar o prazo para a etapa. Agora, em vez de terminar em 31 de janeiro, o período de matrícula deve se estender até 3 de fevereiro. Segundo o MEC, as mudanças não afetarão o calendário acadêmico. A decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União.
A Universidade de Pernambuco (UPE), por exemplo, disse que estava sem acesso aos resultados oficiais do Sisu no sistema. Por isso, prevê que as matrículas comecem apenas em 29 de janeiro. Já a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) optou por suspender o processo e só publicar um novo cronograma quando tiver acesso às listas de aprovados.
A Universidade Federal de Goiás (UFG) afirmou que teve acesso à lista dos aprovados no final da tarde de segunda-feira (27), e que alterou o calendário de matrícula, que passa a ser de 28 a 31 de janeiro.
Nas redes sociais, candidatos estavam preocupados: "Como pode esse processo ser a coisa mais confusa do mundo?", disse uma estudante. "Já não basta o site do Sisu ser uma batata. Agora é o site da universidade que não libera a matrícula", afirmou outro.
Sisu turbulento em 2025
Os alunos já haviam encontrado por outros dois percalços na edição deste ano, por falhas do MEC:
Passaram domingo (26) inteiro no aguardo dos resultados do processo seletivo. Os resultados só saíram na segunda-feira (27), com um dia de atraso, sem justificativas concretas do ministério.
E quando finalmente os nomes dos aprovados foram divulgados, a página do MEC mostrou tabelas de Excel confusas e não exibiu as classificações nas listas de espera. Este último problema foi resolvido por volta das 12h30 de segunda.
Segundo a Andifes (associação das instituições de ensino federais), as universidades estão adaptando seus calendários após o atraso na divulgação do Sisu aos candidatos.
Qual era a falha na lista de espera?
Sisu 2025: resultados são divulgados com atraso e em planilha Excel
Nos últimos anos, quando o estudante fazia o login no Sisu, conseguia ver:
se foi ou não aprovado em uma de suas duas opções de curso, escolhidas na inscrição;
e, no caso de quem não "passou" na 1ª chamada, qual seria a posição na lista de espera para essas duas graduações.
Candidatos reclamam da falta de informações sobre a lista de espera
Reprodução/Redes sociais
➡️Na edição de 2025, no entanto, havia apenas a primeira informação no início desta segunda-feira (27): um aviso da aprovação (ou reprovação), com um arquivo de Excel confuso, que mostrava a posição dos selecionados.
🔍Para os que não foram aprovados, seria importante saber quanto faltou para que entrassem na universidade logo na 1ª convocação. Por exemplo: um estudante de medicina que tivesse se inscrito na UFRJ (1ª opção) e na Unesp (2ª opção) poderia descobrir que estava em 12º lugar na lista de espera para a UFRJ e em 45º na Unesp.
A partir desse dado, ele pesquisaria quanto a lista "rodou" nos últimos anos, em cada instituição de ensino, e poderia analisar qual seria a jogada mais inteligente. No caso fictício acima, faria mais sentido assinalar interesse em concorrer na lista de espera da UFRJ, e não da Unesp.
Sem essas informações, a decisão dos candidatos ficaria sem embasamento, completamente "às cegas". O prazo para escolher um dos cursos na "2ª chamada" termina em 31 de janeiro, caso não seja postergado.
MEC divulga resultado do Sisu em tabelas de Excel
O g1 questionou o MEC: houve alguma falha na apresentação dos dados ou o Sisu passará a omitir as classificações de quem não foi aprovado de imediato? A pasta respondeu no início da tarde, sem mencionar os erros, mas explicando que as informações foram publicadas.
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Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas

Sisu 2025: atraso do MEC no envio da lista de aprovados faz ao menos 8 universidades adiarem matrículas
Para os candidatos, resultados foram divulgados na segunda-feira (27), com um dia de atraso. Já no caso das instituições de ensino, até as 13h desta terça, algumas ainda não haviam recebido os nomes dos estudantes selecionados. Página do MEC mostra a lista de selecionados na chamada regular do SISU 2024.
Reprodução

Os candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025 enfrentam mais um obstáculo na busca por uma vaga no ensino superior: parte das universidades não havia recebido do Ministério da Educação (MEC), até o início da tarde desta terça-feira (28), as listas de aprovados no processo seletivo.
Por isso, pelo menos 8 instituições federais — como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) —alteraram o calendário de matrículas dos estudantes.
A Universidade de Pernambuco (UPE), por exemplo, disse que estava sem acesso aos resultados oficiais do Sisu no sistema. Por isso, prevê que as matrículas comecem apenas em 29 de janeiro. Já a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) optou por suspender o processo e só publicar um novo cronograma quando tiver acesso às listas de aprovados.
De qualquer forma, a norma geral é que essa etapa termine em 31 de janeiro, em todo o país.
✏️O que diz o MEC? Até a última atualização desta reportagem, a pasta não havia respondido ao g1.
Nas redes sociais, candidatos estavam preocupados: "Como pode esse processo ser a coisa mais confusa do mundo?", disse uma estudante. "Já não basta o site do Sisu ser uma batata. Agora é o site da universidade que não libera a matrícula", afirmou outro.
Sisu turbulento em 2025
Os alunos já haviam encontrado por outros dois percalços na edição deste ano, por falhas do MEC:
Passaram domingo (26) inteiro no aguardo dos resultados do processo seletivo. Os resultados só saíram na segunda-feira (27), com um dia de atraso, sem justificativas concretas do ministério.
E quando finalmente os nomes dos aprovados foram divulgados, a página do MEC mostrou tabelas de Excel confusas e não exibiu as classificações nas listas de espera. Este último problema foi resolvido por volta das 12h30 de segunda.
Segundo a Andifes (associação das instituições de ensino federais), as universidades estão adaptando seus calendários após o atraso na divulgação do Sisu aos candidatos.
Qual era a falha na lista de espera?
Sisu 2025: resultados são divulgados com atraso e em planilha Excel
Nos últimos anos, quando o estudante fazia o login no Sisu, conseguia ver:
se foi ou não aprovado em uma de suas duas opções de curso, escolhidas na inscrição;
e, no caso de quem não "passou" na 1ª chamada, qual seria a posição na lista de espera para essas duas graduações.
Candidatos reclamam da falta de informações sobre a lista de espera
Reprodução/Redes sociais
➡️Na edição de 2025, no entanto, havia apenas a primeira informação no início desta segunda-feira (27): um aviso da aprovação (ou reprovação), com um arquivo de Excel confuso, que mostrava a posição dos selecionados.
🔍Para os que não foram aprovados, seria importante saber quanto faltou para que entrassem na universidade logo na 1ª convocação. Por exemplo: um estudante de medicina que tivesse se inscrito na UFRJ (1ª opção) e na Unesp (2ª opção) poderia descobrir que estava em 12º lugar na lista de espera para a UFRJ e em 45º na Unesp.
A partir desse dado, ele pesquisaria quanto a lista "rodou" nos últimos anos, em cada instituição de ensino, e poderia analisar qual seria a jogada mais inteligente. No caso fictício acima, faria mais sentido assinalar interesse em concorrer na lista de espera da UFRJ, e não da Unesp.
Sem essas informações, a decisão dos candidatos ficaria sem embasamento, completamente "às cegas". O prazo para escolher um dos cursos na "2ª chamada" termina em 31 de janeiro, caso não seja postergado.
MEC divulga resultado do Sisu em tabelas de Excel
O g1 questionou o MEC: houve alguma falha na apresentação dos dados ou o Sisu passará a omitir as classificações de quem não foi aprovado de imediato? A pasta respondeu no início da tarde, sem mencionar os erros, mas explicando que as informações foram publicadas.
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