#NÃO É BEM ASSIM: Professor irlandês não perdeu salário por recusar uso de pronome neutro, mas por descumprir ordem judicial

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump
Publicações nas redes alegam que Enoch Burke deixou de receber salário porque não usou pronome neutro com aluno transgênero. Na verdade, ele recebeu multa depois de voltar à escola em que lecionava mesmo após ordem de restrição. #NÃO É BEM ASSIM: professor irlandês não perdeu salário por recusar uso de pronome neutro, mas por descumprir ordem judicial
Reprodução
Circulam nas redes sociais publicações alegando que o professor irlandês Enoch Buch perdeu seu salário após ter se recusado a usar o pronome neutro para se referir a um estudante transgênero. #NÃO É BEM ASSIM.
selo não é bem assim
arte
🛑 Como são as publicações?
Os posts vêm circulando com mais frequência desde março. Uma das publicações diz:"Enoch Burke, um professor irlandês, vai ser privado do seu salário depois de se ter recusado a utilizar os pronomes na moda para um aluno ‘transgénero’. Burke já passou 500 dias na prisão, e os tribunais irlandeses estão agora a castigá-lo ainda mais”.
▶️ Veja a cronologia do caso
Em junho de 2022, o professor Enoch Burke se negou a se referir a um aluno em transição de gênero pelo pronome neutro e pelo novo nome, mesmo após ter recebido essa orientação da direção da escola na qual lecionava, o Hospital Escola Wilson, na Irlanda. A recusa ocorreu durante um evento público da instituição, no qual ele confrontou veementemente o diretor. Burke nega que, na ocasião, tenha adotado tom agressivo. Também afirmou que a fé cristã o motivou a descumprir a orientação escolar. A escola o suspendeu em 22 de agosto de 2022 e o colocou em licença administrativa, com salário garantido durante a apuração do caso.
No entanto, mesmo após a suspensão, o professor continuou voltando ao colégio. Por conta disso, após um pedido da instituição, a Justiça o proibiu de retornar ao local ou de dar aulas. Burke não seguiu essa determinação e, em 5 de setembro 2022, acabou preso pela primeira vez por ter descumprido repetidamente a decisão do tribunal. Ele foi liberado em dezembro daquele ano, mas voltou a ser detido em outras duas ocasiões.
O caso foi amplamente noticiado por diversos veículos da imprensa internacional, como a emissora britânica BBC e o jornal irlandês "The Irish Times". Segundo essa publicação, Burke ficou um total de 512 dias preso e, quando foi solto pela última vez, em dezembro de 2024, continuou indo até a escola. Nessa época, a demissão dele já havia sido formalizada, o que ocorreu em 19 de janeiro de 2023.
⚠️ Por que não é bem assim?
De acordo com o jornal "The Irish Times", em abril de 2025, o Tribunal Superior local apreendeu mais de 40 mil euros das contas bancárias de Burke para saldar parte das multas acumuladas pelo descumprimento da ordem da Justiça — o valor total devido é de 79,1 mil euros.
Essa cobrança, portanto, não decorre diretamente da recusa do professor em chamar o aluno da maneira que havia sido orientado. A penalização se deve ao fato de ele ter infringido, seguidas vezes, uma ordem judicial de afastamento relacionada ao caso.
#NÃO É BEM ASSIM: professor irlandês não perdeu salário por recusar uso de pronome neutro, mas por descumprir ordem judicial
Reprodução
Veja também
É #FATO vídeo que mostra cachorro escondendo pintinho na boca
É #FATO vídeo que mostra cachorro escondendo pintinho na boca
VÍDEOS: Fato ou Fake explica
VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE
VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE
Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito.

Grupo ‘Matadores’ no Instagram: a história por trás de ataque de adolescentes a faca contra professora

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump
A BBC News Brasil viajou até a cidade gaúcha, conversou com 15 pessoas envolvidas no caso e teve acesso a documentos sigilosos da investigação para reconstituir o ataque e seus antecedentes. A BBC News Brasil viajou até a cidade gaúcha para reconstituir o ataque à escola e seus antecedentes
Rute Pina/BBC
Thiago, João e Camila se encontraram na parada de ônibus não muito longe da escola onde estudavam. A tarde de 1º de abril, uma terça-feira, estava abafada em Caxias do Sul, mas sem chuva, e eles tinham uma tarefa a cumprir antes do sinal de entrada, às 13h30, na Escola Municipal João de Zorzi.
Perto do ponto às margens da avenida, entre edificações e áreas de mata, Thiago, de 15 anos, mostrou as quatro facas que havia trazido de casa e estavam na mochila. João, de 14, também havia levado uma. Os dois dividiram as armas entre si e entregaram uma a Camila, de 13.
O trio entrou pelo portão da escola, sem levantar suspeitas. Chegaram a exibir discretamente as facas a alguns colegas.
"Eles falaram que iam matar a professora, mas a gente achou que era brincadeira", relatou um estudante à BBC News Brasil.
No Brasil, violência escolar mais do que triplica em 10 anos; discursos de ódio impulsionam aumento
Casos de violência escolar mais do que triplicam em 10 anos no Brasil
De fato, era dia da mentira, mas os planos dos adolescentes, que tiveram seus nomes trocados para proteger suas identidades, eram reais e mudariam os rumos daquela tarde no bairro de Fátima Baixo.
Na 71, uma das salas do sétimo ano, Thiago, João e Camila atacaram a professora de inglês pelas costas com uma sequência brutal de golpes, seguindo o que havia sido planejado pelo trio em um grupo no Instagram dias antes.
A aula da professora Luana (seu nome também foi alterado) havia começado um pouco antes. Um dos alunos já havia desligado a câmera da sala de aula da tomada e guardado na mochila. Outro foi, então, fechar a porta.
"Deixa aberta, que tá muito calor aqui dentro", teria dito a professora de 34 anos enquanto distribuía os livros didáticos, segundo um relato feito à reportagem.
Ao chegar à frente de sua mesa, ela recebeu o primeiro golpe de João.
Em seguida, Thiago desferiu mais golpes, mesmo após Luana cair no chão. Ele deixaram ao menos 13 ferimentos a faca em Luana, de acordo com o laudo pericial.
Thiago havia entregue uma das facas a Camila, segundo seu depoimento à polícia, mas, no último minuto, ela não participou diretamente do ataque.
Entre gritos, choro e desespero, os alunos da turma 71 saíram correndo.
"Mataram a profe", gritavam.
"Eu queria ajudar a professora, mas eles estavam em cima dela. Ficou essa cena da professora jogada no chão, cheia de sangue e pedindo socorro", disse uma testemunha em entrevista à reportagem.
"A gente não pôde fazer nada. Eles podiam ameaçar a gente ou fazer coisa pior", seguiu o estudante, que pediu para ter sua identidade preservada.
O vice-diretor da escola, Gabriel Jean Boff, estava em frente a um dos portões. No meio da confusão, ouviu pessoas gritando que "estavam matando gente".
Boff diz ter visto o pavor nos rostos dos adolescentes e entendido que não era uma brincadeira. Foi quando abriu os portões com as barras antipânico e orientou os alunos a saírem.
Outro grupo correu para salvar a professora de inglês, que caiu ferida entre as carteiras com tampo de madeira pintados de branco. Gritaram por socorro na Unidade Básica de Saúde (UBS) que fica colada na escola, e receberam ajuda de uma enfermeira.
"Foi uma série de golpes que mostra ódio e raiva nos adolescentes que estavam praticando esse ato, o que para nós é incompreensível e que acabou lesionando ela em diversas partes do corpo", diz Leonel Ferreira, advogado da professora, que sobreviveu e está afastada da função por tempo indeterminado.
"Acho importante destacar a ausência de qualquer ameaça anterior, qualquer aviso ou qualquer informação de que pudesse acontecer alguma coisa. E mais do que isso, não houve com a professora nenhum tipo de conflito prévio", completa Ferreira.
Por que o ataque? O que levou ao crime com 13 facadas na João de Zorzi? O que poderia ter sido feito para evitar a tragédia?
Desde 1º de abril, são essas algumas das perguntas em Caxias do Sul, a 125 km de Porto Alegre. As autoridades policiais, administradores da escola, mas também as famílias, os alunos, os professores dentro e fora da unidade estão em busca de respostas.
A BBC News Brasil viajou até a cidade gaúcha, conversou com 15 pessoas envolvidas no caso e teve acesso a documentos sigilosos da investigação para reconstituir o ataque e seus antecedentes.
A tragédia faz parte de um panorama sombrio de outros 42 casos de ataques que aconteceram em instituições de ensino brasileira desde 2001, segundo relatório de pesquisadoras da Unicamp obtido com exclusividade pela reportagem. Há uma escalada: mais da metade deles ocorreu nos últimos três anos.
A Polícia Civil acaba de encerrar o inquérito do crime da escola de Caxias. Thiago, João e Camila, acusados pelos ataques, seguem privados de liberdade e aguardam julgamento.
Os investigadores não descartam que o rompante violento tenha ligação com grupos externos que incentivam radicalização e ataques de jovens a escolas, mas nada neste sentido foi encontrado ainda. Essa ligação vai ser investigada mais a fundo de agora em diante.
"Não existe conduta que justifique estar uma situação assim, mas poderia ser uma pontinha de um iceberg", diz Aline Martinelli, delegada do caso.
'Vamos matar quantos?' 'Quem tiver na frente'
No caos instalado após o ataque, Thiago e João conseguiram fugir para uma área de mata em frente à escola. A mochila com as facas usadas contra Luana foi jogada no local. Camila ficou na João de Zorzi — e seu pai a buscou horas depois.
Os dois rapazes ficaram na mata por quatro horas, até serem encontrados pelas buscas da Guarda Municipal, Brigada Militar e Polícia Civil.
Já em custódia das autoridades, João falou pela primeira vez: disse ter atacado a professora porque ficou "estressado" por ela chamá-lo de "sem futuro".
Na mesma noite do 1º de abril, o Ministério Público estadual ofereceu uma representação à Justiça, que determinou a internação dos adolescentes.
Thiago e João estão na Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase) de São Leopoldo, a 95 km de Caxias. Apreendida depois, Camila está na unidade de Porto Alegre, onde fica a única ala feminina para jovens infratoras do Estado.
Foi nos depoimentos à polícia que começaram a se delinear os últimos dias na escola antes do crime. Como o que havia começado como uma indisciplina típica de adolescentes havia se tornado barbárie.
Cinco dias antes, na quinta-feira, 27 de março, João, Thiago e Camila estavam entre os sete alunos da Turma 71 que foram até a Unidade Básica de Saúde que fica ao lado do colégio.
No postinho, pegaram alguns preservativos de distribuição gratuita, levaram para sala de aula e encheram de ar como se fossem bexigas. A bagunça teve uma consequência esperada na vida escolar: os estudantes foram repreendidos e levados à diretoria.
Na manhã seguinte, o diretor da escola, Jeferson Carvalho, decidiu que os pais dos envolvidos deveriam ser chamados para uma reunião na próxima semana. Afinal, não era a primeira vez que os alunos da Turma 71 tinham problemas disciplinares.
Foi naquele mesmo dia, no refeitório da escola, que o destino de Thiago, João, e Camila começou a mudar. Os três repreendidos no incidente das camisinhas começaram a planejar abertamente uma vingança: o assassinato de professores.
"Vou botar fogo neste diretor", teria dito um deles, segundo relato de uma testemunha à BBC News Brasil.
Os estudantes convidaram outros colegas a participar do plano, segundo relatos feitos à reportagem e à investigação policial. A confabulação levou à criação de um grupo chamado "Matadores" no Instagram.
Durante o fim de semana seguinte, foi no grupo que eles orquestraram o ataque, como mostram os registros do inquérito policial ao qual a BBC News Brasil teve acesso.
Nas mensagens, Thiago e João detalham o plano: que armas levariam, como fugiram e até o que comeriam durante a fuga.
"Vamos matar quantos?", perguntou João.
"Quem tiver na frente", respondeu Thiago.
Na véspera, Thiago detalhou: "Nois vai entrar pra sala e daí primeiro período vai ser com a sora [professora] de inglês. Daí como ela é surtada, eu vou em direção a câmera da sala e tiro a câmera".
"Daí nisso tu e a Camila vão em direção a ela dando facadas e daí chego", disse. "Daí nois manda a turma ficar em silêncio porque se não vão morre td [todo mundo]", seguiu.
"Vou virar um serial killer tô nem aí", afirmou Thiago.
"Eu tbm kkk", concordou João.
No Instagram, Thiago publicou em seu perfil aberto, no dia 30 de abril, duas fotos em uma mesma postagem. Na primeira, ele aparecia encapuzado. Na segunda, segurando uma faca. Na legenda, emojis de um ninja e uma gota de sangue.
'Eu disse para ele: 'Pô, cara, pensa no teu futuro''
A maioria dos 32 estudantes da Turma 71 está junta desde o primeiro ano do ensino fundamental. Atravessaram a pandemia entre aulas remotas e retomadas e estavam juntos durante as maiores mudanças da vida da escola João de Zorzi, que passou por uma reforma.
Em fevereiro, iniciaram o ano letivo com a presença do prefeito da cidade, Adiló Didomenico (PSDB), para marcar a volta ao prédio localizado no bairro Fátima Baixo, região periférica de Caxias.
Com cerca de 300 alunos, a escola tem um bloco administrativo, com sala dos professores e direção, e outro de salas de aula. Após a reforma, o prédio está bem cuidado, com paredes externas azuis e duas quadras esportivas pintadas da cor terracota.
A sala da 71 fica no final do corredor do segundo bloco. Era uma turma que se dava muito bem, diz o diretor da escola Jeferson Carvalho
"É uma turma que tinha problemas pedagógicos, como qualquer outra. De fazer brincadeiras, tacar bolinhas. Mas nunca havia tido sequer uma briga entre eles na sala de aula ou na escola", afirma Carvalho.
Mas a algazarra em sala fazia com que esse fosse um grupo difícil de trabalhar, relata uma professora que já deu aula ao grupo no passado e pediu anonimato à reportagem.
"Eram adolescentes bem indisciplinados e muito unidos, mas nada que uma conversa não resolvesse", diz ela.
"Para garantir tua aula, tu tinhas que tomar algumas posturas. Por exemplo, convidar alguns para se retirar era de praxe. Até era algo combinado com a própria direção para garantir a aprendizagem dos que queriam estudar."
Thiago e João já haviam repetido o 7º ano duas vezes. Em casa, eram tranquilos, nunca apresentaram comportamentos violentos, segundo disseram seus familiares à Polícia Civil.
A mãe de Thiago afirmou que o filho obedecia às suas orientações, apesar de já ter acumulado reclamações na escola por conversar demais em sala.
Já os pais de João afirmaram que o filho frequentava a igreja e nunca havia dado sinais de agressividade. O menino costumava passar horas trancado no quarto, jogando no celular, e evitava mostrar o que fazia no aparelho.
As duas famílias também relataram em depoimento desconhecer qualquer plano violento dos adolescentes. A BBC News Brasil entrou em contato com os responsáveis por Thiago, João e Camila, mas eles ou não responderam ou se negaram a conversar com a reportagem.
Na véspera do ataque, na segunda-feira, 31 de março, a pedido do diretor, todos os responsáveis pelos envolvidos na bagunça com balões de camisinha na Turma 71 deveriam ir à escola acompanhados dos filhos.
Quatro responsáveis dos sete estudantes advertidos compareceram, com exceção das famílias de João e Camila.
"Eu disse que precisava da ajuda deles. Falamos com os pais e com os alunos que a gente precisava que eles tivessem consciência de que tais brincadeiras não eram aceitáveis numa sala de aula, em uma escola. Eles acolheram essas demandas", diz o diretor da escola.
Escola passou recentemente por uma reforma; alunos voltaram ao prédio no final do ano letivo de 2024
Rutte Pina/BBC
Às 17h35, já bastante atrasado e quase no fim do turno, Thiago chegou com a mãe à escola. Foi recebido pelo diretor.
"Eu disse para ele: 'Pô, cara, você já está há dois anos em defasagem de aprendizagem, repetindo a mesma série. Quem sabe agora tu dá uma baixada na cabeça, pensa no teu futuro. Pensa nas coisas que tu pode adquirir'", lembra Carvalho.
"E a mãe dele sempre dizia que ele não queria nada com nada. E eu disse que ele tinha que ter consciência de que estava crescendo, que precisava se desenvolver e buscar um trabalho digno."
Naquele mesmo dia, segundo uma testemunha que conversou com a reportagem, foi publicado um aviso em um grupo no Instagram, com vários estudantes da escola: "Amanhã se preparem".
À polícia, João disse que o plano inicial era atacar o diretor, como vingança por convocar os pais para a reunião. Mais tarde, o trio decidiu que esfaqueariam "o primeiro professor que aparecesse".
'Não se descarta o vínculo com grupos extremistas'
Luana dá aulas de inglês há 18 anos, 5 deles na rede municipal de Caxias do Sul. A escola onde foi atacada não é onde ensina regularmente. Ela complementava sua jornada de trabalho na João de Zorzi com somente uma hora por semana — justamente a hora escolhida para o ataque.
A professora contou, em depoimento, que pensou que um aluno havia pegado o livro distribuído por ela pouco antes e batido com ele em sua cabeça, até perceber que os golpes se repetiam e que estava sangrando.
Gritou por ajuda. Depois de socorrida pela enfermeira da UBS, foi levada a um hospital privado e recebeu alta no dia seguinte.
Desde então, Luana é acompanhada diariamente por uma equipe de enfermagem em casa, além de receber apoio psicológico bancado pela Prefeitura.
"Parte desses atos são irremediáveis. Vão ficar marcas para sempre", diz o advogado da professora, Leonel Ferreira.
Ele diz que não houve nenhuma ameaça ou conflito prévio entre Luana e os estudantes e repete que, para eles, é um ato "incompreensível".
Também para a polícia, a motivação do crime ainda não está clara. A delegada Aline Martinelli, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e responsável pelo caso, diz que a primeira linha investigatória aponta para uma revolta contra professores e a direção da escola.
"Não descartamos que haja ramificações paralelas. Agora vamos entrar em um segundo momento investigatório para entender se existiam outras pessoas e outras formas de crime."
Segundo a delegada, já havia conflitos anteriores entre os autores e outros estudantes, "o que não justificaria o ato, mas pode ser uma ponta de iceberg".
A delegada Aline Martinelli diz que ataque poderia estar ligado à revolta de adolescentes contra professores e direção da escola
Rute Pina/BBC
Ela destaca que o ataque poderia ter ocorrido um dia antes. "Poderia ter acontecido na segunda-feira, que seriam outros professores, e só não aconteceu porque um dos apreendidos não foi à aula."
A Polícia Civil obteve os celulares dos adolescentes e identificou o grupo no Instagram, usado para planejar o ataque, e mensagens de ódio, que também eram direcionadas a outros alunos.
"Não se descarta, num primeiro momento, o vínculo com grupos extremistas", diz o promotor de Justiça Adrio Gelatti, que atua no caso, frisando a facilidade de contato entre os adolescentes e os criminosos na internet.
"Em todos os casos de violência extrema em escolas, existe a possibilidade de ter havido incentivo externo, de ideação, de planejamento, de execução. Por isso, em nenhum caso se descarta a conexão com estes grupos."
O promotor acompanha de perto e cita o trabalho do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem) da Unicamp, que monitora violência extremista nas escolas e vem mostrando uma escalada no número de incidentes de 2021 para cá.
"O aumento é expressivo", diz Gelatti.
Para as pesquisadoras do Gepem, Telma Vinha e Cléo Garcia, o ataque na João de Zorzi sem dúvida integra as estatísticas que elas acompanham e não deveria ser considerado um caso isolado.
"São múltiplos os fatores para essa alta do número de ataques", diz Garcia. "Os autores estão submersos contexto familiar, cultural e psicossocial que a maioria não fica sabendo. Alguns deles podem ter transtornos não diagnosticados ou negligenciados."
Um estudo atualizado do grupo da Unicamp, obtido com exclusividade pela BBC News Brasil, mostra que ao menos 42 ataques ocorreram entre 2001 e 2024 — mais da metade deles concentrados entre 2022 e 2024.
O levantamento mostra que, entre 2001 e o fim do ano passado, 44 pessoas foram mortas em ataques a escolas no Brasil. Outras 113 ficaram feridas. Mais da metade dos ataques no país foi executada com facas, machados ou coquetéis molotov.
Segundo pesquisa de Vinha e Garcia, os autores são, em sua maioria, adolescentes do sexo masculino, com menos de 18 anos, que estavam matriculados na escola no momento do ataque ou haviam abandonado os estudos. Em comum, apresentam um histórico de sofrimento escolar, isolamento social e vínculos familiares frágeis.
O relatório mostra ainda que 27 dos 38 ataques cometidos desde 2011 foram planejados ou motivados em ambientes digitais. Plataformas como Instagram ou Discord, fóruns online, chats de jogos e aplicativos de mensagens se tornaram espaços de radicalização e difusão de discursos de ódio.
"Os adolescentes não necessariamente precisam estar envolvidos em grupos radiciais. Os discursos de ódio não atingem só as pessoas que estão nestes grupos. Já está no dia a dia. Esses meninos estão expostos em redes sociais e aos algoritmos", argumenta Garcia.
A BBC News Brasil procurou o Instagram para saber se a plataforma monitora palavras que indiquem ameaças de violência e como atua diante de possíveis planejamentos de crimes. Até agora, a empresa não respondeu à reportagem.
Em depoimento às autoridades, os envolvidos no ataque à professora em Caxias negaram influência de jogos eletrônicos ou filmes em suas ações. O que se sabe até agora é que eles jogavam juntos Free Fire — um jogo de celular em que os participantes travam batalhas online que envolve procurar armas e munição — e trocavam mensagens no chat do programa.
'Ela está revivendo isso todos os dias'
No dia seguinte ao ataque à escola João de Zorzi, as escolas municipais de Caxias do Sul ficaram vazias. A Prefeitura suspendeu as aulas da rede. Já os professores, comovidos com o episódio, saíram às ruas em solidariedade à colega, então hospitalizada.
O ato reuniu dezenas de educadores, vestidos de preto, em frente à Prefeitura da cidade. "Estamos desassistidos, exigimos respeito", lia-se em um dos cartazes na manifestação. "A violência não é acaso, é descaso."
Entre as reivindicações dos educadores, estavam o aumento da presença da Guarda Municipal (GM) e melhorias físicas nos prédios escolares, além de apoio psicológico contínuo, ações de prevenção à violência e valorização profissional.
Com 82 escolas de ensino fundamental geridas pela prefeitura e cerca de 47 mil alunos, apenas duas rondas escolares da GM fazem a patrulha das escolas — até mesmo das escolas rurais, que chegam a estar a 60 km de distância do Centro.
Questionada pela reportagem, a secretária municipal de Educação, Marta Fattori, afirmou à BBC News Brasil que o patrulhamento foi reforçado na João Zorzi e em outras unidades da região. Portões com campainha e botão de pânico também estão entre as medidas discutidas, e o colégio onde ocorreu o ataque já recebeu estes ajustes.
Na esteira da comoção, a Câmara Municipal de Caxias aprovou uma moção de apoio à proposta de mudar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e reduzir a maioridade penal, de 18 para 16 anos, que tramita no Congresso Nacional — um projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A moção obteve o apoio do prefeito de Caxias.
Pelo ECA, menores de 18 anos são penalmente inimputáveis — ou seja, considerados incapazes de responder pelos delitos como adultos. A medida mais grave da qual podem ser alvo, e que também deve ter caráter educativo, é a internação (privação de liberdade), que pode durar de seis meses a três anos, dependendo da gravidade da situação e da recuperação dos adolescentes.
Mesmo se a mudança no ECA fosse aprovada, no entanto, ela não poderia ser aplicada aos alunos da João de Zorzi, que têm idades entre 13 a 15 anos.
Uma mudança assim tampouco está entre os desejos de Luana, a professora que recebeu as facadas.
"Queremos a responsabilização desses adolescentes na forma como está prevista no ECA, nada mais e nada menos", afirma o advogado da vítima.
Para uma professora que deu aula para a Turma 71, a discussão desvia o foco, que deveria ser mais apoio especializado para professores, escola e adolescentes. "A gente se sente muito abandonado", desabafa ela que, por medo de represálias, pediu anonimato.
"Hoje a gente faz tudo: é assistente social, psicóloga, mãe", prossegue.
"Precisamos de professores motivados e valorizados. Precisamos de escuta acolhedora para o aluno. Talvez assim ele não vá surtar e chegar a esse ponto de querer esfaquear um professor."
O processo de apuração do ataque a escola de Caxias do Sul deve ser encerrado em até 45 dias, com o julgamento ou não dos adolescentes apreendidos por uma vara da Justiça dedicada à infância e à adolescência.
Além das medidas direcionadas aos autores do ataque, o advogado da professora também quer investigar a responsabilidade do município enquanto gestor da escola.
"Depois que as investigações de atos infracionais terminarem, vamos investir nessa investigação também em relação aos atos do município e buscar para ela uma justa reparação", disse o advogado.
"Não é um ato traumático que aconteceu naquela terça-feira e se encerrou. Ela está revivendo isso todos os dias. Esperamos que ela consiga melhorar para retomar a vida, mas hoje não temos sequer condições de afirmar que ela volte para uma sala de aula."
Foi pedido posicionamento ao Instagram sobre iniciativas de controle e contenção da disseminação de posts violentos através da plataforma. A BBC News Brasil não recebeu resposta da empresa até a publicação desta reportagem.

Veja as universidades americanas que estão na mira de Trump

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump
Instituições de renome estão com financiamento federal em risco após exigências do presidente americano. Na decisão mais recente, Harvard teve US$ 2,3 bilhões de recursos bloqueados. Veja as universidades na mira de Donald Trump
A Universidade Harvard se tornou a primeira grande universidade americana a descartar as exigências feitas pelo governo de Donald Trump sob ameaças de cortes no financiamento federal.
Até agora, sete universidades americanas foram alvo de cortes punitivos de financiamento ou receberam notificações de que os repasses estariam seriamente ameaçados. Veja a seguir.
Harvard
Trump congela repasse de US$ 2 bilhões para Harvard, uma das instituições de ensino de maior prestígio no mundo
Jornal Nacional/ Reprodução
A Universidade Harvard protagoniza o embate mais recente com o presidente Donald Trump. O Departamento de Educação anunciou o congelamento de cerca de US$ 2,3 bilhões em fundos federais para a instituição.
O anúncio vem depois que Harvard se negou a cumprir exigências da Casa Branca, incluindo o fechamento dos programas de diversidade, equidade e inclusão da universidade.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
As exigências, enviadas em uma carta, incluem reformas na administração, auditoria em alunos, professores e dirigentes, políticas de admissão e contratação “baseadas em mérito”, além da proibição do uso de máscaras — medida vista como direcionada a manifestantes pró-Palestina, já que o governo alega que os protestos contra a guerra na Faixa de Gaza, em 2024, foram movidos por antissemitismo.
Columbia
Estudantes realizam um protesto com abandono de aulas nos degraus da Low Library da Universidade Columbia
Reuters
A Universidade Columbia, em Nova York, epicentro dos protestos estudantis pró-Palestina, espera recuperar cerca de US$ 400 milhões em bolsas e contratos bloqueados pelo governo do republicano após ceder a várias exigências feitas pela Casa Branca.
Columbia, assim como Harvard, integra o grupo Ivy League — as universidades mais renomadas dos EUA — e é acusada de não combater o antissemitismo no campus.
O republicano ameaçou instituições de todo o país pela forma como lidaram com os protestos pró-Palestina no ano passado. O governo afirmou que o antissemitismo explodiu em meio aos protestos, o que manifestantes negam. Eles defendem que as críticas a Israel e à política externa dos EUA foram erroneamente confundidas com antissemitismo.
A instituição concordou com a maioria das exigências da administração de Trump, incluindo a proibição de máscaras faciais no campus, e deu autorização para agentes de segurança removerem ou prenderem indivíduos.
Columbia também concordou em tirar o Departamento de Estudos do Oriente Médio, Ásia e África de seu corpo docente, colocando-o sob um novo responsável.
Princeton
Universidade Princeton
Princeton University/Office of Communications
A Universidade Princeton já afirmou que "dezenas" de bolsas foram suspensas e corre o risco de perder o financiamento de US$ 210 milhões do governo federal.
O valor em bolsas de pesquisa foi congelado sob a acusação de antissemitismo no campus. Os valores seriam destinados a projetos federais vinculados ao Departamento de Energia, à NASA (Agência Espacial Americana) e ao Departamento de Defesa.
Além desse valor, o Departamento de Comércio americano também anunciou que Princeton perderia outros US$ 4 milhões em financiamento federal para programas de pesquisa climática.
Cornell e Northwestern
Foram congelados mais de US$ 1 bilhão para a Universidade Cornell e cerca de US$ 790 milhões para a Universidade Northwestern em financiamento federal pelo governo Trump.
De acordo com a Casa Branca, os valores foram congelados sob investigações de supostas violações de direitos civis nas instituições.
As duas universidades enfrentam investigações sobre alegações de antissemitismo e acusações de discriminação racial decorrentes dos esforços para promover a diversidade.
Brown
As universidades na mira de Donald Trump
Ian Caldas/GloboNews
No início do mês, o governo Trump afirmou que planeja congelar US$ 510 milhões em subsídios federais para a Universidade Brown enquanto analisa a resposta da instituição ao antissemitismo e seus esforços para eliminar as políticas de diversidade. A confirmação foi feita pela Casa Branca.
Como outras instituições da Ivy League, Brown foi palco de confrontos contra a guerra em Gaza. A universidade também foi uma das poucas a fazer acordos com os alunos para acabar com os acampamentos de protesto — acordos que foram criticados por serem muito brandos com os estudantes.
Brown foi uma das poucas universidades que divulgou uma declaração em resposta aos bloqueios, dizendo que não comprometeria a liberdade acadêmica.
Pennsylvania
O governo Trump suspendeu US$ 175 milhões em financiamento federal para a Universidade da Pensilvânia devido à inclusão de atletas transgêneros em esportes universitários femininos. O anúncio foi feito no mês passado pela Casa Branca em uma publicação na rede social X.
O post defende que a decisão foi baseada nas “políticas da Penn que forçam as mulheres a competir com os homens nos esportes”. A universidade permitia que Lia Thomas, uma mulher transgênero, fosse membro da equipe de natação feminina.
Em um comunicado, a instituição disse que estava em total conformidade com os regulamentos esportivos da universidade e de instituições pares da NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional) e da Ivy League sobre equidade nas competições femininas.
VÍDEOS: mais assistidos do g1

Não são só os ‘desafios’: outros vídeos do TikTok parecem inofensivos, mas provocam queimaduras em crianças

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump
Nos EUA e na Austrália, vídeos de receitas e de brincadeiras levaram a casos graves de internação infantil. Saiba como proteger seu filho desses acidentes. No último domingo (13), no Distrito Federal, Sarah Raissa, de 8 anos, morreu após inalar desodorante em spray, supostamente por influência de uma trend do TikTok. O episódio aumentou a preocupação de pais e mães em relação a esses “desafios” propostos às crianças nas redes sociais.
➡️São vídeos que estimulam o público a correr determinado perigo (e a filmar tudo): por exemplo, mastigar sabão, prender a respiração até perder a consciência, ingerir medicamentos sem água ou, como no caso de Sarah, aspirar aerossol.
🚨Mas, atenção: tragédias ocorridas principalmente nos Estados Unidos e na Austrália mostram que os pais devem supervisionar (ou proibir) o uso de redes sociais mesmo quando não há esses “desafios” envolvidos. Posts que aparentemente incentivam a autonomia da criança — como aqueles que ensinam receitas culinárias ou novas formas de brincar — levaram a casos de queimaduras severas, como você verá nesta reportagem.
“A gente percebe que as famílias estão desinformadas dos riscos que seus filhos correm no acesso às redes sociais", diz Adriana Brito, psicóloga com especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"Deixá-los navegar na internet sem fiscalização de um adulto deveria trazer a mesma preocupação que vê-los andando sozinhos na rua", afirma a especialista.
O g1 entrou em contato com o TikTok para saber detalhes sobre a política de proteção a crianças, mas não havia recebido resposta até a última atualização deste texto.
Brinquedo explode em criança
NeehDoh, brinquedo vendido no exterior, explode caso atinja altas temperaturas
Divulgação
Em março, no Missouri, nos Estados Unidos, Scarllet Selby, de 7 anos, entrou em coma depois que seu brinquedo explodiu.
➡️Uma trend do TikTok sugeria que as crianças colocassem o NeehDoh (uma bolinha ou um cubo antiestresse feito de borracha, com enchimento de álcool) no congelador e, logo em seguida, no micro-ondas. Em tese, isso deixaria o objeto mais maleável e divertido.
Em entrevista ao site americano “New York Post”, a mãe de Scarllet contou que, quando a menina foi verificar se o cubo já estava quente, o brinquedo colapsou. Uma gosma quente e grudenta atingiu o peito e o rosto da criança, que urrava de dor.
Segundo os pais, enxertos de pele só serão considerados alternativas para o tratamento após a paciente completar 12 anos — até lá, ela conviverá com as cicatrizes profundas causadas pela queimadura.
“As crianças não têm noção de perigo. Como vamos evitar que elas coloquem uma bolinha no micro-ondas? É preciso ter um adulto por perto o tempo inteiro, principalmente na cozinha”, afirma Brito, da UFRJ.
“É legal incentivar a independência, mas precisa haver responsabilidade. Se for fazer um bolo com o seu filho, fique ao lado para dar orientações e ajudar a colocar [a assadeira] no forno. Ter autonomia é importante, mas um adulto deve instruir determinadas etapas.”
Veja mais abaixo os cuidados necessários para evitar queimaduras na cozinha.
Receita de doce: outro exemplo de conteúdo que parece 'inofensivo'
Tanghulu é feito a partir de fruta imersa em calda quente de açúcar
Reprodução/Freepik
Desde o ano passado, médicos alertam que uma técnica viral para preparar “Tanghulu” (doce asiático em que frutas no espeto são mergulhadas em calda quente de açúcar) está levando à internação de crianças por queimadura.
Os posts ensinam qualquer pessoa a, com apenas dois ingredientes, criar uma sobremesa brilhante e colorida. O problema é que os vídeos orientam que o interessado aqueça o açúcar no micro-ondas, a pelo menos 150ºC — e essa não é uma temperatura segura para ser atingida dentro do aparelho.
Nos Estados Unidos, em apenas duas semanas, em agosto de 2024, a cirurgiã Colleen Ryan, do Shriners Children’s Boston, chegou a atender duas crianças com queimaduras graves provocadas pelo açúcar quente. Foram casos em que a calda “espirrou” e atingiu a pele dos pacientes.
Um mês depois, um depoimento ao blog “Tiny Hearts” trouxe mais um caso grave associado a essa receita. Em Queensland, na Austrália, a filha de Chloe* tentou fazer o “Tanghulu” sozinha.
“Eu estava no meu escritório, próxima à cozinha. Ouvi o micro-ondas e perguntei o que minha filha fazia — sem resposta. Fui até lá e pedi que tirasse a tigela do aparelho. Foi então que o fundo [do recipiente] explodiu, e a calda fervente voou por 1,5 metros, até o pé do meu filho de 7 anos, que estava passando por ali", contou a mãe.
Foram 4 semanas de tratamento intensivo, com 10 anestesias gerais para limpeza e enxertos de pele. Novas cirurgias não foram descartadas.
🆘O que fazer em caso de queimadura?
Simone Borges da Silveira, pediatra responsável pela emergência no Hospital Pequeno Príncipe (PR), dá as seguintes orientações:
Pré-adolescentes de 12-13 anos podem mexer no micro-ondas, mas com supervisão. Oriente seu filho a respeito dos materiais que não podem ser aquecidos no aparelho, como alumínio.
Se for fazer uma receita no fogão, ensine a criança ou o adolescente a sempre deixar o cabo da panela para “dentro”, evitando que alguém esbarre no objeto e provoque um acidente.
“Ferver água quente pode ser perigoso. Calda de brigadeiro também espirra. E não podemos nos esquecer do forno, que fica quente e à altura da criança”, explica Silveira.
Se a pessoa se queimar, coloque água gelada na parte do corpo afetada. Em áreas pequenas, como a mão, o ideal é deixá-las embaixo da torneira aberta. Em partes maiores, use uma toalha bastante umedecida e fique pressionando a pele.
Em seguida, procure um hospital para analisar a necessidade de curativo e de internação.
Jamais puxe o que estiver colado na pele na hora da queimadura. “Se tentar puxar, pode causar uma lesão”, diz a médica.
A gravidade vai depender da profundidade do ferimento e da extensão dele:
queimadura de 1º grau: a pele só fica avermelhada;
queimadura de 2º grau: há a formação de bolhas (que jamais devem ser estouradas!);
queimadura de 3º grau: os nervos são atingidos.
“Dependendo do acidente, a cicatrização pode provocar uma retração do tecido, como se ele enrugasse. Isso limita o movimento da parte do corpo atingida”, afirma a especialista.
Vídeos de Educação
Técnica do ‘cérebro podre’: alunos usam app que transforma textos longos em vídeos curtos

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump

Veja as universidades americanas que estão na mira de Donald Trump
Instituições de renome estão com financiamento federal em risco após exigências do presidente americano. Na decisão mais recente, Harvard teve US$ 2,3 bilhões de recursos bloqueados. Veja as universidades na mira de Donald Trump
A Universidade Harvard se tornou a primeira grande universidade americana a descartar as exigências feitas pelo governo de Donald Trump sob ameaças de cortes no financiamento federal.
Até agora, sete universidades americanas foram alvo de cortes punitivos de financiamento ou receberam notificações de que os repasses estariam seriamente ameaçados. Veja a seguir.
Harvard
Trump congela repasse de US$ 2 bilhões para Harvard, uma das instituições de ensino de maior prestígio no mundo
Jornal Nacional/ Reprodução
A Universidade Harvard protagoniza o embate mais recente com o presidente Donald Trump. O Departamento de Educação anunciou o congelamento de cerca de US$ 2,3 bilhões em fundos federais para a instituição.
O anúncio vem depois que Harvard se negou a cumprir exigências da Casa Branca, incluindo o fechamento dos programas de diversidade, equidade e inclusão da universidade.
As exigências, enviadas em uma carta, incluem reformas na administração, auditoria em alunos, professores e dirigentes, políticas de admissão e contratação “baseadas em mérito”, além da proibição do uso de máscaras — medida vista como direcionada a manifestantes pró-Palestina, já que o governo alega que os protestos contra a guerra na Faixa de Gaza, em 2024, foram movidos por antissemitismo.
Columbia
Estudantes realizam um protesto com abandono de aulas nos degraus da Low Library da Universidade Columbia
Reuters
A Universidade Columbia, em Nova York, epicentro dos protestos estudantis pró-Palestina, espera recuperar cerca de US$ 400 milhões em bolsas e contratos bloqueados pelo governo do republicano após ceder a várias exigências feitas pela Casa Branca.
Columbia, assim como Harvard, integra o grupo Ivy League — as universidades mais renomadas dos EUA — e é acusada de não combater o antissemitismo no campus.
O republicano ameaçou instituições de todo o país pela forma como lidaram com os protestos pró-Palestina no ano passado. O governo afirmou que o antissemitismo explodiu em meio aos protestos, o que manifestantes negam. Eles defendem que as críticas a Israel e à política externa dos EUA foram erroneamente confundidas com antissemitismo.
A instituição concordou com a maioria das exigências da administração de Trump, incluindo a proibição de máscaras faciais no campus, e deu autorização para agentes de segurança removerem ou prenderem indivíduos.
Columbia também concordou em tirar o Departamento de Estudos do Oriente Médio, Ásia e África de seu corpo docente, colocando-o sob um novo responsável.
Princeton
Universidade Princeton
Princeton University/Office of Communications
A Universidade Princeton já afirmou que "dezenas" de bolsas foram suspensas e corre o risco de perder o financiamento de US$ 210 milhões do governo federal.
O valor em bolsas de pesquisa foi congelado sob a acusação de antissemitismo no campus. Os valores seriam destinados a projetos federais vinculados ao Departamento de Energia, à NASA (Agência Espacial Americana) e ao Departamento de Defesa.
Além desse valor, o Departamento de Comércio americano também anunciou que Princeton perderia outros US$ 4 milhões em financiamento federal para programas de pesquisa climática.
Cornell e Northwestern
Foram congelados mais de US$ 1 bilhão para a Universidade Cornell e cerca de US$ 790 milhões para a Universidade Northwestern em financiamento federal pelo governo Trump.
De acordo com a Casa Branca, os valores foram congelados sob investigações de supostas violações de direitos civis nas instituições.
As duas universidades enfrentam investigações sobre alegações de antissemitismo e acusações de discriminação racial decorrentes dos esforços para promover a diversidade.
Brown
As universidades na mira de Donald Trump
Ian Caldas/GloboNews
No início do mês, o governo Trump afirmou que planeja congelar US$ 510 milhões em subsídios federais para a Universidade Brown enquanto analisa a resposta da instituição ao antissemitismo e seus esforços para eliminar as políticas de diversidade. A confirmação foi feita pela Casa Branca.
Como outras instituições da Ivy League, Brown foi palco de confrontos contra a guerra em Gaza. A universidade também foi uma das poucas a fazer acordos com os alunos para acabar com os acampamentos de protesto — acordos que foram criticados por serem muito brandos com os estudantes.
Brown foi uma das poucas universidades que divulgou uma declaração em resposta aos bloqueios, dizendo que não comprometeria a liberdade acadêmica.
Pennsylvania
O governo Trump suspendeu US$ 175 milhões em financiamento federal para a Universidade da Pensilvânia devido à inclusão de atletas transgêneros em esportes universitários femininos. O anúncio foi feito no mês passado pela Casa Branca em uma publicação na rede social X.
O post defende que a decisão foi baseada nas “políticas da Penn que forçam as mulheres a competir com os homens nos esportes”. A universidade permitia que Lia Thomas, uma mulher transgênero, fosse membro da equipe de natação feminina.
Em um comunicado, a instituição disse que estava em total conformidade com os regulamentos esportivos da universidade e de instituições pares da NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional) e da Ivy League sobre equidade nas competições femininas.
VÍDEOS: mais assistidos do g1