Maior fator de risco para declínio cognitivo no Brasil não é a idade, e sim a falta de acesso à educação, diz estudo

Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’
Cientistas brasileiros analisaram as causas desse problema (que faz parte do quadro de demência) e descobriram que, aqui no país, a baixa escolarização ‘pesa mais’ do que fatores demográficos, como faixa etária ou sexo do paciente. Pesquisa foi publicada no “The Lancet” nesta quarta-feira (29). Baixa escolarização é fator determinante para o desenvolvimento de demência no Brasil
Prefeitura de Uberaba/Divulgação
Especificamente no Brasil, o maior fator de risco para alguém desenvolver declínio cognitivo — que faz parte do quadro de demência — não é a idade avançada, e sim a falta de acesso à educação. É o que afirma um estudo inédito feito por pesquisadores brasileiros e publicado nesta quarta-feira (29) na revista científica “The Lancet”, uma das principais do mundo.
➡️Qual é a principal conclusão? Aqui no país, a escolarização (ou seja, por quantos anos a pessoa estudou ao longo da vida) mostrou-se o elemento mais determinante no processo de envelhecimento cerebral (entenda mais abaixo).
Para os cientistas chegarem a esse resultado, foram analisados dados de 41 mil pessoas na América Latina: tanto do mesmo grupo econômico do Brasil, como Colômbia e Equador, quanto de nações que estão um degrau acima do nosso nos critérios do Banco Mundial (caso do Chile e do Uruguai).
Nas regiões mais pobres, a disparidade social e os problemas nos sistemas de educação e de saúde aumentam a probabilidade de alguém desenvolver demência. Já entre os mais ricos, fatores demográficos têm maior "peso".
🧠O que é demência? É uma condição crônica progressiva (ou seja, piora com o tempo) que afeta funções cerebrais importantes, como a memória, o raciocínio e a linguagem. Apesar de poder ser tratada, não tem cura. Entre os sintomas, estão: dificuldade de se lembrar de fatos recentes ou de palavras, confusão mental e perda da autonomia no dia a dia.
“Nosso estudo acaba comprovando que a educação, que é um fator social, tem um impacto maior no Brasil [no desenvolvimento da demência] do que idade ou sexo, diferentemente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos", explica ao g1 Wyllians Borelli, professor do Departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
"Conseguimos mostrar que a determinante social tem, sim, total influência na cognição e na independência do indivíduo", diz.
Essa conclusão é fundamental para incentivar políticas públicas e investimentos sociais, reforçam os cientistas.
🌏Observação: Em países mais igualitários, é difícil obter dados para analisar o impacto da educação no desenvolvimento cerebral. Já no Brasil, a discrepância social é tamanha que possibilita a comparação entre um grupo mais escolarizado e outro que teve menos oportunidades.
Há quase 10 milhões de jovens de 15 a 29 anos que não concluíram a educação básica, por exemplo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad – IBGE).
E entre os 9,3 milhões de adultos e idosos analfabetos, mais da metade (54,7%) vive na região Nordeste.
Por isso, o grupo de cientistas brasileiros insistiu na importância de estudar especificamente o cérebro do brasileiro, em vez de tomar como globais as conclusões de pesquisas em países desenvolvidos.
✏️Por que a educação tem a ver com o declínio cognitivo?
Aos poucos, até os 20 anos, construímos uma “reserva cognitiva”: ao praticarmos atividades que promovem nosso raciocínio (como a leitura), formamos uma espécie de “poupança”, que vai ficar armazenada no cérebro e pronta para ser usada no futuro.
À medida que envelhecemos, o cérebro pode acumular proteínas insolúveis (como a beta-amiloide), que formam “gruminhos”. Esse processo está associado à neurodegeneração, ou seja, ao desgaste e à morte de células nervosas. É o que acontece, por exemplo, na demência.
É a hora, então, de usar a “poupança cognitiva” que ficou guardada ao longo da vida. Ela pode retardar o aparecimento de sintomas.
“Não que estudar vá impedir o acúmulo das proteínas. Imagine o mesmo dano cerebral em duas pessoas: uma que estudou menos e outra que estudou mais. Na primeira, os sintomas vão aparecer antes. Na pessoa que foi mais estimulada, ela ‘aguenta’ esses danos cerebrais por mais tempo e retarda os sinais por 5, 10 anos”, diz Lucas Uglione Da Ros, doutorando em farmacologia e terapêutica pela UFRGS.
➡️Conclusão: quando estudamos e recebemos estímulos, principalmente na infância e na juventude, nosso cérebro fica mais resistente ao declínio cognitivo e a possíveis lesões futuras.
De mais bem simplificada, é possível pensar no seguinte cenário:
O neurônio A quer buscar uma informação no neurônio B, no qual está guardada alguma memória.
Quem tem uma reserva cognitiva maior vai encontrar diferentes “rotas” para ir do neurônio A até o B. Se um desses caminhos for “obstruído” no envelhecimento, haverá uma alternativa para chegar ao destino.
Em pessoas com menor reserva, pode não haver uma segunda opção de trajeto. Essa memória, então, ficará prejudicada.
🧑‍🎓Só a educação formal conta?
O g1 perguntou aos pesquisadores se somente a educação formal (em escolas e em universidades) é capaz de influenciar tão significativamente os riscos de desenvolvimento do declínio cognitivo. Será que ler livros, fazer cruzadinhas, resolver desafios de lógica e aprender novos idiomas também podem ser tarefas que diminuam os riscos dessa condição?
É bem provável que sim, mas não há como provar em um estudo como esse. Por isso, os pesquisadores concentraram-se no que é mais simples de mensurar em diferentes países: os anos de escolaridade.
“A gente acha que pessoas curiosas, que leem bastante, também devem conseguir aumentar a reserva cognitiva e diminuir os fatores de risco. Mas é difícil de avaliar. Precisaria saber os hábitos de leitura de cada um; os conhecimentos de outra língua; o tipo de ocupação que exerce, em termos de complexidade…”, explica Borelli.
🔣E é possível diminuir o risco mesmo após adulto?
Eduardo Zimmer, professor da UFRGS apoiado pelo Instituto Serrapilheira, afirma que seu grupo está em busca dessa resposta.
“Em um próximo estudo na UFRGS, vamos tentar avaliar se dar educação mais tarde, como na EJA [Educação de Jovens e Adultos], funcionaria como fator protetor [contra a demência]. Ou se incentivar adultos de 50 anos a fazer faculdade também poderia ter esse efeito”, explica.
🧠Quais outros fatores podem aumenta os riscos de demência?
A ciência elenca outros elementos além da educação, como:
perda auditiva;
hipertensão;
obesidade;
tabagismo;
depressão e transtornos de saúde mental;
isolamento social;
consumo elevado de ultraprocessados;
sedentarismo.
Vídeos de Educação

Maior fator de risco para demência no Brasil não é a idade, e sim a falta de acesso à educação, afirma estudo

Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’
Cientistas brasileiros analisaram as causas dessa condição e descobriram que, aqui no país, a baixa escolarização ‘pesa mais’ do que fatores demográficos, como faixa etária ou sexo do paciente. Pesquisa foi publicada no “The Lancet” nesta quarta-feira (29). Baixa escolarização é fator determinante para o desenvolvimento de demência no Brasil
Prefeitura de Uberaba/Divulgação
Especificamente no Brasil, o maior fator de risco para alguém desenvolver um quadro de demência não é a idade avançada, e sim a falta de acesso à educação. É o que afirma um estudo inédito feito por pesquisadores brasileiros e publicado nesta quarta-feira (29) na revista científica “The Lancet”, uma das principais do mundo.
➡️Qual é a principal conclusão? Aqui no país, a escolarização (ou seja, por quantos anos a pessoa estudou ao longo da vida) mostrou-se o elemento mais determinante no processo de envelhecimento cerebral (entenda mais abaixo).
Para os cientistas chegarem a esse resultado, foram analisados dados de 41 mil pessoas na América Latina: tanto do mesmo grupo econômico do Brasil, como Colômbia e Equador, quanto de nações que estão um degrau acima do nosso nos critérios do Banco Mundial (caso do Chile e do Uruguai).
Nas regiões mais pobres, a disparidade social e os problemas nos sistemas de educação e de saúde aumentam a probabilidade de alguém desenvolver demência. Já entre os mais ricos, fatores demográficos têm maior "peso".
🧠O que é demência? É uma condição crônica progressiva (ou seja, piora com o tempo) que afeta funções cerebrais importantes, como a memória, o raciocínio e a linguagem. Apesar de poder ser tratada, não tem cura. Entre os sintomas, estão: dificuldade de se lembrar de fatos recentes ou de palavras, confusão mental e perda da autonomia no dia a dia.
“Nosso estudo acaba comprovando que a educação, que é um fator social, tem um impacto maior no Brasil [no desenvolvimento da demência] do que idade ou sexo, diferentemente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos", explica ao g1 Wyllians Borelli, professor do Departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
"Conseguimos mostrar que a determinante social tem, sim, total influência na cognição e na independência do indivíduo", diz.
Essa conclusão é fundamental para incentivar políticas públicas e investimentos sociais, reforçam os cientistas.
🌏Observação: Em países mais igualitários, é difícil obter dados para analisar o impacto da educação no desenvolvimento cerebral. Já no Brasil, a discrepância social é tamanha que possibilita a comparação entre um grupo mais escolarizado e outro que teve menos oportunidades.
Há quase 10 milhões de jovens de 15 a 29 anos que não concluíram a educação básica, por exemplo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad – IBGE).
E entre os 9,3 milhões de adultos e idosos analfabetos, mais da metade (54,7%) vive na região Nordeste.
Por isso, o grupo de cientistas brasileiros insistiu na importância de estudar especificamente o cérebro do brasileiro, em vez de tomar como globais as conclusões de pesquisas em países desenvolvidos.
✏️Por que a educação tem a ver com a demência?
Aos poucos, até os 20 anos, construímos uma “reserva cognitiva”: ao praticarmos atividades que promovem nosso raciocínio (como a leitura), formamos uma espécie de “poupança”, que vai ficar armazenada no cérebro e pronta para ser usada no futuro.
À medida que envelhecemos, o cérebro pode acumular proteínas insolúveis (como a beta-amiloide), que formam “gruminhos”. Esse processo está associado à neurodegeneração, ou seja, ao desgaste e à morte de células nervosas. É o que acontece, por exemplo, na demência.
É a hora, então, de usar a “poupança cognitiva” que ficou guardada ao longo da vida. Ela pode retardar o aparecimento de sintomas.
“Não que estudar vá impedir o acúmulo das proteínas. Imagine o mesmo dano cerebral em duas pessoas: uma que estudou menos e outra que estudou mais. Na primeira, os sintomas vão aparecer antes. Na pessoa que foi mais estimulada, ela ‘aguenta’ esses danos cerebrais por mais tempo e retarda os sinais por 5, 10 anos”, diz Lucas Uglione Da Ros, doutorando em farmacologia e terapêutica pela UFRGS.
➡️Conclusão: quando estudamos e recebemos estímulos, principalmente na infância e na juventude, nosso cérebro fica mais resistente ao declínio cognitivo e a possíveis lesões futuras.
De mais bem simplificada, é possível pensar no seguinte cenário:
O neurônio A quer buscar uma informação no neurônio B, no qual está guardada alguma memória.
Quem tem uma reserva cognitiva maior vai encontrar diferentes “rotas” para ir do neurônio A até o B. Se um desses caminhos for “obstruído” no envelhecimento, haverá uma alternativa para chegar ao destino.
Em pessoas com menor reserva, pode não haver uma segunda opção de trajeto. Essa memória, então, ficará prejudicada.
🧑‍🎓Só a educação formal conta?
O g1 perguntou aos pesquisadores se somente a educação formal (em escolas e em universidades) é capaz de influenciar tão significativamente os riscos de desenvolvimento da demência. Será que ler livros, fazer cruzadinhas, resolver desafios de lógica e aprender novos idiomas também podem ser tarefas que diminuam os riscos dessa condição?
É bem provável que sim, mas não há como provar em um estudo como esse. Por isso, os pesquisadores concentraram-se no que é mais simples de mensurar em diferentes países: os anos de escolaridade.
“A gente acha que pessoas curiosas, que leem bastante, também devem conseguir aumentar a reserva cognitiva e diminuir os fatores de risco. Mas é difícil de avaliar. Precisaria saber os hábitos de leitura de cada um; os conhecimentos de outra língua; o tipo de ocupação que exerce, em termos de complexidade…”, explica Borelli.
🔣E é possível diminuir o risco mesmo após adulto?
Eduardo Zimmer, professor da UFRGS apoiado pelo Instituto Serrapilheira, afirma que seu grupo está em busca dessa resposta.
“Em um próximo estudo na UFRGS, vamos tentar avaliar se dar educação mais tarde, como na EJA [Educação de Jovens e Adultos], funcionaria como fator protetor [contra a demência]. Ou se incentivar adultos de 50 anos a fazer faculdade também poderia ter esse efeito”, explica.
🧠Quais outros fatores podem aumenta os riscos de demência?
A ciência elenca outros elementos além da educação, como:
perda auditiva;
hipertensão;
obesidade;
tabagismo;
depressão e transtornos de saúde mental;
isolamento social;
consumo elevado de ultraprocessados;
sedentarismo.
Vídeos de Educação

Distração ou recurso pedagógico? Como especialistas avaliam o uso de celulares nas escolas; veja perguntas e respostas

Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’
Série de reportagens do g1 e do Jornal Nacional aborda impactos do uso dos aparelhos por estudantes, e como a tecnologia desafia pais, professores e gestores públicos. Aula online, celular, covid, crianças, estudantes, escola DF
TV Globo / Reprodução
O uso em excesso e sem mediação do celular por crianças e adolescentes esteve no centro do debate entre alunos, pais, educadores e parlamentares nos municípios, nos estados e em Brasília.
De acordo com levantamento da TV Globo e do g1, pelo menos 17 estados do país já tinham restringido, por regras próprias, a utilização do aparelho em salas de aula — antes mesmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar a lei que limita o uso do aparelho nas escolas, em 15 de janeiro deste ano.
Lula sanciona na próxima segunda projeto que limita celular em escolas; texto não deve ter vetos
Especialistas alertam para a diminuição da concentração e da interação social e até para o aumento da violência entre os estudantes (leia mais abaixo). Eles consideram, no entanto, que a tecnologia pode e deve estar presente no ambiente escolar.
Mas, para isso, são unânimes: é preciso mediação. Os professores necessitam de treinamento. E o gestor público deve investir em conteúdos digitais apropriados e alinhados às disciplinas tradicionais.
Nesta semana, o Jornal Nacional e o g1 publicam uma série de reportagens sobre o assunto.
Para construir as reportagens, a TV Globo e o g1 ouviram crianças, professores, pais e especialistas. Veja abaixo os questionamentos feitos:
Celulares em sala de aula: distração ou recurso tecnológico?
É possível usá-lo como ferramenta pedagógica?
Proibir tem resultado?
Numa escola de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental em Ceilândia, no Distrito Federal, as crianças têm entre 4 e 12 anos e não escondem o quanto gostam do celular.
O João Pedro Machado, de 6 anos, usa o aparelho da avó e gosta de procurar as novidades sobre os brinquedos favoritos. Kristofer Galeno, 11 anos, por sua vez, usa para fazer vídeos para um canal no Youtube.
Já a Maria Cecília Abreu, 8 anos, assiste vídeos de finalização de cabelo e de coreografia com as amigas, enquanto o Mateus Andrade, 11 anos, usa para jogar, aprender inglês, conversar e pesquisar.
Celulares em sala de aula: distração ou recurso tecnológico?
Embora seja popular entre as crianças e adolescentes, muitas vezes o aparelho é motivo de preocupação por parte de professores.
A professora de física Maíra Abade, da escola Setor Leste, em Brasília, conta que tem dificuldade para seguir o planejamento de aula.
“A gente tem que estar o tempo inteiro pedindo para guardar. Eu acho que é uma disputa bem desleal da gente com um aplicativo”.
Já a professora de língua portuguesa Amanda Barreto, que trabalha na mesma escola, diz que o desafio é diário e já tem afetado a aprendizagem. Ela percebeu que os alunos estão deixando de lado o hábito de ler texto mais longos e de escrever.
“Isso tem gerado problemas quanto ao relacionamento com o aluno e tudo porque atrapalha na concentração. O aluno não consegue focar e consequentemente acaba que ele não tem êxito no processo de ensino e aprendizagem”.
A estudante do ensino médio Laís Maíra Santos, 18 anos, admite que não consegue ficar longe do celular.
“Eu fico muito em rede social. Instagram, TikTok, Netflix também. Ouço muita música. O celular é um amigo. Está sempre comigo ali. Não ando sem.”
O professor de matemática do Ensino Médio Henrique Joca considera necessário estabelecer limites para o uso do celular pelas crianças e pelos adolescentes. E defende que, com mediação e orientação pedagógica, é possível inclusive usar o aparelho como um aliado em sala de aula.
"Eu vou ter quase nada de aluno reprovado. O aluno que tiver reprovado comigo, ele vai estar reprovado por falta. Fazendo [as avaliações] com a pesquisa, ele pega uma nota bem maior do que aquela que ele fosse fazer fisicamente”.
É sancionada a lei que proíbe o uso de celular dentro das escolas
É possível usá-lo como ferramenta pedagógica?
O texto aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas do país — durante aulas, recreios, intervalos e atividades extracurriculares — mas permite a utilização para fins pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos docentes.
Os professores, no entanto, ainda têm dúvidas sobre como podem usar o dispositivo em sala de aula.
🔎Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o uso pedagógico é o uso intencional de uma ferramenta ou dispositivo, com a finalidade de auxiliar no processo de aprendizagem do aluno.
A diretora executiva do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Beatriz Cortese, afirma os professores precisam ser treinados para explorar o celular, as ferramentas nele disponíveis, como internet, redes sociais e aplicativos.
“Cabe ao MEC induzir essas políticas para discutir o que é o uso pedagógico. Mas cada escola, cada secretaria, cada rede de ensino também pode procurar os seus próprios caminhos para entender e discutir esse uso pedagógico", afirma a diretora.
Proibir tem resultado?
Prestes a completar um ano da restrição ao uso do celular nas escolas, a secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro diz que os resultados já começaram a aparecer: na escola e em casa.
“Não é só uma percepção dos professores e dos diretores, é através dos resultados que nós temos na nossa avaliação bimestral. Sem contar também que os incidentes de bullying, cyberbullying, diminuíram bastante depois da proibição do uso de celulares adotada na Cidade do Rio”, explica o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha.
Em casa, os pais relatam mudanças no comportamento dos filhos. O pedreiro Luiz Felipe Pedro, pai do Davi, conta que o celular atrapalhava muito o filho no colégio e nas obrigações domésticas. "Ele mudou em tudo. Se interessou por esporte, sempre olhando nos livros, provas, essas coisas. Senti, assim, aquela mudança radical."
Em uma escola na Candangolândia, região administrativa do Distrito Federal, que também proibiu o uso do celular antes da lei entrar em vigor, a diretora Ana Paula de Souza percebeu mudanças no ambiente da escola e no seu entorno. Ela conta que o aparelho era usado para marcar brigas entre os alunos.
“Após a proibição do celular, tivemos que chamar [o batalhão escolar da Polícia Militar] uma ou duas vezes, no máximo, em quase o ano inteiro. Quando a gente chamava de duas a três vezes por semana para poder conseguir fazer essa saída dos estudantes com segurança”, compara.

Aprovada em 1º lugar para direito na UEPB descobriu aprovação por mensagem de amigos: ‘Acorda, você passou em primeiro’

Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’
Eloah Bandeira tinha o sonho de cursar direito desde o ensino médio e fala que família foi sua maior motivação para não desanimar dos estudos. Eloah Bandeira, de 18 anos, foi aprovada em 1º lugar para direito na UEPB
Eloah Bandeira/Arquivo Pessoal
Eloah Bandeira, de 18 anos, foi aprovada em 1º lugar para o curso de direito na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ela conta que no dia em que o resultado do Sisu foi divulgado, acordou um pouco mais tarde do que o habitual e se deparou com várias notificações no aplicativo de mensagens do celular. Eram os amigos da escola comemorando a sua aprovação.
"Acorda, Eloah! Você passou em primeiro", a jovem relembra com bom humor uma das mensagens que recebeu.
Para a estudante, que concluiu o ensino médio em uma escola particular de Campina Grande, o apoio dos amigos e da família foi crucial para que ela não desanimasse dos estudos e continuasse motivada para conseguir a sonhada aprovação.
“A minha mãe, meu irmão, minha avó. Meus amigos. Eles sempre me encorajaram. Eu sempre tive um problema de achar que não ia dar certo, que eu não ia conseguir, então com certeza foi a minha família que mais me motivou”, conta a estudante.
A aprovada em 1º lugar para direito na UEPB fala que o interesse pelo curso surgiu logo no início do ensino médio, quando o tio, que atua na área, começou a conversar com ela sobre a profissão, o que provocou na menina um sentimento de identificação. Foi então que Eloah resolveu começar a se preparar para conseguir a aprovação.
Durante o período de estudos, a jovem conta que reservava um momento em casa para continuar estudando a fundo os assuntos nos quais tinha mais dúvidas através de vídeo aulas e listas de exercícios. Segundo ela, aquele era um momento em que contava com a presença do irmão 12 anos mais novo para lhe fazer companhia, que acabava até estudando ao lado da irmã.
"Meu irmão mais novo tem seis anos. Quando eu estudava em casa, acabava que ele estudava junto comigo. Era um alívio cômico para a tensão", revelou, entre risos.
Dicas para quem quer cursar direito na UEPB
Eloah conta que uma dica para se dar bem no Enem é começar a focar nos estudos desde o primeiro ano do ensino médio, revisando o conteúdo o mais cedo possível para não acumular dúvidas durante os anos.
“O diferencial para mim foi que eu realmente comecei a estudar desde o primeiro ano [do ensino médio]. Não especificamente para o Enem, mas para as provas da escola mesmo, o que me deixou com uma base muito solidificada”, afirma a jovem.
Outra dica de Eloah para ir bem na prova, desta vez relacionada ao controle de tempo para responder às questões do exame, é fazer uma leitura rápida das perguntas e ir alternando entre as áreas nas quais você tem maior facilidade.
“Alternar as questões me ajudou a controlar o tempo. Eu dava uma olhada no tema da redação, voltava para responder outras questões e já ia começando a pensar no meu repertório. Eu ia alternando para não cansar a mente”, disse ela.
Apesar da estudante ter estudado muito para ser aprovada em 1º lugar para direito na UEPB, Eloah afirma que uma coisa muito importante para aqueles que estão no último ano da escola é não deixar de aproveitar a vida por causa dos estudos.
“Não deixe de aproveitar. O terceiro ano é lindo. É um ano que fica marcado na memória. Dá tempo de tudo”, aconselha a jovem.
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Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’

Aprovado em 1º lugar para computação na UFPB estudou três horas por dia e focou em resolver questões: ‘estratégia’
Mateus Dias recomenda que estudantes que vão fazer o Enem 2025 organizem a rotina e separem tempo para a prática de atividades físicas. Mateus Dias, aprovado em 1º lugar para Ciências da Computação na UFPB
ISO Colégio e Cursos / Divulgação
Aos 17 anos, Mateus Dias foi aprovado em 1º lugar para o curso de Ciência da Computação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exigiu disciplina, mas contou com poucas e eficazes estratégias: três horas de estudo por dia focado na resolução de questões do assunto visto em sala de aula.
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"Acredito que essa estratégia fez a diferença, pois me ajudou a melhorar meu tempo de resolução de questões e também me ajudou a fixar os conteúdos melhor", destacou o adolescente.
O curso foi escolhido com base na afinidade com a tecnologia e também com disciplinas da área de exatas, como matemática e raciocínio lógico.
E com uma média de 793,3 pontos no Enem, o estudante confessou que saber da aprovação foi um momento de alegria e alívio para ele.
"O nervosismo fazia parte da jornada. E ao descobrir que todo o meu esforço valeu a pena com a aprovação, foi uma sensação de dever cumprido", reforçou.
Além das estratégias que Mateus já revelou, outro elemento também foi importante para que ele entrasse na universidade.
"Eu buscava dar o meu máximo todos os dias em que eu estudava, sempre tentando evitar acumular conteúdos e buscando entender onde eu precisava melhorar", explicou.
O agora universitário deu mais dicas para quem vai fazer as provas do Enem em 2025:
Organizar a rotina e estudar em um horário que se sinta mais produtivo;
Reservar espaço para atividades físicas para evitar o acúmulo de estresse e se concentrar melhor nos estudos.
Por fim, os planos agora estão voltados para o presente e futuro. O jovem pretende se dedicar à tecnologia para se tonar um desenvolvedor de sistemas e softwares.
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