Escrever à mão ajuda no aprendizado, aponta estudo

Fuga de cérebros dos EUA movimenta países enquanto pesquisadores vivem dilema entre ficar ou ‘fugir’ de Trump
Estaríamos desaprendendo a escrever à mão por causa dos teclados? No dia a dia digital, escrever com papel e caneta pode parecer cada vez mais incomum. Mas o "antigo método" ainda traz vantagens. Cada vez mais crianças estão tendo dificuldades para escrever de forma rápida e legível, diz estudo.
Milton Michida/A2/Governo de São Paulo
Quem nunca se deparou com alguma antiga anotação e se frustrou por não conseguir entender a própria caligrafia? A triste verdade: estamos esquecendo como escrever à mão!
Nestes tempos virtuais, nos limitamos a digitar em computadores e smartphones e, quando muito, fazemos uma lista de compras ou poucas outras anotações à mão. Raramente – ou com certa relutância – nos comunicamos por meio de canetas e papel, enquanto a comunicação por e-mails, mensagens de texto ou – sobretudo entre os mais jovens – por mensagens de voz virou a regra.
Em plena era digital, agora nos parece extremamente tedioso escrever um texto mais longo à mão. Para que um cartão de aniversário ou uma carta sejam escritos de forma particularmente bela, é necessário dedicar toda nossa concentração.
Caligrafia precisa ser aprendida
Desde crianças, aprendemos a escrever à mão da forma mais correta e ordenada possível. Embora todas as crianças aprendam as mesmas letras, a escrita de cada um é sempre muito particular.
Durante a adolescência e o início da fase adulta, nossa caligrafia costuma mudar significativamente, mas depois disso ela permanece praticamente a mesma para a maioria das pessoas – cada um desenvolve uma caligrafia única.
Mas sem prática e controle, a caligrafia só tende a piorar. Problemas de caligrafia são há muito um problema da sociedade como um todo, e não apenas dos estudantes, como muitas vezes se supõe. A caligrafia correta e legível, afinal, passa por uma verificação na escola.
Ainda assim, a Associação Alemã de Educação e Formação vem há anos reclamando do declínio das habilidades de escrita e o aumento dos déficits motores entre crianças em idade escolar. De acordo com o Estudo sobre o desenvolvimento, os problemas e as intervenções na questão da caligrafia (STEP 2022), cada vez mais crianças estão tendo dificuldades para escrever de forma rápida e legível. E os lockdowns e a prática de ensino domiciliar durante a pandemia do Coronavírus só pioraram a situação.
À medida que as pessoas envelhecem, durante a adolescência e no início da idade adulta, a caligrafia tende a se tornar cada vez mais ilegível – também por causa da falta de prática e controle.
Escrever à mão resulta em aumento da atividade cerebral, revela estudo.
Ana Kézia Gomes/G1
Escrever à mão ajuda no raciocínio e no aprendizado
Digitar em um teclado é imbatível, especialmente para textos mais longos, pois a estrutura do texto pode ser alterada conforme desejado. A correção automática também elimina erros banais, tornando a escrita mais rápida, mais legível e menos cansativa.
A escrita à mão, por outro lado, desafia o cérebro mais do que a digitação e, portanto, também promove o aprendizado. Um estudo norueguês de 2024 descobriu que escrever à mão resulta em aumento da atividade cerebral precisamente nas regiões cerebrais importantes para o aprendizado.
Uma interação mais forte foi mensurável nas áreas do cérebro responsáveis ​​pelo desempenho da memória e pelo processamento de informações motoras e visuais.
Além disso, ao escrever, o cérebro compara a escrita resultante com modelos aprendidos das letras e palavras e ajusta a posição dos dedos em tempo real. Olhos e cérebro monitoram constantemente se os dedos estão segurando a caneta corretamente, aplicando a quantidade certa de pressão, e se claras linhas são criadas ao escrever. Isso requer uma coordenação muito precisa entre os processos visuais e motores. É essa combinação de informação visual e processamento de informação que promove o aprendizado, diz o estudo.
De fato, a escrita à mão é mais lenta do que a digitação, mas isso não é necessariamente uma desvantagem. A lentidão natural nos obriga a processar informações de forma mais intensiva.
Resumimos o que ouvimos ou pensamos com mais clareza, destacamos palavras-chave ou citações concisas, às vezes usamos setas ou marcadores para estabelecer conexões e, geralmente, nos envolvemos mais intensamente com o conteúdo, retendo-o em nossa memória por mais tempo.
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Estaríamos esquecendo uma habilidade milenar?
Escrever à mão está entre as técnicas culturais mais importantes da evolução humana. Milhares de anos atrás, as informações eram esculpidas em argila ou pedra ou escritas com tinta em folhas de palmeira, pergaminho ou papiro. Até a invenção da imprensa, a escrita à mão era a única maneira de registrar a linguagem em qualquer meio que fosse.
A escrita mais antiga que se tem conhecimento tem cerca de 5 mil a 6 mil anos: desenvolvida pelos sumérios no atual Iraque, a escrita cuneiforme era utilizada na administração do comércio. Essa escrita pictórica consistia em cerca de 900 pictogramas e ideogramas, ou seja, símbolos e sinais que eram riscados em tábuas de argila úmida com pedaços de madeira. Com o tempo, essa "caligrafia" evoluiu para várias fontes e também para nosso alfabeto moderno.
Ao contrário da fala, a escrita antigamente era reservada apenas a uma minoria: a nobreza, os intelectuais e os comerciantes. O fato de tantas pessoas saberem ler e escrever hoje em dia só mudou com a introdução da escolaridade obrigatória no século 20.
Em 1820, apenas 12% da população mundial sabia ler e escrever. Hoje, a proporção se inverteu: segundo a Unesco, apenas 13% das pessoas no mundo não sabem ler nem escrever. Metade dos aproximadamente 765 milhões de analfabetos vive no sul da Ásia e mais de um quarto na África Subsaariana. Dois terços dos analfabetos do mundo são mulheres.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Sírio-Libanês lança curso de graduação em Medicina; veja valor da mensalidade

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Aprovada com nota máxima pelo MEC, graduação oferecerá 100 vagas por ano. Proposta é investir em formação médica com foco em inovação, prática desde o primeiro semestre e abordagem humanizada. Faculdade Sírio-Libanês passa a oferecer curso de medicina
Sarah Daltri/Divulgação
A Faculdade Sírio-Libanês — da mesma mantenedora do Hospital Sírio-Libanês (SP), um dos mais renomados da América Latina — anunciou nesta semana que recebeu autorização do Ministério da Educação (MEC) para a abertura de um curso de medicina. Até então, a instituição oferecia apenas Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia e Biomedicina.
💰Quanto vai custar? As mensalidades custarão R$ 12.400. A faculdade adiantou que serão 100 vagas por ano, sendo 10% delas com bolsa integral.
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🩺Qual é a duração do curso? O bacharelado terá duração de 12 semestres e carga horária de 8.600 horas.
🏥Quando a primeira turma começará a estudar? As inscrições para o vestibular serão abertas ainda em abril. Já as aulas terão início em 4 de agosto de 2025.
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🌡️Quais os diferenciais? Segundo a faculdade, a proposta pedagógica une, desde o primeiro semestre, excelência acadêmica (98% dos professores serão doutores com, em média 17 anos de profissão), infraestrutura moderna (com inovações tecnológicas) e abordagens humanizadas da medicina.
Por meio de trilhas de aprendizagem, o estudante escolherá unidades curriculares de acordo com suas aspirações profissionais. Haverá disciplinas sobre pensamento computacional, análise preditiva de dados, experiência do paciente, mindfulness, empreendedorismo, gestão, pesquisa e inovação.
Além disso, os alunos poderão participar das iniciativas de produção científica do Sírio: foram, de acordo com o hospital, mais de 3.800 trabalhos publicados e mais de 100 mil citações em revistas científicas de renome nas últimas duas décadas.
😷Onde serão as aulas? O curso será ministrado na sede da Faculdade Sírio-Libanês, um espaço com mais de 9 mil metros quadrados, localizado próximo à Avenida Paulista, em São Paulo.
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Matrículas em creches ‘desaceleram’ e ficam distantes da meta do MEC em 2024, diz Censo

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De 2023 para 2024, houve um aumento de apenas 1,5% no número de crianças de 0 a 3 anos em creches. Crescimento precisa ser mais acentuado para chegar ao menos perto da meta estabelecida pelo Plano Nacional da Educação (PNE). Creches deixaram de ser vistas como locais com foco somente nos cuidados básicos. Na foto, bebês da CEI Indianópolis tomam café da manhã.
Marcelo Brandt/G1
De 2023 para 2024, o número de crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches (públicas e privadas) aumentou apenas 1,5% (de 4,12 milhões para 4,18 milhões), de acordo com dados do Censo de Educação Básica, divulgados nesta quarta-feira (9).
➡️É um ritmo muito abaixo do que seria necessário para que o país atingisse a meta de 5 milhões de alunos, mencionada pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado.
"O Plano Nacional de Educação (PNE) propõe que, no seu horizonte [2024], o atendimento chegue a 50% dessa população [de 0 a 3 anos], o que representa uma ampliação dos atuais 4,1 milhões em 2023 para algo em torno de 5 milhões de matrículas em 2024", disse a pasta, quando divulgou a edição anterior do Censo.
Ou seja: faltaram cerca de 820 mil alunos para que esse patamar fosse alcançado.
"Termos evoluído menos de 2% de um ano para outro é preocupante, dada a distância que estamos das metas do Plano Nacional da Educação. É algo que chama a atenção, porque precisaremos crescer de maneira muito mais rápida", afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.
"Esses números reforçam o quanto é importante que o MEC, os governos estaduais e as prefeituras organizem seus planos de expansão de atendimento de creche. É preciso identificar: qual é a demanda, onde ela é maior, qual é a população que está vulnerável e que necessita mais de atendimento e qual o melhor modelo a ser adotado — construir novas creches ou conveniar instituições privadas já existentes", diz o especialista.
👣Matricular alunos de 0 a 3 anos em creches (públicas ou privadas) não é uma prática obrigatória no Brasil — só a partir dos 4 anos é que o ensino formal passa a ser mandatório. Ainda assim, é dever do Estado garantir que todos dessa faixa etária tenham uma vaga assegurada nas instituições de ensino. O projeto de lei do novo PNE, enviado ao Congresso, deve inclusive elevar a meta de 50% para 60% de alunos matriculados em creches.
Em anos anteriores, desconsiderando os retrocessos trazidos pela pandemia, o crescimento foi significativo. De 2015 a 2019, por exemplo, eram mais de 5% de aumento ao ano. Mesmo após a Covid-19, de 2022 para 2023, o índice de matrículas em creches subiu 4,7%. Ou seja: a taxa de 1,5%, revelada nesta quarta-feira (9), foge (negativamente) do padrão.

Pobres costumam ser os mais prejudicados
Dados divulgados em março pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, focada em primeira infância, mostram que:
2,3 milhões de crianças estão fora da creche não por opção da família, mas por problemas de acesso (falta de vagas ou recusa de matrículas).;
entre os 20% mais pobres, 31% frequentam a creche — entre os mais ricos, o índice é bem maior, de 56%;
a região Norte apresenta a menor cobertura do país (no Amapá, por exemplo, é de 68,8%).
🎨Por que o acesso à creche é tão importante?
A existência de um local seguro, acolhedor, estimulante e cheio de brincadeiras permite que principalmente as mulheres voltem ao mercado de trabalho após a licença-maternidade.
⚠️Mas, atenção: a creche não é apenas um "depósito" de crianças. Ela atende alunos que estão em uma fase importantíssima do desenvolvimento infantil. Por isso, deve contar com profissionais preparados, que saibam elaborar atividades adequadas a cada faixa etária e estimular tanto o brincar "livre" quanto o brincar com intencionalidade.
"A creche de qualidade oferece à criança todos os estímulos e o ambiente necessários para o seu desenvolvimento — o que é difícil de se ter em casa. Ela não é uma etapa obrigatória, mas é muito importante, especialmente para as famílias mais pobres", afirma Corrêa.
⚖️Investir nessa etapa é uma estratégia considerada eficaz para a redução desigualdades ao longo da vida:
Vínculos seguros formados nos estabelecimentos de ensino ajudam a construir confiança, autorregulação e empatia.
A plasticidade cerebral é maior nos primeiros 3 anos de vida, ou seja, a parte cognitiva será beneficiada com os estímulos corretos.
O desenvolvimento de habilidades de comunicação acontece mesmo antes da fala — um ambiente com leitura, música e cantigas é essencial.
Com os amigos, o aluno vai aprender a: rolar, sentar, engatinhar, andar e explorar o ambiente.
Brincadeiras com sons, cores, texturas e objetos ajudam a desenvolver a curiosidade e a criatividade.
A criança começa a conquistar autonomia nas ações básicas do dia a dia, como nos rituais de higiene e de alimentação.
🖌️O que é ser uma boa creche?
Segundo relatório da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, uma boa creche deve:
ter uma equipe que desenvolva atividades adequadas para cada faixa etária, sempre com cuidado, estímulo e afeto;
estabelecer uma relação próxima com as famílias;
ter funcionários que fiquem atentos a todos os sinais que as crianças emitem;
contar com profissionais que vão além do curso superior e sigam a formação continuada, com atualizações constantes;
ter a proporção correta de professores de acordo com a quantidade de alunos – dos 0 aos 2 anos, de 6 a 8 crianças para cada docente; aos 3 anos, 15 para cada um;
estimular o brincar livre e o brincar com intencionalidade – sem a preocupação em antecipar a alfabetização;
ter infraestrutura com parquinho, espaços ao ar livre, brinquedos na altura das mãos das crianças, materiais criativos (arte, música, teatro), biblioteca.
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Tempo integral avança na rede pública e já representa 23,1% das matrículas do ensino médio, mostra Censo 2024

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Com um crescimento de mais de 600 mil vagas de 2023 para 2024, o tempo integral já concentra uma parcela significativa de matrículas na educação básica da rede pública. Na rede privada, o avanço é mais tímido. Para 2025, governo do Espírito Santo quer aumentar o número de escolas em tempo integral, concioliando ensino médio e profissionalizante
Divulgação/ Sedu
O número de matrículas de tempo integral em escolas da rede pública aumentou em mais de 600 mil em 2024, em comparação com o ano anterior. É o que mostra o Censo Escolar 2024 — principal pesquisa estatística educacional do país, e instrumento que coleta informações da educação básica — divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Ministério da Educação (MEC).
⌚ Em geral, as escolas de tempo integral têm carga igual ou superior a 7 horas diárias ou 35 horas semanais, contra cerca de 4 horas diárias das escolas de período parcial.
Foram mais de 7,9 milhões de matrículas divididas entre educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, um avanço de 8,5% em relação a 2023. O valor não leva em conta educação profissional, EJA e educação especial.
👉🏾 O aumento foi observado em todas as etapas de ensino:
Educação infantil (creche e pré-escola): 2.316.214 matrículas (+ 6,8%)
Ensino fundamental (anos iniciais e finais): 4.051.714 matrículas (+ 8,3%)
Ensino médio: 1.564.455 matrículas (+ 11,6%)
Na rede privada, a modalidade de ensino integral também cresceu, mas de maneira mais tímida. Foram 1.298.940 matrículas em 2024, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
No contexto das escolas particulares, a oferta por ensino integral não é tão significativa, como mostram dados do Censo.
Apenas 11,9% das matrículas de ensino médio em instituições privadas foram de tempo integral em 2024. No ensino fundamental, o número é ainda menor, com o tempo integral representando apenas 3,4% do total de matrículas.
A exceção é na educação infantil, que tem por característica ofertar mais regularmente o ensino integral. Na rede privada, 39,5% das matrículas de 2024 foram na categoria.
Em contrapartida, na rede pública, cerca de 33,4% das matrículas de educação infantil foram na modalidade de tempo integral.
No ensino fundamental, a modalidade representou 19,1% das matrículas totais, e, no ensino médio, foram outros 23,1%.
Educação profissional também cresce
Outro crescimento registrado pelo Censo Escolar 2024 foi o de matrículas em educação profissionalizante e cursos técnicos, que saltou 6,7% de 2023 para 2024.
A categoria considera cursos técnicos integrados ao ensino médio, técnicos concomitante ou subsequente, entre outros.
📈 Foram mais de 200 mil novas matrículas somente em cursos técnicos integrados ao ensino médio na rede pública e na privada.
A modalidade tem se mostrado atrativa para os jovens tanto por poder ser integrada ao ensino regular, quanto por ser uma alternativa após a conclusão da etapa escolar, ainda garantindo um nível de profissionalização atrativa no mercado de trabalho.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Fuga de cérebros dos EUA movimenta países enquanto pesquisadores vivem dilema entre ficar ou ‘fugir’ de Trump

Fuga de cérebros dos EUA movimenta países enquanto pesquisadores vivem dilema entre ficar ou ‘fugir’ de Trump
Segundo uma consulta feita com mais de 1.600 pessoas e publicada no fim de março pela revista científica Nature, mais de 75% dos cientistas pensam em deixar os Estados Unidos devido às políticas de Trump. Estudantes realizam um protesto com abandono de aulas nos degraus da Low Library da Universidade Columbia
Reuters
Nos corredores de universidades e laboratórios dos Estados Unidos, a fuga para o exterior de nomes ilustres em várias áreas do conhecimento "está na boca de todos", diz um estudante, em um contexto de preocupação com o futuro da pesquisa no país.
Jason Stanley, professor de filosofia e especialista em fascismo na prestigiosa universidade de Yale, anunciou que vai se mudar para o Canadá.
De saída para o Canadá, professor de Yale dispara contr Trump: 'Já somos um regime fascista'
A decisão de Stanley expôs um dilema enfrentado por um número crescente de acadêmicos e cientistas do país: ficar ou partir.
"Tomei a decisão quando (a universidade de) Columbia se dobrou" às exigências do presidente Donald Trump para poder manter o financiamento federal, explicou o filósofo em entrevista à emissora CBS.
"Não é o momento de ter medo" e ficar nos Estados Unidos, "um país autoritário", afirmou.
Segundo uma consulta feita com mais de 1.600 pessoas e publicada no fim de março pela revista científica Nature, mais de 75% dos cientistas pensam em deixar os Estados Unidos devido às políticas de Trump.
Diante das ameaças de cancelamento do financiamento e o medo de sofrer censura, cada vez mais pesquisadores pensam em deixar os Estados Unidos, um país que até agora era considerado a meca desta atividade em muitas disciplinas.
"Esta tendência é especialmente alta entre os pesquisadores que estão no início da carreira", segundo a consulta, que aponta que grande parte dos estudantes de mestrado e doutorado avalia deixar o país.
"Surrealista"
"As pessoas estão muito preocupadas", explica à AFP Daniella Fodera, estudante de doutorado da Universidade de Columbia, que recentemente teve uma bolsa cancelada.
Várias universidades anunciaram o congelamento de contratações e a redução das vagas para estudantes, "o que está perturbando consideravelmente o sistema universitário", explica.
"É um momento um pouco surrealista para os cientistas porque simplesmente não sabemos o que vai acontecer", concorda Karen Sfanos, que dirige um programa de pesquisas na Universidade Johns Hopkins.
"É um momento difícil para a geração mais jovem porque muitos laboratórios (…) não sabem se vão poder mantê-los", acrescenta.
Fodera, que estuda os miomas uterinos – tumores benignos que afetam muitas mulheres -, afirma que começou a "procurar programas na Europa para continuar a formação de pós-doutorado".
"Está na boca de todos", diz J. P. Flores, estudante de pesquisa genética na Carolina do Norte, que também considera a possibilidade de emigrar.
Europa e Canadá
A fuga de cérebros atiça a cobiça de alguns países.
Várias universidades europeias e canadenses têm anunciado iniciativas para atrair estes talentos.
"Conheço pesquisadores que têm dupla nacionalidade ou que têm família em Canadá, França ou Alemanha e que começam a dizer, 'Acho que vou morar na Alemanha pelos próximos cinco anos e pesquisar lá'", relata Gwen Nichols, membro de uma associação dedicada à pesquisa de cânceres no sangue.
No entanto, a opção de partir não está ao alcance de todos. Os estudantes são os primeiros afetados pelos cortes orçamentários. Também são os menos experientes e, portanto, "os que têm menos possibilidades de se encaixar no perfil que as instituições da UE esperam atrair".
Para Nichols, existe o risco de os Estados Unidos perderem uma geração de cientistas em todos os campos, e inclusive de o país ceder o domínio na pesquisa. "Veremos o problema dentro de 10 anos, quando não tivermos as inovações de que necessitamos", adverte.
Departamento de Educação dos EUA anuncia demissão de quase metade dos funcionários