Requalificação de diretores afastados pela Prefeitura de São Paulo começa em 2 de junho; Defensoria questiona critérios

A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual
Grupo de 25 profissionais foi afastado após alunos apresentarem resultados abaixo do esperado em indicadores de educação. Treinamento será gerido por ex-secretária de Curitiba. VÍDEO: alunos se comovem com afastamento de diretor de escola municipal de SP
A Prefeitura de São Paulo inicia na próxima segunda-feira (2) o curso de requalificação com 25 diretores de escolas afastados pelos resultados abaixo do esperado apresentados por seus alunos em indicadores nacionais e locais de educação (entenda os critérios aqui).
A informação foi confirmada ao g1 pela assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação. O curso terá como gestora Maria Silvia Bacila, atual secretária executiva pedagógica de São Paulo, e terá em seu cronograma:
Estudos de caso;
Análises de dados;
Estudos de referenciais;
Legislação;
Seminários;
Palestras;
Vivências nas unidades.
Segundo a pasta, os profissionais foram convocados para a requalificação em período integral e isso os impedirá de atuar nas unidades. A secretaria, então, enviará outros profissionais para atuar nas unidades neste período.
A direção dessas escolas ficará a cargo dos atuais números 2 da direção e não será diretamente feita por este reforço enviado pela secretaria.
"Nós não estamos colocando nenhuma culpa no diretor, em hipótese alguma. Nós estamos trazendo esse diretor para um processo formativo coletivo em que nós queremos caminhar junto com esses diretores para podermos, sim, superar resultados que são altamente desafiados para todos nós e não para eles, mas para todos nós", afirmou Bacila ao g1.
A secretaria define a decisão de fazer a requalificação como uma "oportunidade "desenvolvimento profissional dos gestores" e rebate o uso do termo "afastamento" para tratar do tema.
"Os diretores foram convocados para um processo de desenvolvimento profissional, não há afastamento. Afastamento é uma outra coisa, nós não estamos trabalhando com essa perspectiva", diz.
A secretária afirmou que os diretores serão "devolvidos" depois do processo de requalificação. No processo de devolução, haverá uma intervenção pedagógica qualificada, afirmou.
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Após prefeitura, governo de SP também afasta diretores de escolas que tiveram baixo desempenho no Saresp e Saeb
VÍDEO: alunos se emocionam com saída de diretor para requalificação da Prefeitura
Maria Silvia Bacila iniciou atuação na capital paulista em janeiro desse ano. Antes, ocupou o posto de secretária da Educação de Curitiba, no Paraná.
A profissional atuou na capital paranaense ao mesmo tempo em que Renato Feder comandava a educação no governo do Paraná. Feder é o atual secretário da Educação do estado de SP desde o início do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2023.
Após a Prefeitura, o governo do estado também afastou diretores de escolas que tiveram baixo do desempenho esperado no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) ou no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB).
Unidades prioritárias e questionamento da Defensoria
Segundo a Prefeitura de São Paulo, um grupo de 66 escolas municipais fazer parte de um grupo de unidades prioritárias por não terem atingido critérios de avaliação educacional.
Foram identificados números abaixo do esperado com alunos dessas unidades no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Idep, índice aplicado no município.
O secretário estadual de Educação, Renado Feder, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ciete Silvério/EducaçãoSP
São notas abaixo do previsto para os anos iniciais, aqueles estudantes mais jovens, ou para as idades finais, aqueles que estão em fase final de aprendizado.
Na segunda-feira (27), a Defensoria Pública enviou um ofício para a Secretaria Municipal de São Paulo para questionar os critérios para o afastamento dos 25 diretores.
O defensor Gustavo Samuel da Silva Santos, coordenador do Núcleo Especializado na Infância e Juventude, questiona cinco pontos:
A lista dos diretores e escolas em que houve o envio dos profissionais para a requalificação;
A razão específica para o afastamento de cada diretor;
Informações detalhadas sobre o curso – como cronograma, corpo docente envolvido, carga horária, metodologia, entre outros;
Informação de quem exercerá a função de diretor dessas escolas no período em que os titulares farão o curso;
Fundamento legal usado para justificar a decisão.
"Nos preocupou a posição do município, uma vez que esses profissionais estarem afastados por quase todo um ano, sem identificar adequadamente quais as razões desse afastamento e quais os critérios para selecionar esses profissionais, não outros, e ainda como esse curso aconteceria e como a gestão das escolas não seria prejudicada", afirmou Silva Santos, ao g1.
Segundo o defensor, com a decisão "existe o risco a continuidade do serviço de educação de centenas de crianças e adolescentes do município".

Trump x universidades: com medo de perderem o visto, alunos estrangeiros deletam redes sociais, saem de grupos de Whatsapp e evitam sair de casa

A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual
Por questões ideológicas, presidente dos Estados Unidos ameaça instituições de ensino e promove tentativas de 'caça às bruxas' a estudantes internacionais. “Acho triste pedir para você não colocar meu sobrenome na reportagem. Não estou cometendo um crime.”
“A gente dá entrevista com medo.”
“Sinto muito, mas é um momento muito delicado, estou numa posição vulnerável.”
“Estou tremendo só de falar sobre isso.”
Essas são apenas algumas das dezenas de respostas dadas ao g1 por estudantes estrangeiros de universidades americanas. Quando questionados sobre as consequências práticas da “guerra” entre o governo Trump e instituições de ensino renomadas [entenda mais abaixo], como Harvard, Princeton e Columbia, eles costumam optar pelo silêncio ou pedir total anonimato.
➡️São estratégias de proteção adotadas por alunos internacionais que, mesmo em situação legal nos Estados Unidos, querem garantir a oportunidade de se formar e de trabalhar no país. Em relatos à reportagem, eles contaram também que:
apagaram seus perfis em redes sociais;
fizeram uma “limpa” em posts antigos ou em grupos de Whatsapp;
deixaram de participar de atividades extracurriculares (como jornais do campus);
evitaram comparecer a protestos;
desistiram de viajar ao país de origem nas férias.
“É uma política partidária e ideológica de criar esse sentimento de medo para que os estudantes se calem. Ainda que não sejam ameaças individuais, é bom para o governo que a gente fique em silêncio”, diz ao g1 Núbia*, aluna brasileira da Universidade Harvard.
🖋️Na última campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump já havia exposto qual seria sua postura em relação a alunos estrangeiros: fez críticas ao programa de vistos estudantis, defendeu o monitoramento ideológico do grupo e prometeu “limpar universidades de espiões” vindos de outros países.
Desde janeiro, quando assumiu o posto, o republicano colocou em prática essa conduta:
Acusou universidades de elite de antissemitismo e doutrinação, e passou a ameaçá-las com punições, como cortes de verba, caso não aceitem exigências do governo.
Proibiu que Harvard tenha alunos internacionais — medida revogada pela Justiça americana.
Segundo o site Politico, ordenou a todos os consulados, nesta terça (27), que pausem a concessão de vistos estudantis.
Diego Scardone, vice-presidente da Harvard Brazilian Association (HBASS), conta que, de todos os casos que já chegaram até ele, os mais preocupantes são os de alunos recém-aprovados na universidade, que sequer conseguiram entrar nos EUA ainda.
“Eles comprometeram 90 mil dólares por ano para pagar a graduação, deram sinal de dois meses de aluguel em dólar, compraram passagem, mas não vão conseguir o visto? Isso é um absurdo. Estudantes estão sendo utilizados para fins políticos”, diz.
Abaixo, conheça outras histórias de quem teve a rotina alterada pelo medo:
🔴‘Eu ia ontem visitar minha família, mas cancelei a passagem para o Brasil’
Núbia*, aluna da graduação em Harvard, desistiu de viajar ao Brasil e cancelou a passagem aérea que havia comprado. “A cada semana, a gente tem uma notícia diferente. Hoje, meu status é legal, mas amanhã, talvez eu não possa mais ficar nos EUA. A orientação que recebi foi a de não sair do país, a não ser em urgências. Podem derrubar a liminar [que garantiu a permanência de estrangeiros em Harvard] e negar minha volta na fronteira”, diz.
Essa incerteza, segundo Núbia, chega a afetar seu desempenho no curso.
“A ansiedade e o estresse aumentaram muito; não tem como não prejudicar o rendimento acadêmico. Não dá nem para saber se conseguirei fazer meu último ano da faculdade ou se precisarei ter um plano B e voltar ao Brasil”, afirma.
🔴‘Já levei minhas coisas mais importantes para o Brasil’
O brasileiro Carlos*, pesquisador-visitante em Harvard, pegou um avião para Oxford, na Inglaterra, onde defenderia sua tese de doutorado. A caminho do aeroporto, viu a notícia sobre as restrições de Trump a alunos internacionais.
“Subi no avião sem saber se iria voltar aos Estados Unidos”, conta.
Na última visita ao Brasil, neste ano, Carlos trouxe seus aparelhos eletrônicos (exceto computador e celular) e sua bicicleta para, caso perca o visto, já tenha a maior parte de seus bens materiais no país.
“A gente tem medo. Não faço qualquer comentário sobre política americana nas redes e já revi tudo o que postei para ver se falei algo de Israel. Também saí de grupos de Whatsapp em que meus amigos discutiam política”, relata.
A também brasileira Renata Prôa, aluna do mestrado em Harvard e do doutorado em Columbia, chegou a trabalhar como “embaixadora de mídia social” da primeira universidade. “Eu postava muitos conteúdos da instituição no Instagram. Mas foi bem doido: em certo momento, Harvard me falou: ‘feche suas redes sociais, porque é perigoso’. Loucura”, diz.
Renata aceitou ser identificada pela reportagem
Arquivo pessoal
🔴‘Todo mundo fica com medo de sair de casa’
Vídeo mostra imigração prendendo estudante nos EUA
Um episódio específico aumentou a sensação de insegurança de Carlos e de outros estudantes estrangeiros: em março, a aluna turca Rumeysa Ozturk, de 30 anos, foi levada sob custódia pelas autoridades de imigração dos EUA, após manifestar apoio aos palestinos (veja o vídeo acima). Ela ficou 45 dias presa e só deixou o centro de detenção em 9 de maio.
“Quando algo assim acontece, todo mundo fica com medo de sair de casa. Ninguém mais vai para nenhum protesto”, afirma Carlos.
Scardone, mencionado no início da reportagem, conta que a comunidade brasileira de Harvard havia organizado em março uma espécie de carnaval em Boston.
“Foi uma semana depois da prisão da turca. A festa ficou totalmente vazia. Pessoal achou extremamente perigoso sair de casa”, diz.
🔴‘Quem deu apoio a movimentos sociais nas redes teve o visto revogado’
Mei Ling*, da China, é aluna da Universidade de Boston. Ela diz que, como seu país é considerado “hostil” pelo governo Trump, apagou todas as redes sociais e evitou qualquer relação com órgãos oficiais, como ligações de denúncia ou infrações de trânsito.
“Embora o governo não tenha fornecido explicações claras, observamos que muitos dos estudantes estrangeiros que perderam o visto tinham em comum algum tipo de registro com a polícia — seja uma ligação para o 911 ou uma ocorrência leve. Os que demonstraram apoio a movimentos sociais nas redes também tiveram o visto revogado”, conta Ling.
Segundo ela, os estudantes temem que suas "curtidas" e compartilhamentos de posts nas redes sociais sejam monitorados pelo governo. "Qualquer manifestação inadequada pode resultar em sanções ou cancelamento de vistos", afirma.
* Os nomes dos entrevistados foram trocados a pedido deles.
Vídeos
Trump faz nova ameaça para desestabilizar Harvard
Harvard se nega a cumprir exigências de Trump, e mais de US$ 2 bi em recursos congelados

Mesmo com proibição, maioria dos estudantes do Ensino Médio segue levando celular para a escola e admite uso em sala de aula

A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual
Professores apoiam medida, mas alunos relatam dificuldade em ficar longe das telas e dizem que usam os aparelhos para comunicação com a família e redes sociais. Uma pesquisa da iniciativa Equidade.info em parceria com a Frente Parlamentar da Educação apontou que 63% dos estudantes do Ensino Médio ainda levam o aparelho celular para a escola todos os dias, apesar da entrada em vigor da lei que proíbe seu uso em instituições de ensino.
'Lei do Celular': como estudantes estão se adaptando à proibição dos aparelhos nas escolas.
Reprodução/TV Globo
Entre os que levam o celular para a escola, mais da metade dizem que acessam o celular durante a aula (54%). O uso também acontece no pátio (53%), nos banheiros (32%) e no refeitório ou cantina (26%).
A lei que entrou em vigor em janeiro só permite o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula para fins didáticos ou pedagógicos, e a partir de orientação de profissionais da educação. Mesmo pátios e refeitórios estão proibidos, porque o uso não é permitido nem durante os intervalos ou recreio.
As exceções são para a inclusão de estudantes com necessidades específicas ou em situações excepcionais de perigo, estado de necessidade ou em caso de força maior.
Lei que proíbe celular nas escolas completa 3 meses
Entre estudantes do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio, 51% dos estudantes disseram que não levam mais o celular para a escola, 33% levam todos os dias, 7% disseram levar “na maioria dos dias” e 6% “em poucos dias".
🔎A pesquisa foi feita pela iniciativa que não tem fins lucrativos e coleta dados sobre a educação básica. As entrevistas foram feitas entre fevereiro e março deste ano, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com 1.057 mil alunos e 257 professores em 146 escolas. O índice de confiança da pesquisa é de 95%.
As entrevistas foram feitas em escolas públicas e privadas, urbanas e rurais, de todas as etapas de ensino. Apenas unidades de ensino prisionais e socioeducativas ficaram de fora do levantamento, onde celulares já não eram permitidos.
Apoio dos professores
As entrevistas com professores também mostram amplo apoio dos docentes para a medida: 40% dos professores são totalmente contra o uso de celulares nas escolas e apenas 7% são totalmente a favor.
Já o índice entre os alunos é o oposto: 18% são totalmente contrários e 30% totalmente favoráveis.
Os alunos dizem que o principal motivo para levarem o aparelho para a escola é a comunicação com a família (75%), mas a utilização de aplicativos de mensagem também tem grande destaque, 53% dos estudantes dizem que utilizam o aparelho para esse fim na escola.
As redes sociais também são apontadas como um motivo para o uso na escola por 45% dos estudantes, seguido de aplicativos de música (43%).
A pesquisa aponta que ainda é um desafio disponibilizar um local onde os aparelhos possam ficar longe do alcance dos estudantes.
Apenas 4% disseram guardam em um armário e 2% em uma caixa na entrada da escola. Segundo a pesquisa, 63% dos estudantes guardam o celular na mochila ou nos bolsos (59%).
Diretor mostra como a escola se preparou para guardar os celulares dos estudantes durante o período das aulas
Dificuldade em reduzir a tela
Ficar longe do celular tem se mostrado um desafio grande para a maior parte dos estudantes. O grupo de pesquisa, ainda em dados preliminares, apontou que 57% dos estudantes disseram que estão tendo dificuldades para reduzir o tempo de tela.
Os estudantes do Ensino Médio são os que mais sofrem: 60% dizem estar enfrentando dificuldades, enquanto apenas 34% disseram que não. No Ensino Fundamental o índice cai para 54% dizendo que concordam que enfrentam dificuldades contra 38% que dizem que não.
A lei determina que os estabelecimentos de ensino tenham espaços de escuta e de acolhimento para estudantes ou funcionários que estejam em sofrimento psíquico e mental decorrentes principalmente do uso imoderado de telas e de nomofobia, que é o medo de ficar longe do celular.
Celulares de alunos são colocados em caixas e trancados em armário de madeira em escola de Campinas
Reprodução/EPTV
Não conhecem a regra
Apenas 56% dos estudantes disseram conhecer bem as novas regras com restrição para o uso do celular, enquanto 35% disseram ter pouco conhecimento sobre o novo regramento e 9% disseram não terem conhecimento sobre mudanças na permissão para uso do celular em escolas.
A região Norte é a que concentra a maior proporção de estudantes que dizem não conhecer as novas regras (12%) e a menor taxa dos que dizem conhecer bem o que mudou (47%).
Entre os docentes, a região Norte é a única que teve representantes que dizem desconhecer o novo regramento, ainda que em número baixo (3%). O Sudeste foi a única região em que 100% dos docentes disseram ter pleno conhecimento das mudanças.
Nova lei proíbe uso de celular nas escolas de todo o país
Reprodução/EPTV
A pesquisa aponta que algumas regiões demandam maior investimento na comunicação com os alunos, especialmente por parte dos professores.
A pesquisa destaca a forma como as mudanças foram repassadas dentro da cadeia de ensino. Enquanto a maior parte dos gestores concentrou a responsabilidade de repassar a informação (94%), apenas 67% dos docentes disseram que se encarregaram de fazer algum comunicado sobre as novas regras.
A pesquisa aponta que 91% dos professores disseram ter recebido informações da gestão sobre a mudança, mas que, destes, 27% não repassaram as informações adiante. Isso pode contribuir para que o índice de conhecimento das novas regras pelos alunos seja mais baixo.
Por outro lado, 3% disseram não terem sido informados formalmente por suas gestões sobre a alteração e, ainda assim, comunicaram aos alunos e responsáveis pelas novas regras de uso dos celulares.

Trump ordena pausa na concessão de vistos de estudantes e considera analisar redes sociais de solicitantes

A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual
Segundo site Politico, consulados dos EUA receberam comunicado ordenando pausa em entrevistas para pedidos de vistos de estudantes. Governo ainda não se pronunciou oficialmente. Harvard se nega a cumprir exigências de Trump, e mais de US$ 2 bi em recursos congelados
O governo de Donald Trump ordenou a todos os consulados dos Estados Unidos no mundo que interrompam a concessão de vistos de estudantes, segundo uma reportagem publicada pela agência Reuters nesta terça-feira (27).
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A TV Globo confirmou com fontes do governo americano no Brasil que os processos estão suspensos. A Embaixada dos EUA no país já começou a orientar estudantes a procurarem os consulados.
Até a última atualização desta reportagem, o governo dos Estados Unidos ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a decisão.
De acordo com o site "Politico", uma fonte da diplomacia americana afirmou que Washington também está considerando passar a analisar as redes sociais de todos os solicitantes desse tipo de visto — necessário para quem pretende fazer qualquer curso nos Estados Unidos.
Como a nova diretriz ainda está em análise, o Departamento de Estado determinou a suspensão temporária do processo de emissão novos vistos.
Um comunicado interno foi enviado a todos os consulados dos EUA — responsáveis pela concessão de vistos — orientando que não sejam realizadas entrevistas com os candidatos, última etapa do processo de solicitação do visto de estudos.
As entrevistas são o segundo e último passo que os requerentes de vistos de estudos nos EUA têm de passar para conseguir o documento.
A notícia chega dias depois de o governo dos EUA proibir a Universidade Harvard, a mais prestigiosa do país, de ter alunos estrangeiros, na maior escalada entre Washington e a universidade, que vem se negando a adotar medidas exigidas pela gestão Trump.
A proibição, que afetaria cerca de 7.000 estudantes estrangeiros — um em cada quatro alunos da universidade —, foi anunciada na quinta-feira (23) pelo Departamento de Segurança Interna. No dia seguinte, o Tribunal Federal de Boston suspendeu a decisão após uma queixa apresentada pela direção da universidade.
Na ação judicial, Harvard afirmou que a medida do governo poderia provocar “efeitos devastadores” sobre a vida dos estudantes internacionais, que dependem do visto para permanecer legalmente no país.
“Sem seus estudantes internacionais, Harvard não é Harvard”, disse a instituição, que tem 389 anos. “Com um golpe de caneta, o governo tentou apagar um quarto do corpo estudantil de Harvard — estudantes que contribuem significativamente para a universidade e sua missão.”
A universidade também classificou a decisão como uma “violação flagrante” da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, além de outras leis federais.
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O presidente dos EUA, Donald Trump
Ken Cedeno/Reuters
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A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual

A estudante chinesa que acusa universidade de fazê-la ‘tirar as calças’ para dar licença menstrual
Vídeo viralizou nas redes sociais chinesas supostamente mostrando estudante comprovando estar menstruada para conseguir licença médica. A universidade é criticada por invasão de privacidade.
As universidades chinesas são frequentes alvos de críticas devido às tentativa consideradas autoritárias de controlar os estudantes
Getty Images/via BBC
Uma faculdade privada de Pequim, na China, passou a ser alvo da fúria popular, por ter supostamente solicitado a uma estudante que comprovasse que estava menstruada para ter direito a licença durante o período.
Um vídeo filmado no interior do que parece ser um consultório médico viralizou ao ser postado nas redes sociais, neste mês de maio. Ele mostra uma jovem perguntando a uma mulher mais velha: "Toda garota que menstrua precisa tirar suas calças e mostrar a você para conseguir uma licença?"
"Basicamente, sim", responde a mulher. "Esta é uma norma da escola."
A imprensa local identificou a localização do vídeo como uma clínica do Instituto Gengdan, em Pequim.
A universidade publicou uma declaração, afirmando que a funcionária havia "seguido o protocolo". Mas os usuários das redes sociais criticaram o ocorrido como uma séria invasão de privacidade.
A estudante envolvida e o Instituto Gengdan não responderam aos pedidos de comentários enviados pela BBC News até a publicação desta reportagem.
O vídeo da estudante e a declaração da escola, aparentemente, foram retirados da internet. Mas capturas de tela e trechos do vídeo voltaram a circular online e foram divulgados pela própria imprensa estatal.
No aplicativo Douyin (o TikTok chinês), uma usuária que afirma ser a estudante envolvida declarou que sua conta foi suspensa por 30 dias após ter postado o vídeo, por "conteúdo pornográfico".
Na sua declaração de 16 de maio, o Instituto Gengdan supostamente afirmou que os vídeos do incidente que circularam online foram "distorcidos" – e que a instituição se reservava o direito de tomar medidas jurídicas contra os "vídeos mentirosos divulgados maliciosamente".
A universidade também declarou que a funcionária havia seguido o procedimento adequado durante o ocorrido, "iniciando o trabalho clínico depois de obter o consentimento da estudante". E que ela não usou ferramentas, nem realizou exame físico.
No vídeo, a funcionária não respondeu quando a estudante pediu comprovação por escrito do regulamento da escola para verificar a situação menstrual das alunas. Em seguida, ela pediu à estudante que visitasse um hospital.
Nas redes sociais, o incidente ocasionou uma enxurrada de raiva e sarcasmo em relação às normas da escola.
"Tenho dor de cabeça, devo abrir meu crânio e dizer que é normal?", questionou um usuário de rede social.
"Vamos simplesmente tirar o absorvente e colar no atestado médico", disse outra usuária do Weibo.
Questão de bem-estar psicológico
Uma funcionária do Instituto Gengdan contou ao jornal local Dute News que a escola pode ter criado a regra de comprovação da menstruação para impedir que as alunas fingissem estar menstruadas para conseguir atestados médicos. Mas este argumento pareceu falso para os usuários das redes sociais.
"Se eles receiam que as estudantes estejam usando seu período menstrual como desculpa várias vezes por mês, por que simplesmente não mantêm um registro? Não é tão complicado", escreveu uma pessoa no Weibo.
A imprensa estatal chinesa também entrou no debate.
"A menstruação já é um tema íntimo para as mulheres. Normas como esta irão fazer as estudantes se sentirem muito desconfortáveis e até prejudicar o seu bem-estar psicológico", segundo um editorial da rádio estatal chinesa CNR.
O incidente fez com que o Instituto Gengdan passasse a fazer parte de uma lista de instituições de ensino superior em todo o país que sofrem críticas pelo que muitos consideram tentativas desastradas e autoritárias de controlar seus estudantes.
No ano passado, houve críticas a universidades que proibiram o uso de cortinas nos leitos em seus dormitórios. Os estudantes utilizam as cortinas com frequência para terem privacidade em quartos coletivos, mas os diretores das escolas afirmaram que elas representavam risco de incêndio e segurança.
Além disso, na época do popular feriado de Primeiro de Maio no ano passado, algumas universidades emitiram orientações rigorosas para os estudantes que planejavam viajar.
Elas incluíam evitar viajar sozinhos, por via rodoviária e de bicicleta, por questões de segurança. Muitos consideraram que as instituições estavam excedendo sua autoridade sobre a vida privada dos alunos.
No site de rede social Xiaohongshu, uma usuária que afirma ser estudante do Instituto Gengdan afirmou que "a clínica da escola merece todas as críticas que está recebendo".
"Ouvi de algumas estudantes mais velhas que este tipo de coisa acontece há algum tempo", escreveu ela. "Algumas meninas denunciaram antes, mas nada foi feito."
"Fico feliz pelo assunto ter viralizado desta vez. As pessoas quebraram o silêncio."
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