Enem 2025 será em 9 e 16 de novembro; veja datas de inscrição

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes
Edital ainda não foi publicado, mas Camilo Santana, ministro da Educação, adiantou informações em um post do Instagram. Enem será aplicado em novembro, como nos últimos anos
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O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou nesta sexta-feira (9) que o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será publicado nos próximos dias. Mas já adiantou que:
as inscrições ficarão abertas de 26 de maio a 6 de junho;
as provas serão aplicadas em 9 e 16 de novembro.
➡️Clique aqui para ler REDAÇÕES NOTA MIL do Enem 2024.
Redação do Enem ou 'cover' de Machado de Assis?
Disciplinas e horários
Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos. Se não houver, no edital, nenhuma alteração no formato da prova, a distribuição de disciplinas será a seguinte:
9 de novembro
O candidato deverá fazer:
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas;
redação.
16 de novembro
A prova trará:
45 questões de matemática;
45 questões de ciências da natureza.
Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília), seguidos nos últimos anos:
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 1º dia: 19h
Término das provas no 2º dia: 18h30
Números 1 no Enem, uma década depois
Para que serve o Enem?
As notas do Enem podem garantir vaga em instituições de ensino superior públicas ou privadas, tanto no Brasil quanto no exterior. Confira as formas de acesso:
Sisu: O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) seleciona estudantes para vagas em instituições públicas, com base na nota do Enem.
Prouni: O Programa Universidade para Todos (Prouni) é uma iniciativa do Ministério da Educação que oferece bolsas integrais e parciais em faculdades particulares. A aprovação também depende do resultado do Enem.
Fies: O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal que "empresta" dinheiro para os estudantes pagarem as mensalidades no ensino privado, com a contrapartida de os beneficiários quitarem o financiamento após a formatura. O crédito pode cobrir total ou parcialmente a mensalidade do curso. Para se inscrever, é preciso ter feito o Enem.
Instituições privadas: Algumas faculdades também oferecem vagas ou descontos nas mensalidades a partir da nota do Enem. Geralmente, o candidato não precisa prestar outro vestibular.
Universidades no exterior: O Ministério da Educação possui acordo com algumas instituições em países como Portugal, Inglaterra, França, Irlanda e Canadá, que aceitam o Enem no processo seletivo. Em alguns casos, a instituição pode exigir que o interessado passe pelo processo seletivo local. É preciso pesquisar diretamente no site das universidades.

Ovo quebra com mais facilidade quando cai de lado ou de ponta? Pesquisa do MIT revela o ‘mistério’

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes
Resultado contradiz uma noção comum ensinada em muitas escolas nos Estados Unidos no chamado “desafio do ovo”. Pesquisadores usaram 180 ovos no experimento. Como o ovo quebra com mais facilidade, na horizontal ou na vertical?
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Dois ovos de galinha caem da mesma altura. Um atinge o chão de lado, na horizontal, e o outro de ponta, na vertical. Será que os dois têm a mesma possibilidade de quebrar?
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) publicou na quarta-feira (8) um novo estudo que detalha as diferenças de força e resistência quando ovos caem vertical ou horizontalmente. O estudo concluiu que a casca é mais resistente a impactos horizontais. Ou seja, o ovo quebra mais facilmente quando cai de ponta.
O resultado da pesquisa, publicada na Communications Physics, contrariou uma noção comum ensinada em muitas escolas nos Estados Unidos no chamado “desafio do ovo”. No experimento, professores costumam dizer aos alunos que o ovo é mais resistente quando cai com uma das pontas virada para baixo.
Experimento usou dezenas de ovos para testar teoria.
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O experimento
O experimento, realizado com 180 ovos, imitou condições típicas de quedas usadas em atividades escolares e incluiu também testes de compressão com sensores de força. Os resultados mostraram que os ovos orientados horizontalmente suportam melhor o impacto.
Em uma das simulações, os ovos eram derrubados na horizontal, com a ponta fina e com a ponta mais arredondada para baixo de alturas de 8, 9 e 10 milímetros.
Na altura de 8 milímetros, por exemplo, mais da metade dos ovos que caíram na vertical (com a extremidade pontiaguda ou a mais arredondada para baixo) se romperam. Já os que caíram de lado só racharam em 5% dos casos.
Experimento do MIT testa força e resistência de ovos em queda.
Divulgação
Os cientistas também submeteram outros 60 ovos a testes de compressão estática, para medir diretamente a força necessária para causar uma rachadura em diferentes orientações. Em média, os ovos resistiram a forças semelhantes — cerca de 45 newtons — em todas as posições. No entanto, os que estavam de lado comprimiram mais antes de se quebrar. Isso indica que a casca, nessa orientação, consegue absorver mais energia antes de atingir o ponto de ruptura.
Equívoco comum
A equipe liderada pela professora e Ph.D. Tal Cohen investigou também a origem da crença de que a orientação vertical é mais segura. Segundo os autores, essa ideia está baseada em uma confusão entre três propriedades físicas distintas: rigidez, resistência e tenacidade.
De fato, ovos são mais rígidos quando pressionados pelas pontas — ou seja, eles se deformam menos sob pressão —, mas isso não significa que são mais difíceis de quebrar.
Uma revisão de fontes populares feita pelos pesquisadores — incluindo vídeos educativos, sites de ciência e até respostas de modelos de linguagem como o ChatGPT — mostrou que a orientação vertical é amplamente considerada mais “forte”. “A confusão entre rigidez e tenacidade ajuda a explicar esse equívoco”, escrevem os autores.
Implicações além da sala de aula
Embora o estudo tenha como ponto de partida um experimento escolar, os pesquisadores do MIT destacam que as descobertas têm potencial para inspirar avanços em engenharia. A capacidade dos ovos de suportar cargas maiores quando impactados lateralmente pode ajudar a melhorar o design de estruturas que precisam resistir a impactos, como capacetes ou embalagens protetoras.
“Há uma lição importante aqui sobre como interpretamos propriedades mecânicas nos objetos do dia a dia”, dizem os autores.
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Papa Leão XIV: Como são formados os algarismos romanos utilizados no nome do novo pontífice

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes
Sucessor do Papa Francisco apresentado nesta quinta-feira (9) no Vaticano é o 14º pontífice eleito a utilizar o título de Leão. Entenda como funciona o uso da numeração. Papa Leão XIV faz primeira aparição pública no Vaticano
Yara Nardi/Reuters
Robert Francis Prevost acaba de ser eleito o novo Papa da igreja católica e escolheu para si o nome de Leão XIV (14 em algarismo romano). Isso significa que ele é o 14º pontífice eleito a utilizar o título de Leão.
A escolha de um nome pelo qual vai ficar conhecido é uma das tradições de eleição de um novo papa e indica as prioridades espirituais e até o direcionamento político do pontífice eleito.
Leão XIV utiliza números romanos para indicar sua ordem de ocupação do cargo em relação aos antecessores que utilizaram o mesmo nome papal. Outros papas também utilizaram o mesmo sistema de numeração:
Pio X (1903-1914)
Bento XV (1914-1922)
Pio XI (1922-1939)
Pio XII (1939-1958)
João XXIII (1958-1963)
Paulo VI (1963-1978)
João Paulo I (1978)
João Paulo II (1978-2005)
Bento XVI (2005-2013)
Francisco (2013-2025, até então o primeiro de seu nome).
Os números romanos
Por volta do 4º ano do ensino fundamental, começamos a aprender sobre números romanos, um sistema de numeração que surgiu na Roma Antiga e ainda é utilizado em algumas situações modernas.
Esse sistema utiliza letras do alfabeto romano (ou alfabeto latino) para representar valores numéricos específicos:
I para 1.
V para 5.
X para 10.
L para 50.
C para 100.
D para 500.
M para 1000.
Uma das situações em que os algarismos romanos são utilizados é na designação de reis, como aconteceu com Charles III da Inglaterra, coroado em 2023 após a morte da rainha Elizabeth II.
Na história do Brasil, o sistema aparece quando estudamos sobre Dom Pedro I e Dom Pedro II, por exemplo.
Utilizando números romanos
Para formar outros números a partir dos algarismos iniciais, as letras são combinadas seguindo certas regras. Entender como elas se organizam e a lógica de adição e subtração associada a elas é fundamental.
Por exemplo, o número 14, que é o numeral associado ao novo papa, é escrito como XIV. Isso ocorre porque X representa 10, e IV representa 4 (5 – 1). Quando uma letra de menor valor precede uma de maior valor, subtrai-se o menor valor do maior. Assim, XIV é a combinação de 10 + 4, resultando em 14.
Além disso, quando uma letra de menor valor segue uma de maior valor, os valores são somados. Por exemplo, o número 16 é escrito como XVI, onde X representa 10, V representa 5 e I representa 1, somando-se para formar 16. Essa lógica de adição e subtração é fundamental para entender a formação dos números romanos.
Dessa forma:
1 é I
2 é II
3 é III
4 é IV
5 é V
6 é VI
7 é VII
8 é VIII
9 é IV
10 é X; e assim sucessivamente.
A utilização do sistema de algarismos romanos também pode ocorrer para referenciar datas ou acontecimentos históricos, por exemplo.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO E PODCAST

O que faz a fumaça do conclave ficar branca? Pirotecnia, lactose e naftalina são ‘truques’ no anúncio do novo papa

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes
Sistema criado por especialista em fogos de artifício gera fumaças de cores distintas e controla a dispersão no ar. Tecnologia substituiu método antigo com palha úmida. Pirotecnia e lactose: como se faz a fumaça branca que anuncia a eleição de um papa?
Talvez nem fosse necessário, mas o g1 já avisa que não é para você reproduzir este experimento em casa, certo? Dado o alerta, descubra, nesta reportagem, como as fumaças que anunciam a eleição de um novo papa são produzidas.
🎆Spoiler: o processo não envolve só queima de papel, não. Desde 2005, o Vaticano utiliza um sistema eletrônico com cartuchos pirotécnicos para garantir a visibilidade da fumaça que sai da Capela Sistina após cada votação no conclave.
Por meio de princípios químicos e físicos, uma equipe usa lactose e naftalina como os principais compostos usados para gerar, respectivamente, as fumaças branca (quando se chegou a um resultado) e preta (quando a decisão ainda não foi tomada pelos cardeais). As substâncias reagem à combustão de maneira controlada, para gerar partículas em suspensão visíveis a grandes distâncias.
Segundo informações da agência de notícias Reuters, a iniciativa foi implementada em 2005 e partiu do próprio Vaticano, após perceber que o método tradicional, baseado apenas na queima de cédulas e de palha úmida, nem sempre produzia fumaça suficientemente intensa.
Fumaça branca indica escolha do papa
REUTERS/YARA NARDI
Química e física na fumaça do papa
A lactose, açúcar presente no leite, ao ser aquecida, sofre decomposição térmica, gerando partículas sólidas finas que refletem a luz de forma difusa — o que dá à fumaça sua coloração branca.
Já a naftalina, um hidrocarboneto aromático sólido, ao queimar, libera partículas escuras que absorvem a luz, resultando na fumaça preta.
Além da composição química, o sistema leva em conta princípios da física — especialmente da termodinâmica e da mecânica dos fluidos — para que a fumaça suba de forma visível e mantenha sua cor durante a dispersão no ar.
A diferença de densidade entre o ar aquecido e o ambiente externo impulsiona a fumaça para o alto. Já a escolha do tamanho e da granulometria das partículas garante que o efeito visual dure tempo suficiente para ser notado por milhares de pessoas na Praça São Pedro.
Fogos de artifício?
Massimiliano De Sanctis, especialista em fogos de artifício e proprietário da FD Group Fireworks —empresa que forneceu o equipamento usado nos conclaves que elegeram Bento XVI, em 2005, e Francisco, em 2013 —, explica à Reuters que o sistema atual utiliza dois fogões conectados a uma mesma chaminé.
Um deles é mais antigo e serve para queimar as cédulas de votação em ferro fundido.
O outro, mais moderno, é eletrônico e recebe o cartucho de fumaça com seis cápsulas interligadas. Os próprios cardeais acionam o dispositivo por meio de uma central com botão de “ligar”. O efeito dura cerca de sete minutos.
“Cada cartucho tem seis granadas conectadas em série, que liberam fumaça de forma contínua. Isso garante que a mensagem — se o papa foi eleito ou não — seja claramente entendida”, diz De Sanctis.

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes

Treta de Duda e Antonela: três reflexões sobre a polêmica que envolve rivalidade feminina, proteção dos homens e superexposição nas redes
Pais e professores podem aproveitar interesse dos jovens nessa briga entre adolescentes influencers para debater temas atuais e delicados. Antonela Braga e Duda Guerra protagonizam briga na internet
Reprodução/Redes sociais
Uma treta homérica entre influenciadoras adolescentes (entenda mais abaixo) dominou as redes sociais e mobilizou a opinião pública na internet — envolveu até um depoimento da apresentadora Angélica, indiretamente ligada à história. Milhares de vídeos de “análise” da briga foram postados por pessoas que, até a semana passada, talvez nunca tivessem ouvido falar de Duda Guerra e Antonela Braga, as protagonistas do conflito.
➡️Se esse assunto surgir na sua casa ou em sala de aula, não o despreze. Segundo especialistas ouvidas pelo g1, a “Malhação” da vida real pode ser a oportunidade ideal para estimular os jovens a refletir sobre:
sociedade patriarcal e rivalidade feminina ‘lucrativa’;
cultura do espetáculo;
impactos da superexposição na saúde mental (das envolvidas e do público).
“Os adultos, em geral, não se importam com isso, mas é o momento de discutirmos sobre o que está acontecendo. Por que julgamos? Como julgamos? Sem palestrinha, mas refletindo coletivamente a partir desse material riquíssimo”, afirma Telma Vinha, pedagoga, doutora em Educação, professora da Unicamp e pesquisadora de clima escolar.
📢Antes de ver os detalhes de cada um dos 3 itens, veja um resumo sucinto da história, caso você não tenha sido atingido involuntariamente por ela nos últimos dias:
1- O contexto da viagem
Um grupo de influenciadoras adolescentes viajou para Gramado (RS).
Entre elas, estavam Duda Guerra (nora de Angélica e Luciano Huck, namorada de Benício Huck) e Antonela Braga.
2- O estopim da briga
Antonela teria pedido para seguir o perfil privado ("dix") de Benício Huck, namorado de Duda.
Benício mostrou o “print” para Duda, que ficou incomodada com a atitude da amiga.
3- Reforço do conflito
Anteriormente, Liz Macedo, outra influenciadora, havia dito em um podcast, sem citar nomes, que seu namorado foi xavecado por uma amiga dela.
A internet especulou que Liz estaria falando justamente de Antonela.
Entra, então, a participação de Júlia Pimentel, mais uma influencer que acusa Antonela de ter dado em cima de seu namorado.
4- Reações nas redes sociais
O caso vazou nas redes, e fãs começaram a analisar minuciosamente todos os conteúdos postados ao longo da viagem. Perceberam que Antonela não estava aparecendo na maioria dos vídeos do grupo.
As influenciadoras envolvidas (e outras do mesmo grupo) pararam de se seguir e publicaram indiretas e desabafos nos stories.
5- A entrada de adultos
A mãe de Liz não teria nem cumprimentado Antonela no fim da viagem, quando foram se despedir.
A apresentadora Angélica, sogra de Duda, curtiu um comentário negativo sobre Antonela, o que aumentou ainda mais a tensão.
Depois, Angélica se manifestou dizendo que pediu para a equipe dela apagar comentários inapropriados e ofensivos. E que, nesse processo, houve “um pequeno descuido na moderação, que acabou ampliando o mal-entendido".
6- Repercussão pública
Internautas discutiram quem estava correto na briga. Antonela Braga, por exemplo, ganhou mais de 1 milhão de seguidores após o início da polêmica.
💡Reflexão 1: Sociedade patriarcal e rivalidade feminina ‘lucrativa’
Bruna Camilo, doutora em Sociologia e pesquisadora de gênero, misoginia e extrema direita, destaca que a briga reforça o conceito de rivalidade feminina.
“Ela é historicamente construída pelo patriarcado, mas agora se tornou lucrativa. Mostra que as mulheres precisam disputar a atenção dos homens e da sociedade para serem notadas e valorizadas”, afirma.
A culpa disso não é das próprias meninas, explica Camilo. “É algo estrutural. O que a gente faz é performar a rivalidade, para estar sempre na primeira fileira da prateleira do amor”, diz a pesquisadora, citando um conceito de Valeska Zanello, professora no Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília.
O que isso significa? Que, para essas meninas serem vistas, lucrarem e ganharem seguidores, precisam estar expostas na tal “prateleira”. E o resultado disso envolve receberem xingamentos (como “piranha” e “vagabunda”), rótulos ofensivos e ódio coletivo.
“É algo muito nocivo. Nós, mulheres, ficamos em evidência, enquanto os homens, em seus tronos, são tratados como os desejados e disputados. Do que as meninas são capazes para terem notoriedade e amor? Nossa sociedade está doente”, afirma Camilo.
As duas pesquisadoras entrevistadas chamam a atenção para o papel dos meninos na briga: eles pouco aparecem nos tribunais de julgamento das redes sociais. “Eles ficam protegidos”, diz Telma Vinha. “O julgamento coletivo é muito ligado às questões de gênero.”
Para evitar que essa lógica de estereotipação das mulheres continue existindo, as especialistas sugerem que o assunto seja debatido nas salas de aula com todos os adolescentes, não só com as meninas.
“Eles precisam entender que fazem parte dos relacionamentos e que têm responsabilidade no processo. Reflexões assim previnem comportamentos tóxicos no futuro, porque mostram que nenhuma mulher deve lutar pela atenção deles”, diz Bruna Camilo.
💡Reflexão 2: Cultura do espetáculo
Telma Vinha lembra que a própria ideia de organizarem uma viagem só de influenciadores tem exatamente a intenção de gerar conteúdo, como em um reality show. E sabemos, tantas edições de Big Brother Brasil depois, que nada gera mais engajamento do que a ocorrência de conflitos.
“Vivemos uma mudança de valores — não digo em sentido positivo ou negativo, mas de mudança mesmo. Éramos educados para manter a privacidade e não contar segredos. Hoje, é a sociedade da exposição”, afirma.
“Você existe se for visto. Para ser visto, precisa ter seguidores. Para ter seguidores, precisa postar conteúdo. E treta é um conteúdo que atrai muita atenção. Nesse raciocínio, se eu potencializo os problemas, potencializo também que eu seja vista.”
➡️Antonela, por exemplo, já ganhou mais de um milhão de seguidores com essa polêmica, como mencionado no início da reportagem. Os nomes das demais envolvidas também bombaram nas buscas entre quarta (7) e quinta-feira (8).
É claro que, quando uma briga é totalmente filmada e exposta para o mundo inteiro, os envolvidos perdem o controle da narrativa. E é esse um dos grandes perigos das redes sociais na adolescência.
“Sabemos como o processo começa, mas não sabemos como a coisa vai andar. Todas as partes se manifestaram no calor do impulso, como sempre fazemos na juventude. Antes, a resposta era ouvida só por quem estivesse presente. Agora, ela fica gravada e é acompanhada por milhões de pessoas. Toma uma dimensão gigantesca e gera linchamento e xingamentos públicos”, afirma Vinha.
💡Reflexão 3: Impactos da superexposição na saúde mental (das envolvidas e do público)
Certamente, você já recebeu algum rótulo na escola, fosse o de “nerd”, de “estranho(a)”, de “burro” ou de “galinha”. Só que, até os anos 2000, o tempo passava, os alunos mudavam de turma ou de colégio… depois de tanto sofrimento, ficava mais simples virar a página e começar sua história “do zero”. Agora, tudo é carregado para sempre, explica Vinha.
“Isso gera um ciclo de busca pela validação. Leva a transtorno de ansiedade, depressão, tentativa de suicídio… É uma pressão insana para os adolescentes, que estão justamente na fase de construir sua identidade.”
Telma Vinha lembra que todo o episódio e as possíveis reflexões não devem ser desperdiçados pelos pais. “Já existe um ‘gap’ [lacuna] geracional gigante, um fosso mesmo. Os filhos estão na época do Discord, comentam tudo por lá. Precisamos conhecer o universo deles, interagir com eles: é mais o ‘quero entender’ do que o ‘quero ensinar’”, afirma Telma.
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