Família de superdotados relata desafios do dia a dia: ‘A gente se percebe diferente’

3 em cada 4 formados em medicina no Brasil são brancos; apenas 2,8% são pretos, diz IBGE
Um diagnóstico de superdotação pode provocar muitas mudanças na rotina das famílias. É o que mostra o Profissão Repórter desta terça-feira (25). Mãe e 3 filhos com superdotação relatam desafios do dia a dia: 'a gente se percebe diferente'
Um diagnóstico de superdotação pode provocar muitas mudanças na rotina das famílias. É o que o Profissão Repórter desta terça-feira (25) mostrou ao acompanhar a história da advogada Adelita Andressa Carvalho e seus três filhos. Os quatro foram diagnosticados como superdotados.
"Demorou muito para a gente entender as características e, muito embora, a gente já tivesse isso muito internalizado, porque a gente se percebe diferente, mas a gente também vem de um mito que existe na sociedade que diz que o superdotado é 'perfeito', que ele é bom em tudo que faz, tudo faz com mastria", diz Adelita.
Mãe e três filhos são superdotados
Reprodução/TV Globo
Dificuldades para se adaptar à escola
Uma das filhas de Adelita, Heloisa, de 9 anos, está no quarto ano do ensino fundamental e enfrenta dificuldades para se adaptar à escola.
"No dia em que eu voltei para a escola, comecei a passar mal um pouquinho, eu me senti muita ansiedade e bastante tremedeira nas pernas", conta a menina.
Há um ano, Heloisa deixou de frequentar a escola por orientação de um psiquiatra. Por conta disso, os professores enviam todo conteúdo passado para os outros alunos em sala de aula, de forma adaptada, para ela estudar em casa. Uma vez por semana, ela vai à secretária de educação entregar as lições.
"Ela vai acompanhando o cronograma escolar da mesma forma, mas em casa. Para chegar a esse ponto, eu tive que lutar, conversar, capacitar a equipe, eu trouxe capacitação profissional", explica a mãe.
A neuropsicopedagoga clínica, Olzeni Ribeiro, destaca como a falta de suporte adequado pode prejudicar a saúde mental desses alunos.
"O que os pais precisam escolher: ou a saúde mental do filho e física ou diploma escolar, porque a sobrecarga vai se tornando tanta de tal modo que eles começam a adoecer de verdade", alerta a neuropsicopedagoga clínica, Olzeni Ribeiro.
Heloisa, de 9 anos, está no quarto ano do ensino fundamental
Reprodução/TV Globo
Superdotados: quando a genialidade se torna um desafio para as famílias?
'Aos 13 anos, eu não conseguia mais sair na rua'
'Aos 13 anos, eu não conseguia mais sair na rua': os desafios da superdotação
Matheus Carvalho, irmão mais velho de Heloisa, tem 22 anos e cursa engenharia mecânica. Ele encontrou na tecnologia uma paixão e hoje cria modelos com impressora 3D. Mas o caminho até aqui não foi fácil.
"Aos 13 anos, eu não conseguia mais sair na rua, eu comecei a ter crises de pânico muito fortes na sala de aula", lembra.
Matheus foi diagnosticado com depressão profunda e passou por diversos especialistas, que levantaram hipóteses de diferentes transtornos.
"Eu tive diagnóstico fechado para TDAH, a TEA teve uma consideração para ser e fecharam TDO, também tentaram fechar bipolaridade e TOC, transtorno compulsivo obsessivo", relata.
Segundo especialistas, a superdotação pode ser confundida com outros transtornos, dificultando o diagnóstico correto.
"A identificação é muito complexa, porque a superdotação se confunde muitos as características e comportamentos com os sintomas de transtornos, então, a identificação precisa passar por um processo profundo, que nesse processo, a base dele é a história de vida dessa criança ou desse adulto ou desse adolescente. Por isso que hoje no Brasil, nós temos a subnotificação em torno de 38 mil, enquanto, pela OMS, no mínimo, a gente deveria ter 4 milhões, isso dentro do sistema de ensino", explica Olzeni Ribeiro.
Para Matheus, o apoio da família foi essencial para sua recuperação.
"Eu fui lentamente me recompondo, fui me colocando no lugar, sem saber da superdotação. E consegui com muita ajuda deles retornar à escola", afirma.
Matheus Carvalho, de 22 anos, cursa engenharia mecânica e usa a tecnologia para criar modelos em impressora 3D.
Reprodução/TV Globo
Veja a íntegra do programa abaixo:
Edição de 25/02/2025
Confira as últimas reportagens do Profissão Repórter:

Veja os cursos de graduação com mais formados no Brasil, segundo o IBGE

Disciplinas na área de gestão e administração têm mais de quatro milhões de graduados. A proporção de pessoas com ensino superior completo no país quase triplicou em 22 anos. ‍🎓Os novos dados do Censo 2022 do IBGE revelam quais são as áreas com mais pessoas formadas no Brasil. Em primeiro lugar estão os cursos de gestão e administração, com mais de quatro milhões de graduados.
Em segundo lugar com mais diplomados estão os cursos de formação de professores, sem especificar a área. Em 2022, foram 3.108.277 formados. Na sequência, estão os cursos de Direito, com 2.467.521 graduados.
➡️Divulgado nesta quarta-feira (26), o Censo 2022 mostrou que o Brasil avançou em nível de instrução, frequência escolar e anos de estudos nos últimos 22 anos. No entanto, desigualdades regionais e de raça permanecem.
Veja as áreas com mais formados:

O triplo de formados
No Brasil, em 2022, o nível de instrução estava dividido da seguinte forma:
Sem instrução e fundamental incompleto: 35,2%
Fundamental completo e médio incompleto: 14%
Médio completo e superior incompleto: 32,3%
Superior completo: 18,4%
A proporção de pessoas com ensino superior completo no país quase triplicou. Há 22 anos, eram 6,8% da população. Em 2022, eram 18,4%.
Ao analisar por região do país, o Nordeste (13%) e o Norte (14,4%) têm os menores índices de pessoas com diploma universitário. As duas regiões, inclusive, estão abaixo da média brasileira (18,4%). As outras regiões estão acima deste percentual: Sul (20,2%), Sudeste (21%) e Centro-Oeste (21,8%).
➡️ Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tem a maior proporção de pessoas com 25 anos ou mais e ensino superior completo: 37%. O Maranhão, a menor: 11,1%. Essas são as mesmas posições registradas no Censo 2000, quando o DF tinha 15,3% desta faixa etária formada, e o Maranhão, 1,9%.
📍 Já entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, a maior proporção foi registrada em São Caetano do Sul, na Grande SP, 48,2%. A menor, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com 5,7%.
Parcela de pretos e pardos com ensino superior quintuplica em 22 anos, mas segue metade da de brancos
Região Norte tem menores taxas de frequência escolar do país, diz IBGE
3 em cada 4 formados em medicina no Brasil são brancos

Censo: parcela de pretos e pardos com ensino superior quintuplica em 22 anos, mas segue metade da de brancos

De modo geral, nível de instrução e frequência escolar avançaram no Brasil desde 2000, segundo o Censo de 2022. No entanto, desigualdades regionais e de raça permanecem.
Em 22 anos, as parcelas de população preta e parda de 25 anos ou mais com ensino superior completo quintuplicaram no Brasil, segundo os novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira (26).
📈A divulgação faz parte dos resultados preliminares do Censo 2022 de Educação. Em 2000, 2,1% dos pretos dessa faixa etária tinham ensino superior completo. Entre os pardos, a porcentagem era de 2,4%, e, entre os brancos, 9,9%. Em 2022, as porcentagens saltaram para 11,7%, 12,3% e 25,8%, respectivamente.
📈Os números mostram que a parcela de brancos com ensino superior é mais que o dobro das de pretos e pardos. Há 20 anos, era quase o quíntuplo.
Segundo o analista de divulgação do IBGE Bruno Mandelli Perez, o progresso pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a expansão da oferta de ensino superior, tanto público quanto privado, e implantação de políticas públicas de financiamento e bolsas de estudo.
"Você teve expansão da própria rede pública, inclusive em regiões do interior do Norte e interior do Nordeste, que são regiões que têm uma parcela maior da população preta e parda. Você teve uma expansão do setor privado também, que pode ter abarcado uma parcela maior dessa população. E você teve ainda políticas públicas, de financiamento e de bolsa para o setor privado também", disse.
Para o pesquisador, a Lei de Cotas, sancionada em 2012, influenciou na melhora do acesso, mas não foi um fator determinante nos números finais, já que a rede pública é minoritária na oferta de ensino superior.
A população indígena apresentou o menor nível de instrução. Entre os indígenas de 25 anos ou mais, apenas 8,6% possuíam superior completo, enquanto mais da metade (51,8%) não tinham instrução ou possuíam apenas ensino fundamental incompleto.
De modo geral, o nível de instrução e a frequência escolar avançaram no Brasil nos últimos 22 anos. No entanto, desigualdades regionais e de raça permanecem, de acordo com o IBGE.
O triplo de formados
No Brasil, em 2022, o nível de instrução estava dividido da seguinte forma:
Sem instrução e fundamental incompleto: 35,2%
Fundamental completo e médio incompleto: 14%
Médio completo e superior incompleto: 32,3%
Superior completo: 18,4%
A proporção de pessoas com ensino superior completo no país quase triplicou. Há 22 anos, eram 6,8% da população. Em 2022, eram 18,4%.
Ao analisar por região do país, o Nordeste (13%) e o Norte (14,4%) têm os menores índices de pessoas com diploma universitário. As duas regiões, inclusive, estão abaixo da média brasileira (18,4%). As outras regiões estão acima deste percentual: Sul (20,2%), Sudeste (21%) e Centro-Oeste (21,8%).
➡️ Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tem a maior proporção de pessoas com 25 anos ou mais e ensino superior completo: 37%. O Maranhão, a menor: 11,1%. Essas são as mesmas posições registradas no Censo 2000, quando o DF tinha 15,3% desta faixa etária formada, e o Maranhão, 1,9%.
📍 Já entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, a maior proporção foi registrada em São Caetano do Sul, na Grande SP, 48,2%. A menor, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com 5,7%.
‍👩🏻‍🎓Os dados mostram ainda que o nível de instrução das mulheres é superior ao dos homens. Em 2022, 20,7% delas tinham nível superior completo. Entre os homens, essa proporção era de 15,8%.

Região Norte tem menores taxas de frequência escolar do país, diz IBGE

3 em cada 4 formados em medicina no Brasil são brancos; apenas 2,8% são pretos, diz IBGE
No recorte de raça, os menores índices de frequência escolar estão na população indígena. Nos últimos 22 anos, Brasil avançou em quase todas as faixas etárias. Aulas na rede estadual do Amapá em fevereiro de 2025. Estado tem as menores taxas de frequência escolar de 0 a 5 anos.
Gea
A região Norte tem os piores índices de frequência escolar do Brasil em quase todas as faixas etárias, revela o Censo 2022 de Educação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (26).
👶🏻 A maior discrepância está nos anos iniciais. Entre as crianças de 0 a 3 anos, 16,6% estão em unidades de ensino na região Norte. No Sudeste, este índice salta para 41,5%. Os estudantes da região Morte apresentam a pior frequência escolar do país até os 17 anos.
Quando se analisa por cor ou raça, os indígenas apresentam os menores índices de frequência escolar, enquanto os amarelos e brancos apresentam os maiores.

➡️ Ao olhar para o Brasil, de 2000 a 2022, os dados mostram que as taxas de frequência escolar avançaram em todas as regiões — e em quase todos os grupos etários. As desigualdades regionais, no entanto, permanecem.
Longe da meta
O aumento da frequência escolar no Brasil foi mais expressivo entre as crianças pequenas. Em 2000, 9,4% das crianças de até 3 anos estavam na escola. Em 2010, este percentual subiu para 23,5%, e para 33,9% em 2022 — ainda longe do mínimo de 50% da meta do Plano Nacional de Educação (PNE).
Dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 646 superaram a meta de 50% de frequência para crianças de 0 a 3 anos, o que representa apenas 11% do Brasil. Em 325 cidades, esse indicador estava abaixo de 10%.
"Ainda está abaixo da meta que o plano estipulava mas houve uma evolução bem significativa. Em outras faixas que também foram objeto de políticas públicas, como de 4 e 5 anos, também há uma evolução bem grande, afirma o analista de divulgação do IBGE Bruno Mandelli Perez. "Mas a gente ainda tem muito a conseguir, o acesso escolar ainda está distante das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação".
📉 A única faixa que apresentou redução na frequência escolar foi a de 18 a 24 anos, que passou de 31,3% em 2000 para 27,7% em 2022. No entanto, isto aconteceu porque muitos jovens adultos cursavam os ensinos Fundamental e Médio atrasados.
"Nos últimos 20 anos, os jovens foram se formando na idade adequada, foram se formando até 18 anos. A redução é justificada pela adequação do fluxo escolar", explicou a analista de divulgação do IBGE Juliana de Souza Queiroz.
📍Entre as unidades federativas, as menores taxas de frequência escolar para as faixas de 0 a 3 anos e de 4 a 5 anos de idade foram encontradas no Amapá — 12% e 65%, respectivamente. Já Roraima apresentou as menores taxas para os grupos de 6 a 14 anos (91,5%), 15 a 17 anos (78,8%) e 18 a 24 anos de idade (24%).

3 em cada 4 formados em medicina no Brasil são brancos; apenas 2,8% são pretos, diz IBGE

3 em cada 4 formados em medicina no Brasil são brancos; apenas 2,8% são pretos, diz IBGE
Entre as pessoas com graduação concluída em serviço social, a proporção de pessoas brancas era, em 2022, de 47,2%. Os pardos eram 40,2%, e os pretos, 11,8%. Cursos de graduação divididos por cor ou raça, segundo o Censo de 2022.
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Três em cada quatro formados em medicina no Brasil são brancos, revelavam os novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira (26). Os pardos são 19,1% dos diplomados, e os pretos, 2,8%.
A pesquisa faz parte do Censo 2022 de Educação. Em outros cursos, a distribuição por cor ou raça entre os formados também tem grande diferença, como em economia (75,2% dos formados eram brancos), e odontologia (74,4%). Veja os números completos no gráfico acima.
Já entre as pessoas com graduação concluída em serviço social, a proporção de pessoas brancas era, em 2022, de 47,2%. Os pardos eram 40,2%, e os pretos, 11,8%.
Os pretos e pardos também tinham números mais representativos na área "formação de professores": 8,9% de pretos e 37,5% de pardos.
👩🏻‍🎓 No recorte por sexo, também há grandes discrepâncias. Em engenharia mecânica e metalurgia, por exemplo, 92,6% dos formados são homens. Em ciência da computação, 79,6%.
Já em enfermagem, 86,3% das formadas são mulheres. Em serviço social, o índice é ainda maior: 93%.
Pretos e pardos com ensino superior quintuplicam em 22 anos
Os novos dados do IBGE mostram que, em 22 anos, a população preta e parda de 25 anos ou mais com ensino superior completo quintuplicou no Brasil. Apesar do avanço, ainda representam metade da população branca formada.
➡️ Em 2000, 2,1% dos pretos desta faixa etária tinham ensino superior completo. Entre os pardos, a porcentagem era de 2,4%, e, entre os brancos, 9,9%. Em 2022, as porcentagens saltaram para 11,7%, 12,3% e 25,8%, respectivamente.
Segundo o analista de divulgação do IBGE Bruno Mandelli Perez, esse progresso pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a expansão da rede pública e implantação de políticas públicas de financiamento e bolsas de estudo.
"Você teve expansão da própria rede pública, inclusive em regiões do interior do Norte e interior do Nordeste, que são regiões que têm uma parcela maior da população preta e parda. Você teve uma expansão do setor privado também, que pode ter abarcado uma parcela maior dessa população. E você teve ainda políticas públicas, de financiamento e de bolsa para o setor privado também", disse.
Para o pesquisador, a Lei de Cotas, sancionada em 2012, influenciou na melhora do acesso, mas não foi um fator determinante nos números finais, já que a rede pública é minoritária na oferta de ensino superior.
A população indígena apresentou o menor nível de instrução. Entre os indígenas de 25 anos ou mais, apenas 8,6% possuíam superior completo, enquanto mais da metade (51,8%) não tinham instrução ou possuíam apenas ensino fundamental incompleto.
De modo geral, o nível de instrução e a frequência escolar avançaram no Brasil nos últimos 22 anos. No entanto, desigualdades regionais e de raça permanecem, de acordo com o IBGE.