Vagas para aplicadores de prova do Enem pagam até R$ 864 por dia; veja quem pode se inscrever

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’
Profissionais também atuarão no processo seletivo do concurso unificado para professores. Veja quem pode se inscrever. Foto mostra momento da aplicação do Enem PPL para os internos do Iapen, no Amapá
Jailson Santos/Iapen
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) abriu, neste mês, as inscrições para a Rede Nacional de Certificadores 2025: uma equipe de profissionais que atuará na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e da Prova Nacional Docente (PND).
Os selecionados ganharão R$ 510 por dia de prova (ou R$ 864, quando houver a necessidade de se deslocar por mais de 150 km). É possível pleitear uma vaga até 30 de junho.
Tire suas dúvidas abaixo:
👩‍🏫 Quem pode se inscrever?
Servidores públicos do Poder Executivo Federal em efetivo exercício
Docentes efetivos das redes públicas estaduais e municipais que estejam atuando em 2025
⚠️ Não podem participar profissionais com contratos temporários, terceirizados ou celetistas.
📋 Quais são os requisitos mínimos?
Ter ensino médio completo
Possuir smartphone ou tablet com internet móvel, com sistema Android (mínimo 5.1) ou iOS (mínimo 10)
Usufruir de acesso à internet para fazer a capacitação, obtendo rendimento mínimo de 70%
Não estar inscrito no Enem nem na PND 2025
Não ter cônjuge, companheiro ou parentes até 3º grau inscritos no Enem ou na PND
Não ter vínculo com logística, impressão, distribuição, correção ou aplicação das provas
Não possuir débitos com a Receita Federal ou com a dívida ativa da União
Assinar o Termo de Sigilo, Compromisso e Confidencialidade
📅 Qual é o período de inscrição?
De 5 a 30 de junho de 2025, até as 23h59 (horário de Brasília).
🌐 Como fazer a inscrição?
A inscrição é feita exclusivamente pelo site http://certificadores.inep.gov.br.
O candidato precisa informar:
CPF e data de nascimento;
e-mail e telefone válidos.
Quem nunca se inscreveu deve se cadastrar em sso.acesso.gov.br.
🧭 Quais são as funções do certificador?
Verificar, presencialmente, os procedimentos da aplicação
Conferir entrega, guarda e abertura dos malotes de prova
Acompanhar a atuação da equipe de aplicação
Verificar horários de abertura e fechamento dos portões e da prova
Acompanhar a devolução dos materiais aos Correios
Conferir uso de sala extra, substituições e número de ausentes
Preencher e enviar o relatório no sistema
O certificador deve se apresentar no local às 8h e permanecer até as 20h.
🎓 Como funciona a capacitação?
Será feita de forma on-line, à distância, por meio de plataforma a ser divulgada. Para ser aprovado, é preciso ter pelo menos 70% de rendimento.
💰 Qual é o pagamento?
R$ 510,00 por dia (demanda regular)
R$ 864,00 por dia (demanda excepcional, quando há deslocamento de pelo menos 150 km)
O Inep não reembolsa transporte, alimentação ou hospedagem. Esses custos são de responsabilidade do certificador.
Calendário
Inscrição: 5 a 30 de junho de 2025
Data provável de divulgação da relação de interessados confirmados/não confirmados e dos convocados para o curso de capacitação: 14 de julho de 2025
Data provável para recurso das inscrições não confirmadas: 15 a 22 de julho de 2025
Data provável de resultado do recurso: 11 de agosto de 2025
Aplicação da Prova Nacional Docentes (PND) 2025: 26 de outubro de 2025
Aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025: 9 e 16 de novembro de 2025
Aplicação excepcional do Enem 2025 para os municípios de Belém-PA, Ananindeua-PA e Marituba-PA: 30 de novembro e 7 de dezembro de 2025 (por causa da COP-30)
Números 1 no Enem, uma década depois

Vítima de bullying nos EUA ganha R$ 5,5 milhões de indenização após escola tratar caso como ‘drama adolescente’

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’
Justiça americana negou recursos e manteve, nesta semana, a condenação decidida em 2022. Quando tinha 13 anos, Eleri Irons chegou a ser vítima de petição que pedia sua morte. Eleri Irons sofreu bullying em uma escola da Califórnia
Reprodução/Redes sociais
A Justiça dos Estados Unidos decidiu, no início desta semana, que a ex-aluna de uma escola na Califórnia ganhará uma indenização de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões) por ter sofrido bullying na pré-adolescência.
As autoridades optaram por manter a sentença de 2022, após analisar os recursos da defesa e concluir que houve, de fato, negligência do distrito escolar.
➡️Eleri Irons, hoje com 21 anos, ouviu ameaças e xingamentos dos colegas durante meses, em 2017 e em 2018, e não recebeu assistência da instituição de ensino. Segundo a jovem, houve:
perseguições e assédio por parte de outros alunos;
a criação de uma petição com o título "Let's kill Eleri Irons" ("Vamos matar Eleri Irons"), que circulou entre as turmas;
comentários e situações que levaram à deterioração da saúde mental dela, resultando em transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e em episódios de automutilação.
De acordo com a vítima, mesmo com os pedidos de ajuda dela e dos pais, a escola teria ignorado os relatos, tratando tudo como “drama de triângulo amoroso adolescente”.
Condenação milionária
Em 2022, um júri concluiu que o Distrito Escolar Unificado de El Segundo (ESUSD) foi negligente ao não proteger a estudante. A Justiça determinou, então, o pagamento de US$ 700 mil por danos passados e US$ 300 mil por danos futuros, totalizando US$ 1 milhão.
O distrito recorreu, alegando falta de provas e questionando pontos do processo, mas, nesta semana, a Corte de Apelações da Califórnia manteve a sentença e rejeitou todos os argumentos.
Mentira, omissão e falha na comunicação
O processo revelou que a então diretora da escola, Melissa Gooden, quando soube da existência da petição pedindo a morte de Eleri, afirmou falsamente ter acionado a polícia. Na prática, o chamado só foi feito no dia seguinte, minutos antes de o pai da estudante chegar ao colégio para cobrar explicações.
De acordo com comunicado divulgado pelo escritório de defesa de Eleri, a escola protegeu a aluna que fazia bullying, porque "ela tinha conexões políticas e financeiras com a instituição":
A mãe da agressora, afirma a defesa, era uma grande doadora do fundo financeiro do colégio e membro do conselho da cidade.
Mesmo após a petição que pedia a morte de Eleri, a estudante não teria sido suspensa.
A família de Eleri relata que viu a agressora na primeira fileira da cerimônia de formatura, e que isso foi "profundamente traumático".
O g1 entrou em contato com a El Segundo Middle School, que direcionou os questionamentos ao atual diretor, Jason Johnsons. Até a mais recente atualização desta reportagem, ele ainda não havia respondido.
'Todos falharam', afirma advogada
A advogada da jovem, Christa Ramey, afirmou à imprensa americana que nenhuma denúncia feita pela família foi devidamente investigada pela escola.
“Todos falharam — não apenas com minha cliente, mas também com os agressores e com todos os outros estudantes”, disse. “O bullying precisa ser levado a sério. Quando os administradores não tomam providências, eles também são responsáveis.”
Distrito prometeu mudanças após a sentença
Após a condenação, em 2022, o distrito escolar anunciou a criação de duas novas vagas de segurança nas escolas de ensino fundamental e reforçou protocolos internos para a prevenção de casos semelhantes.
Na época da decisão, a então superintendente Melissa Moore afirmou que a instituição “respeita a decisão da Justiça e reconhece os resultados do processo”. De acordo com jornais americanos, ela deixou o cargo em 2024, após uma década à frente do distrito.
'Finalmente, fui levada a sério'
Hoje, Eleri está no 3º ano de História na Universidade de San Diego. Ao falar sobre o desfecho do caso, ela afirmou ao "Daily Mail" que espera que sua história sirva de alerta.
“Sou muito grata por ter podido compartilhar minha experiência e, principalmente, por finalmente ser levada a sério. Espero que, da próxima vez que uma criança pedir ajuda, a escola aja como deveria ter agido comigo.”
Vídeos
O país com mais bullying no mundo

Prazo para pagar a taxa de inscrição do Enem 2025 é prorrogado; veja nova data

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’
No Acre, até a última quinta-feira (12), mais de 32 mil pessoas tinham se inscrito para fazer as provas. Prazo para pagar a taxa de inscrição foi prorrogado até o dia 27 de junho. Provas do Enem 2025 serão aplicadas dia 9 e 16 de novembro
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
O prazo de pagamento da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 encerrava nesta quarta-feira (18), mas foi prorrogado pelo Ministério da Educação e segue até o dia 27 de junho.
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O valor de R$ 85 pode ser quitado por meio de boleto, gerado na Página do Participante, Pix, cartão de crédito ou débito em conta corrente ou poupança (a depender do banco). Para pagar via Pix, basta escanear o QR Code disponível no próprio boleto.
Estudantes de escolas públicas que estão concluindo o ensino médio em 2025 são isentos da taxa, por isso, o sistema não gera boleto para eles.
Enem no Acre
De acordo com um levantamento preliminar do MEC, até a manhã da última quinta-feira (12), o Acre registrou 32.853 inscritos no Enem 2025. Desses, 20.390 são isentos e 12.465 são pagantes.
Segundo a Secretaria de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC), cerca de 20 mil estudantes do estado devem fazer as provas.
Passo a passo da inscrição no Enem 2025
Confira o cronograma
Inscrições: de 26 de maio a 13 de junho (prazo ampliado)
Pagamento da inscrição: até 27 de junho (prazo ampliado)
Provas: 9 e 16 de novembro
Disciplinas e horários
O Enem será aplicado em dois domingos de novembro (menos em Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará).
9 de novembro
O candidato deverá fazer:
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
16 de novembro
A prova trará:
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
Veja os horários de aplicação (no fuso do Acre):
Abertura dos portões: 10h
Fechamento dos portões: 11h
Início das provas: 11h30
Término das provas no 1º dia: 17h
Término das provas no 2º dia: 16h30
Reveja os telejornais do Acre

MEC publica edital do concurso unificado para professores; confira cronograma completo e estrutura da prova

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’
Exame será aplicado em 26 de outubro em todo o país. As inscrições vão de 14 a 25 de julho. Professor em sala de aula
Pexels/Imagem ilustrativa
Foi Ministério da Educação (MEC) publicou nesta terça-feira (17), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o edital que detalha a Prova Nacional Docente (PND). A avaliação vai funcionar como um concurso nacional e unificado para selecionar professores de educação básica que lecionarão nas redes públicas de ensino.
Por meio da mesma avaliação, será possível que um docente se candidate tanto para uma vaga de um município no Sul do país quanto para uma oportunidade no Nordeste, por exemplo.
A prova será aplicada em 26 de outubro em todo o país. As inscrições vão de 14 a 25 de julho. (Veja o calendário completo mais abaixo.)
Podem participar estudantes concluintes de cursos de licenciatura que estejam inscritos no Enade 2025 e demais interessados em participar de concursos ou processos seletivos públicos.
Os concluintes inscritos no Enade participarão automaticamente da prova, sem necessidade de nova inscrição e com isenção da taxa.
Os demais candidatos devem se inscrever individualmente e estão sujeitos a uma taxa de R$ 85.
Candidatos de baixa renda inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea podem solicitar isenção da taxa de inscrição.
A prova vai avaliar as seguintes áreas específicas:
Artes Visuais
Biologia
Ciências Sociais
Computação
Educação Física
Filosofia
Física
Geografia
História
Letras Português
Letras Português e Espanhol
Letras Português e Inglês
Letras Inglês
Matemática
Música
Química
Pedagogia
Estrutura da prova
A PND terá 5h30 de duração e será composta por uma parte de formação geral docente, comum aos cursos de todas as áreas, e uma de componente específico, próprio de cada área de avaliação das Licenciaturas.
Formação geral:
30 questões de múltipla escolha, envolvendo situações-problema, com conteúdos transversais pedagógicos comuns a todas as áreas que serão avaliadas; e
uma questão discursiva para avaliar clareza, coerência, coesão, estratégias argumentativas, vocabulário e gramática adequados à norma padrão da língua portuguesa.
Componente específico:
50 questões de múltipla escolha envolvendo situações-problema e estudos de caso.
A estrutura será dividida da seguinte maneira:
Prova teórica: vai medir o desempenho do participante em relação a conteúdos das diretrizes curriculares nacionais das áreas avaliadas, habilidades de adaptação do desdobramento de conteúdos e competências de compreensão de temas específicos de sua profissão e assuntos contemporâneos.
Questionário para o participante do Enade das Licenciaturas 2025: vai coletar informações sobre o perfil do estudante e o contexto de seus processos formativos. Essa etapa vai ajudar a na compreensão dos resultados teóricos e práticos do Enade e no processo de avaliação dos cursos de graduação e das instituições de ensino.
Questionário contextual: destinado a coletar informações que permitam caracterizar o perfil do participante e o contexto de seus processos formativos.
Questionário de percepção de prova: vai coletar informações para medir a percepção dos participantes em relação à prova, auxiliando, também, na compreensão dos resultados.
Calendário do PND 2025
Solicitação da isenção da taxa de inscrição: 30 de junho a 4 de julho
Resultado da solicitação de isenção: 7 de julho
Recurso da isenção: 7 a 11 de julho
Resultado do recurso: 14 de julho
Inscrição: 14 a 25 de julho
Pagamento da taxa de inscrição: 14 a 31 de julho
Solicitação de tratamento pelo nome social: 14 a 25 de julho
Solicitação de atendimento especializado: 14 a 25 de julho
Resultado do atendimento especializado: 1 de agosto
Recurso de atendimento especializado: 4 a 8 de agosto
Resultado do recurso: 13 de agosto
Aplicação das provas: 26 de outubro
Divulgação das versões preliminares do gabarito das questões objetivas e do padrão de resposta da questão discursiva: 28 de outubro
Recurso da versão preliminar do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 28 a 29 de outubro
Resultado do recurso da versão preliminar do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 10 de novembro
Divulgação final do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 11 de novembro
Divulgação da correção preliminar da resposta da questão discursiva: 25 de novembro
Recurso da correção da resposta da questão discursiva: 25 e 26 de novembro
Divulgação do resultado final da PND: 10 de dezembro
VÍDEO
Nas escolas sem notas e sem provas, quais alunos se dão bem?

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’

A universitária brasileira presa em centro para detenção de imigrantes nos EUA: ‘Nenhum mandado de prisão foi emitido’
A estudante de enfermagem Caroline Dias Gonçalves mora nos Estados Unidos desde os 7 anos e foi detida pelo serviço de imigração após ser parada por uma pequena infração de trânsito no Colorado. A estudante de enfermagem Caroline Dias Gonçalves mora nos Estados Unidos desde os 7 anos e foi detida pelo serviço de imigração após ser parada por uma pequena infração de trânsito no Colorado
Arquivo pessoal
O domingo que passou (15/6) foi Dia dos Pais nos Estados Unidos, mas a brasileira Caroline Dias Gonçalves, de 19 anos, não pôde comemorar a data com seu pai na casa da família no Condado de Utah, no centro-oeste dos Estados Unidos, país onde vivem há 12 anos.
Caroline também não pôde estudar para seu curso de enfermagem na Universidade de Utah, onde ela é bolsista por mérito, ou sair com as amigas para os shows de música country que ela gosta.
➡️Isso porque, em 5 junho, uma quinta-feira, Caroline foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).
A detenção ocorreu após a jovem ser parada por uma pequena infração de trânsito, enquanto dirigia o carro do pai para visitar amigos em Denver, capital do Colorado, Estado vizinho ao Utah.
"O que sabemos é que ela estava dirigindo no Colorado e ela tinha uma habilitação para dirigir válida", conta Gaby Pacheco, CEO da TheDream.US, organização sem fins lucrativos dedicada a oferecer bolsas de estudos para jovens imigrantes, através da qual Caroline conseguiu a bolsa para estudar na Universidade de Utah.
"Ela foi parada por um policial, que disse que ela estava dirigindo próxima demais a um grande caminhão. Esse policial deixou ela ir embora apenas com um aviso, mas pouco depois ela foi parada novamente por um agente do ICE, que então a deteve", completa Pacheco.
Caroline agora está presa há mais de 10 dias no centro de detenção de imigrantes em Aurora, nas proximidades de Denver, o que foi confirmado à BBC News Brasil por seu advogado, Jonathan M. Hyman.
Ela deve ter sua primeira audiência judicial nesta quarta-feira (18/6), e a defesa espera que Caroline possa ser libertada mediante fiança.
Sem antecedentes criminais, Caroline está presa há mais de 10 dias no centro de detenção de imigrantes em Aurora, nas proximidades de Denver, Colorado
Arquivo familiar
A prisão da brasileira ocorre em meio ao endurecimento da política de imigração nos Estados Unidos que tem marcado o segundo mandato do republicano Donald Trump.
Cerca de 51 mil imigrantes sem documentados estavam detidos pelo ICE no início de junho — maior número já registrado desde setembro de 2019.
Embora números precisos e atualizados sobre o total de detenções por imigração desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, não estejam disponíveis publicamente, autoridades da Casa Branca disseram esperar que o ICE aumente o número de prisões para 3 mil por dia, ante cerca de 660 durante os primeiros 100 dias de presidência de Trump.
Inicialmente, as autoridades americanas insistiam que as operações eram direcionadas a criminosos e potenciais ameaças à segurança pública.
Mas um número significativo de imigrantes detidos pelo governo Trump não tem antecedentes criminais, como é o caso de Caroline.
Procurado, o Itamaraty afirmou que a família de Caroline ainda não havia entrado em contato com o Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles, que atende a região onde ocorreu o caso.
A pasta, no entanto, disse que buscaria mais informações sobre a situação da jovem, após ser informada sobre o caso pela BBC News Brasil.
A reportagem também entrou em contato com o ICE por e-mail. O serviço imigratório americano confirmou o recebimento da mensagem, mas não enviou uma resposta aos questionamentos até a publicação deste texto.
A BBC News Brasil tentou ainda contato com os pais de Caroline, através da TheDream.US, que está em contato diário com a família. Mas os pais estão assustados com a situação e também temem ser alvo das autoridades migratórias, após a prisão da filha, e não estão falando com a imprensa.
Um parente de Caroline falou sobre o caso ao jornal local The Salt Lake Tribune, sob condição de anonimato, por estar em processo de obtenção de visto.
"Não podemos fazer nada", disse esse parente. "Estamos com medo. Não estamos presos com ela, mas é como se estivéssemos."
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Pedido de asilo
A mais nova de quatro irmãos, Caroline vive nos Estados Unidos desde os 7 anos.
Segundo a reportagem do The Salt Lake Tribune, a família entrou nos Estados Unidos com um visto turístico de seis meses, mas ficou no país além deste prazo.
Há três anos, a família entrou com pedido de asilo e ainda aguardava uma decisão.
Ao solicitar o asilo, Caroline e seus pais receberam permissões para trabalhar, carteiras de habilitação "limitadas" e números de seguridade social (documento americano equivalente ao CPF no Brasil).
Não está claro sob que argumentos a família entrou com pedido de asilo, mas ao The Salt Lake Tribune o parente de Caroline disse que a família se mudou para os Estados Unidos há 12 anos após passar por situações de violência no Brasil, incluindo assaltos e terem sido feitos reféns por criminosos.
Após a detenção da estudante, amigas dela organizaram uma coleta de doações para ajudar a família a arcar com os custos com o advogado e a possível fiança de Caroline.
"Numa fiança comum, é possível ser solto pagando antecipadamente 10% do valor estabelecido. Mas em casos de imigração, é preciso pagar o valor total", diz Pacheco, da TheDream.US. "Além disso, advogados de imigração, especialmente em casos de defesa contra deportação, podem ser muito caros."
"Então a família está recebendo o apoio dos amigos de Caroline para poder pagar pelo advogado. Como ela está presa no Colorado, que é distante do local onde ela vive e estuda, no Utah, é preciso garantir que ela tenha a devida representação legal e apoio no Colorado."
A TheDream.US também lançou um comunicado público sobre o caso e realiza uma abaixo-assinado pela liberdade de Caroline, que já conta com mais de 1,8 mil assinaturas.
Megan Clark, de 20 anos e melhor amiga de Caroline, é uma das organizadoras da campanha de financiamento coletivo e pela liberdade da estudante brasileira.
Ela conta que estuda com Caroline desde a 7ª série. Elas cursaram juntas os equivalentes americanos ao Ensino Fundamental 2 e ao Ensino Médio e se tornaram colegas de dormitório na universidade.
Megan conta que foi ela que convenceu Caroline a trocar de graduação, de Administração de Empresas e Marketing — como aparece no perfil da estudante no LinkedIn — para Enfermagem.
"Ela quer ter uma família, e eu disse para ela que a enfermagem é um pouco mais flexível, quando ela tiver filhos um dia", conta Megan, à BBC News Brasil.
A amiga conta que Caroline é divertida, extrovertida e faz amigos com facilidade.
"Ela ama fazer o que a maioria dos jovens na América ama, ela se encaixa perfeitamente e todas nós meio que fazíamos as mesmas coisas", diz Megan.
"Ela ama música country, então fomos a alguns shows juntas; eu, meu noivo e ela saímos para dançar swing na maioria dos fins de semana, porque ela nos ensinou a dançar swing, ela ama esse tipo de coisa. E quanto ela não estava comigo, estava com sua amiga Maddie, elas também são muito próximas e costumam ir para a academia juntas — a Caroline também ama ir para a academia."
Prisão e controvérsia
Ao ser parada na estrada, o policial teria perguntado a Caroline de onde ela era, porque ele podia ouvir um sotaque. "Mas ela não tem sotaque algum, ela soa muito, muito americana", considera sua amiga Megan
Arquivo familiar
Megan conta que, na quarta-feira (4/6), quando Caroline disse que pretendia viajar ao Colorado para visitar amigos no dia seguinte, disse a ela que não gostava da ideia de a amiga viajar sozinha.
Na quinta, elas se falaram logo cedo e Megan acompanhou pela localização do celular compartilhada quando Caroline saiu de sua casa em Lehi, Utah.
Caroline conversava por viva-voz com sua amiga Maddie durante a viagem, pois não gostava de viajar sozinha e gostava de conversar enquanto dirigia.
Maddie então pôde ouvir todo o diálogo, quando Caroline foi parada pela primeira vez pelo policial que disse que ela estava dirigindo perto demais de um caminhão.
O policial pediu a ela sua identidade e os documentos de seguro do carro, e ela saiu do veículo e ficou esperando por cerca de 40 minutos enquanto ele checava a documentação.
Em dado momento, o policial teria perguntado a Caroline de onde ela era, porque ele podia ouvir um sotaque. "Mas ela não tem sotaque algum, ela soa muito, muito americana", observa Megan.
Caroline disse que era do Utah, mas o policial insistiu, perguntando onde ela nasceu, e Caroline contou então que era do Brasil. Pouco depois, o policial deixou ela ir, apenas com um aviso.
Caroline então ligou para Megan para contar o que aconteceu. Enquanto as duas ainda conversavam, ela disse que tinha que desligar, pois estava sendo parada novamente.
Depois disso, o telefone de Caroline foi desligado e sua localização ficou paralisada em meio à rodovia. Após três horas sem notícias da amiga, Megan foi à casa dos pais de Caroline e, enquanto estava lá, a amiga ligou contando que havia sido presa e pedindo desculpas aos pais.
A família ficou sem notícias da estudante até o sábado, quando descobriram que ela estava detida no centro de detenção de imigrantes em Aurora.
Desde então, ela tem falado por telefone diariamente com a família — que precisa enviar dinheiro para o centro de detenção para ela poder fazer as ligações.
"Ela contou que está numa cela com 17 outras pessoas, mas que as pessoas são muito amigáveis. A maioria são mulheres mais velhas, e para ela é um pouco difícil, pois todas falam espanhol e ela não. Apenas algumas pessoas mais jovens falam inglês", conta Megan.
"Ela também disse que não gosta da comida, porque eles servem apenas tacos e burritos o dia todo e ela não gosta muito disso."
Segundo uma reportagem da KSL TV sobre o caso, a prisão de Caroline deve gerar uma investigação no Colorado, devido à suspeita de colaboração entre a polícia local e o serviço de imigração.
"Isso é incomum e beira a ação inconstitucional… Nenhum mandado de prisão foi emitido e o ICE a deteve sem solicitar identificação", disse Jonathan M. Hyman, o advogado de Caroline, à emissora.
"Detenções inconstitucionais estão sujeitas a moções para encerrar os processos e, neste caso, deter uma estudante universitária sem antecedentes criminais e sem mandado não será bem visto", disse Hyman.
"A aplicação indiscriminada das leis de imigração é de natureza autoritária e não se baseia nos princípios que criaram nossa democracia."
Em um comunicado à KSL, o gabinete do xerife do Colorado afirmou: "Não investigamos o status de residência de acordo com a lei do Colorado… e estamos conduzindo uma revisão administrativa completa para garantir que agimos de acordo com nossas políticas e o estatuto do Colorado".
Com informações da reportagem de Bernd Debusmann Jr, correspondente da BBC News na Casa Branca
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