Enem 2025: após ampliação do prazo, pagamento da taxa de inscrição deve ser feito até hoje

Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea
Provas serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro. Quem não tem isenção deve pagar taxa de R$ 85 via boleto, cartão de crédito ou PIX. Cadernos de prova do 2º dua do Enem 2024
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
O prazo de pagamento da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 termina nesta sexta-feira (27). Os participantes que não conseguiram isenção devem efetuar o pagamento ainda hoje para que a inscrição seja confirmada.
🗓️ Inicialmente, o edital do exame previa que o pagamento devia ser efetuado até 11 de junho, mas o prazo foi estendido uma primeira vez até 18 de junho quando o Ministério da Educação decidiu ampliar o período de matrículas do exame. Posteriormente, o Inep, responsável pelo Enem, anunciou mais uma prorrogação da data-limite de pagamento, desta vez até 27 de junho.
➡️O pagamento da taxa de R$ 85 pode ser feito via boleto, cartão de crédito ou PIX.
Ampliação do período de inscrição
O prazo de inscrição para o Enem 2025 terminaria em 6 de junho, segundo o edital, mas o MEC prorrogou a o período em uma semana, até 13 de junho.
Segundo a pasta, a decisão visava dar mais tempo para os interessados garantirem a oportunidade. O Ministério também se propôs a fazer uma grande mobilização nos estados para incentivar a inscrição no exame.
Na ocasião, o MEC afirmou que mais de 5 milhões de pessoas haviam feito a inscrição para participar do exame. No entanto, o número é parcial, e o total de inscritos só será confirmado após o fim do prazo de pagamento da taxa.
Confira o cronograma
Inscrições: de 26 de maio a 13 de junho (prazo ampliado)
Pagamento da inscrição: até 27 de junho (prazo ampliado)
Provas: 9 e 16 de novembro
Disciplinas e horários
O Enem será aplicado em dois domingos de novembro (menos em Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, onde a prova será aplicada em 30 de novembro e 7 de dezembro).
9 de novembro
O candidato deverá fazer:
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
16 de novembro
A prova trará:
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 1º dia: 19h
Término das provas no 2º dia: 18h30
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MEC publica edital do Enamed 2025, exame que avalia cursos de medicina e serve para residência médica; saiba como será a prova

Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea
Inscrições acontecem de 7 a 18 de julho e deverão ser feitas exclusivamente pelo Sistema Enamed. A prova será realizada no dia 19 de outubro. Novo exame anual vai avaliar qualidade dos cursos de Medicina no Brasil
O edital que detalha a primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foi publicado nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União.
O exame foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) em abril.
As inscrições acontecem de 7 a 18 de julho e deverão ser feitas exclusivamente pelo Sistema Enamed. A prova será realizada no dia 19 de outubro.
Abaixo, veja as principais perguntas sobre o exame, e saiba o que diz o edital da prova.
1. O que é o Enamed e qual sua finalidade principal?
O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma prova anual aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para avaliar a formação médica no Brasil.
Ele tem como objetivos principais:
Medir o desempenho dos estudantes com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs);
Verificar se os formandos adquiriram os conhecimentos, habilidades e competências necessários para atuar no Sistema Único de Saúde (SUS);
Estabelecer um instrumento único de avaliação da formação médica;
Fornecer dados para a formulação de políticas públicas voltadas ao ensino médico.
2. Quem deve participar do Enamed? A participação é obrigatória?
É obrigatória a participação para todos os estudantes concluintes dos cursos de Medicina, inscritos pelas instituições no Enade. A participação é componente curricular obrigatório estabelecido por lei.
Outros interessados também poderão se inscrever no Enamed, exclusivamente para fins de ingresso em programas de residência médica (Enare), desde que atendam aos requisitos previstos em edital do Inep.
3. Como a participação no Enamed se relaciona com o Enare?
Estudantes concluintes que desejarem usar os resultados do Enamed para o Exame Nacional de Residência (Enare) devem confirmar essa opção no Sistema Enamed.
O resultado poderá ser usado apenas em especialidades de acesso direto e por até três anos após a realização do exame.
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é responsável pelas regras e pela seleção dos programas de residência.
Já o Inep é responsável pela aplicação do Enamed, mas não se responsabiliza por etapas posteriores do Enare.
Faculdade Sírio-Libanês passa a oferecer curso de medicina
Sarah Daltri/Divulgação
4. Os estudantes precisam pagar alguma taxa para fazer o Enamed ou o Enare?
Concluintes de Medicina inscritos no Enade via Enamed que não pretendem usar a nota no Enare estão isentos de taxa.
Já quem for usar os resultados no Enare deverá seguir as regras do edital da Ebserh, incluindo eventuais taxas de inscrição ou pedidos de isenção.
5. O que cai na prova do Enamed?
A prova é baseada nas Diretrizes Curriculares Nacionais, normas da profissão médica e legislação vigente.
Abrange conteúdos, habilidades e competências das seguintes áreas:
Clínica Médica
Cirurgia Geral
Ginecologia e obstetrícia
Pediatria
Medicina da Família e Comunidade
Saúde Mental
Saúde Coletiva
As questões envolvem situações clínicas ligadas ao SUS, priorizando a atenção primária e secundária, urgência e emergência, cuidados paliativos e contextos de baixa complexidade.
6. Como será a estrutura do Enamed? Quais instrumentos serão aplicados?
O exame é composto por:
Prova teórica: 100 questões de múltipla escolha, com igual número de perguntas por área.
Questionário do Estudante (para concluintes de Medicina inscritos no Enade) – obrigatório
Questionário Contextual (para os demais participantes) – obrigatório
Questionário de Percepção de Prova
Os dados dos questionários não influenciam a pontuação no Enare, e serão utalizados penas para fins estatísticos e avaliação da educação superior.
7. Quem organiza o Enamed?
O Enamed é regulamentado pela Portaria MEC/Inep nº 413, de 18 de junho de 2025.
O Inep é responsável por planejar e aplicar o exame, em articulação com instituições de ensino superior, com a Ebserh e o Ministério da Educação.
8. Como os resultados do Enamed serão utilizados?
Servirão para:
Avaliar os cursos de graduação em Medicina, com base no desempenho dos estudantes no Enade.
Selecionar candidatos para programas de residência médica (Enare), nas especialidades de acesso direto.
O Inep emitirá um boletim individual de resultados, com a pontuação e o nível de desempenho.
Será definido um nível “básico” de desempenho, que servirá como referência para o monitoramento da qualidade da formação médica no país.
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Bendegó, o meteorito que virou penteado, crônica de Machado de Assis e símbolo de sobrevivência nas cinzas do Museu Nacional

Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea
O objeto testemunhou alguns dos principais episódios da História recente do país — e virou símbolo de resistência após incêndio em museu no Rio de Janeiro. O Bendegó é considerado um dos 'tesouros' do Museu Nacional
Felipe Cohen / PMNV
O ano era 1784. Nas proximidades da cidade de Monte Santo, no sertão da Bahia, um menino pastoreava gado quando algo especial captou a atenção dele.
Ele acabara de observar uma pedra que parecia diferente das demais. O formato, a cor e, possivelmente, até o som que ela fazia não se assemelhavam a nada do que se espera das outras rochas.
Começava ali a história de um dos objetos mais importantes já descobertos no Brasil.
O menino alertou as autoridades, até que uma comissão foi enviada para averiguar essa história.
O grupo observou que o bloco era composto de ferro, o que levantou suspeitas de que essa região poderia abrigar jazidas de minérios — algo que foi rapidamente descartado após alguns levantamentos.
Como o Brasil ainda era colônia de Portugal, foi determinado que a enorme pedra deveria ser enviada à Europa.
No entanto, as tentativas de mover o objeto por longas distâncias se mostraram uma missão quase impossível.
Afinal, falamos de um colosso de 2,15 metros de comprimento e 5,3 toneladas.
O bloco foi colocado numa carreta, que não suportou o peso durante uma descida.
"O resultado disso é que alguns bois que faziam o transporte foram atropelados", conta a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto, chefe do Setor de Meteorítica do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
A pedra rolou ribanceira abaixo e foi parar às margens de um riacho chamado Bendegó — o que inspirou o nome que o objeto ganharia dali em diante.
A sala do Museu Nacional onde o Bendegó está instaldo
Felipe Cohen / PMNV
Um século depois…
A descoberta aconteceu num momento em que não se sabia que rochas poderiam literalmente cair do céu.
"À época, não se tinha a noção de que existiam rochas e pedras vindas do espaço. Ninguém acreditava nisso", observa o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do projeto Exoss, que está ligado ao Observatório Nacional e faz o monitoramento de meteoros.
Cerca de dez anos após a descoberta do Bendegó no interior da Bahia, os cientistas começaram a aventar essa possibilidade.
Mas a ideia de que a terra pode ser alvo desses objetos só ficou provada mesmo nas duas primeiras décadas do século 19.
E é curioso notar que, após os esforços iniciais para mexer no Bendegó, ele foi deixado ali, na beira do riacho, por quase um século.
Algumas missões científicas até foram ao local para retirar amostras, usadas justamente para comprovar as primeiras observações sobre as tais pedras que vinham do céu.
Mas a ideia de mover o meteorito novamente só ganhou força mais de um século depois.
Em 1886, o imperador D. Pedro 2° estava na França para participar de um evento da Academia de Ciências de Paris.
Durante a reunião, ele conheceu a história do Bendegó e decidiu patrocinar uma expedição para trazê-lo ao Rio de Janeiro, a então capital do país.
Dessa vez, o trabalho foi bem sucedido: a equipe conseguiu mover o meteorito pelas cadeias montanhosas até uma estação de trem localizada no município de Itiúba.
Dali, o Bendegó viajou de trem para Salvador, a capital do Estado, onde ficou em exposição por alguns dias.
Depois, o objeto foi colocado num navio a vapor, que passou por Recife antes de aportar no Rio de Janeiro em 15 de junho de 1888, onde foi recebido pela Princesa Isabel — a mesma que dias antes havia assinado a Lei Áurea.
O Bendegó foi integrado ao acervo do Museu Nacional, que à época ficava no Campo de Santana, no centro da cidade.
"Ali, um ano depois, ele testemunharia 'de camarote' outro evento histórico: a Proclamação da República", lembra Zucolotto.
Afinal, alguns dos eventos que culminaram na queda de D. Pedro 2° e na ascensão do Marechal Deodoro da Fonseca como primeiro presidente aconteceram ali no Campo de Santana, local que hoje também é conhecido como Praça da República.
Alguns anos depois, em 1892, o Museu Nacional (e o Bendegó) foram transferidos para o Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ilustração do século 19 retrata o transporte do Bendegó pelo interior da Bahia
Getty Images
Acontecimento cultural
Os registros históricos revelam que a chegada do Bendegó causou comoção na sociedade da época.
Na coluna Bons Dias, que Machado de Assis escrevia sob pseudônimo no jornal Gazeta de Notícias, o meteorito foi citado em algumas ocasiões.
"Foi por essas e outras que descri do ofício; e. na alternativa de ir à fava ou ser escritor, preferi o segundo alvitre; é mais fácil e vexa menos. Aqui me terão, portanto, com certeza até à chegada do Bendegó, mas provavelmente até à escolha do Sr. Guaí, e talvez mais tarde. Não digo mais nada para os não aborrecer, e porque já me chamaram para o almoço", publicou o famoso autor na edição de 5 de abril de 1888.
Numa crônica de 27 de maio, Machado de Assis narra uma hipotética conversa entre o Bendegó e José Carlos de Carvalho, responsável pela comissão que fez o transporte do objeto da Bahia até o Rio de Janeiro.
O curioso é que, no texto, o Bendegó é quem faz perguntas e reclamações.
"Lá em cima, andamos com velocidade de mil raios: aqui, nestas ridículas estradas de ferro, a jornada é de matar", escreve o cronista ao incorporar o objeto celeste.
"Enquanto toda a nação bailava e cantava, delirante de prazer pela grande lei da abolição, o metereólito de Bendegó vinha andando, vagaroso, silencioso e científico, ao lado do Carvalho", pontua ele.
À época, "Bendegó" também virou um termo corrente no vocabulário popular.
Segundo o pesquisador e arquiteto Nireu Cavalcanti, ele serviu de inspiração para um tipo de penteado da moda, com um topete virado para o lado que remetia à ponta característica do meteorito.
"E algumas pessoas passaram a usar 'Bendegó' como uma forma de falar sobre algo grande, pesado, difícil de carregar, tipo um trambolho", acrescenta Zucolotto.
"Ele virou quase um personagem popular", complementa ela.
E, mesmo passados 240 anos desde sua descoberta inicial, o meteorito continua a gerar novas ideias.
Em entrevistas recentes no podcast Mano a Mano e no programa Conversa com Bial, o humorista e ator Paulo Vieira anunciou que deve lançar um álbum de músicas em breve.
E o disco já tem nome definido: Bendegó.
O Bendegó 'testemunhou' todas as obras de reconstrução do Museu Nacional após o incêndio
Getty Images/BBC
De onde veio esse meteorito
Na época de sua descoberta, o Bendegó era o segundo maior meteorito já encontrado no planeta. Atualmente, ele ocupa a 16ª posição.
Mas como esses objetos vão parar em lugares como o interior da Bahia?
Os astrônomos ouvidos pela BBC News Brasil explicam que essas rochas vêm de um cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter.
Eles são pedaços de protoplanetas que não conseguiram se formar completamente durante o processo que culminou no Sistema Solar.
"A maioria dos asteroides dá voltas ao redor do Sol. Mas alguns deles têm uma órbita mais elíptica e eventualmente podem se chocar com o planeta Terra", detalha Zucolotto.
A maioria desses objetos são menores e se desintegram quando entram na atmosfera terrestre, momento em que formam as famosas estrelas cadentes.
Mas alguns têm um tamanho maior — como o Bendegó — e conseguem atingir o solo.
A professora Zucolotto estima que o Bendegó caiu na Terra entre 120 mil e 100 mil anos atrás.
E, segundo ela, conhecer as particularidades desse objeto é importante para entender as origens de nosso planeta e do sistema que ele habita.
"Nenhum meteorito sozinho revela grandes descobertas. Mas todos são pecinhas fundamentais para montar a história do Sistema Solar", diz Zucolotto.
"O Bendegó é o testemunho de uma época de formação, no início do Sistema Solar. Essa rocha vagou pelo espaço interplanetário por bilhões de anos até, em algum momento, penetrar a atmosfera terrestre e cair no interior da Bahia", contextualiza De Cicco.
"No século 19, ele também foi fundamental para definir a classificação da família de meteoritos pelos cientistas", complementa ele.
Fogo e resistência
Depois de um século como uma das estrelas da coleção do Museu Nacional, o Bendegó testemunhou mais um episódio marcante: o grande incêndio de 2 de setembro de 2018 no Paço de São Cristóvão, que destruiu parte do acervo e é reconhecido como "o maior desastre da história da instituição".
Quando as chamas foram controladas e os especialistas puderam entrar nas instalações novamente, o famoso meteorito continuava ali, do mesmo jeito.
"A gente sabia que, no dia seguinte ao incêndio, o Bendegó estaria lá. Afinal, ele é uma massa de ferro muito grande, que não seria destruída pelo incêndio", confessa Zucolotto.
"Mesmo assim, ele se tornou esse símbolo de resistência e permaneceu no museu durante todo o processo de reconstrução", complementa a astrônoma.
O Museu Nacional, que acaba de completar 207 anos no mês de junho, deve estar em pleno funcionamento entre 2026 e 2028.
De Cicco classifica a história do Bendegó como épica.
"Ele ficou heroicamente postado ali, em meio ao rastro de destruição do incêndio. É como se ele quisesse comprovar que, apesar de tudo, a Ciência brasileira é capaz de resistir às piores tragédias", avalia ele.
"Ele foi a primeira peça a dizer: o museu não acabou. Nós ainda estamos aqui", conclui Zucolotto.
Meteorito é incorporado à coleção do Museu Nacional após incêndio

Como professores dos EUA estão usando o ChatGPT e outras ferramentas de IA para planejar aulas e corrigir provas

Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea
Pesquisa revela que 6 em cada 10 professores dos Estados Unidos que trabalham em escolas públicas de ensino fundamental e médio usaram ferramentas de IA em seu trabalho durante o último ano letivo Professora usa ferramenta de IA em atividade com alunos em escola de Chicago, nos EUA.
AP Photo/Nam Y. Huh
A professora de matemática Ana Sepúlveda queria tornar a geometria divertida para sua turma de honras do 6º ano. Ela imaginou que seus alunos "que vivem e respiram futebol" estariam interessados ​​em aprender como os conceitos matemáticos se aplicam ao esporte. Então, ela pediu ajuda ao ChatGPT.
Em segundos, o chatbot entregou um plano de aula de cinco páginas, inclusive oferecendo um tema: “A geometria está em toda parte no futebol — no campo, na bola e até no design dos estádios!”
O ChatGPT explicou o lugar das formas e ângulos em um campo de futebol. Sugeriu temas para conversas em sala de aula: Por que essas formas são importantes para o jogo? Propôs um projeto para os alunos projetarem seu próprio campo ou estádio de futebol usando réguas e transferidores.
"Usar IA foi um divisor de águas para mim", diz Sepúlveda, que leciona em uma escola bilíngue em Dallas e usa o ChatGPT para traduzir todo o material para o espanhol. "Está me ajudando no planejamento das aulas, na comunicação com os pais e no aumento do engajamento dos alunos."
Nos Estados Unidos, ferramentas de inteligência artificial estão mudando a profissão docente, com educadores que as utilizam para ajudar a elaborar questionários e planilhas, elaborar aulas, auxiliar na correção de notas e reduzir a burocracia. Muitos professores afirmam que a tecnologia os tornou melhores em suas funções ao permitir que gerenciem seu tempo com mais liberdade.
Uma pesquisa divulgada na quarta-feira (25) pela Gallup — organização especializada em análise de dados e pesquisas — e pela Walton Family Foundation revelou que 6 em cada 10 professores dos Estados Unidos que trabalham em escolas públicas de ensino fundamental e médio usaram ferramentas de IA em seu trabalho durante o último ano letivo. A pesquisa entrevistou mais de 2.000 professores em todo o país no mês de abril e descobriu que o uso foi mais intenso entre educadores do ensino médio e professores em início de carreira.
Andrea Malek Ash, consultora de pesquisa da Gallup e autora do relatório, afirma que os entrevistados que usam ferramentas de IA semanalmente estimam que economizam cerca de seis horas por semana, sugerindo que a tecnologia pode ajudar a aliviar o esgotamento dos professores.
Estados definem diretrizes para o uso de ferramentas de IA em salas de aula
À medida que as escolas lidam com as preocupações sobre o abuso da tecnologia por parte dos alunos, algumas também estão introduzindo diretrizes e treinamento para educadores, para que os professores estejam cientes de como evitar atalhos que prejudicam os alunos.
Cerca de 24 estados têm orientações estaduais de IA para escolas, mas a extensão em que ela é aplicada por escolas e professores é desigual, diz Maya Israel, professora associada de tecnologia educacional e educação em ciência da computação na Universidade da Flórida.
“Queremos ter certeza de que a IA não está substituindo o julgamento de um professor”, diz Israel.
Ela diz que, caso os professores estejam usando chatbots para correção de notas, devem estar cientes de que as ferramentas são boas para correções de "nível baixo", como provas de múltipla escolha, mas menos eficazes quando se exige sutileza. Deve haver uma maneira de os alunos alertarem os professores se a nota atribuída for muito rigorosa ou incoerente, e a decisão final sobre a correção deve ser do educador.
Cerca de 8 em cada 10 professores que usam ferramentas de IA afirmam que elas economizam tempo em tarefas de trabalho, como elaborar planilhas, avaliações, questionários ou trabalhos administrativos. E cerca de 6 em cada 10 professores que usam ferramentas de IA afirmaram que estão melhorando a qualidade do seu trabalho na modificação de materiais dos alunos ou no fornecimento de feedback aos alunos.
“A IA transformou a forma como ensino. Também transformou meus fins de semana e me proporcionou um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, diz Mary McCarthy, professora de estudos sociais do ensino médio na região de Houston, que tem usado ferramentas de IA para auxiliar nos planos de aula e outras tarefas.
Professora de Chicago, nos EUA, orienta alunos sobre uso de inteligência artificial.
AP Photo/Nam Y. Huh
McCarthy afirma que o treinamento que recebeu do distrito escolar sobre ferramentas de IA a ajudou a entender como fazer um uso correto da ferramenta com seus alunos.
"Se eu adotar um discurso de que: ‘IA é ruim e as crianças vão ficar burras’, bem, sim, isso pode acontecer se não ensinarmos a elas como usar a ferramenta" diz McCarthy. "Sinto que é minha responsabilidade, como o adulto na sala, ajudá-las a entender como navegar nesse futuro."
Inteligência Artificial: impactos na criação artística
Tecnologia deve ser usada com moderação, dizem professores
As visões sobre o papel da inteligência artificial na educação mudaram drasticamente desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022. Escolas dos EUA o proibiram inicialmente, mas desde então muitas têm buscado maneiras de incorporá-lo às salas de aula.
Preocupações com o uso excessivo e indevido por parte dos alunos ainda prevalecem: cerca de metade dos professores teme que o uso da IA ​​pelos alunos diminua a capacidade dos adolescentes de pensar de forma crítica e independente ou de ter persistência na resolução de problemas, de acordo com o estudo.
Um benefício que os professores veem em se familiarizarem mais com a inteligência artificial é a capacidade de detectar quando os alunos a estão usando em excesso.
Indícios de que as tarefas são escritas por ferramentas de IA incluem a ausência de erros gramaticais e frases complexas na escrita, diz Darren Barkett, professor de inglês de uma escola de ensino médio do Colorado. Ele conta que confia no ChatGPT para criar planos de aula e corrigir testes de múltipla escolha e redações.
No subúrbio de Chicago, a professora de arte do ensino fundamental Lindsay Johnson diz que usa apenas programas de IA aprovados pela escola e considerados seguros para uso com menores, por questões de privacidade de dados e outras questões. Para garantir que os alunos se sintam confiantes em suas habilidades, ela afirma que utiliza a tecnologia apenas em etapas finais dos projetos.
Para a avaliação final de seus alunos do 8º ano, Johnson pediu que fizessem o retrato de uma pessoa influente em suas vidas. Depois que os alunos deram os retoques finais nos retratos, Johnson introduziu a IA generativa para aqueles que queriam ajuda para criar o plano de fundo. Ela usou uma ferramenta de IA do Canva, após verificar com o departamento de TI de seu distrito se o software de design passou no teste de privacidade.
Professora usa ferramenta de IA em atividade com alunos em escola de Chicago, nos EUA.
AP Photo/Nam Y. Huh
“Como professora de arte, meu objetivo é mostrar a eles as diferentes ferramentas disponíveis e ensiná-los como elas funcionam”, disse ela. Alguns alunos não se interessaram pela ajuda. “Metade da turma disse: 'Tenho uma visão e vou continuar com ela.'”
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Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea

Brasileira que teve a maior nota da turma de Harvard em 2025 largou medicina na USP, onde estudava com a irmã gêmea
Sarah Aguiar Monteiro Borges é uma das vencedoras do Sophia Freund Prize 2025, concedido apenas a estudantes que alcançam o mais alto desempenho acadêmico da turma. Sarah Borges alcançou a nota mais alta da turma de 2025 de Harvard
Reprodução/Redes sociais
Sarah Aguiar Monteiro Borges, hoje com 23 anos, já tinha um motivo mais do que justificável para ser protagonista de uma reportagem do g1 Educação: em 2020, logo após ter se formado no ensino médio, foi aprovada em 5º lugar para o curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na mesma lista de selecionados, também estava… sua irmã gêmea, Sophia. Sim, as duas “passaram direto” em uma das graduações mais concorridas do país.
🌎Mas Sarah acabou dando um toque internacional para a reportagem que contaria sua trajetória acadêmica. Em 26 de março de 2020, um dia antes de seu aniversário, abriu um e-mail que a fez gritar pela casa e assustar a família inteira. “Eu achava que veria um ‘não’, mas estava escrito: ‘Congratulations!’ [parabéns, em inglês]”, diz, em uma entrevista ao g1. Ela havia sido aprovada para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Ok, temos, então, uma jovem:
aprovada em medicina na USP;
cursando a graduação ao lado da irmã gêmea;
selecionada, poucos meses depois, para Harvard, instituição de ensino prestigiada no mundo inteiro.
🤔Está suficiente? Não. Após quatro anos, Sarah formou-se em Psicologia e ainda foi a primeira brasileira a ganhar o Sophia Freund Prize (sim, Sophia) em Harvard, prêmio reservado a quem tira a nota final mais alta da turma e conclui o curso summa cum laude [entenda abaixo].
✏️O que isso significa? Nos Estados Unidos, especialmente em universidades como Harvard, o summa cum laude é o mais alto nível de honra acadêmica que um estudante pode receber ao terminar a graduação. É preciso atingir um padrão de excelência muito rigoroso, geralmente relacionado a um GPA (média de notas) elevadíssimo.
O anúncio chegou por e-mail durante a cerimônia de formatura, no fim de maio de 2025.
“Eu já estava emocionada, mas quando abri o celular e vi a mensagem, comecei a chorar de novo. Nunca imaginei isso”, conta.
Na turma de 2025, segundo o comunicado oficial de Harvard, Sarah e outros 53 alunos ganharam esse prêmio (entre quase 2 mil estudantes). Cada um receberá mil dólares (cerca de 5.500 reais) — além do imenso destaque no currículo.
📝A brasileira, por exemplo, já conquistou uma bolsa disputadíssima no doutorado da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para estudar Psiquiatria a partir do 2º semestre. A princípio, seria um mestrado – mas a própria orientadora recomendou que ela “pulasse” esse degrau (prática permitida nos EUA).
Nesta reportagem, leia mais sobre:
a dúvida de Sarah entre USP e Harvard;
todos os seus feitos durante um ano sabático, na pandemia;
a experiência no campus de Harvard, morando em uma 'casa do Harry Potter';
a tristeza em relação às políticas do presidente Trump para restringir alunos estrangeiros no país;
a dedicação a atividades extracurriculares e à aplicação para faculdades internacionais;
o desafio do doutorado no Reino Unido.
📝USP ou Harvard?
A decisão entre USP e Harvard não foi fácil. Ir para a universidade americana significaria necessariamente mudar de curso, porque os Estados Unidos não oferecem Medicina como graduação. Seria o caso de optar por outra carreira e estudar fora?
“Estava muito em dúvida. Lembro que liguei para vários amigos e refleti bastante, porque gostava de Medicina e estava admirada pelas oportunidades da USP. Mas queria também focar em pesquisa e explorar outros campos de conhecimento, como filosofia e sociologia. Meu interesse não era tanto por atender pacientes. Por isso, decidi ir para Harvard”, conta Sarah.
“Tive medo de desistir de um sonho, mas era só o começo de outro.”
Aluna brasileira tem a nota mais alta entre formandos da Universidade de Harvard em 2025
😷Antes de mais glórias, um ano sabático
A jovem havia saído de Goiânia e se mudado para São Paulo junto com Sophia, logo quando começaram a estudar na USP, em janeiro de 2020. Pouco tempo depois, em março, a universidade passou a oferecer só aulas on-line, por causa da pandemia da Covid-19. Foi quando as meninas voltaram para a cidade natal e receberam, já ao lado da família, a notícia da aprovação em Harvard.
➡️Sarah decidiu que solicitaria o “ano sabático” à universidade americana, para poder começar a estudar somente em agosto de 2021 — quando provavelmente a crise sanitária mundial estaria resolvida.
Ela ainda continuou o curso da USP até o início do segundo semestre de 2020. Dali em diante, até realmente se mudar para Harvard, usou o tempo livre para:
participar de projetos voluntários em Goiânia;
propor e organizar um curso on-line de Enem para uma ONG;
aprender a pintar e a tocar violão (essa última tarefa “não deu muito certo”, segundo ela própria).
“Essas experiências me fizeram sentir que dava para fazer algo naqueles tempos de desesperança”, afirma.
📽️Primeira vez no campus: ‘Parecia um filme’
Aos 20 anos, depois de um ano sabático e da pandemia, Sarah desembarcou sozinha nos Estados Unidos e foi recebida por uma família anfitriã voluntária.
“Eu passava pelas ruas de Cambridge [cidade em que fica Harvard] e pensava: meu Deus, vou estudar aqui! Parecia que eu estava dentro de um filme”, lembra.
Na universidade, ela morava no campus, em dormitórios que, segundo ela, seguem o modelo das houses de Harry Potter: cada estudante é acolhido em uma “casa” com refeitório próprio, áreas de convivência e uma pequena comunidade acadêmica.
“Eu tinha aprendido inglês nas escolas em Goiânia, mas não era fluente na fala. Nos primeiros dias, ficava insegura, mas a convivência te força a usar o idioma — e você vai aprendendo na marra.”
A rotina incluía aulas, encontros com tutores, seminários com professores renomados e atividades extracurriculares. Sarah ainda foi guia turística do campus da universidade, embaixadora do departamento de ciências sociais e tutora de colegas mais novos — atividades pelas quais recebia apoio financeiro adicional. Também recebia recursos pela bolsa Líderes Estudar, da Fundação Estudar, para se manter na instituição de ensino.
Nos primeiros semestres em Harvard, ela explorou diversas áreas: filosofia, ciência da computação, budismo e ciência política. A decisão final de escolher Psicologia como formação principal veio depois de uma aula introdutória do tema.
“Não teve mais volta. Vi que era aquilo que eu queria estudar. A psicologia social me permitia juntar ciência, comportamento humano e impacto social.”
🌎 Estudantes internacionais sob ataque: 'Me entristece ver esse tipo de discurso'
Durante a graduação, Sarah testemunhou o impacto das políticas anti-imigração adotadas nos Estados Unidos, especialmente as medidas do presidente Donald Trump para restringir a presença de estudantes estrangeiros nas universidades americanas.
Apesar de a jovem não ter sido diretamente afetada, porque já estava concluindo a faculdade, ela lamenta o impacto das novas regras na vida de quem sonha se formar no exterior.
“A presença de alunos internacionais foi o que mais me atraiu para Harvard. Eles tornam o campus mais rico, mais diverso. Ver discursos querendo tirar essas pessoas da universidade me entristece muito”, diz.
“Talvez eu tenha aprendido mais convivendo com colegas de outros países do que nas próprias aulas.”
📖Dedicação desde o ensino fundamental
Sarah estudou em colégios privados, com auxílios financeiros parciais. Sempre participou de todas as atividades extracurriculares possíveis (teatro, xadrez, natação, artes etc.) e foi estimulada por seus pais a se dedicar aos estudos. A mãe, que trabalhou por anos como professora, ainda contribuiu para transmitir o gosto pela educação e pelas ciências sociais.
➡️Apesar de ter ganhado diversas medalhas em olimpíadas científicas e ficado em 1º lugar em rankings de simulados, ela só começou a considerar estudar fora do Brasil no último ano do ensino médio, após incentivo da irmã mais velha.
“Eu nem sabia por onde começar. Muita gente paga consultoria, mas eu encontrei a BRASA, que oferece mentorias gratuitas. Faltava uma semana para o prazo, me inscrevi correndo e fui aceita.”
Ela precisou traduzir históricos escolares, escrever redações pessoais, fazer provas específicas como SAT e testes de proficiência em inglês — além de revisar toda a trajetória extracurricular desde o 9º ano.
“Lembro de estudar com apostilas do ensino médio e o livrão do SAT ao mesmo tempo. Meus professores ficavam em choque.”
🎓Próximos desafios: doutorado
Depois de encerrar a graduação com a maior nota da turma de Harvard, Sarah Borges se prepara para um novo desafio: o doutorado em psiquiatria na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. A brasileira foi aceita com bolsa integral da Gates Cambridge, uma das mais competitivas do país, voltada a jovens com potencial de liderança e impacto social global.
Ela foi indicada ao programa pela própria universidade, após um processo que envolveu entrevistas com professores e envio de propostas de pesquisa. Seu foco, a princípio, será na saúde mental de jovens brasileiros.
“Quero entender se os serviços de saúde mental no Brasil são eficazes, para quem funcionam melhor e por quê”, resume.
A pesquisa vai investigar não só a redução de sintomas psicológicos, mas também os efeitos dos tratamentos no desempenho escolar, nas relações sociais e na qualidade de vida dos jovens atendidos.
O programa começa em setembro. Até lá, Sarah aproveita os meses de férias com a família em Goiânia.
“Vejo, pela trajetória da minha irmã, que ficar na USP teria me aberto muitas portas também. Mas acabamos seguindo caminhos diferentes. Sinto falta de ter todos por perto e é sempre difícil me despedir. Mas são oportunidades incríveis. A vida passa rápido — e quero aproveitá-la ao máximo.”
Vídeo: alunos estrangeiros sentem-se ameaçados por Trump
Abaixo, veja um vídeo sobre as recentes decisões do presidente americano Donald Trump para restringir a presença de alunos estrangeiros em universidades dos EUA.
Acuados por Trump, estudantes estrangeiros apagam redes e evitam sair de casa