Menos de 1% dos cursos EaD conseguem nota máxima em avaliação do MEC

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Entre os presenciais, 492 obtiveram a nota 5. Número é 82 vezes maior que o de cursos EaD com a mesma nota. Enade 2023 avaliou 9.812 cursos de todo o país. Enade 2023 avaliou apenas 6 cursos EaD com nota máxima.
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Apenas seis dos 692 cursos na modalidade de educação a distância (EaD) avaliados pelo MEC conseguiram nota máxima no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2023. O número equivale a 0,9% do total.
O Enade 2023 é o mais recente da série e foi divulgado nesta sexta-feira (11).
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👉🏾 Um dos indicadores do exame é o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que é usado para avaliar a qualidade da educação superior do país. Esse indicador é obtido a partir do desempenho dos alunos no Enade, da qualificação do corpo docente e dos recursos didático-pedagógicos (como laboratórios) da universidade (veja mais abaixo).
📝 É o CPC que indica a qualidade do curso. Por exemplo, quando uma universidade diz que tem um curso de Direito nota 5 no MEC, é ao CPC que está se referindo.
O Enade 2023 avaliou 9.812 cursos, das seguintes áreas:
bacharelado nas áreas de conhecimento de Ciências Agrárias, Ciências da Saúde e áreas afins;
bacharelado nas áreas de conhecimento de Engenharias e Arquitetura e Urbanismo;
cursos superiores de Tecnologia nas áreas de Ambiente e Saúde, Produção Alimentícia, Recursos Naturais, Militar e Segurança.
A avaliação considera satisfatórios os cursos que conseguem notas 4 e 5. Ao todo, 3.888 cursos atingiram a meta, mas apenas 100 deles eram cursos EaD.
Enquanto apenas seis cursos EaD obtiveram a pontuação máxima, 492 formações presenciais também conseguiram a nota 5.
Considerando também os cursos com nota 4, as formações presenciais consideradas satisfatórias somam 3.788. Ou seja, 41,5% de cursos presenciais avaliados pelo Enade 2023 conseguiram um desempenho satisfatório.
Já quando se leva em conta a categoria administrativa dos cursos com um bom desempenho, mais de 54% dos presenciais com nota máxima são oferecidos em instituições públicas, de âmbitos estadual ou federal.
Em contrapartida, todas as formações EaD que conseguiram a nota 5 são ofertados por instituições privadas com ou sem fins lucrativos.
A avaliação também categorizou 432 cursos como "sem conceito". Isso acontece quando o curso mão possui ao menos dois estudantes concluintes participantes com resultados válidos no Enade para fins de cálculo dos indicadores. Destes, 17 cursos são de instituições públicas.
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Abaixo, veja como os cursos, divididos por modalidade, foram avaliados em 2022:
🖥️ Cursos EAD
Nota 1 (insatisfatória): 0
Nota 2 (insatisfatória): 109
Nota 3 (Regular): 414
Nota 4 (Satisfatória): 94
Nota 5 (Satisfatória): 6
Sem conceito (SC): 69
👨🏽‍🏫 Cursos presenciais
Nota 1 (insatisfatória): 18
Nota 2 (insatisfatória): 682
Nota 3 (Regular): 4.269
Nota 4 (Satisfatória): 3.296
Nota 5 (Satisfatória): 492
Sem conceito (SC): 362
Entenda como é feita a avaliação
✏️O Conceito Preliminar de Curso (CPC) avalia as graduações (Medicina em determinada faculdade, por exemplo) e considera:
o desempenho dos alunos no Enade 2023 (prova feita no início e no fim da graduação);
a formação dos professores (se são mestres e doutores, por exemplo, e se trabalham em regime de dedicação exclusiva);
a percepção dos estudantes sobre o próprio curso (questionário respondido no Enade);
o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), que analisa o desempenho dos alunos concluintes (Enade) e dos alunos ingressantes (Enem), para avaliar o aprendizado absorvido durante o curso.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

VÍDEO: Milton Nascimento celebra e abraça título Doutor Honoris Causa dado pela Unicamp: ‘Muito feliz’

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Ídolo da música popular brasileira comemorou a entrega da homenagem em vídeo nas redes sociais. VÍDEO: Milton Nascimento abraça título Doutor Honoris Causa concedido pela Unicamp
Novo 'Doutor Honoris Causa' da Unicamp, Milton Nascimento celebrou o título concedido na quinta-feira (10). Em um vídeo postados no Instagram, o cantor, compositor e multi-instrumentista abraçou a placa e disse estar "muito feliz".
A entrega simbólica foi exibida em vídeo nesta quinta-feira (10), durante uma cerimônia na sala do Conselho Universitário (Consu). Assista ao vídeo da entrega do título acima.
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O vídeo apresentado foi gravado em 25 de fevereiro, na casa do artista, no Rio de Janeiro, e mostra o momento em que ele recebe a premiação e a abraça dizendo: "Acabei de receber essa coisa maravilhosa da Unicamp. 'Tô' muito feliz".
Na ocasião, o reitor da Unicamp, Antonio José de Almeida Meirelles, entregou pessoalmente a honraria.
Segundo o reitor, a universidade optou por dividir a cerimônia em duas datas – uma em fevereiro, na casa do artista, e outra na Unicamp nesta quinta-feira – para priorizar a saúde de Milton e a agenda no período do Carnaval.
A comissão responsável por avaliar e aprovar a concessão do título foi formada por professores de diferentes instituições. São eles: Regina Machado e Thaís Nicodemo, do Instituto de Artes da Unicamp; Thais Nunes, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); e Paulo Costa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A cerimônia na Unicamp foi encerrada com a execução de duas músicas do artista: “Morro Velho” e “Maria, Maria”. As canções foram interpretadas por Graciela Soares, com acompanhamento no violão.
Carreira e legado
Com seis décadas de trajetória na música brasileira, Milton Nascimento lançou cerca de 50 álbuns e cinco DVDs. Além disso, compôs trilhas sonoras para filmes e balés e conquistou cinco estatuetas do Grammy Awards, maior premiação da música popular mundial.
Ao longo da carreira, o artista também recebeu outras três titulações de Doutor Honoris Causa: pela Universidade Federal de Ouro Preto em 2000, pela Universidade Estadual de Minas Gerais em 2012 e pela Berklee College of Music, nos Estados Unidos em 2016.
Milton Nascimento abraça título Doutor Honoris Causa concedido pela Unicamp
Reprodução/Redes Sociais
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Como decifrar as angústias das crianças: ‘Dificuldade em matemática pode ser ansiedade com contas da casa’

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Uma criança que tira notas baixas ou tem outros problemas na escola pode não ter dificuldade de aprendizado, mas estar com dificuldades de processar suas experiências e emoções. Os pais e outros cuidadores têm um papel crucial na hora de ajudá-las a atravessar estes momentos de crise. Em situações de crise, 'é importante conversar com a criança sobre o que está acontecendo', recomenda psicanalista
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Há muitos caminhos que levam crianças pequenas à terapia, na busca por um lugar confiável e seguro em que podem entrar em contato com seus incômodos, medos e angústias — tema da terceira reportagem da série da BBC News Brasil sobre a saúde mental de crianças e adolescentes.
A mudança no comportamento é um fator chave para os pais e outros cuidadores identificarem um sofrimento na crianças, diz a psicóloga Louise Madeira, especialista em Terapia Familiar e de Casais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e idealizadora do podcast New Me.
As crianças pequenas chegam aos consultórios também encaminhadas por profissionais que os acompanham nas suas escolas.
Rosa Maria Marini, doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP), diz que algumas escolas fazem isso porque são mais sensíveis e atentas às dificuldades vividas por seus alunos, enquanto outras buscam confirmar um diagnóstico.
Os problemas mais comuns que levam as escolas a fazer isso, segundo Adela Stoppel de Gueller, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP e professora do curso de Formação em Psicanálise com Crianças do Instituto Sedes Sapientiae, estão as dificuldades de aprendizagem, a falta de interesse em aprender, comportamentos disruptivos, dificuldades de socialização, agressividade, roubos de pequenos objetos e mentiras.
Mas são as dificuldades de aprendizagem a queixa central nos encaminhamentos de crianças que chegam ao psicanalista Alexandre Patrício de Almeida, autor de Por uma ética do cuidado (editora Blucher) e de Psicanálise de boteco: O inconsciente na vida cotidiana (editora Paidós).
A angústia de uma criança pode refletir um conflito que, na verdade, pertence à história de vida dos pais
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À primeira vista, uma criança ir mal na escola pode parecer ser um problema cognitivo, relacionado ao conhecimento ou a alguma fragilidade neurológica, aponta Almeida.
E pode ser isso mesmo em alguns casos, diz o psicanalista, mas escutar o que estas crianças têm a dizer pode revelar que outra coisa possa estar acontecendo com elas.
"Muitas vezes a criança vem porque está com dificuldade de aprender matemática. Mas não é isso que está acontecendo", diz o especialista, que é doutor em psicologia clínica pela PUC-SP.
"Essa criança está tão ansiosa, preocupada com o divórcio dos pais ou com a situação financeira da casa — por incrível que pareça, crianças e adolescentes preocupados com o amanhã é algo que aparece muito na clínica", prossegue.
"A criança está tensa e não consegue se concentrar; preocupada, ela não consegue prestar atenção na aula." Ou seja, dificuldade com as disciplinas na escola pode ser, na verdade, resultado de uma angústia com as contas da casa ou com brigas entre os pais.
Mas o psicanalista ressalta ser importante que os pais ajustem suas expectativas em relação ao tratamento e ao resultado.
"Muitos pais procuram analistas com a expectativa de ajudar o filho a passar de ano, a melhorar a dificuldade em uma matéria. Mas não é isso que a psicanálise faz", diz Almeida.
"Essas queixas de aprendizagem estão muito relacionadas às questões emocionais. Na clínica, lidamos com o inconsciente, as emoções, conflitos internos e angústias dessa criança. Indiretamente, o tratamento surte um efeito sobre a atividade cognitiva, mas esse não é o propósito."
Belinda Mandelbaum, professora titular do Departamento de Psicologia Social da USP, aponta que toda situação de crise tem profundo impacto na vida das crianças.
O motivo do problema podem ser questões internas na dinâmica da família ou fatores externos, como desemprego, separação, doença ou morte.
As crianças têm um vínculo de dependência dos pais, ficam atentas às emoções deles e sentem o sofrimento da situação. Ela recomenda que os cuidadores fiquem atentos a isso.
"É muito importante conversar com a criança sobre o que está acontecendo, na linguagem e na medida das possibilidades de entendimento dela", diz a psicanalista, que é autora de Trabalhos com famílias em psicologia social e Desemprego: uma abordagem psicossocial (ambos pela editora Blucher).
"Para transmitir que a situação está sendo cuidada, que os pais estão atentos a ela. O silenciamento é sempre pior."
Especialista destaca que é fundamental envolver a família no tratamento
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Sofrimento 'herdado' dos pais
A angústia de uma criança pode refletir um conflito que, na verdade, pertence à história de vida dos pais.
Em seus atendimentos e nas pesquisas sobre os vínculos, Mandelbaum nota que muitas vezes a família leva uma criança ou adolescente ao tratamento com a ideia de que o profissional vai resolver o problema da criança, sem levar em consideração a participação psicológica dos pais, dos cuidadores ou dos familiares na origem e em como os sintomas aparecem.
Os pais dizem que estão bem, sem problemas; é a criança que está se comportando mal.
"Muitas vezes, a criança começar a melhorar, a se libertar de um certo sintoma, e os pais tiram da terapia. É como se a família precisasse da criança naquele lugar, de portadora do sintoma, da doença, do que não vai bem", diz a psicanalista.
Por isso, é fundamental envolver a família no tratamento. "Enquanto de alguma maneira os pais não cuidarem de seus próprios conflitos, da sua própria história infantil, sua relação com os próprios pais, a criança não vai poder ser libertada desse lugar de portadora de um sintoma", destaca Mandelbaum.
"É como se os pais transferissem para a criança isso que nunca puderam elaborar."
No acompanhamento com os pais, a psicanalista Rosa Maria Marini, doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento pela USP, trabalha a importância de eles sustentarem a difícil posição de ser uma figura de autoridade.
"Uso o seguinte exemplo: os pais não querem que o filho coma pipoca depois da aula no pipoqueiro em frente à escola. Eles então pedem que a escola proíba a venda da pipoca, porque eles não conseguem proibir seu filho de comer", diz Marini, que é organizadora dos livros Gênero e sexualidade na infância e adolescência: reflexões psicanalíticas e A vivência da morte e do luto na infância e adolescência (ambos pela editora Ágalma)
Segundo ela, as principais questões que trazem as crianças ao consultório são as dificuldades com a lei e as regras, indicando tanto uma fragilidade das crianças em renunciar ao prazer para se submeter às exigências da vida (realidade), quanto uma dificuldade de seus adultos cuidadores (pais e escola) em sustentar a autoridade.
Ela lembra o quanto é difícil para uma criança parar de executar uma tarefa prazerosa para executar uma atividade necessária, como fazer a lição, arrumar o quarto ou parar de brincar.
Terapeuta convida os pais a revisitarem a própria infância
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De acordo com Marini, é preciso sinalizar para os pais que o legado mais importante que eles transmitem ao filho é a interdição, pois só assim essa criança se tornará capaz de enfrentar os "nãos" que vai receber ao longo da vida.
Durante o tratamento dos filhos, ela diz que convida os pais a revisitarem a própria infância para poderem retomar como era exercida a autoridade sobre eles enquanto crianças.
"Quando filhos se tornam pais, eles reatualizam sua experiência de infância, mas em uma outra posição", diz Marini.
"Esta outra posição carrega muitas questões, como 'vou ser o pai que não tive', 'vou ter um filho que não fui'… Resgatar a autoridade das gerações anteriores não significa reproduzi-las, mas, sim, reconduzi-la como elemento essencial do ato educativo ao longo das gerações."
'Preferir as telas ao convívio com os humanos terá como consequência a profunda dificuldade em viver em sociedade', adverte psicanalista
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Os desafios da era das telas e das redes sociais
Para Marini, o exercício da autoridade dos pais é decisivo em uma queixa bastante familiar: o uso excessivo de telas. Cabe aos pais definir o tempo de contato com elas.
A psicanalista faz a ressalva de que o uso das telas, em si, não deve ser um algoz, mas diz que elas estão aprisionando e desamparando quem as usa, seja uma criança, adolescente ou adulto, em vez de viver a vida que há fora delas.
"Preferir as telas ao convívio com os humanos terá como consequência a profunda dificuldade em viver em sociedade e de se submeter às experiências típicas da realidade não virtual, tais como frustração e renúncia ao prazer", ela adverte.
Com a digitalização da vida e a internet, a relação com o tempo ficou complicada inclusive para os adultos. No caso das crianças, essas consequências aparecem, por exemplo, na aprendizagem e na socialização, que se tornam ainda mais desafiadoras.
"O tempo hoje é simultâneo, fazendo com que a criança não consiga viver experiências de espera, renúncia, paciência", destaca Marini.
"O espaço se sobrepõe ao tempo, onde passado, presente e futuro se amalgamam em um bloco que impede os tempos necessários de ver, compreender e concluir um acontecimento vivido. A criança, assim, sofre, pois não tem consistência psíquica para suportar tais experiências."
As crianças estão atentas às contradições e tropeços dos pais
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Um tempo que sofre alteração expressiva é o da infância, que começa a se precipitar no mundo adulto, isto é, elimina-se a fase em que as coisas podem não ser sérias, lamenta Adela Stoppel de Gueller, uma das autoras de Intoxicações eletrônicas: o sujeito na era das relações virtuais (editora Ágalma).
Não raro, crianças vivenciam problemas com autoimagem, ficam ansiosas com o fim do mundo e brigam por causa de política. "Hoje, as crianças têm que performar na escola de modo equivalente aos adultos no trabalho", diz Gueller.
"Ser levada 'a sério' é inicialmente sedutor para a criança, ela quer ser como os adultos. Mas um boletim escolar não pode ter o mesmo peso de um informe no escritório", prossegue.
"A infância deve poder preservar o tempo de perder tempo, do ócio, do inútil. Nossa fonte de criatividade se gesta nesse laboratório das brincadeiras sem sentido, com bobagens e que não têm utilidade nenhuma."
O que a criança vai ser quando crescer?
As identificações são fundamentais e formativas para as crianças, destaca Gueller. Elas prestam muito mais atenção nas escolhas, atos e preferências dos pais do que as coisas que eles dizem. Para elas, fazer é dizer. E ficam atentas às contradições, tropeços e falhas de saber dos pais.
As redes sociais participam significativamente do processo de identificação. "Elas são, hoje, a via privilegiada onde as crianças encontram heróis e heroínas, ídolos com quem se identificam ou tentam imitar. Em outro momento foi na televisão, na escola ou na vizinhança", pontua Gueller.
A psicanalista acrescenta que os personagens parecem estar mais próximos e acessíveis; muitas vezes, são semelhantes à criança, mas, de uma hora para outra, viram celebridades que não têm nenhum valor especial além de ser famosas e ganhar dinheiro, com nenhum talento particular.
O que esse sucesso comunica às crianças, que ainda estão aprendendo a se situar no mundo?
"Como a fama pode ser conquistada em um passe de mágica, tudo aquilo que comporta esforço, estudo ou treino fica desqualificado. Quer dizer que os ídolos podem não ter nenhuma qualidade particular", pontua Gueller.
Em se tratando da saúde mental das crianças, é tentador, para muitos, pensar que "a culpa é dos pais" ou "a culpa é da escola" ou "a culpa é da cultura".
Então, como um tratamento pode engajar uma criança de forma mais ativa, mesmo que o que a afete tenha relação com ações dos outros ao seu redor?
É preciso diferenciar culpa e responsabilidade, indica Marini, porque a culpa é sempre paralisante.
"Fora casos muito específicos e graves, os pais educam seus filhos sempre visando o melhor. Só que eles educam como eles podem, e não como os manuais querem. Nesse sentido, não há uma culpa."
O analista, ao trabalhar tanto com os pacientes quanto com seus pais, busca que eles reflitam de que modo se posicionam nas dificuldades das quais se queixam. No caso das crianças, elas podem falar disso, brincar sobre isso, desenhar isso.
"Mesmo que as dificuldades de uma criança sejam respostas a sintomas familiares ou parentais, ela levantou o dedinho para encarná-las, enunciá-las ou denunciá-las", diz Marini.
"Então, cabe a ela levantar mais uma vez o dedinho para se ocupar delas, naquilo que é possível."

Entenda por que cotas trans na Unicamp ampliam acesso sem comprometer ampla concorrência

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Reservas estarão no edital Enem-Unicamp, que já contempla ações afirmativas. Maioria deverá ser adicional, sem reduzir o total de lugares disponíveis, diz Comvest. Estudantes realizam a segunda fase do vestibular da Unicamp
Pedro Amatuzzi/g1
Com a proposta de ampliar o acesso ao ensino superior, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou, no início do mês, a criação de cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias no processo seletivo da graduação.
Ao g1, o diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), José Alves de Freitas Neto, tirou as principais dúvidas sobre a medida e garantiu: as vagas de ampla concorrência não serão afetadas.
⬇️ Veja abaixo o que muda — e o que não muda — no sistema de ingresso na Unicamp após a decisão.
As cotas trans tiram vagas da ampla concorrência?
Não. Segundo José Alves, as vagas específicas para pessoas trans estarão inseridas no edital Enem-Unicamp, que já é voltado para ações afirmativas, como as cotas para estudantes de escolas públicas e para candidatos pretos e pardos.
Por isso, a ampla concorrência — que reúne candidatos de escolas públicas e privadas no vestibular tradicional da universidade — não será prejudicada.
"Temos ainda a expectativa de que a maior parte das vagas venham a ser oferecidas como vagas adicionais. Por isso que nós estamos falando que as vagas não são retiradas da ampla concorrência", frisou.
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Direito na Unicamp? Conselho aprova processo para criação de 4 novos cursos
Como as fraudes serão combatidas?
O processo de seleção prevê que os candidatos façam uma autodeclaração no momento da inscrição. Depois, deverão enviar um relato de vida, onde vão descrever a trajetória de transição e o processo de afirmação da identidade de gênero.
Esse relato de vida será avaliado por uma comissão que deverá ser composta por, no mínimo, uma pessoa trans, travesti ou não-binária.
Freitas explicou que a universidade não vai analisar a qualidade do relato, mas poderá usá-lo caso haja necessidade de apuração de fraude. “Se o documento for falso, permite cancelar a matrícula”, afirmou.
G1 Explica: transição de gênero
O que acontece se a vaga não for preenchida?
A nova política de cotas aprovada pela universidade prevê a reserva de pelo menos uma vaga em turmas com até 30 estudantes, e no mínimo duas para cursos com mais de 30 vagas.
Segundo dados da Comvest, no Vestibular 2025 da Unicamp, houve 279 candidatos inscritos com nome social. Destes, 40 foram convocados. Os cursos mais procurados foram artes visuais, ciências biológicas e medicina.
Caso não haja candidatos trans aptos para determinada vaga, ela será redistribuída, explicou o diretor. Se for uma vaga adicional, não há obrigação de preenchê-la. Se for uma vaga regular, ela vai automaticamente para a ampla concorrência.
"Há vagas que muitas vezes não serão preenchidas porque não há o perfil. Hoje, por exemplo, no vestibular, algumas carreiras como engenharia civil não tinham nenhuma pessoa trans concorrendo a esse curso", relatou.
Por que criar cotas para pessoas trans?
Ainda de acordo com o diretor da Comvest, a iniciativa busca responder à sub-representação de pessoas trans na universidade, além de estar em sintonia com as políticas de direitos humanos da Unicamp.
Em setembro de 2024, o Conselho Universitário da Unicamp (Consu) já havia aprovado as cotas para pessoas com deficiência (PCDs) nos cursos de graduação para ingresso utilizando a nota do Enem.
"A universidade dá um passo a mais em relação ao seu compromisso com a inclusão e com o compromisso de ter uma universidade plural, diversa e socialmente referenciada", destacou.
Comemoração após a aprovação da proposta de cotas trans na Unicamp
Antonio Scarpinetti/Unicamp
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
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Fórmula do banho perfeito: Trump aprovaria os chuveiros brasileiros mais comuns?

Fórmula do banho perfeito: Trump aprovaria os chuveiros brasileiros mais comuns?
Presidente dos Estados Unidos derrubou norma que limitava o fluxo de água nos chuveiros no país — segundo ele, estava difícil de lavar seus 'belos cabelos'. Entenda os conceitos de vazão e de pressão (e compare tudo com a realidade do Brasil). Fórmula do banho perfeito: Trump aprovaria os chuveiros brasileiros mais comuns?
É a "Guerra dos Chuveiros": o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava insatisfeito com a regra nacional que, com o objetivo de poupar recursos naturais, limitava o fluxo de água na hora do banho. "Gosto de lavar meus lindos cabelos", disse ele, ao determinar, nesta quinta-feira (10), o fim da norma.
🚿O que dizia essa diretriz? Implementada pelos democratas Barack Obama e Joe Biden, ela estabelecia que os aparelhos deveriam ter uma vazão máxima de 9,5 litros por minuto. Dessa forma, seria possível economizar água e energia elétrica (usada no aquecimento).
“Tenho de ficar debaixo do chuveiro por 15 minutos até conseguir me molhar. Sai gota por gota. É ridículo", afirmou Trump.
Assista ao vídeo no início da reportagem e entenda:
o que significam os conceitos de vazão e de pressão envolvidos na tal "guerra" (e ensinados na escola);
a relação de vazão com "qualidade" do banho;
a diferença dos nossos chuveiros para os dos americanos (será que Trump aprovaria tomar uma ducha no Brasil?🧐).
Bruna Barroso Gomes, professora de física da fundação Poli Saber, já dá um spoiler para quem não viu o vídeo do g1 ainda:
"Existem tecnologias que aumentam a pressão da água, mesmo limitando a vazão do chuveiro", diz. "A decisão de Trump não faz sentido."
Leonardo Zani Castello, professor do Curso Anglo, também reforça que a decisão do republicano pode trazer impactos ambientais desnecessários.
"Bastaria elevar a pressão, sem mexer na vazão: é só aumentar a altura do reservatório em relação ao chuveiro ou usar pressurizadores. São duas formas de trazer mais conforto no banho", explica.
Veja os detalhes no vídeo do início da matéria.
Donald Trump antes de embarcar no Air Force One em um dia com muito vento, nos Estados Unidos, em abril de 2018
REUTERS/Kevin Lamarque
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